Essas semanas estou numa onda de leituras biográficas. Li o Tim Maia e o Noites Tropicais, ambos do Nelson Motta, estou terminando o do André Midani (onde, descaradamente, ele desmente um dos eventos narrados pelo Nelson Motta no Noites Tropicais, quando supostamente o Tim Maia destruiu toda sua sala na presidência de uma gravadora no Brasil). E comecei a ler o do Tom Jobim, do Sérgio Cabral. No livro, Sérgio relata que Tom o chamava "meu biógrafo". E pensei: quem fará a biografia do Sérgio Cabral? E se todos tivessem um biógrafo atrás de si, quem seria o biógrafo dos biógrafos?
Não sou o Tom Jobim. Deixo registrado aqui que adoraria ter a importância de alguém que merece a companhia de um biógrafo pessoal. Sorte do Tom que o Sérgio Cabral não se foi antes dele (é premissa que o personagem tenha batido as botas para que o biógrafo faça seu trabalho por completo). Mais sorte ainda foi ser pesquisado "em vida", e por um amigo. Alguns não têm esta mesma sorte. O Sérgio assina a biografia do Ary Barroso. E quem disse que os dois viveram carne-e-osso como com o Tom Jobim?
Como não sou o Tom, e não tenho meu biógrafo, coube-me sacar a importância do Progresso, este singelo blog à moda antiga, à la Meu Querido Diário. Meus filhos - tomara que eu os tenha - terão coisas suficientes aqui pra fuxicar quando eu me for. Matar a saudade, e colher algumas inspirações - tomara que as queiram. Como já tenho a mulher da minha vida, que aniversaria HOJE, sinto-me também na obrigação de deixar registros vitalícios para que ela desfrute deles quando tiver saudades e eu tiver me ido desta vida. Decerto, encontrará várias respostas aos meus fenômenos psicológicos imediatamente, se assim reler uma coisa aqui, outra ali.
De repente isto aqui passa a significar alguma coisa para terceiros, nunca podemos esquecer que a vida é imprevisível. Vou registrar o Progresso como "Meu Biógrafo". Eu forneço as linhas da minha vida, e ele se lembra delas enquanto o Google viver. E personagens tão aleatórios e incógnitos como eu também podem fazer sua visita e perder um pouco de seu precioso tempo nessa coisa nostálgica que é a visita ao passado.
Tem vários baratos ao ler estas biografias. Primeiro, que elas me ensinam muito sobre o mercado musical, como as coisas acontecem, e quem são os personagens que os fazem acontecer. Hoje não é igual como há cinqüenta anos, mas ainda resta muita coisa em comum. Segundo, é fácil você se achar íntimo dos biografados. Terceiro, você encaixa as peças de um quebra-cabeças, que é o da MPB. Os mesmos personagens se repetem. Exemplo: aprendi que o Gilberto Gil é um cara super camarada, amado por todos, de uma inteligência social incrível e que se sacrificou por vários amigos. E ele não foi nenhum dos biografados que eu li.
Dessa forma, repenso aquela máxima de que "blog pessoal de cú é rola". Se você quer se deixar um pouco imortalizado, pelo menos pras pessoas que vêm, é bom ter um blog do tipo Meu Querido Diário.
Ces't tout.
sábado, novembro 29, 2008
sexta-feira, novembro 28, 2008
A Continuidade
Oitenta por cento das coisas
Que eu prometo ou planejo, não faço.
Das que faço,
Vinte por cento são responsáveis
Por oitenta por cento da minha satisfação.
Das que não faço
Vinte por cento seriam responsáveis
Por mais-que-dobrar minha felicidade.
Mas... Como escolher o que descartar?
Sujeito-me ao acaso, à intuição
E por vários momentos, à impulsividade
É a desigualdade das coisas que nos fazem bem:
Fazê-las leva tempo, e mesmo acreditando,
Nunca saberemos se de fato nós estávamos certos.

Que eu prometo ou planejo, não faço.
Das que faço,
Vinte por cento são responsáveis
Por oitenta por cento da minha satisfação.
Das que não faço
Vinte por cento seriam responsáveis
Por mais-que-dobrar minha felicidade.
Mas... Como escolher o que descartar?
Sujeito-me ao acaso, à intuição
E por vários momentos, à impulsividade
É a desigualdade das coisas que nos fazem bem:
Fazê-las leva tempo, e mesmo acreditando,
Nunca saberemos se de fato nós estávamos certos.
terça-feira, novembro 25, 2008
O Pop Procura o Inusitado
A mídia aplaude o namoro pedófilo entre o marmanjo compositor Marcelo Camelo e a adolescente Mallu Magalhães, cujas composições in English, suas influências londrinas e suas visitas estrangeiras no myspace encantaram o descerebrado quarto poder brasileiro, que a enfiou goela abaixo do povo. E isso não despertou nenhum inquérito.
Mallu foi uma zebra da música brasileira. Um cisne negro. Tomara que traga algo de bom, que não seja uma modinha. Que eduque os ouvidos, de preferência. De maneira planejada ou não, Zé Ramalho já estava pra embarcar nas ondas do Bob Dylan.
O evento promoveu Camelo de uma forma que suas composições (seu principal negócio, e motivo pelo qual deveria tornar-se mais e mais famoso) não haviam conseguido nos últimos tempos.
Veja bem, não estou explicando ou induzindo nada. Estou apenas expondo as coisas. Não o acho um compositor ruim, até aprendi algumas coisas bem legais ouvindo músicas dele (alguns truques muito fodas, por sinal).
Torço pra que o próximo hit de Camelo seja uma de suas canções, e não a notícia do término de seu namoro com uma guria que acabou de aprender a escrever. Em Inglês.
Mallu foi uma zebra da música brasileira. Um cisne negro. Tomara que traga algo de bom, que não seja uma modinha. Que eduque os ouvidos, de preferência. De maneira planejada ou não, Zé Ramalho já estava pra embarcar nas ondas do Bob Dylan.
O evento promoveu Camelo de uma forma que suas composições (seu principal negócio, e motivo pelo qual deveria tornar-se mais e mais famoso) não haviam conseguido nos últimos tempos.
Veja bem, não estou explicando ou induzindo nada. Estou apenas expondo as coisas. Não o acho um compositor ruim, até aprendi algumas coisas bem legais ouvindo músicas dele (alguns truques muito fodas, por sinal).
Torço pra que o próximo hit de Camelo seja uma de suas canções, e não a notícia do término de seu namoro com uma guria que acabou de aprender a escrever. Em Inglês.
Hoje Fui ao Cinemark
Ouvi uma trilha fantástica antes do filme. Uma tal de Rádio Trama. Me impressionou muito a qualidade da reprodução. Se as casas de show tivessem o mesmo equipamento dos cinemas, haveria mais público, e o Tim Maia nunca reclamaria do técnico de som.
Pra dar uma idéia, do saguão, comprando pipoca, estávamos ouvindo Último Desejo, de Noel Rosa. A voz era feminina, mas muito abafada, e o violão meio vintage, dava um climinha. Entrando na sala, o som foi desabafando, o violão ficou cristalino, e a Manu acertou a voz: era da Gal. O Fênix canta no mesmo tom, exatamente, e tem até uma pegada parecida nessa música. O violão era um show à parte: Chico Pereira. Seguiram-se interpretações, sempre no tema Noel Rosa, de João Bosco, Maria Bethânia e Rosa Passos, interrompida nos primeiros segundos para o início do filme. Se me oferecessem a trilha da rádio na saída, eu estaria tentado a comprar.
Me perguntei quais serão os novos modelos de negócio do mundo da música. Só sei que morrer não vai, porque não dá.
Pra dar uma idéia, do saguão, comprando pipoca, estávamos ouvindo Último Desejo, de Noel Rosa. A voz era feminina, mas muito abafada, e o violão meio vintage, dava um climinha. Entrando na sala, o som foi desabafando, o violão ficou cristalino, e a Manu acertou a voz: era da Gal. O Fênix canta no mesmo tom, exatamente, e tem até uma pegada parecida nessa música. O violão era um show à parte: Chico Pereira. Seguiram-se interpretações, sempre no tema Noel Rosa, de João Bosco, Maria Bethânia e Rosa Passos, interrompida nos primeiros segundos para o início do filme. Se me oferecessem a trilha da rádio na saída, eu estaria tentado a comprar.
Me perguntei quais serão os novos modelos de negócio do mundo da música. Só sei que morrer não vai, porque não dá.
domingo, novembro 16, 2008
O Que Basta
Aquele que define seu passo
Tem nas mãos a vida que escolher
se falta amor, planta,
Se sobre carinho, dá,
Porque nunca tanto se precisou
Da verdadeira mão
Senhora da fraternidade
Sem sinais de culpa ou cobrança
Dedos que afagam
Tão somente por caridade
Quem mal afagou
Foi aquele
Que por mero interesse doou
Fingindo dar pra enganosamente tirar
Planejou tudo: furtou e voou
Todos os campos estão assim
Os de concentração, de vida e de guerra
Basta dar,
Basta ter o que tomar.
Tem nas mãos a vida que escolher
se falta amor, planta,
Se sobre carinho, dá,
Porque nunca tanto se precisou
Da verdadeira mão
Senhora da fraternidade
Sem sinais de culpa ou cobrança
Dedos que afagam
Tão somente por caridade
Quem mal afagou
Foi aquele
Que por mero interesse doou
Fingindo dar pra enganosamente tirar
Planejou tudo: furtou e voou
Todos os campos estão assim
Os de concentração, de vida e de guerra
Basta dar,
Basta ter o que tomar.
sexta-feira, novembro 07, 2008
quinta-feira, novembro 06, 2008
À Distância
Resolvi que faria um novo post. Ontem, ao voltar pra casa, fui agraciado por uma chuvinha daquelas que molha a rua e, sendo a Gávea o lugar verde que é, espalha o perfume das árvores pelo ar. Foi muito bom andar até o baixo pra pegar o ônibus de volta. Daqui a pouco realizo o mesmo trajeto de ontem, mas provavelmente sem chuvinha.
À distância. Mas não inativo. Tenho aprendido mil coisas sobre música, sobre produção musical, e resolvi que faria um blog pra compartilhar meus conhecimentos adquiridos sobre a discografia brasileira. Está aqui, escrevo-o em inglês e narro-o em inglês para voltar a exercitar a língua:
www.loungebr.com
Estou ainda no terceiro podcast, mas já fui ouvido por mais de cento e vinte pessoas, e no meio desse povo, o blog até mereceu uma menção em um outro blog estrangeiro, que fala sobre coisas de marketing na internet etc. Aparentemente agradou.
Com este podcast, também promovo a um segundo nível meus novíssimos conhecimentos de mixagem e gravação, e passo a utilizar para algo mais produtivo o meu home studio. A meu próprio serviço.
À distância. Mas não inativo. Tenho aprendido mil coisas sobre música, sobre produção musical, e resolvi que faria um blog pra compartilhar meus conhecimentos adquiridos sobre a discografia brasileira. Está aqui, escrevo-o em inglês e narro-o em inglês para voltar a exercitar a língua:
www.loungebr.com
Estou ainda no terceiro podcast, mas já fui ouvido por mais de cento e vinte pessoas, e no meio desse povo, o blog até mereceu uma menção em um outro blog estrangeiro, que fala sobre coisas de marketing na internet etc. Aparentemente agradou.
Com este podcast, também promovo a um segundo nível meus novíssimos conhecimentos de mixagem e gravação, e passo a utilizar para algo mais produtivo o meu home studio. A meu próprio serviço.
quarta-feira, setembro 10, 2008
Large Hadron Collider Rap
Duas bobagens seguidas são improváveis neste blog. Mas aí vai. Um Rap (em inglês) que explica o porquê e o contexto do Large Hadron Collider. Featuring Stephen Hawking.
Muito engraçado e elucidativo :)
Muito engraçado e elucidativo :)
terça-feira, setembro 09, 2008
segunda-feira, agosto 25, 2008
Lembraças Adolescentes
Smashing Pumpkins me traz lembranças da minha primeira grande paixão. Eu era tão platônico... Amo muito da pessoa que fui.
sexta-feira, julho 25, 2008
Milhares de Selos
A contrapartida do crash das grandes gravadoras é a de que, em compensação, tornou-se muito, muito barato fazer um disco. Os novos artistas estão aí: praticamente donos de seus próprios bazares. Até um novo império da música se formar na própria web, muita água vai rolar.
Meus agradecimentos a Shawn Fanning pelo Napster, à Apple pelo Ipod, e a Suzanne Vega pelo MP3.
É como se uma represa tivesse se rompido. De repente, a música começou a fluir no mundo inteiro, descontroladamente - de todos para todos. Os canais proprietários de grandes gravadoras não mais são tão importantes assim, e quem nunca se viu em condições de fazer um disco, hoje pode sonhar em ter seu trabalho bem gravado e conhecido.
Se vira mania ou não, depende inteiramente da qualidade.
Meus agradecimentos a Shawn Fanning pelo Napster, à Apple pelo Ipod, e a Suzanne Vega pelo MP3.
É como se uma represa tivesse se rompido. De repente, a música começou a fluir no mundo inteiro, descontroladamente - de todos para todos. Os canais proprietários de grandes gravadoras não mais são tão importantes assim, e quem nunca se viu em condições de fazer um disco, hoje pode sonhar em ter seu trabalho bem gravado e conhecido.
Se vira mania ou não, depende inteiramente da qualidade.
sexta-feira, julho 18, 2008
Fulgor
O que há no meu peito
Além de carne viva,
Senão a rubra nobreza
Vertida em tensão, trabalho,
Descanso e descaso?
O que existe de muito maior
Do que a superfície dos alvéolos
Senão todo o céu que suspirei?
O que há no meu ventre
Além do gofo e da bílis
Senão a glacial torrente
Precedente a todos os três meses
Do peremptório verão de Sol a pino
Que tua nudez me descarrega?
O que existe no meu corpo
Além dos ossos e da cartilagem rente
Além da descampada relva sacra?
Além de qualquer sentimento coerente
Está uma única nota fisgada
Ela é vociferada esôfago afora
Amplificada na garganta
Salmodiada liricamente
Em uma singela e angelical cantata
O que há em mim além de gente
Senão mágoas, marcas, fulgores e alentos
Noites simples, sonhos, timo,
E um coração que ama?

Além de carne viva,
Senão a rubra nobreza
Vertida em tensão, trabalho,
Descanso e descaso?
O que existe de muito maior
Do que a superfície dos alvéolos
Senão todo o céu que suspirei?
O que há no meu ventre
Além do gofo e da bílis
Senão a glacial torrente
Precedente a todos os três meses
Do peremptório verão de Sol a pino
Que tua nudez me descarrega?
O que existe no meu corpo
Além dos ossos e da cartilagem rente
Além da descampada relva sacra?
Além de qualquer sentimento coerente
Está uma única nota fisgada
Ela é vociferada esôfago afora
Amplificada na garganta
Salmodiada liricamente
Em uma singela e angelical cantata
O que há em mim além de gente
Senão mágoas, marcas, fulgores e alentos
Noites simples, sonhos, timo,
E um coração que ama?
Sobre Kind Of Blue
Excelente mesmo. Disco revolucionário do Miles Davis, como um monte de gente já sabe, e eu estava devendo sua audição. Mas a versão que tenho, infelizmente, tem um problema sério: o trompete e o sax são altos demais. Eu queria ouvir mais os outros instrumentos, e o efeito de ambiência, que espalha lentamente o som pelos nos ouvidos. Interessante.
terça-feira, julho 15, 2008
Aula com Guinga
Ele: "Acho que daí você podia vir por esse caminho, ó..."
Tocou um outro acorde, que não o que eu escolhera.
Eu: "Esse acorde é muito maneiro. Que intervalo é esse aqui no meio, hein?"
Ele: "Esquece o intervalo. Ouviu? Você achou bonito?"
Eu: "Muito."
Ele: Então, pra compor, você ouve primeiro, e escolhe. Depois faz a análise.
Tocou um outro acorde, que não o que eu escolhera.
Eu: "Esse acorde é muito maneiro. Que intervalo é esse aqui no meio, hein?"
Ele: "Esquece o intervalo. Ouviu? Você achou bonito?"
Eu: "Muito."
Ele: Então, pra compor, você ouve primeiro, e escolhe. Depois faz a análise.
segunda-feira, julho 14, 2008
Hellboy II
Estou ouvindo a trilha sonora de Hellboy II. Não vi o filme (ainda), mas também... I don't care that much. A trilha, essa sim me interessa. Foi feita por Danny Elfman.
Lembra da trilha sonora encantadora de Edwards Mãos de Tesoura? Foi o mesmo cara.
Lembra da trilha sonora encantadora de Edwards Mãos de Tesoura? Foi o mesmo cara.
quarta-feira, julho 09, 2008
Dissaber
Quando aprendo, não crio
Quando crio, desaprendo
Refazendo o caminho, entendo
Desenfreadamente compreendo
Outra vez percorrida a lição
Retrabalho os desvarios
Ressabio meus equívocos
Contestes de uma vida torta
Variando a tentativa
Reforço minha cabeça oca
Quando acerto, é só de boca
Papo de argumentista
Procuro na palavra
A retórica afleumada
Sofisma arquiburocrático
Peneira das desverdades
Perversidade emblemática
Maldade desmedida.
Quando crio, desaprendo
Refazendo o caminho, entendo
Desenfreadamente compreendo
Outra vez percorrida a lição
Retrabalho os desvarios
Ressabio meus equívocos
Contestes de uma vida torta
Variando a tentativa
Reforço minha cabeça oca
Quando acerto, é só de boca
Papo de argumentista
Procuro na palavra
A retórica afleumada
Sofisma arquiburocrático
Peneira das desverdades
Perversidade emblemática
Maldade desmedida.
Você Quer Ficar Sem P2P?
As redes de compartilhamento de informações (Emule, Kazaa, Torrent etc) estão prestes a serem consideradas redes criminosas. Quero dizer, uma parte importante da revolução digital causa medo em um bando de velhacos que não sabem mexer sequer no word. Ao invés de fazer um cursinho por aí, eles pensam em inibir o conhecimento dos outros.
Eu sei que isso não vai longe. Assim que for considerada crime, alguém vai surgir com redes criptografadas ultra-sigilosas. Vai dar no mesmo. Todo mundo vai continuar fazendo downloads. Só de raiva.
Pra poupar o tempo desses sábios programadores, vote contra este projeto de lei AQUI. Na pior das hipóteses, vai sobrar tempo pra se preocuparem com assassinos, traficantes, seqüestradores etc.
Não adianta. Isso não tem condições de ir pra frente. Mas pelo menos faça a sua parte.
Eu sei que isso não vai longe. Assim que for considerada crime, alguém vai surgir com redes criptografadas ultra-sigilosas. Vai dar no mesmo. Todo mundo vai continuar fazendo downloads. Só de raiva.
Pra poupar o tempo desses sábios programadores, vote contra este projeto de lei AQUI. Na pior das hipóteses, vai sobrar tempo pra se preocuparem com assassinos, traficantes, seqüestradores etc.
Não adianta. Isso não tem condições de ir pra frente. Mas pelo menos faça a sua parte.
quinta-feira, junho 26, 2008
Falei Com Os Senadores Sobre a CSS
Através do blog Formigas Com Megafone, descobri que há uma lista remissiva dos emails dos senadores do nosso país. Precisamente oitenta e um endereços. Resolvi então mandar um manifesto educado, como cidadão e pagador de impostos que sou, para todos eles. Copiei todos os endereços na mão e preparei minha mensagem:
Para o meu espanto, nenhum dos emails voltaram. Isto significa que todos estão ativos e suas caixas não estão abarrotadas. Bom sinal.
Para a minha consternação, eu recebi quase que imediatamente, às 21hrs da noite, a seguinte resposta do Senador Álvaro Dias:
Isto mesmo. Um senador me respondeu imediatamente, dentre os oitenta e um que receberam. Vamos ver nos próximos dias quantos deles darão atenção à mensagem. Senhor Álvaro Dias, muito obrigado por me responder. Quanto a saber se o que me dizes é verdade ou não, isto eu não sei. Ninguém sabe. Gostaria muito de acreditar, mas o nosso país está desse jeito, descreditado.
Para que ninguém passe pelo mesmo suplício que eu passei, montei um esqueminha esperto para que você também possa se comunicar com os senadores via email. Via gmail:
É só mandar para este endereço, que todos os senadores receberão a mensagem. Caso você queira a lista, compartilho aqui com você:
adelmir.santana@senador.gov.br,
almeida.lima@senador.gov.br,
mercadante@senador.gov.br,
alvarodias@senador.gov.br,
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Ainda há um último detalhe. A mensagem que enviei para os senadores foi de dentro do email todosossenadores@gmail.com, e toda mensagem que esta conta recebe é redirecionada para a lista de todos os senadores. Pegou o "curto-circuito"? É isto o que eu chamo Transparência Governamental...
Senhores,
Como cidadão brasileiro e, portanto, um pagante de impostos, venho por meio deste solicitar o veto da CSS. O povo não está disposto a sofrer mais um grande período impedido de realizar transações comerciais por receio de taxações sobre taxações. Isto é um absurdo inaceitável, e inibe a movimentação de dinheiro, por motivos óbvios.
Um abraço,
Rodrigo.
Para o meu espanto, nenhum dos emails voltaram. Isto significa que todos estão ativos e suas caixas não estão abarrotadas. Bom sinal.
Para a minha consternação, eu recebi quase que imediatamente, às 21hrs da noite, a seguinte resposta do Senador Álvaro Dias:
Da tribuna do Senado já me pronunciei contra essa aberração constitucional aprovada pela Câmara. O projeto que restabelece a CPMF com o apelido de CSS é afronta ao povo brasileiro que não agüenta mais pagar tanto imposto. Não há argumento inteligente que possa justificar essa atitude do governo. Falar em Reforma Tributária e aprovar projeto criando novo imposto é falsidade. A CSS é um escárnio, um equívoco e uma afronta à sociedade. A verdade é que nunca se arrecadou tanto imposto no Brasil. Os brasileiros não agüentam mais esta pesada carga tributária. A arrecadação está tão boa que outro dia o governo pediu ao Congresso autorização para repassar ao BNDES 12,5 bilhões de reais para que ele financie projetos em outros países, como o metrô de Caracas, na Venezuela.Há,portanto,dinheiro suficiente para aplicar na Saúde, sem ser preciso sacrificar ainda mais o contribuinte brasileiro.O Senado deve rejeitar essa ofensa à inteligência nacional. Desde já esclareço que vou votar contra a aprovação deste novo imposto que o governo do PT quer impor ao povo brasileiro.
Grato pela mensagem e receba o meu cordial abraço,
Álvaro Dias
Isto mesmo. Um senador me respondeu imediatamente, dentre os oitenta e um que receberam. Vamos ver nos próximos dias quantos deles darão atenção à mensagem. Senhor Álvaro Dias, muito obrigado por me responder. Quanto a saber se o que me dizes é verdade ou não, isto eu não sei. Ninguém sabe. Gostaria muito de acreditar, mas o nosso país está desse jeito, descreditado.
Para que ninguém passe pelo mesmo suplício que eu passei, montei um esqueminha esperto para que você também possa se comunicar com os senadores via email. Via gmail:
todosossenadores@gmail.com
É só mandar para este endereço, que todos os senadores receberão a mensagem. Caso você queira a lista, compartilho aqui com você:
adelmir.santana@senador.gov.br,
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Ainda há um último detalhe. A mensagem que enviei para os senadores foi de dentro do email todosossenadores@gmail.com, e toda mensagem que esta conta recebe é redirecionada para a lista de todos os senadores. Pegou o "curto-circuito"? É isto o que eu chamo Transparência Governamental...
quarta-feira, junho 04, 2008
O Chris Anderson Diz
Que tudo será grátis no futuro:
Leia aqui.
Eu falei sobre isso neste blog, há alguns anos atrás. Mas eu não sou o Chris Anderson, editor chefe da Wired, e eleito uma das mentes mais influentes do mundo. Agora, eu mesmo posso começar a pensar que isto seja verdade ;-)
Leia aqui.
Eu falei sobre isso neste blog, há alguns anos atrás. Mas eu não sou o Chris Anderson, editor chefe da Wired, e eleito uma das mentes mais influentes do mundo. Agora, eu mesmo posso começar a pensar que isto seja verdade ;-)
segunda-feira, maio 26, 2008
Primeiras Composições Na Rua
Manu estreou recentemente duas composições minhas no palco. A primeira foi Nega Panela, que fizemos em parceria. Virou o tal lá do maxixe, que é um ritmo muito simpático. A outra se chama Mulher Jangadeira, cujo vídeo pode ser assistido aqui, no site da Manu. Espero que gostem ;)
quinta-feira, maio 08, 2008
O Infigurável Passageiro
Da trama existencial
Sou apenas uma peça
Peça única, sem igual,
Mas mesmo assim, passageira.
Quando eu passar,
Onde aportarei?
Será meu mar este aqui,
O inicial?
Quanto tempo durará
O meu tempo de passar?
E se passar o passageiro agora,
Onde permanecerei?
Se me for para sempre
Será o passageiro, assim,
Uma idéia tão distante por lá?
Mas e se lá for como aqui?
Seria o aqui, lá?
Seja lá como for
Se lá como aqui não for
Não sei se de lá gostarei.

Sou apenas uma peça
Peça única, sem igual,
Mas mesmo assim, passageira.
Quando eu passar,
Onde aportarei?
Será meu mar este aqui,
O inicial?
Quanto tempo durará
O meu tempo de passar?
E se passar o passageiro agora,
Onde permanecerei?
Se me for para sempre
Será o passageiro, assim,
Uma idéia tão distante por lá?
Mas e se lá for como aqui?
Seria o aqui, lá?
Seja lá como for
Se lá como aqui não for
Não sei se de lá gostarei.
sexta-feira, maio 02, 2008
Mulher Jangadeira
Eu danço na areia
Dos rios de ouro
De leitos de barro
Água que corre na beira
Mulher jangadeira
Tem os pés descalços
Ê, é cacimba de Eira
Ê, são segredos de mar
Sacode, sacode, ribeira!
Feito sereia eu desço
Pois não tenho medo
Nem de Caninana
Vou de peixeira e terço
São meus adereços
De guarda e de calma
Oi, são panos modestos
Que uso de vestes
Mas tenho o perfume
Que a mata me cede
Sou tipo rasteira
Ninguém me domina
Que eu sou Jangadeira
Sacode, sacode, ribeira!

Dos rios de ouro
De leitos de barro
Água que corre na beira
Mulher jangadeira
Tem os pés descalços
Ê, é cacimba de Eira
Ê, são segredos de mar
Sacode, sacode, ribeira!
Feito sereia eu desço
Pois não tenho medo
Nem de Caninana
Vou de peixeira e terço
São meus adereços
De guarda e de calma
Oi, são panos modestos
Que uso de vestes
Mas tenho o perfume
Que a mata me cede
Sou tipo rasteira
Ninguém me domina
Que eu sou Jangadeira
Sacode, sacode, ribeira!
terça-feira, abril 29, 2008
O Despertar do Engano
Ao que se compara
O deplorável embaraço
De te confundir com o amor
Que tanto espero chegar?
A minha fome de alma insaciada
Projetou sobre ti
O avatar que pretendia adorar
De tanto ver teus sinais -
Cegamente, somente os intersectos
Daqueles que exatamente
Emitiria quem ousaria me amar -
Encontro-me mergulhado
Num lago de dez mil dos teus corações,
E agora é tarde.
Completamente constrangido,
Troco a moeda da amizade pela da paixão.
Tento acordar da embriaguez do amor,
Mas agora é tarde.
Finjo, como o tolo de álcool,
Não lembrar minha vergonha,
Mas para isto também é tarde.
Ajo como se nada tivesse ocorrido,
Mas não importa, é tarde.
Tento trocar autor e alvo,
Sobrepor intenção ao fato,
Mas é inutilmente tarde.
Em sonhos retorno no tempo,
Mas repito o feito,
Porque lá também é tarde.
E até mesmo para simplesmente
Recuperar o troco do amor cedido
Pela paixão dada
Para reconstruir uma amizade,
Como do nada,
É decerto, também,
Em absoluto,
Muito, muito tarde.

* Esta é uma poesia que escrevi em resposta à sugestão do Reinaldo, ali na Shoutbox.
O deplorável embaraço
De te confundir com o amor
Que tanto espero chegar?
A minha fome de alma insaciada
Projetou sobre ti
O avatar que pretendia adorar
De tanto ver teus sinais -
Cegamente, somente os intersectos
Daqueles que exatamente
Emitiria quem ousaria me amar -
Encontro-me mergulhado
Num lago de dez mil dos teus corações,
E agora é tarde.
Completamente constrangido,
Troco a moeda da amizade pela da paixão.
Tento acordar da embriaguez do amor,
Mas agora é tarde.
Finjo, como o tolo de álcool,
Não lembrar minha vergonha,
Mas para isto também é tarde.
Ajo como se nada tivesse ocorrido,
Mas não importa, é tarde.
Tento trocar autor e alvo,
Sobrepor intenção ao fato,
Mas é inutilmente tarde.
Em sonhos retorno no tempo,
Mas repito o feito,
Porque lá também é tarde.
E até mesmo para simplesmente
Recuperar o troco do amor cedido
Pela paixão dada
Para reconstruir uma amizade,
Como do nada,
É decerto, também,
Em absoluto,
Muito, muito tarde.
* Esta é uma poesia que escrevi em resposta à sugestão do Reinaldo, ali na Shoutbox.
Edições
Esses dias tive um conto selecionado pela editora Andross para entrar em uma coletânea de microcontos. Infelizmente, tive que recusar o convite, pois teria que ir a São Paulo, e me comprometer a vender uma certa cota de livros. Neste momento não posso me comprometer desta forma, com certeza os livros ficariam encalhados e eu não poderia ir a Sampa. De qualquer maneira, está aqui o referido conto:
O Mantra das Aparições
Espero que gostem. O quarto conto da série Segredos da Mente Elástica está pronto, falta apenas uma formatação e a seleção de uma fotografia. Apesar de tão pouco - 4 contos, apenas - manter essa direção pra mim é um recorde.
Para quem ainda não conhece, Segredos da Mente Elástica é o projeto que estou escrevendo de um romance não-linear com pitadas levíssimas de Sci-Fi. Não há um protagonistas, porém todos os contos se passam dentro do mesmo universo:
Segredos da Mente Elástica
O Mantra das Aparições
Espero que gostem. O quarto conto da série Segredos da Mente Elástica está pronto, falta apenas uma formatação e a seleção de uma fotografia. Apesar de tão pouco - 4 contos, apenas - manter essa direção pra mim é um recorde.
Para quem ainda não conhece, Segredos da Mente Elástica é o projeto que estou escrevendo de um romance não-linear com pitadas levíssimas de Sci-Fi. Não há um protagonistas, porém todos os contos se passam dentro do mesmo universo:
Segredos da Mente Elástica
Agradecimentos
João Francisco e Manu Santos... Ô gente pra conhecer música brasileira. Como eu aprendo com esses dois.
Valeu.
Valeu.
segunda-feira, abril 21, 2008
Contato de Grau Virtual
Acabei de publicar mais um Segredo da Mente Elástica :)
Mudei o nome do projeto literário, pra ter um pouco mais de apelo comercial.
Contato de Grau Virtual
Tive um pouco de dificuldade de ligar a história e fazer este terceiro conto. Mas tá aí. Aprecie, reclame, revise, propague... Tudo é bem-vindo.
Mudei o nome do projeto literário, pra ter um pouco mais de apelo comercial.
Contato de Grau Virtual
Tive um pouco de dificuldade de ligar a história e fazer este terceiro conto. Mas tá aí. Aprecie, reclame, revise, propague... Tudo é bem-vindo.
quinta-feira, abril 17, 2008
Em Estado de Graça
Digamos que eu esteja neste estado hoje. Sim, pois ontem eu assisti a um show maravilhoso. Pra mim, até agora, foi o show do ano, sem sombra de dúvidas: Áurea Martins, Hermínio Belo de Carvalho e Ângela Evans, menos conhecida, mas não menos aclamada. Foi no Centro Cultural Carioca, na Rua do Teatro, ao lado do Teatro João Caetano, em plena Praça Tiradentes, Centro do Rio de Janeiro.
Foi lindo. Toda a concepção do espetáculo merece aplausos de pé. Também, não foi por menos. Os principais envolvidos eram o próprio Hermínio e Cristóvão Bastos. O formato do espetáculo, o palco, as luzes... Tudo era glorioso e, ao mesmo tempo, simples.
A apresentação é introduzida por uns vídeos com divas da música de outrora: Aracy de Almeida de cara, com todo seu palavreado típico. Tudo à la documentário, cujo interlocutor era o próprio Hermínio.
De forma teatral, ele introduz a primeira canção intercalada com textos maravilhosos e poéticos - certamente de seu próprio punho. Irremediavelmente irreverente, ele destoa nas melodias e passa à música falada num piscar de olhos, com toda a autoridade de ser um dos mais reconhecidos artistas brasileiros.
Absolutamente casual foi o Hermínio.
Ângela Evans: deslumbrante em um vestido preto e um sorriso largo, agudos e saltos melódicos controladíssimos. Pecou em alguns pontos, ao meu ver, confesso: seu canto estava um pouco anasalado, e me fez a maior parte das vezes não entender a letra da música, apesar da melodia perfeitamente entoada. Outro ponto contra, talvez por ser a mais inexperiente, era a presença de palco, que foi, em geral, linear. As expressões faciais eram encantadoras, além do fato de ela ter um rosto com um ar infantil, o que dá a sensação da inocência - em alguns momentos até de ingenuidade. Não desmerecida por meus pontos contra, todos os arranjos de seu disco lançado pela Biscoito Fino foram feitos pelo Cristóvão Bastos - como sempre, extremamente elegante, comportado, dosado e cerebral em sua arte. E sua simpatia era óbvia em todos os momentos do show, ela "não tá de bobeira" e ainda vai dar muito o que falar.
Áurea Martins revelou-se pra mim uma das maiores cantoras brasileiras neste momento. Cantando com um jazz trio - baixo, bateria e piano, com algumas participações do violonista chamado Lucas - cujo sobrenome eu não lembro. Foi um espetáculo do tipo Alcione, só que mais moderado, sem o drama exacerbado da Marrom. Ela foi demais. Com esse jeito jazzy, promoveu-nos o momento Blue Note da noite - segundo Gerdal de Paula nobríssimo amigo que dividia o balcão do bar conosco. Pois bem, no que Áurea dependia somente de Áurea - pois se eu mesmo não prestava muita atenção em mais nada, ela podia estar fazendo tudo a capella que eu não ia perceber a diferença - ficamos com a imagem de uma dor grande e contida, um romantismo incomensurável naquela voz negra. Fiquei feliz de saber que o meu Brasil também tem a sua Billie Holliday.
Comentário de Leandro Fregonesi: "Cara, olha toda essa gente aqui... Você pode ver claramente que está todo mundo querendo aprender bebendo diretamente da fonte, o Hermínio não é qualquer um. Ele tem o apelo muito popular, todo mundo adora o trabalho dele."
Muita gente conhecida estava presente. As cantoras Simone e Zélia Duncan, Luis Carlos da Vila, Emílio Santiago, Cláudio Jorge, Luciana Rabelo, Pedro Aragão e tanta gente que nem lembro mais os nomes. O pequeno espaço e a presença de tanta gente "grande" nos mostrou que todo mundo é do mesmo tamanho. Houve também uma homenagem prestada por Hermínio a... Vocês vão me perdoar, mas eu não lembro o nome da cantora. É uma senhora linda, com uma voz elegante e delicada. Eles mostraram-na durante o show em um vídeo, acompanhada por Rafael Rabello. Sem mais comentários.
Ao final do espetáculo, Áurea Martins chorava como criança, de tanta emoção. De um coração imenso, nos deu grande atenção - a mim e a Manu - dizendo aos mais velhos: viram? Eles são novinhos e gostaram do meu show!
E quem não gostaria de estar sob aquele teto na noite de ontem, Aurinha?
Foi lindo. Toda a concepção do espetáculo merece aplausos de pé. Também, não foi por menos. Os principais envolvidos eram o próprio Hermínio e Cristóvão Bastos. O formato do espetáculo, o palco, as luzes... Tudo era glorioso e, ao mesmo tempo, simples.
A apresentação é introduzida por uns vídeos com divas da música de outrora: Aracy de Almeida de cara, com todo seu palavreado típico. Tudo à la documentário, cujo interlocutor era o próprio Hermínio.
De forma teatral, ele introduz a primeira canção intercalada com textos maravilhosos e poéticos - certamente de seu próprio punho. Irremediavelmente irreverente, ele destoa nas melodias e passa à música falada num piscar de olhos, com toda a autoridade de ser um dos mais reconhecidos artistas brasileiros.
Absolutamente casual foi o Hermínio.
Ângela Evans: deslumbrante em um vestido preto e um sorriso largo, agudos e saltos melódicos controladíssimos. Pecou em alguns pontos, ao meu ver, confesso: seu canto estava um pouco anasalado, e me fez a maior parte das vezes não entender a letra da música, apesar da melodia perfeitamente entoada. Outro ponto contra, talvez por ser a mais inexperiente, era a presença de palco, que foi, em geral, linear. As expressões faciais eram encantadoras, além do fato de ela ter um rosto com um ar infantil, o que dá a sensação da inocência - em alguns momentos até de ingenuidade. Não desmerecida por meus pontos contra, todos os arranjos de seu disco lançado pela Biscoito Fino foram feitos pelo Cristóvão Bastos - como sempre, extremamente elegante, comportado, dosado e cerebral em sua arte. E sua simpatia era óbvia em todos os momentos do show, ela "não tá de bobeira" e ainda vai dar muito o que falar.
Áurea Martins revelou-se pra mim uma das maiores cantoras brasileiras neste momento. Cantando com um jazz trio - baixo, bateria e piano, com algumas participações do violonista chamado Lucas - cujo sobrenome eu não lembro. Foi um espetáculo do tipo Alcione, só que mais moderado, sem o drama exacerbado da Marrom. Ela foi demais. Com esse jeito jazzy, promoveu-nos o momento Blue Note da noite - segundo Gerdal de Paula nobríssimo amigo que dividia o balcão do bar conosco. Pois bem, no que Áurea dependia somente de Áurea - pois se eu mesmo não prestava muita atenção em mais nada, ela podia estar fazendo tudo a capella que eu não ia perceber a diferença - ficamos com a imagem de uma dor grande e contida, um romantismo incomensurável naquela voz negra. Fiquei feliz de saber que o meu Brasil também tem a sua Billie Holliday.
Comentário de Leandro Fregonesi: "Cara, olha toda essa gente aqui... Você pode ver claramente que está todo mundo querendo aprender bebendo diretamente da fonte, o Hermínio não é qualquer um. Ele tem o apelo muito popular, todo mundo adora o trabalho dele."
Muita gente conhecida estava presente. As cantoras Simone e Zélia Duncan, Luis Carlos da Vila, Emílio Santiago, Cláudio Jorge, Luciana Rabelo, Pedro Aragão e tanta gente que nem lembro mais os nomes. O pequeno espaço e a presença de tanta gente "grande" nos mostrou que todo mundo é do mesmo tamanho. Houve também uma homenagem prestada por Hermínio a... Vocês vão me perdoar, mas eu não lembro o nome da cantora. É uma senhora linda, com uma voz elegante e delicada. Eles mostraram-na durante o show em um vídeo, acompanhada por Rafael Rabello. Sem mais comentários.
Ao final do espetáculo, Áurea Martins chorava como criança, de tanta emoção. De um coração imenso, nos deu grande atenção - a mim e a Manu - dizendo aos mais velhos: viram? Eles são novinhos e gostaram do meu show!
E quem não gostaria de estar sob aquele teto na noite de ontem, Aurinha?
sábado, abril 12, 2008
terça-feira, abril 08, 2008
Pedacinho de Céu
Tocando o teto, puxo um pedacinho do azul.
Hóstia cósmica intergaláctica do éter
Que me alimenta os redemoinhos meridionais.
Saem as reverberações dos ecos divinos que me sopram os ouvidos.
Uma voz em cada - duas vozes.
Estou ouvindo Omara e Maria.
Estou ouvindo Brasil e Cuba.
Estou ouvindo negros e brancos.
Estou ouvindo dor e alegria.
Piano, pandeiro, violão, cool, calmo, caliente.
Brasilês por língua Castellana
Castellano por la lengua Brasileña.
** Eu não falo espanhol. Corrijam-me se estiver errado.
Tive a ajuda de um amigo nessa última frase: Giovani Tadei. Infelizmente, ele disse que dei azar. Espanhol não é sua especialidade dentre os 4 idiomas que são.

Hóstia cósmica intergaláctica do éter
Que me alimenta os redemoinhos meridionais.
Saem as reverberações dos ecos divinos que me sopram os ouvidos.
Uma voz em cada - duas vozes.
Estou ouvindo Omara e Maria.
Estou ouvindo Brasil e Cuba.
Estou ouvindo negros e brancos.
Estou ouvindo dor e alegria.
Piano, pandeiro, violão, cool, calmo, caliente.
Brasilês por língua Castellana
Castellano por la lengua Brasileña.
** Eu não falo espanhol. Corrijam-me se estiver errado.
Tive a ajuda de um amigo nessa última frase: Giovani Tadei. Infelizmente, ele disse que dei azar. Espanhol não é sua especialidade dentre os 4 idiomas que são.
segunda-feira, abril 07, 2008
Fool Me ;-)
You are The Fool
The Fool is the card of infinite possibilities. The bag on the staff indicates that he has all he need to do or be anything he wants, he has only to stop and unpack. He is on his way to a brand new beginning. But the card carries a little bark of warning as well. Stop daydreaming and fantasising and watch your step, lest you fall and end up looking the fool.
What Tarot Card are You?
Take the Test to Find Out.
sexta-feira, abril 04, 2008
Contos da Mente Elástica
Iniciei o meu primeiro livro. Espero terminá-lo.
Contos da Mente Elástica
A quem interessar ler o primeiro conto, leia Do Papel À Vida. Aguardo com ansiedade comentários. Até agora, o placar está: 2 críticas ruins contra 2 boas.
Contos da Mente Elástica
A quem interessar ler o primeiro conto, leia Do Papel À Vida. Aguardo com ansiedade comentários. Até agora, o placar está: 2 críticas ruins contra 2 boas.
quarta-feira, abril 02, 2008
Eficiência na Coleta de Informações
Hoje eu vejo que é realmente importante manter uma fonte de notícias perene, como um rio de informações que deságua no meu PC. Pra isso, utilizo basicamente as seguintes páginas:
www.mystickies.com
Essa aí é uma página onde você pode manter postits virtuais.
reader.google.com
Aqui eu vejo as notícias de todo tipo de jornais e blogs. Devo ter umas 40 inscrições em sites diferentes. Assim, ele funciona como uma caixa de emails, mas só com as novas postagens dos blogs. Figuram nele amigos, notícias engraçadas, sites de download de discos (jazz e música brasileira, principalmente), e alguns de design.
calendar.google.com
Para organizar a minha agenda. É bacana, dá pra você compartilhar a agenda com muitas pessoas, aí todo mundo fica sabendo dos seus compromissos. Você também pode criar mais de uma agenda, e classificar os tipos de compromissos pela cor. É fantástico. Aqui, por exemplo, tenho uma agenda pública de feriados (mantida por alguém que eu não faço a mínima idéia de quem seja, mas as datas estão todas certinhas, tenho minha agenda pessoal (Rodrigo Santiago), tenho a da Manu, a do Seresta Moderna e a de Aulas. Daí eu as cruzo com as agendas do meu gerente, da minha equipe de desenvolvimento no laboratório, dos seminários que acontecem aqui no trabalho e as de reuniões de grupo no Tecgraf. Meu Google Calendar acaba parecendo uma aquarela...
www.blogger.com
Porque eu também tenho que falar ao mundo. Tenho meu blog pessoal, mais um de vídeos, o site da Manu e o do Seresta Moderna (onde publico também a agenda do Google, pro público ficar sabendo onde vai ter).
Twitter
Descoberto mais recentemente (por insistência do Mentel). É o caminho do meio entre o orkut e o MSN. Você se conecta a várias pessoas e recebe recados aleatórios. Muitos deles são novidades de nicho, e você provavelmente não saberia de nenhuma delas se não estivesse lá.
Uma lista de coisas a fazer, que é um site que instalei no meu domínio pessoal (wiki.rodrigo.st/tracker). Bem funcional, me diz as coisas que preciso fazer e que não tem "data pra ser cumprida".
Um wiki em wiki.rodrigo.st e outro em wiki.manu.art.br.
Como lembrar de abrir todos os sites? Organizo tudo no Firefox. Ele está quase virando meu sistema operacional pessoal, falta só um bloco de notas (daqui a pouco vou acabar usando o Google notes). Basicamente, pra não esquecer de abrir nada, uma vez abri todas elas e marquei como minha "Home Page" no browser. Ele abre todos os sites, um em cada orelhinha, quando ligo o Firefox.
Ah, tem mais: www.gmail.com como sistema de email e www.dreamhost.com como meu gerenciador de sites. Fora isso tenho Flickr, Revver, Youtube, Orkut, essas coisas.
Mas pra eu não me afogar em uma enxurrada de informações, toda vez que vejo que alguma fonte está me dando informações que não consigo consumir - ou por se tornarem irrelevantes, ou por não ter mais tempo pra tanto - eu descarto essa fonte. Isso costuma acontecer com mais freqüência com as assinaturas de blogs e jornais online e no Twitter. Mas se encontro um site mais eficiente que outro, sem dúvida eu troco de sistema.
É importante se policiar com relação ao que chega aos seus olhos enquanto você está na web. Senão você morre na praia.
www.mystickies.com
Essa aí é uma página onde você pode manter postits virtuais.
reader.google.com
Aqui eu vejo as notícias de todo tipo de jornais e blogs. Devo ter umas 40 inscrições em sites diferentes. Assim, ele funciona como uma caixa de emails, mas só com as novas postagens dos blogs. Figuram nele amigos, notícias engraçadas, sites de download de discos (jazz e música brasileira, principalmente), e alguns de design.
calendar.google.com
Para organizar a minha agenda. É bacana, dá pra você compartilhar a agenda com muitas pessoas, aí todo mundo fica sabendo dos seus compromissos. Você também pode criar mais de uma agenda, e classificar os tipos de compromissos pela cor. É fantástico. Aqui, por exemplo, tenho uma agenda pública de feriados (mantida por alguém que eu não faço a mínima idéia de quem seja, mas as datas estão todas certinhas, tenho minha agenda pessoal (Rodrigo Santiago), tenho a da Manu, a do Seresta Moderna e a de Aulas. Daí eu as cruzo com as agendas do meu gerente, da minha equipe de desenvolvimento no laboratório, dos seminários que acontecem aqui no trabalho e as de reuniões de grupo no Tecgraf. Meu Google Calendar acaba parecendo uma aquarela...
www.blogger.com
Porque eu também tenho que falar ao mundo. Tenho meu blog pessoal, mais um de vídeos, o site da Manu e o do Seresta Moderna (onde publico também a agenda do Google, pro público ficar sabendo onde vai ter).
Descoberto mais recentemente (por insistência do Mentel). É o caminho do meio entre o orkut e o MSN. Você se conecta a várias pessoas e recebe recados aleatórios. Muitos deles são novidades de nicho, e você provavelmente não saberia de nenhuma delas se não estivesse lá.
Uma lista de coisas a fazer, que é um site que instalei no meu domínio pessoal (wiki.rodrigo.st/tracker). Bem funcional, me diz as coisas que preciso fazer e que não tem "data pra ser cumprida".
Um wiki em wiki.rodrigo.st e outro em wiki.manu.art.br.
Como lembrar de abrir todos os sites? Organizo tudo no Firefox. Ele está quase virando meu sistema operacional pessoal, falta só um bloco de notas (daqui a pouco vou acabar usando o Google notes). Basicamente, pra não esquecer de abrir nada, uma vez abri todas elas e marquei como minha "Home Page" no browser. Ele abre todos os sites, um em cada orelhinha, quando ligo o Firefox.
Ah, tem mais: www.gmail.com como sistema de email e www.dreamhost.com como meu gerenciador de sites. Fora isso tenho Flickr, Revver, Youtube, Orkut, essas coisas.
Mas pra eu não me afogar em uma enxurrada de informações, toda vez que vejo que alguma fonte está me dando informações que não consigo consumir - ou por se tornarem irrelevantes, ou por não ter mais tempo pra tanto - eu descarto essa fonte. Isso costuma acontecer com mais freqüência com as assinaturas de blogs e jornais online e no Twitter. Mas se encontro um site mais eficiente que outro, sem dúvida eu troco de sistema.
É importante se policiar com relação ao que chega aos seus olhos enquanto você está na web. Senão você morre na praia.
quarta-feira, março 26, 2008
Coração de Papel
Queria sinceramente entender esse Coco, da Dona Cila do Coco.
A senhora do Engenho do Bom Jardim
Mandou um carro pra mim com dois botões
No sereno tem gente que está roendo
Amanhã vai morrer do coração
Coração, coração
Ele não é de papel
Estou cantando este Coco
Em homenagem a Michel
Michel, Michel,
Cabeça de papel
Entra Michel pra comer papel
A senhora do Engenho do Bom Jardim
Mandou um carro pra mim com dois botões
No sereno tem gente que está roendo
Amanhã vai morrer do coração
Coração, coração
Ele não é de papel
Estou cantando este Coco
Em homenagem a Michel
Michel, Michel,
Cabeça de papel
Entra Michel pra comer papel
quinta-feira, março 20, 2008
Luiz Gonzaga - Caminho de Pedra
Hoje estava ouvindo essa música do Rei do Baião. Linda canção.
Luiz Gonzaga - Caminho de Pedra
Ela começa com uma melodia já bastante conhecida, citada na música Gabriela, do Tom Jobim. Grande reverência prestada ao maior Cearense de todos os tempos.
Se você reparar, toda vez que, fora do refrão, o Luiz Gonzaga alcança as notas mais altas, sua voz fica longínqua, ganha uma ambiência. É meio óbvio, mas se prestar atenção, vai ver que é um efeito curioso, que dá a impressão de que tem mais gente cantando junto. Mas ele está só. Foi por isso que resolvi postá-la.
É linda, meio melancólica e nostálgica. Sabe, de vez em quando eu conto essa história que lembrei agora pras pessoas. Vou deixá-la registrada aqui.
Meus avós, os pais do meu pai, são do Ceará. Viviam em Guaraciaba do Norte. Meu pai veio pro Rio ainda pequeno. João, meu avô, era muito parecido fisicamente com o Luiz Gonzaga. Minha avó, Iraci, era loura, linda, de olhos verdes.
Não tem muito tempo eu soube que meu avô era menestrel de folia de reis. Quase chorei quando descobri, mas isso havia sido há dezenas de anos atrás, enquanto ainda estava no Ceará. Mesmo assim, ele improvisou algumas poesias pra mim, como se estivesse conduzindo a folia. Isso foi nos últimos meses de sua vida.
Minha avó há muitos anos está entrevada numa cama, após ter sofrido um derrame que a deixou por pelo menos dois anos com a mentalidade de uma criança. Teve cinco filhos, criava porcos para vender, fazia comida pra fora, lavava roupa pros outros, tinha galinhas, rezava seu terço religiosamente, preparava o melhor café que já tomei (e só bebia o dela, não tenho esse costume) e preparava o meu baião-de-dois pra eu comer com as mãos junto com ela, direto da panela.
Com sua mentalidade recuperada, Dona Iraci está em profunda depressão, pois não pode fazer nenhuma destas coisas, e perdera seu companheiro. Meu avô se foi depois do terceiro derrame, depois que fora afastado forçosamente das biritas às quais era muito dado alcoolatramente. Uma crise de abstinência o fez contrair a pneumonia que o levou, e por um dia eu vi meu avô velhinho, velhinho, bem acabado, com tubos furos no pescoço, no dia em que morreu.
Antes disso, ele era o cara que sempre parecia com o Luiz Gonzaga. Quando eu era novo, novinho, havia muitas festas na casa deles, que reunia todos os filhos. Tudo era regado a muito Luiz Gonzaga. A família reunida era sinal de forró. Mas não é nada disso que quero contar.
O que contei serve de base pra entender o que vou contar agora: o Luiz Gonzaga parecia tanto com meu avô que, quando pequenino, com todo aquele baião tocando na casa dos avós, eu achava que o Luiz Gonzaga fosse da minha família. Talvez um tio que ainda morasse no Ceará. Pra mim, ele era meu tio, o Luiz Gonzaga.
Luiz Gonzaga - Caminho de Pedra
Ela começa com uma melodia já bastante conhecida, citada na música Gabriela, do Tom Jobim. Grande reverência prestada ao maior Cearense de todos os tempos.
Se você reparar, toda vez que, fora do refrão, o Luiz Gonzaga alcança as notas mais altas, sua voz fica longínqua, ganha uma ambiência. É meio óbvio, mas se prestar atenção, vai ver que é um efeito curioso, que dá a impressão de que tem mais gente cantando junto. Mas ele está só. Foi por isso que resolvi postá-la.
É linda, meio melancólica e nostálgica. Sabe, de vez em quando eu conto essa história que lembrei agora pras pessoas. Vou deixá-la registrada aqui.
Meus avós, os pais do meu pai, são do Ceará. Viviam em Guaraciaba do Norte. Meu pai veio pro Rio ainda pequeno. João, meu avô, era muito parecido fisicamente com o Luiz Gonzaga. Minha avó, Iraci, era loura, linda, de olhos verdes.
Não tem muito tempo eu soube que meu avô era menestrel de folia de reis. Quase chorei quando descobri, mas isso havia sido há dezenas de anos atrás, enquanto ainda estava no Ceará. Mesmo assim, ele improvisou algumas poesias pra mim, como se estivesse conduzindo a folia. Isso foi nos últimos meses de sua vida.
Minha avó há muitos anos está entrevada numa cama, após ter sofrido um derrame que a deixou por pelo menos dois anos com a mentalidade de uma criança. Teve cinco filhos, criava porcos para vender, fazia comida pra fora, lavava roupa pros outros, tinha galinhas, rezava seu terço religiosamente, preparava o melhor café que já tomei (e só bebia o dela, não tenho esse costume) e preparava o meu baião-de-dois pra eu comer com as mãos junto com ela, direto da panela.
Com sua mentalidade recuperada, Dona Iraci está em profunda depressão, pois não pode fazer nenhuma destas coisas, e perdera seu companheiro. Meu avô se foi depois do terceiro derrame, depois que fora afastado forçosamente das biritas às quais era muito dado alcoolatramente. Uma crise de abstinência o fez contrair a pneumonia que o levou, e por um dia eu vi meu avô velhinho, velhinho, bem acabado, com tubos furos no pescoço, no dia em que morreu.
Antes disso, ele era o cara que sempre parecia com o Luiz Gonzaga. Quando eu era novo, novinho, havia muitas festas na casa deles, que reunia todos os filhos. Tudo era regado a muito Luiz Gonzaga. A família reunida era sinal de forró. Mas não é nada disso que quero contar.
O que contei serve de base pra entender o que vou contar agora: o Luiz Gonzaga parecia tanto com meu avô que, quando pequenino, com todo aquele baião tocando na casa dos avós, eu achava que o Luiz Gonzaga fosse da minha família. Talvez um tio que ainda morasse no Ceará. Pra mim, ele era meu tio, o Luiz Gonzaga.
quarta-feira, março 19, 2008
terça-feira, março 18, 2008
A Vaga Era
(Rodrigo Santiago e Manu Santos)
Esperando acontecer o que sempre sonhei
Nas eras vaguei
Pois não seria à era do esperar
Que aconteceria o que sonhara
O sonho é dos que dormem
Fazer é para os lúcidos
Acordar, mesmo enquanto não dormia,
Foi o que precisei aprender
Vagando até o final desta era de sonhos, vi-me:
Pá, pedras, chão e cal
Deveria construir minha vida
Com minhas próprias mãos,
Gratidão,
E sob o guarda-chuva
Da divina vontade de Deus

Esperando acontecer o que sempre sonhei
Nas eras vaguei
Pois não seria à era do esperar
Que aconteceria o que sonhara
O sonho é dos que dormem
Fazer é para os lúcidos
Acordar, mesmo enquanto não dormia,
Foi o que precisei aprender
Vagando até o final desta era de sonhos, vi-me:
Pá, pedras, chão e cal
Deveria construir minha vida
Com minhas próprias mãos,
Gratidão,
E sob o guarda-chuva
Da divina vontade de Deus
segunda-feira, março 17, 2008
Seresta Moderna na Sala Baden Powell
sexta-feira, março 14, 2008
Por Que o Google Cresce Todo Dia?
É fácil de explicar.
O sonho do Zé da padaria é poder atender todos os consumidores com qualquer item que precise. A localização geográfica em si, o ponto onde as pessoas passam para comprar algo é apenas um embuste para a oportunidade do vendedor.
A localização do imóvel comercial não é o negócio. Mas conveniência da localização é o fator chave para que a tal oportunidade de venda aconteça, com a presença do consumidor. Por que tantas padarias e botecos funcionam em frente a um ponto de ônibus? Infelizmente, a padaria não tem todos os itens do mundo, senão seria de interesse de qualquer pessoa entrar lá para comprar algo. Além disso, é limitado o número de pessoas interessadas em entrar em padarias. Pior ainda é a Lei da Impenetrabilidade da Matéria: dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Como acomodar todos os itens e todas as pessoas do mundo nas finitíssimas prateleiras e corredores de uma padaria?
Simples assim: o McDonalds compra 10 imóveis em um lugar desabitado, e instala uma única loja. As pessoas começam a freqüentar aquela loja. O McDonalds vê os outros imóveis valorizarem pelo aumento de circulação de pessoas. Daí, aluga todas as outras 9 lojas por um valor abusivamente alto. Os donos dos negócios instalados nas lojas, digamos, de cachorro quente e móveis de escritório, suam a camisa pra pagar o aluguel e tirar seu lucro. O McDonalds está comendo os lucros dos cachorros-quentes e dos móveis de escritório, vendendo-os indiretamente. Para quaisquer outros negócios que venham a se instalar naquela zona de 9 lojas, o McDonalds estará lucrando diretamente com um outro negócio que não é diretamente o dele. Ele pode vender qualquer coisa, mas não tudo ao mesmo tempo (varia de acordo com o tipo de loja instalado ao redor do McDonalds). Ele pode ter qualquer tipo de freqüentador, mas não todos ao mesmo tempo (idem para os tipos de loja que acabam surgindo por ali).
O Google FAZ isso. Vende tudo, pra qualquer tipo de pessoa, ao mesmo tempo. Virtualmente, ele inventa um site de utilidade pública. Mas ao invés de vender o serviço (como o Gmail, vários outros serviços de email são assinados e cobram uma taxa periódica), ele o fornece DE GRAÇA. E-mail com 6 gigabites de espaço (dá pra guardar a narrativa da minha vida iteira lá em formato de texto) é de interesse de qualquer médio internauta.
Com o serviço prestado, qualquer local virtual do Google (o site de busca, ou o Gmail, por exemplo) é bastante conveniente. Ele tem milhões de freqüentadores que verificam aquela telinha a cada 10 minutos, umas 8 horas por dia, sei lá.
Dado que o local é abusivamente conveniente, falta apenas o produto. E o que o Google vende? Resposta: o produto dos outros. Qualquer produto.
O Google subverteu a lógica tradicional das lojas. É como se pessoas do mundo inteiro freqüentassem a "lojinha Google" porque lá estão dando chocolate de graça, 24 horas por dia, todos os dias da semana. Daí, os agentes do Google ficam ouvindo as conversas de todos os milhões de freqüentadores. Ele tem um vendedor pra cada pessoa que entra nela. Esse vendedor fala a língua da pessoa, entende o assunto, e logo em seguida oferece um produto, intrometendo-se.
Imagine a cena abaixo:
Henrique entra na lojinha do Google e encontra Mateus, seu amigo de infância. Um terceiro rapaz, empregado da loja, de nome Ricardo, que tem cabelos grandes, usa óculos e uma camisa do Iron Maiden - o vendedor nada perfeito - chega perto deles e ouve atentamente o assunto:
- Fala, meu compadre! - Henrique.
- Fala, Bro! - Mateus.
- E aí, foi bem de viagem?
- Pô, do Centro pra Santa Cruz é chão.
De repente, o Ricardo, se intrometendo:
- Ahn... Com licença. Você gostaria de viajar? Tenho aqui um pacote inesquecível para você e sua família.
- E sua irmã? - Henrique.
- Ah, está ótima, chegou mortinha de cansaço - Mateus.
- Que tal um relaxante muscular pra vocês? - Ricardo.
- Olha, semana que vem vamos ao show do Paralamas, tá a fim? - Henrique
- Excelente! Vambora! - Mateus
- Olha, tenho ingressos para o show do Paralamas a dez Reais. - Ricardo.
- Ôpa, Ricardo. Como é que é o esquema? - Mateus.
- Toma aqui esse endereço de Internet. É lá. - Ricardo.
- Pô, demorou! Maior adianto, aê... - Mateus.
Mateus sai da lojinha Google, onde fica seu amigo Henrique1, aparentemente falando com as paredes, e Ricardo por perto, sempre a oferecer as coisas mais esdrúxulas. Dirige-se à outra lojinha da Ticketronics, onde compra de William um ingresso a dez Reais para o show do Paralamas:
- Ô, meu velho, tá aqui a tua grana - Mateus.
- Beleza, bro, tá aqui teu ingresso - William.
Com a saída de Mateus, William se vira para Tatiane, sua colega de trabalho:
- Ô Tatiane, leva aqui um Real lá pro Ricardo. Manda ele oferecer pra mais cem pessoas os ingressos pros Paralamas a dez Reais.
O sonho do Zé da padaria é poder atender todos os consumidores com qualquer item que precise. A localização geográfica em si, o ponto onde as pessoas passam para comprar algo é apenas um embuste para a oportunidade do vendedor.
A localização do imóvel comercial não é o negócio. Mas conveniência da localização é o fator chave para que a tal oportunidade de venda aconteça, com a presença do consumidor. Por que tantas padarias e botecos funcionam em frente a um ponto de ônibus? Infelizmente, a padaria não tem todos os itens do mundo, senão seria de interesse de qualquer pessoa entrar lá para comprar algo. Além disso, é limitado o número de pessoas interessadas em entrar em padarias. Pior ainda é a Lei da Impenetrabilidade da Matéria: dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Como acomodar todos os itens e todas as pessoas do mundo nas finitíssimas prateleiras e corredores de uma padaria?
Simples assim: o McDonalds compra 10 imóveis em um lugar desabitado, e instala uma única loja. As pessoas começam a freqüentar aquela loja. O McDonalds vê os outros imóveis valorizarem pelo aumento de circulação de pessoas. Daí, aluga todas as outras 9 lojas por um valor abusivamente alto. Os donos dos negócios instalados nas lojas, digamos, de cachorro quente e móveis de escritório, suam a camisa pra pagar o aluguel e tirar seu lucro. O McDonalds está comendo os lucros dos cachorros-quentes e dos móveis de escritório, vendendo-os indiretamente. Para quaisquer outros negócios que venham a se instalar naquela zona de 9 lojas, o McDonalds estará lucrando diretamente com um outro negócio que não é diretamente o dele. Ele pode vender qualquer coisa, mas não tudo ao mesmo tempo (varia de acordo com o tipo de loja instalado ao redor do McDonalds). Ele pode ter qualquer tipo de freqüentador, mas não todos ao mesmo tempo (idem para os tipos de loja que acabam surgindo por ali).
O Google FAZ isso. Vende tudo, pra qualquer tipo de pessoa, ao mesmo tempo. Virtualmente, ele inventa um site de utilidade pública. Mas ao invés de vender o serviço (como o Gmail, vários outros serviços de email são assinados e cobram uma taxa periódica), ele o fornece DE GRAÇA. E-mail com 6 gigabites de espaço (dá pra guardar a narrativa da minha vida iteira lá em formato de texto) é de interesse de qualquer médio internauta.
Com o serviço prestado, qualquer local virtual do Google (o site de busca, ou o Gmail, por exemplo) é bastante conveniente. Ele tem milhões de freqüentadores que verificam aquela telinha a cada 10 minutos, umas 8 horas por dia, sei lá.
Dado que o local é abusivamente conveniente, falta apenas o produto. E o que o Google vende? Resposta: o produto dos outros. Qualquer produto.
O Google subverteu a lógica tradicional das lojas. É como se pessoas do mundo inteiro freqüentassem a "lojinha Google" porque lá estão dando chocolate de graça, 24 horas por dia, todos os dias da semana. Daí, os agentes do Google ficam ouvindo as conversas de todos os milhões de freqüentadores. Ele tem um vendedor pra cada pessoa que entra nela. Esse vendedor fala a língua da pessoa, entende o assunto, e logo em seguida oferece um produto, intrometendo-se.
Imagine a cena abaixo:
Henrique entra na lojinha do Google e encontra Mateus, seu amigo de infância. Um terceiro rapaz, empregado da loja, de nome Ricardo, que tem cabelos grandes, usa óculos e uma camisa do Iron Maiden - o vendedor nada perfeito - chega perto deles e ouve atentamente o assunto:
- Fala, meu compadre! - Henrique.
- Fala, Bro! - Mateus.
- E aí, foi bem de viagem?
- Pô, do Centro pra Santa Cruz é chão.
De repente, o Ricardo, se intrometendo:
- Ahn... Com licença. Você gostaria de viajar? Tenho aqui um pacote inesquecível para você e sua família.
- E sua irmã? - Henrique.
- Ah, está ótima, chegou mortinha de cansaço - Mateus.
- Que tal um relaxante muscular pra vocês? - Ricardo.
- Olha, semana que vem vamos ao show do Paralamas, tá a fim? - Henrique
- Excelente! Vambora! - Mateus
- Olha, tenho ingressos para o show do Paralamas a dez Reais. - Ricardo.
- Ôpa, Ricardo. Como é que é o esquema? - Mateus.
- Toma aqui esse endereço de Internet. É lá. - Ricardo.
- Pô, demorou! Maior adianto, aê... - Mateus.
Mateus sai da lojinha Google, onde fica seu amigo Henrique1, aparentemente falando com as paredes, e Ricardo por perto, sempre a oferecer as coisas mais esdrúxulas. Dirige-se à outra lojinha da Ticketronics, onde compra de William um ingresso a dez Reais para o show do Paralamas:
- Ô, meu velho, tá aqui a tua grana - Mateus.
- Beleza, bro, tá aqui teu ingresso - William.
Com a saída de Mateus, William se vira para Tatiane, sua colega de trabalho:
- Ô Tatiane, leva aqui um Real lá pro Ricardo. Manda ele oferecer pra mais cem pessoas os ingressos pros Paralamas a dez Reais.
quinta-feira, março 13, 2008
Anonymous Coward
From Wikipedia
"Anonymous Coward" is a term applied within some online communities to describe users who post without a screen name; it is a dummy name attributed to anonymous posts used by some weblogs that allow posting by people without registering for accounts. The practice, which had its roots in BBS and USENET culture, was made especially popular on Slashdot, where the mildly derogatory term is meant to chide anonymous contributors into logging in. Some weblog engines such as Scoop use the term "Anonymous Hero" instead, perhaps to avoid the name's confrontational nature. Others use stronger varieties, like Plastic.com's "Anonymous Idiot", and SuicideGirls' "Random Fuckbag".Cuidado com eles.
terça-feira, março 11, 2008
Nega Panela
(Rodrigo Santiago e Manu Santos)
Nega Panela batendo canela
No samba crioulo de Dona Sinhá
Traz os quitutes em potes de lata
Fazendo os quindins, os quindins de Iaiá
Nega que canta, balança
Com todos os doces no colo de Sol
Levando cocada na prata, imitando ganzá
Contando da nova iguaria
Que vem confeitada de favos de mel
Fazendo os balagandans, remelexos
E breques-te-breques no chão
Nega que empina a moringa
Na ponta dos dedos e inventa refrão
Não pára, repara
Que eu gosto de ouvir o teu som
De cuias, cumbucas e dos tabuleiros
Batendo na colher de pau
Fazendo os balagandans, remelexos
E breques-te-breques no chão

A gravação em voz e violão está aqui:
Nega Panela (mp3)
Qualidade baixa e sem produção, só pra ficar o registro.

Nega Panela batendo canela
No samba crioulo de Dona Sinhá
Traz os quitutes em potes de lata
Fazendo os quindins, os quindins de Iaiá
Nega que canta, balança
Com todos os doces no colo de Sol
Levando cocada na prata, imitando ganzá
Contando da nova iguaria
Que vem confeitada de favos de mel
Fazendo os balagandans, remelexos
E breques-te-breques no chão
Nega que empina a moringa
Na ponta dos dedos e inventa refrão
Não pára, repara
Que eu gosto de ouvir o teu som
De cuias, cumbucas e dos tabuleiros
Batendo na colher de pau
Fazendo os balagandans, remelexos
E breques-te-breques no chão
A gravação em voz e violão está aqui:
Nega Panela (mp3)
Qualidade baixa e sem produção, só pra ficar o registro.
segunda-feira, março 10, 2008
Performance
sexta-feira, março 07, 2008
Dezessete Bilhões de Anos
Naquele dia, sua casa estava cheia. Estrelas, astros, vias lácteas, todo mundo estava lá. O homem escuro, de barbas brancas, pesadas, das profundezas de seus dezessete bilhões de anos, se recusava a soprar as velinhas. Ele olhava em seu interior, e via na euforia dos pequeninos seres que dentro dele viviam um motivo pra comemorar: era seu aniversário.
Será que eles não cansavam? Ficavam a dar voltas em seu Estomacal Sistema Solar, contando uma parametrização de unidades de tempo totalmente harbitrárias. Yugas, anos, nanossegundos, bits, luas. Em cada momento era uma coisa. Eles não se cansavam.
Sentiu frio. Colocou seu casaco de matéria escura. As barbas estavam de molho há incontáveis giros do Sol. Incontáveis mesmo. Isso é coisa de um povo da Terra. Agora, sentia pena.
Havia muitas coisas inexplicáveis aos seres intrínsecos deste ser. E muitas coisas inexplicáveis a este ser sobre os seres intrínsecos. Por mais que fosse onipotente, não os controlava. Por mais que fosse onisciente, haviam segredos indecifráveis. Por mais que fosse onipresente, não era notado.
Entristecia-se. Seus remédios não funcionavam mais. Estava com dezessete bilhões de anos, e nada mais parecia resolver a tendência destes micróbios de se autodestruírem. Parecia muito com aquilo que eles próprios inventaram, que se chamava Câncer.
Cada criação boa correspondia a uma ruim. Viviam segundo as leis do equilíbrio, do Ying e do Yang, que descobriram, mas sobre à qual fechavam os olhos e fingiam nada saber.
"Estes serezinhos que vivem dentro de mim. São uns insanos. Ao taparem os ouvidos à minha voz, criam seu próprio circo de loucura, enxergando vários super-seres que podem governar suas vontades espirituais. Grande necessidade espiritual de merda, estas coisas todas que lhes aparecem não existem. Eles não sabem que estão em mim. Cavam-me buracos, de dentro pra fora. Irrompem em explosões. Desnutrem parte do meu corpo... Eu estou ficando obsoleto."
Olhando no espelho, vê um outro universo: o de sua imaginação.
"Eles foram todos feitos segundo minha vontade, à minha imagem e semelhança. E eu era tão bom, tão íntegro, tão perfeito. Eu era tudo o que eles precisavam. Eu era o centro de tudo. Eu era o mais poderoso. Eles eram tão parecidos comigo. Eu os fiz exatamente assim, como eu. Justo eu, que sou tão belo, tão majestoso, tão divino..."
E, piscando, afasta-se do espelho, abaixando lentamente seu olhar, como que resignado.
"Onde foi que eu errei?"

Será que eles não cansavam? Ficavam a dar voltas em seu Estomacal Sistema Solar, contando uma parametrização de unidades de tempo totalmente harbitrárias. Yugas, anos, nanossegundos, bits, luas. Em cada momento era uma coisa. Eles não se cansavam.
Sentiu frio. Colocou seu casaco de matéria escura. As barbas estavam de molho há incontáveis giros do Sol. Incontáveis mesmo. Isso é coisa de um povo da Terra. Agora, sentia pena.
Havia muitas coisas inexplicáveis aos seres intrínsecos deste ser. E muitas coisas inexplicáveis a este ser sobre os seres intrínsecos. Por mais que fosse onipotente, não os controlava. Por mais que fosse onisciente, haviam segredos indecifráveis. Por mais que fosse onipresente, não era notado.
Entristecia-se. Seus remédios não funcionavam mais. Estava com dezessete bilhões de anos, e nada mais parecia resolver a tendência destes micróbios de se autodestruírem. Parecia muito com aquilo que eles próprios inventaram, que se chamava Câncer.
Cada criação boa correspondia a uma ruim. Viviam segundo as leis do equilíbrio, do Ying e do Yang, que descobriram, mas sobre à qual fechavam os olhos e fingiam nada saber.
"Estes serezinhos que vivem dentro de mim. São uns insanos. Ao taparem os ouvidos à minha voz, criam seu próprio circo de loucura, enxergando vários super-seres que podem governar suas vontades espirituais. Grande necessidade espiritual de merda, estas coisas todas que lhes aparecem não existem. Eles não sabem que estão em mim. Cavam-me buracos, de dentro pra fora. Irrompem em explosões. Desnutrem parte do meu corpo... Eu estou ficando obsoleto."
Olhando no espelho, vê um outro universo: o de sua imaginação.
"Eles foram todos feitos segundo minha vontade, à minha imagem e semelhança. E eu era tão bom, tão íntegro, tão perfeito. Eu era tudo o que eles precisavam. Eu era o centro de tudo. Eu era o mais poderoso. Eles eram tão parecidos comigo. Eu os fiz exatamente assim, como eu. Justo eu, que sou tão belo, tão majestoso, tão divino..."
E, piscando, afasta-se do espelho, abaixando lentamente seu olhar, como que resignado.
"Onde foi que eu errei?"
quinta-feira, março 06, 2008
Mágoa e Perdão
O que disseste era menos que devia
Tu espalhaste mil mentiras pelo chão
Acumulou a rasa dor que não podia
E transformou numa tormenta sem sentido
Saindo agora com a face tão despida
Que parecia ter falado com razão
Pois eu te digo, não conheces o efeito
Do bom convívio e do poder da humilhação
Amargarás tudo lá fora
Quando cuspir acusações
Porque aqui dentro, em família,
É bem mais fácil
Magoar e ter perdão

Tu espalhaste mil mentiras pelo chão
Acumulou a rasa dor que não podia
E transformou numa tormenta sem sentido
Saindo agora com a face tão despida
Que parecia ter falado com razão
Pois eu te digo, não conheces o efeito
Do bom convívio e do poder da humilhação
Amargarás tudo lá fora
Quando cuspir acusações
Porque aqui dentro, em família,
É bem mais fácil
Magoar e ter perdão
terça-feira, março 04, 2008
Efemeridade Individual e Pública
Lendo um texto do meu amigo Jorge Maia, tive o seguinte insight:
Descobri que a efemeridade da opinião pública baseia-se inteiramente no coletivo da efemeridade da opinião individual. E descobri em mim mesmo, enquanto selecionava textos do meu blog para registro. Imagine o que acontecia toda vez que eu prometia ou me comprometia com algo em algum texto? Eu esquecia, logo em seguida.
Estou envergonhado pela minha falta de direção. O que foi bom é que eu realmente nunca parei de escrever, e isso eu nunca prometi. Se tenho um grande hiato de publicações no blog, me agrada o simples fato de os textos destas datas não terem sido escritos lá, mas estarem em cadernos. Quase uma dezena deles.
Quanto aos jornais, só uma coisa não muda nunca: a Fernanda Montenegro sempre vai ser a maior atriz do país, em qualquer jornal, em qualquer data.
Descobri que a efemeridade da opinião pública baseia-se inteiramente no coletivo da efemeridade da opinião individual. E descobri em mim mesmo, enquanto selecionava textos do meu blog para registro. Imagine o que acontecia toda vez que eu prometia ou me comprometia com algo em algum texto? Eu esquecia, logo em seguida.
Estou envergonhado pela minha falta de direção. O que foi bom é que eu realmente nunca parei de escrever, e isso eu nunca prometi. Se tenho um grande hiato de publicações no blog, me agrada o simples fato de os textos destas datas não terem sido escritos lá, mas estarem em cadernos. Quase uma dezena deles.
Quanto aos jornais, só uma coisa não muda nunca: a Fernanda Montenegro sempre vai ser a maior atriz do país, em qualquer jornal, em qualquer data.
sábado, março 01, 2008
Sobre Os Cílios
Hoje eu estava com meu amor nos meus braços quando reparei mais uma coisa encantadora. Ela tem cílios lindos. Isso me levou a um monte de pensamentos. Ligo daqui, ligo de lá, e chego à seguinte conclusão: na entrada da Melt, seguranças enormes asseguram que indivíduos indesejáveis não entrem. Nas entradas da boate-corpo-humano, são os pelinhos nossos seguranças.
Vou desenvolver esta observação um outro dia, quem sabe. Concentrando-me nos cílios, hoje sou um cara culto no que diz respeito à ginástica dos femininos. Um dia, enquanto ia para o trabalho, encontrei uma amiga no ônibus. Nessa época, nosso ganha-pão ficava num lugar a uma hora da nossa casa. Conversa vai, conversa vem, minha amiga saca de sua bolsa um estojinho de maquiagem. Disse que economizava tempo se fizesse sua pintura facial dentro da condução. Com um espelhinho minúsculo, ela iria começar sua arte. Base, blush, baton, sombra, rímel, perfume, escova, corretor, lápis, e tantas outras coisas que só a vaidade feminina são capazes de conceber saltaram de dentro do estojinho, não necessariamente nesta ordem. Comecei a ver uma fumacinha em torno do rosto dessa menina, parecia uma briga entre mãos e face, tipo desenho animado. Só de pensar naqueles cheiros e pozinhos todos sendo aspergidos no ar a menos de cinqüenta centímetros do meu rosto dentro do ônibus me dá vontade de espirrar.
Tudo transcorria na pressa e prática femininas típicas, quando DE REPENTE... De repente, ela sacou um item esquisito da bolsa. Um objetinho pequeno, metálico, com pegadores tipo uma tesourinha, mas com dois arcos que se encontravam na ponta, ao invés das lâminas. Parecia um objetinho de tortura, com a armação bem intrincadinha. Coisa de mulher mesmo, sabe? Quando ela se olhou no espelhinho, pegou a tesourinha esquisita e aproximou-a meticulosamente dos olhos - ficando até com a ponta da língua projetada pra fora dos lábios, lateralmente - como se estivesse mirando o negocinho na cara, eu pensei que fosse sacar as órbitas oculares pra passar maquiagem por dentro. Essa parte branquinha dos olhos realmente não tem nenhuma graça. É tão neutra...
Finalmente, ela chegou ao seu alvo. O problema não eram as órbitas. Eram os cílios. Ela enforcou todos, de uma vez. Apertou os cílios entre os arquinhos do negocinho que parecia uma tesoura. Primeiro os da pálpebra superior direita, depois os da pálpebra superior esquerda. Vixe, parecia que ela ia arrancá-los todos fora, ou então que estava a sufocá-los! Por alguns segundos, aquela cara de garota arteira com a língua pra fora apertando os cílios dava a entender que tinha raiva deles. E eles pareciam todos se espicharem pra cima, como se dissessem "por favor, eu não tenho nada com isso!! Pare, não estou conseguindo respirar! Não fui eu! Não fui eu!". Esse tal "espichador de cílios" deixou-os todos pra cima, e após isso, quando ela guardou a tal tesourinha, tinha os olhos parecidos com os de uma boneca da Estrela.
Que coisas mais sinistras a alma feminina é capaz de criar para si própria. Quando eu achava que não havia mais nenhum método... Após as cirurgias de estômago, aspiradores-de-gordura, lingeries-super-apertadas, removedores-de-pedaços-de-pele, arrancadores-de-pêlos-de-partes-super-sensíveis, puxões-de-cabelo-,-cauterizadores-e-afins, banhos-de-chocolate (essa é realmente uma frustração de não poder comer chocolate muito estranha) e toda a sorte de apertões no corpo aos quais se submetem as mulheres para, teoricamente, ficarem mais bonitas... Nem mesmo os cílios foram poupados. Não bastou o rímel. Tinha que ter alguma dor no meio do processo.
A epopéia do embelezamento feminino é muito irônica. Para se tornarem mais belas, mulheres se submetem aos tratamentos mais dolorosos, PERIODICAMENTE. A cantiga do feminismo prega que as mulheres devem ter direitos iguais aos dos homens, e isso significa estarem sempre lindas de morrer. Seria melhor dizer "lindas até quase morrer". Se fosse uma religião, teria o seguinte mote: "a mulher deve se livrar do corpo em que veio e comprar um novo nas liquidações".
Para se purificar de seus pecados, minha companheiríssima decerto também utiliza seu subconjunto do universo de métodos embelezadores. Mas não precisa de enforcadores de cílios.
Vou desenvolver esta observação um outro dia, quem sabe. Concentrando-me nos cílios, hoje sou um cara culto no que diz respeito à ginástica dos femininos. Um dia, enquanto ia para o trabalho, encontrei uma amiga no ônibus. Nessa época, nosso ganha-pão ficava num lugar a uma hora da nossa casa. Conversa vai, conversa vem, minha amiga saca de sua bolsa um estojinho de maquiagem. Disse que economizava tempo se fizesse sua pintura facial dentro da condução. Com um espelhinho minúsculo, ela iria começar sua arte. Base, blush, baton, sombra, rímel, perfume, escova, corretor, lápis, e tantas outras coisas que só a vaidade feminina são capazes de conceber saltaram de dentro do estojinho, não necessariamente nesta ordem. Comecei a ver uma fumacinha em torno do rosto dessa menina, parecia uma briga entre mãos e face, tipo desenho animado. Só de pensar naqueles cheiros e pozinhos todos sendo aspergidos no ar a menos de cinqüenta centímetros do meu rosto dentro do ônibus me dá vontade de espirrar.
Tudo transcorria na pressa e prática femininas típicas, quando DE REPENTE... De repente, ela sacou um item esquisito da bolsa. Um objetinho pequeno, metálico, com pegadores tipo uma tesourinha, mas com dois arcos que se encontravam na ponta, ao invés das lâminas. Parecia um objetinho de tortura, com a armação bem intrincadinha. Coisa de mulher mesmo, sabe? Quando ela se olhou no espelhinho, pegou a tesourinha esquisita e aproximou-a meticulosamente dos olhos - ficando até com a ponta da língua projetada pra fora dos lábios, lateralmente - como se estivesse mirando o negocinho na cara, eu pensei que fosse sacar as órbitas oculares pra passar maquiagem por dentro. Essa parte branquinha dos olhos realmente não tem nenhuma graça. É tão neutra...
Finalmente, ela chegou ao seu alvo. O problema não eram as órbitas. Eram os cílios. Ela enforcou todos, de uma vez. Apertou os cílios entre os arquinhos do negocinho que parecia uma tesoura. Primeiro os da pálpebra superior direita, depois os da pálpebra superior esquerda. Vixe, parecia que ela ia arrancá-los todos fora, ou então que estava a sufocá-los! Por alguns segundos, aquela cara de garota arteira com a língua pra fora apertando os cílios dava a entender que tinha raiva deles. E eles pareciam todos se espicharem pra cima, como se dissessem "por favor, eu não tenho nada com isso!! Pare, não estou conseguindo respirar! Não fui eu! Não fui eu!". Esse tal "espichador de cílios" deixou-os todos pra cima, e após isso, quando ela guardou a tal tesourinha, tinha os olhos parecidos com os de uma boneca da Estrela.
Que coisas mais sinistras a alma feminina é capaz de criar para si própria. Quando eu achava que não havia mais nenhum método... Após as cirurgias de estômago, aspiradores-de-gordura, lingeries-super-apertadas, removedores-de-pedaços-de-pele, arrancadores-de-pêlos-de-partes-super-sensíveis, puxões-de-cabelo-,-cauterizadores-e-afins, banhos-de-chocolate (essa é realmente uma frustração de não poder comer chocolate muito estranha) e toda a sorte de apertões no corpo aos quais se submetem as mulheres para, teoricamente, ficarem mais bonitas... Nem mesmo os cílios foram poupados. Não bastou o rímel. Tinha que ter alguma dor no meio do processo.
A epopéia do embelezamento feminino é muito irônica. Para se tornarem mais belas, mulheres se submetem aos tratamentos mais dolorosos, PERIODICAMENTE. A cantiga do feminismo prega que as mulheres devem ter direitos iguais aos dos homens, e isso significa estarem sempre lindas de morrer. Seria melhor dizer "lindas até quase morrer". Se fosse uma religião, teria o seguinte mote: "a mulher deve se livrar do corpo em que veio e comprar um novo nas liquidações".
Para se purificar de seus pecados, minha companheiríssima decerto também utiliza seu subconjunto do universo de métodos embelezadores. Mas não precisa de enforcadores de cílios.
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
MPB - Foto Histórica
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Cambada Mineira, Lô Borges e Manu Santos no Rival - Rio de Janeiro
Lembrancinhas da grande noite mágica pode ser vista Aqui, no www.manusantos.com.br e Aqui, no Película de Rua (Escrito por mim mesmo).
Isso é que é coisa boa. O resto é poeira no caminho.
Isso é que é coisa boa. O resto é poeira no caminho.
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
Defendendo a Libertinagem
(Abertura da discussão)
Fulano: "Droga! Acabaram-se os passeios em iates acompanho de modelos gostosas, burras e solícitas... :)"
Cicrano: "Aproveita agora, que no Carnaval isso tudo é de graça, com exceção do Iate. Elas todas estão em liquidação!"
(Momento deceptivo e entrada da discordância)
Beltrana: "Nossa! Que decepção, Cicrano... 'Elas todas estão em liquidação!'???"
(Argumento)
Cicrano:
Neste momento, venho incorporar meus dotes sociológicos, em defesa da nobre satisfação biológica do ser humano.
Eu me referia tão somente às "modelos gostosas, burras e solícitas" sobre as quais falava nosso amigo Fulano, e não a todas as mulheres. É um estereótipo muito comum no Rio de Janeiro, em especial no Carnaval.
É claro que, para uma mulher, ter um destes atributos não implica ter todos os outros. Acontece que o conjunto formado pelas mulheres possuidoras de todos eles é, no mínimo, muito útil.
Há um importante papel a ser desempenhado por elas. São todas responsáveis pela acessibilidade afetiva (ainda que momentânea) dos cidadãos do sexo masculino que são incapazes de contrair um
compromisso com mulheres que têm o que falar e sabem o que querem - e que talvez por isso mesmo estejam em falta para estes pobres e carentes mancebos. Elas - as "modelos gostosas, burras e solícitas" - exercem uma missão de inclusão social, e isto é não só indispensável, como louvável.
Curiosamente, as vagas para este perfil parecem nunca saturar o "mercado de beldades procuradas". A demanda é inelástica, tendendo ao infinito. Em resumo "o que vai pra prateleira é consumido, independente da quantidade e preço". E para arrematar o argumento, lembremo-nos que, justamente no Carnaval, acontece o fenômeno econômico que alvejei: a oferta atinge picos inalcançáveis em qualquer outra época do ano, os preços despencam junto com a vergonha, tendendo a ZERO. Resultado: liquidação total (literalmente) e consumo indisplicente (idem).
Que outra saída teria o homem que, por problemas também sociais, mas que não descreverei aqui, não tem um compromisso fiel e sadio?
Você não é destas. Portanto, assumo que não seja de seu costume "entrar em liquidação no Carnaval".
Fulano: "Droga! Acabaram-se os passeios em iates acompanho de modelos gostosas, burras e solícitas... :)"
Cicrano: "Aproveita agora, que no Carnaval isso tudo é de graça, com exceção do Iate. Elas todas estão em liquidação!"
(Momento deceptivo e entrada da discordância)
Beltrana: "Nossa! Que decepção, Cicrano... 'Elas todas estão em liquidação!'???"
(Argumento)
Cicrano:
Neste momento, venho incorporar meus dotes sociológicos, em defesa da nobre satisfação biológica do ser humano.
Eu me referia tão somente às "modelos gostosas, burras e solícitas" sobre as quais falava nosso amigo Fulano, e não a todas as mulheres. É um estereótipo muito comum no Rio de Janeiro, em especial no Carnaval.
É claro que, para uma mulher, ter um destes atributos não implica ter todos os outros. Acontece que o conjunto formado pelas mulheres possuidoras de todos eles é, no mínimo, muito útil.
Há um importante papel a ser desempenhado por elas. São todas responsáveis pela acessibilidade afetiva (ainda que momentânea) dos cidadãos do sexo masculino que são incapazes de contrair um
compromisso com mulheres que têm o que falar e sabem o que querem - e que talvez por isso mesmo estejam em falta para estes pobres e carentes mancebos. Elas - as "modelos gostosas, burras e solícitas" - exercem uma missão de inclusão social, e isto é não só indispensável, como louvável.
Curiosamente, as vagas para este perfil parecem nunca saturar o "mercado de beldades procuradas". A demanda é inelástica, tendendo ao infinito. Em resumo "o que vai pra prateleira é consumido, independente da quantidade e preço". E para arrematar o argumento, lembremo-nos que, justamente no Carnaval, acontece o fenômeno econômico que alvejei: a oferta atinge picos inalcançáveis em qualquer outra época do ano, os preços despencam junto com a vergonha, tendendo a ZERO. Resultado: liquidação total (literalmente) e consumo indisplicente (idem).
Que outra saída teria o homem que, por problemas também sociais, mas que não descreverei aqui, não tem um compromisso fiel e sadio?
Você não é destas. Portanto, assumo que não seja de seu costume "entrar em liquidação no Carnaval".
sábado, fevereiro 02, 2008
terça-feira, janeiro 29, 2008
Prática da Fotografia
Odisséia Além-Mar
No voar da onça feroz
Que roubou asas de avião
Nos sinais da nova estação
Não sei se castigar resolve não
Não sei onde encontrar um coração
Não sei onde guardar meu coração
Que se feriu pelos limites da paixão
Não sei se acabou a solidão febril
Do morno sossego que se instalou
No além-mar só navego a voz
Que gritou "cauda de pavão"
Das reais senhoras de um tostão
Não tento arruinar esta monção
Nem faço seca num breve sertão
Ao menos me vestir de pai-joão
Teu Carnaval, onde pierrot não vale não
Não há parafernália de condão anil
Nos ventos de gelo que me soprou
Se vieres ver como cresci
Além dos postes que te iluminavam também
Será, meu bem, o meu prazer
De ver como te deixo louca
Mas, do cais,
Eu verso para este além-mar
Onde se foi buscar alguém
Que bem outrora quis zelar
Este contrato que ninguém quer assinar
Nos sinais
Que configuram meu serão
Jamais retornarei audaz
Serei mordaz no teu verão
E tempestades jorrarão
E arco-íris saltarão do céu
Imaculando o meu perdão

Essa foi uma feliz coincidência. Eu estava tentando fazer uma melodia pra uma outra letra. Consegui uma bonitinha, mas não tinha muito a ver com o que estava escrito. Daí eu escrevi uma letra mais apropriada pra música. A anterior ficou guardada.
Tem muitos momentos nos quais eu só arrumo uma palavra que encaixa, e que seja "da família" do assunto. Aí a letra ganha um sentido abstrato, abrangente. É um truque possível, e esse truque, ironicamente, eu uso quando não sei muito bem o que vou escrever. Aí, pincelo palavras, no acaso, mais ou menos, e a letra acaba crescendo. Essa é uma técnica boa, porque dá resultados bem subjetivos na hora de interpretar. É a tal da "letra viajante".
Que roubou asas de avião
Nos sinais da nova estação
Não sei se castigar resolve não
Não sei onde encontrar um coração
Não sei onde guardar meu coração
Que se feriu pelos limites da paixão
Não sei se acabou a solidão febril
Do morno sossego que se instalou
No além-mar só navego a voz
Que gritou "cauda de pavão"
Das reais senhoras de um tostão
Não tento arruinar esta monção
Nem faço seca num breve sertão
Ao menos me vestir de pai-joão
Teu Carnaval, onde pierrot não vale não
Não há parafernália de condão anil
Nos ventos de gelo que me soprou
Se vieres ver como cresci
Além dos postes que te iluminavam também
Será, meu bem, o meu prazer
De ver como te deixo louca
Mas, do cais,
Eu verso para este além-mar
Onde se foi buscar alguém
Que bem outrora quis zelar
Este contrato que ninguém quer assinar
Nos sinais
Que configuram meu serão
Jamais retornarei audaz
Serei mordaz no teu verão
E tempestades jorrarão
E arco-íris saltarão do céu
Imaculando o meu perdão
Essa foi uma feliz coincidência. Eu estava tentando fazer uma melodia pra uma outra letra. Consegui uma bonitinha, mas não tinha muito a ver com o que estava escrito. Daí eu escrevi uma letra mais apropriada pra música. A anterior ficou guardada.
Tem muitos momentos nos quais eu só arrumo uma palavra que encaixa, e que seja "da família" do assunto. Aí a letra ganha um sentido abstrato, abrangente. É um truque possível, e esse truque, ironicamente, eu uso quando não sei muito bem o que vou escrever. Aí, pincelo palavras, no acaso, mais ou menos, e a letra acaba crescendo. Essa é uma técnica boa, porque dá resultados bem subjetivos na hora de interpretar. É a tal da "letra viajante".
Lótus
Oh! Flor do céu! Oh! Flor cândida e pura!
Retinta dos bons jardins Edênicos!
Perfeitas, maliciosas e virgens brumas
Guardam-te, sequestrando-me do desejo!
Me fazem conter-me ao vê-la só tez,
Cravando em minhas pestanas, alvura,
Mas na alma, satânico bem do querer,
Do véu santo e dos espinhos cegos, nua
Contento-me de, inocente, deixá-la!
Paro a deliciosa pré-luta de órbitas vis e rasas
Apagando sozinho as chamas do Eros que afagavas
Mas se, palatado o teu néctar por minha gula,
Aproveita o inseto que tua lótus cala!
Perde-se a vida, ganha-se a batalha!

Retinta dos bons jardins Edênicos!
Perfeitas, maliciosas e virgens brumas
Guardam-te, sequestrando-me do desejo!
Me fazem conter-me ao vê-la só tez,
Cravando em minhas pestanas, alvura,
Mas na alma, satânico bem do querer,
Do véu santo e dos espinhos cegos, nua
Contento-me de, inocente, deixá-la!
Paro a deliciosa pré-luta de órbitas vis e rasas
Apagando sozinho as chamas do Eros que afagavas
Mas se, palatado o teu néctar por minha gula,
Aproveita o inseto que tua lótus cala!
Perde-se a vida, ganha-se a batalha!
quinta-feira, janeiro 24, 2008
Samba do Trabalhador
Abram passagem
Pra grande emoção entrar, ô ô ô
A boa luz do samba, la laiá
Acabou de chegar
Trazendo a sensação
De antigamente
Belas poesias
Simplesmente diferente
Depois de tempos hostis
Muda o palco num clarão
Aqui se faz samba
É na palma da mão
Os versos do Renascer
São na raiz Vila Isabel
Universo do samba
Terra de Noel
Segunda de bambas
Terreiro, pés no chão
Um chope às quinze
É tudo de bom
No aeroporto
Feito avião
Daqui para o mundo
Todo mundo notou
O mais lindo
Samba do Trabalhador

Pra grande emoção entrar, ô ô ô
A boa luz do samba, la laiá
Acabou de chegar
Trazendo a sensação
De antigamente
Belas poesias
Simplesmente diferente
Depois de tempos hostis
Muda o palco num clarão
Aqui se faz samba
É na palma da mão
Os versos do Renascer
São na raiz Vila Isabel
Universo do samba
Terra de Noel
Segunda de bambas
Terreiro, pés no chão
Um chope às quinze
É tudo de bom
No aeroporto
Feito avião
Daqui para o mundo
Todo mundo notou
O mais lindo
Samba do Trabalhador
terça-feira, janeiro 15, 2008
Os Filhos de Eleonor
Eleonor teve dois filhos que ama, mas que contra sua vontade não têm metade da normalidade das crianças dos vizinhos. E nem um centésimo disso.
O primeiro deles, Medhros, tem a boca completamente nua; e no lugar dos cabelos possui longos e finos dentes, apontados para cima, como se houvesse uma enorme boca perenamente aberta, cuja circunferência segue a coroa de sua cabeça. Essas pinçudas presas permanecem em um lento movimento, como o de uma respiração, dando ao garoto mais velho uma aparência simplesmente arrepiante. Apesar de seus 15 anos, seu falar mais parece o de um velho que colocou uma esponja bem macia na boca. Tem um estômago poderoso, uma traquéia elástica, um esôfago que mais parece uma cobra de tão controlado, sendo capaz de engolir as coisas mais duvidosas.
Em certa feita, enquanto fazia graça para que sua mãe não insistisse que comesse brócolis, Medhros subiu em uma mangueira e comeu folha por folha. Passou dez horas catando cada um dos brincos verdes da árvore, deixando os galhos e os frutos intactos. Ao ver seu filho preso na árvore, com a cintura da largura de um fusca sem pneus, Eleonor decidiu que nunca mais pediria que comesse, porque comia bem demais quando queria.
A mangueira, com medo de sofrer um novo assalto do garoto, nunca mais deu uma folhinha. Nem um único e pequenino brotinho verde lhe saiu da ponta do galho mais fino da parte mais alta da árvore. Estava apavorada. Seus frutos ressecaram, não era mais capaz de se sustentar. Secou e se tornou uma árvore assustadora (mais assustada do que assustadora, na verdade).
Uma outra vez, durante uma briga com um de seus vizinhos, Nestor, Medhros arremessou-se de cabeça contra o rapazinho. Ele recebeu tantas dentadas na região pélvica que nunca mais pensaria em sexualidade na sua vida. Medhros arrancou as bolinhas do garotinho com muita acuidade, guardando-as nos bolsos para mais tarde montar um bate-bolinhas, envoltando-as com resina e pendurando ambas nas pontas de uma cordinha. Prendeu um anel de ferro na metade do comprimento da fina corda, e então punha-se a segurar o anel de ferro, balançando as bolinhas-de-garoto-de-resina uma contra a outra. Toda vez que brincava com o objeto, Nestorzinho sofria dores terríveis, tais que não conseguia levantar-se de onde estivesse, e nem mesmo deixar sua posição fetal característica, na qual passava a maior parte do tempo, vide seu trauma anterior.
O segundo filho de Eleonor eu não ouso descrever, e acho melhor parar a história por aqui, antes que ele descubra que estou pensando nele.

O primeiro deles, Medhros, tem a boca completamente nua; e no lugar dos cabelos possui longos e finos dentes, apontados para cima, como se houvesse uma enorme boca perenamente aberta, cuja circunferência segue a coroa de sua cabeça. Essas pinçudas presas permanecem em um lento movimento, como o de uma respiração, dando ao garoto mais velho uma aparência simplesmente arrepiante. Apesar de seus 15 anos, seu falar mais parece o de um velho que colocou uma esponja bem macia na boca. Tem um estômago poderoso, uma traquéia elástica, um esôfago que mais parece uma cobra de tão controlado, sendo capaz de engolir as coisas mais duvidosas.
Em certa feita, enquanto fazia graça para que sua mãe não insistisse que comesse brócolis, Medhros subiu em uma mangueira e comeu folha por folha. Passou dez horas catando cada um dos brincos verdes da árvore, deixando os galhos e os frutos intactos. Ao ver seu filho preso na árvore, com a cintura da largura de um fusca sem pneus, Eleonor decidiu que nunca mais pediria que comesse, porque comia bem demais quando queria.
A mangueira, com medo de sofrer um novo assalto do garoto, nunca mais deu uma folhinha. Nem um único e pequenino brotinho verde lhe saiu da ponta do galho mais fino da parte mais alta da árvore. Estava apavorada. Seus frutos ressecaram, não era mais capaz de se sustentar. Secou e se tornou uma árvore assustadora (mais assustada do que assustadora, na verdade).
Uma outra vez, durante uma briga com um de seus vizinhos, Nestor, Medhros arremessou-se de cabeça contra o rapazinho. Ele recebeu tantas dentadas na região pélvica que nunca mais pensaria em sexualidade na sua vida. Medhros arrancou as bolinhas do garotinho com muita acuidade, guardando-as nos bolsos para mais tarde montar um bate-bolinhas, envoltando-as com resina e pendurando ambas nas pontas de uma cordinha. Prendeu um anel de ferro na metade do comprimento da fina corda, e então punha-se a segurar o anel de ferro, balançando as bolinhas-de-garoto-de-resina uma contra a outra. Toda vez que brincava com o objeto, Nestorzinho sofria dores terríveis, tais que não conseguia levantar-se de onde estivesse, e nem mesmo deixar sua posição fetal característica, na qual passava a maior parte do tempo, vide seu trauma anterior.
O segundo filho de Eleonor eu não ouso descrever, e acho melhor parar a história por aqui, antes que ele descubra que estou pensando nele.
A Ruiva do Saulo
(Partido Alto)
Encontrei o amigo Saulo
Com um tremendo mulherão
Cabelões muito vermelhos
Boca cheia de batom
Salto alto, saia curta
Nos mostrando tantos dotes
Meus botões, pensando bem,
Tem alguma coisa errada
Porque a fama desse cara
É de não pegar ninguém
Eu falei
Que a fama do Saulo
É de não pegar ninguém
Aí que eu descobri
Saulo de bobo é quase nada
À espreita nas noitadas
Deu o tiro bem no alvo
A preferência do nosso colega
Era só de ruivas
Esperou feito coruja
De olho grande na irmã do parceiro Araquém
A garotinha que já debutava lá pros seus dezoito
Chegou bonitinha, toda arrumadinha
E Saulo deu o bote naquela ruivinha
Eu falei
Que a fama do Saulo
Tá com a irmã do Araquém

Encontrei o amigo Saulo
Com um tremendo mulherão
Cabelões muito vermelhos
Boca cheia de batom
Salto alto, saia curta
Nos mostrando tantos dotes
Meus botões, pensando bem,
Tem alguma coisa errada
Porque a fama desse cara
É de não pegar ninguém
Eu falei
Que a fama do Saulo
É de não pegar ninguém
Aí que eu descobri
Saulo de bobo é quase nada
À espreita nas noitadas
Deu o tiro bem no alvo
A preferência do nosso colega
Era só de ruivas
Esperou feito coruja
De olho grande na irmã do parceiro Araquém
A garotinha que já debutava lá pros seus dezoito
Chegou bonitinha, toda arrumadinha
E Saulo deu o bote naquela ruivinha
Eu falei
Que a fama do Saulo
Tá com a irmã do Araquém
sexta-feira, janeiro 11, 2008
quarta-feira, janeiro 09, 2008
A Salvo
Salvo o que é dos outros, o que é meu, é meu. Este blog está inteiramente registrado. Todos os meus textos estão expressamente registrados no meu nome.
Eu sou Rodrigo, e meus textos agora têm uma identidade na web.
Eu sou Rodrigo, e meus textos agora têm uma identidade na web.
terça-feira, janeiro 08, 2008
Soneto do Quererismo
No meu quereral tenho plantados
E como poderiam não ser: quereres,
Desejos, quiçás, sementes de vontade,
Almejos de todas as estações
No meu quintal, colheita mais valiosa
Logo à frente descarto descompromissos.
Num cemitério pequeno, graças a Deus
Jazem frustrações e perdas totais.
Minhas ferramentas são tão poucas
Coragem, audácia, humildade
Felicidade por muito viver
Os riscos também não ficam por mais
Querer somente o melhor existente
Implica perder o que é sempre pouco

E como poderiam não ser: quereres,
Desejos, quiçás, sementes de vontade,
Almejos de todas as estações
No meu quintal, colheita mais valiosa
Logo à frente descarto descompromissos.
Num cemitério pequeno, graças a Deus
Jazem frustrações e perdas totais.
Minhas ferramentas são tão poucas
Coragem, audácia, humildade
Felicidade por muito viver
Os riscos também não ficam por mais
Querer somente o melhor existente
Implica perder o que é sempre pouco
quinta-feira, dezembro 27, 2007
Amarelo
(Para Tila)
Será que a minha filhote de labrador
Vai amarelar quando crescer?
Como amarela o trabalhador cansado
Como amarela o céu, ao fim do dia
Como amarela Ronaldo em decisão
Como o Amarelinho na Glória, ou da Cinelândia
Como amarela o envergonhado
Como táxis do Rio,
Como a frebre amarela
Como as páginas de um velho livro
Fotos antigas, ou Amarelas Páginas
Será que vai?
Como amarelam as folhas ressecadas
Samambaias, chorosas, amarelam na falta d'água
Já os girassóis, sempre
E como é o Sol escaldante, amarelão
Como os olhos do preto, bem preto, velho
Ou a antiga amarelinha das crianças
Ouro, bananas, cervejas, orientais,
Tantas coisas amarelam como uma faixa do arco-íris
Só espero minha labradora não amarelar
Luz secundária, Sangue-Mata,
Amarela é a matiz que mata,
Chama-olhos, ouro de tolo é o amarelo,
Acho o amarelo sendo a cor da morte
Por fim - amarelo-claro, claro -
O futuro da minha cadela
Tanto quanto o nosso futuro,
É um semáforo... Inflexivelmente amarelíssimo.

Será que a minha filhote de labrador
Vai amarelar quando crescer?
Como amarela o trabalhador cansado
Como amarela o céu, ao fim do dia
Como amarela Ronaldo em decisão
Como o Amarelinho na Glória, ou da Cinelândia
Como amarela o envergonhado
Como táxis do Rio,
Como a frebre amarela
Como as páginas de um velho livro
Fotos antigas, ou Amarelas Páginas
Será que vai?
Como amarelam as folhas ressecadas
Samambaias, chorosas, amarelam na falta d'água
Já os girassóis, sempre
E como é o Sol escaldante, amarelão
Como os olhos do preto, bem preto, velho
Ou a antiga amarelinha das crianças
Ouro, bananas, cervejas, orientais,
Tantas coisas amarelam como uma faixa do arco-íris
Só espero minha labradora não amarelar
Luz secundária, Sangue-Mata,
Amarela é a matiz que mata,
Chama-olhos, ouro de tolo é o amarelo,
Acho o amarelo sendo a cor da morte
Por fim - amarelo-claro, claro -
O futuro da minha cadela
Tanto quanto o nosso futuro,
É um semáforo... Inflexivelmente amarelíssimo.
segunda-feira, dezembro 24, 2007
Das Coisas Mais Valiosas
segunda-feira, dezembro 10, 2007
Maior Que O Samba
(Para Manu)
Com todo esse charme que mata e me pega
No contra-pé de minha resistência
Não tenho mais o que falar… Só te admirar
Quando pega a cadência e refaz os acentos,
Me encanta de tanto cantar
meu sonho é tão particular - de te amar
Comandando o teu grupo com braços de mestra
Tu és a maestra que quero abraçar
Maior que o samba que dá
Sopro de canouro
Olhos diamantinos
Cheiro de Jasmim
Lábios de cetim
E os abraços de seda
Me pego a pensar
Se um dia tenho
Não vou mais parar
Tenho que ter sorte
Pra amar uma bela dama assim
Ser amado por ti é a bênção de Deus
Pra minha vida ficar mais feliz

Com todo esse charme que mata e me pega
No contra-pé de minha resistência
Não tenho mais o que falar… Só te admirar
Quando pega a cadência e refaz os acentos,
Me encanta de tanto cantar
meu sonho é tão particular - de te amar
Comandando o teu grupo com braços de mestra
Tu és a maestra que quero abraçar
Maior que o samba que dá
Sopro de canouro
Olhos diamantinos
Cheiro de Jasmim
Lábios de cetim
E os abraços de seda
Me pego a pensar
Se um dia tenho
Não vou mais parar
Tenho que ter sorte
Pra amar uma bela dama assim
Ser amado por ti é a bênção de Deus
Pra minha vida ficar mais feliz
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Justiça Gratuita - Nei Lopes
Felicidade, passou no vestibular
E agora tá ruim de aturar
Mudou-se pra faculdade de direito
E só fala com a gente de um jeito cheio de preliminar
É de amargar
Casal abriu, ela diz que é divórcio
Parceria é litisconsórcio
Sacanagem é libidinagem e atentado ao pudor
Só fala cheia de subterfúgios
Nego morreu ela diz que é de cujus
Não aguento mais esta felicidade, Dr. Defensor
Só mesmo um Desembargador
Amigação pra ela é concubinato
Vigarice é estelionato
Caduquice de esclorosado é demência senil
Sumui na poeira ela chama de ausente
Não pagou a conta é inadimplente
Ela diz consultando o Código Civil
Me pediu uma grana dizendo que era um contrato de mútuo
Comeu e bebeu disse que era usufruto
E levou pra casa o meu violão
Meses depois que fez este agravo ao meu instrumento
Ela então me disse cheia de argumento
Que o adquiriu por usucapião
Seu defensor, não é mole não!
Fantástico!
*Nota: o compositor é formado em direito.
E agora tá ruim de aturar
Mudou-se pra faculdade de direito
E só fala com a gente de um jeito cheio de preliminar
É de amargar
Casal abriu, ela diz que é divórcio
Parceria é litisconsórcio
Sacanagem é libidinagem e atentado ao pudor
Só fala cheia de subterfúgios
Nego morreu ela diz que é de cujus
Não aguento mais esta felicidade, Dr. Defensor
Só mesmo um Desembargador
Amigação pra ela é concubinato
Vigarice é estelionato
Caduquice de esclorosado é demência senil
Sumui na poeira ela chama de ausente
Não pagou a conta é inadimplente
Ela diz consultando o Código Civil
Me pediu uma grana dizendo que era um contrato de mútuo
Comeu e bebeu disse que era usufruto
E levou pra casa o meu violão
Meses depois que fez este agravo ao meu instrumento
Ela então me disse cheia de argumento
Que o adquiriu por usucapião
Seu defensor, não é mole não!
Fantástico!
*Nota: o compositor é formado em direito.
sexta-feira, junho 08, 2007
Novo Blog Na Área
Quer saber as últimas da corrupção brasileira??
Um extrato de todos jornais sobre CPI, CPMF, Reforma Tributária e Desvios de Verba. Só pra você, olha aqui, ó:
Colarinho Branco Mata!
Um extrato de todos jornais sobre CPI, CPMF, Reforma Tributária e Desvios de Verba. Só pra você, olha aqui, ó:
Colarinho Branco Mata!
quarta-feira, maio 30, 2007
Quando Faltar Calor
Não esqueça que eu te amo
Lembra que teu coração bate pelo meu
Quantas vezes já me disseste
Que o teu vive aqui, no meu peito?
Quando faltar coragem
Fecha os olhos e esquece o resto
Lembra que sou eu quem lhe fala
Lembra que espero por ti
Em cada segundo do meu dia
Não te tornes fria em momento algum
Porque mesmo o mais duro dos corações
Amolece ao ver a alma amorosa
Se lhe partem a face com um golpe de punho
Ou se lhe apunhalam as costas com habilidade de cobra
Mais tarde ser-lhe-á ardente e dolorido o coração em culpa
Por ter machucado alguém que, por si só, ama
Não perca teu dia com indagações vazias
Inúteis vicissitudes do chão que despenca sem cair
Não deixe que façam de tua alma o iceberg
Pois, quando me faltar calor
Tu serás meu Sol, meu cobertor,
Minha toca, minha cama,
Tu é quem fará o meu dia

Lembra que teu coração bate pelo meu
Quantas vezes já me disseste
Que o teu vive aqui, no meu peito?
Quando faltar coragem
Fecha os olhos e esquece o resto
Lembra que sou eu quem lhe fala
Lembra que espero por ti
Em cada segundo do meu dia
Não te tornes fria em momento algum
Porque mesmo o mais duro dos corações
Amolece ao ver a alma amorosa
Se lhe partem a face com um golpe de punho
Ou se lhe apunhalam as costas com habilidade de cobra
Mais tarde ser-lhe-á ardente e dolorido o coração em culpa
Por ter machucado alguém que, por si só, ama
Não perca teu dia com indagações vazias
Inúteis vicissitudes do chão que despenca sem cair
Não deixe que façam de tua alma o iceberg
Pois, quando me faltar calor
Tu serás meu Sol, meu cobertor,
Minha toca, minha cama,
Tu é quem fará o meu dia
segunda-feira, maio 21, 2007
Baú-Mundo
Se me parto, breve,
É porque procuro um porto
Ser teu porto
Por um futuro, por um cheiro,
Por um terreno, um cantinho
Pra gente dormir direito
E se me pego longe
É pra poder voltar sempre
...
Dia chuvoso
Céu de algodão cinza
Sol na moleira
Moléstia, peste, vento,
Frio, calor, fotografia,
Pra te levar os lugares onde estive
Pra me pensar
Ter te levado aos lugares onde andei
...
Pra tornar esta panacéia da minha cabeça
Progressivamente real
Até não mais sairmos
Um de perto do outro
Em qualquer lugar
Em qualquer mundo
...
Minha saudade clama
Pra te arrastar comigo
Minha cama é a saudade
Onde durmo sem paz
Longe do meu anjo adormecido
Agora, eis que sofro,
Mais uma noite só
A fim de cultivar
Tua presença ad eternum
Feito tesouro em um baú-mundo
Que, a ser desenterrado,
Permanece, por hora, escondido

É porque procuro um porto
Ser teu porto
Por um futuro, por um cheiro,
Por um terreno, um cantinho
Pra gente dormir direito
E se me pego longe
É pra poder voltar sempre
...
Dia chuvoso
Céu de algodão cinza
Sol na moleira
Moléstia, peste, vento,
Frio, calor, fotografia,
Pra te levar os lugares onde estive
Pra me pensar
Ter te levado aos lugares onde andei
...
Pra tornar esta panacéia da minha cabeça
Progressivamente real
Até não mais sairmos
Um de perto do outro
Em qualquer lugar
Em qualquer mundo
...
Minha saudade clama
Pra te arrastar comigo
Minha cama é a saudade
Onde durmo sem paz
Longe do meu anjo adormecido
Agora, eis que sofro,
Mais uma noite só
A fim de cultivar
Tua presença ad eternum
Feito tesouro em um baú-mundo
Que, a ser desenterrado,
Permanece, por hora, escondido
quarta-feira, maio 16, 2007
Amorzão
Engraçado
Quando eu era mais moleque
Não queria saber do que era novo
Só queria ouvir as velharias
E o que tinha sido história
Passa o tempo, me torno velho
Mas hoje, diferente dos velhos dias,
Quero mesmo é sair pro abraço
E reinventar tudo o que faço
Quando era criança, eu queria o meu chão
Um chão firme, que não machucasse meus pés
Chão forte, pra eu me formar de primeira
Quando era criança, queria cantochão
Mas hoje, quero eletrizar,
Quero sambar tudo de novo
Quero abraçar tudo que amo e renovar meu gosto
Quando guri, estava mais próximo ao chão
E eu queria a terra
Mas cresci, e agora, mais distante de onde piso
Quero me aproximar ainda mais do céu
Não queria saber do que era novo
Só queria ouvir as velharias
E o que tinha sido história
Passa o tempo, me torno velho
Mas hoje, diferente dos velhos dias,
Quero mesmo é sair pro abraço
E reinventar tudo o que faço
Quando era criança, eu queria o meu chão
Um chão firme, que não machucasse meus pés
Chão forte, pra eu me formar de primeira
Quando era criança, queria cantochão
Mas hoje, quero eletrizar,
Quero sambar tudo de novo
Quero abraçar tudo que amo e renovar meu gosto
Quando guri, estava mais próximo ao chão
E eu queria a terra
Mas cresci, e agora, mais distante de onde piso
Quero me aproximar ainda mais do céu
terça-feira, abril 24, 2007
O Perigo das Palavras'
"Meu" é uma retórica problemática
Nada que temos, temos
Tudo é de ninguém
Nenhum algo vai conosco
Nenhum algo fica conosco
Por tempo indeterminado
"Morrer" é perigosamente desesperador
Eu não morro. Vivo quando parto
E quando parto, não posso ser dor
Se sei que aqui há, mas lá 'inda não sei'
"Ser" é desconhecimento permanente
Não sabemos o que somos
Talvez nunca venha à tona
Apenas pensamos, e isso é constatado
Ou estaria eu enganado?
"Saber" é abstrato
Esse, definitivamente não existe
No sensível mundo do tato
Tomé, tomara que um dia se prove o que sei, que é:
O que sabemos não importa de fato
O passado é o agora que se desfez
O futuro é o agora que a gente inventou
O agora não me interessa explicar
Já que as palavras não vão me dizer muito mais
Do que me diz o presente momento
Palavras devem ser usadas com cuidado
Não transmitem a verdade,
Mas sim a mensagem do acreditado
Tome cuidado, ao usá-las cegamente,
Você pode estar errado, ou estar sendo enganado
Porque o mundo das línguas,
Na nossa cabeça, é um caminho de rato
Um curto circuito neural muito doido
Um teatro mental, isso é o que é esse mundo,
Dentro das nossas fanáticas mentes
Quem julga o que pensamos, dentro de nós mesmos?
Ninguém.
Nada que temos, temos
Tudo é de ninguém
Nenhum algo vai conosco
Nenhum algo fica conosco
Por tempo indeterminado
"Morrer" é perigosamente desesperador
Eu não morro. Vivo quando parto
E quando parto, não posso ser dor
Se sei que aqui há, mas lá 'inda não sei'
"Ser" é desconhecimento permanente
Não sabemos o que somos
Talvez nunca venha à tona
Apenas pensamos, e isso é constatado
Ou estaria eu enganado?
"Saber" é abstrato
Esse, definitivamente não existe
No sensível mundo do tato
Tomé, tomara que um dia se prove o que sei, que é:
O que sabemos não importa de fato
O passado é o agora que se desfez
O futuro é o agora que a gente inventou
O agora não me interessa explicar
Já que as palavras não vão me dizer muito mais
Do que me diz o presente momento
Palavras devem ser usadas com cuidado
Não transmitem a verdade,
Mas sim a mensagem do acreditado
Tome cuidado, ao usá-las cegamente,
Você pode estar errado, ou estar sendo enganado
Porque o mundo das línguas,
Na nossa cabeça, é um caminho de rato
Um curto circuito neural muito doido
Um teatro mental, isso é o que é esse mundo,
Dentro das nossas fanáticas mentes
Quem julga o que pensamos, dentro de nós mesmos?
Ninguém.
Beautiful Couple Revised
When I see them together happiness shies in their eyes
If I feel sad inside I become to be all right
When they’re wandering aimless sun kisses their skin
For whom rings the bell? For Rodrigo and Emmanuele
They live in the bottom of my heart
They clear my way when life is very hard
It’s good to know their love is still growing
It makes happy when I’m feeling down
Some day they will be three or more, I hope to see
Children smiling on the lap of the beautiful singer
And tough many years will pass we’ll still listening the bell
Long life for the love of Rodrigo and Emmanuele
Essa é do Jorge Maia. Uma re-edição de uma antiga música. Depois vai rolar o áudio.
Valeu, Jorge!
If I feel sad inside I become to be all right
When they’re wandering aimless sun kisses their skin
For whom rings the bell? For Rodrigo and Emmanuele
They live in the bottom of my heart
They clear my way when life is very hard
It’s good to know their love is still growing
It makes happy when I’m feeling down
Some day they will be three or more, I hope to see
Children smiling on the lap of the beautiful singer
And tough many years will pass we’ll still listening the bell
Long life for the love of Rodrigo and Emmanuele
Essa é do Jorge Maia. Uma re-edição de uma antiga música. Depois vai rolar o áudio.
Valeu, Jorge!
Uma Vez Me Perdi
Uma vez, não mais do que isso
Me apaixonei... Pelo quê? Não sei
Daquela vez, a única,
Eu entrei na vida de alguém
Uma pessoa que não tinha nada a ver
Até hoje, eu me pergunto:
Como deixei isso acontecer?
Porque amor, você sabe,
É maré onde nos deixamos levar -
Essa me lançou do avião
Mas aí, como eu dizia,
Naquela vez eu via um monte de coisas boas
Eu vivi um sonho lindo
Só aqui na minha cabecinha tola
Fiquei prostrado de paixão
Mas ela não tinha nada a ver comigo
Hoje, eu me pergunto:
Como deixei acontecer?
Um estranho, uma estranha, um desejo
Combustível, calor, comburente
Queimei o desejo
E com ele o vício de amar sem jeito
Quando desiludi? Foi só escolher enxergar
Desencantei, e me vi
Na casa de pessoas estranhas
Ouvindo e vivendo coisas estranhas
Temendo o previsto: a estranhice
Hoje, eu realmente me pergunto, e insisto
Neste mesmo instante, me inquiro:
Por que me deixei acontecer desse jeito?
Mas naquele tempo, era mais veia e instinto
Hoje, é mais sensibilidade
Naquele tempo, eu era adolescente,
Hoje, ainda sou, de mais idade
Não quero um conto de fadas
Quero que os encantos sejam reais
As fadas que me perdoem,
Mas eu prefiro mulher de verdade.

Essa é de 18/10/06... Bem antiguinha.
Manuzinha, meu amor. Você é a minha mulher de verdade ;-)
Me apaixonei... Pelo quê? Não sei
Daquela vez, a única,
Eu entrei na vida de alguém
Uma pessoa que não tinha nada a ver
Até hoje, eu me pergunto:
Como deixei isso acontecer?
Porque amor, você sabe,
É maré onde nos deixamos levar -
Essa me lançou do avião
Mas aí, como eu dizia,
Naquela vez eu via um monte de coisas boas
Eu vivi um sonho lindo
Só aqui na minha cabecinha tola
Fiquei prostrado de paixão
Mas ela não tinha nada a ver comigo
Hoje, eu me pergunto:
Como deixei acontecer?
Um estranho, uma estranha, um desejo
Combustível, calor, comburente
Queimei o desejo
E com ele o vício de amar sem jeito
Quando desiludi? Foi só escolher enxergar
Desencantei, e me vi
Na casa de pessoas estranhas
Ouvindo e vivendo coisas estranhas
Temendo o previsto: a estranhice
Hoje, eu realmente me pergunto, e insisto
Neste mesmo instante, me inquiro:
Por que me deixei acontecer desse jeito?
Mas naquele tempo, era mais veia e instinto
Hoje, é mais sensibilidade
Naquele tempo, eu era adolescente,
Hoje, ainda sou, de mais idade
Não quero um conto de fadas
Quero que os encantos sejam reais
As fadas que me perdoem,
Mas eu prefiro mulher de verdade.
Essa é de 18/10/06... Bem antiguinha.
Manuzinha, meu amor. Você é a minha mulher de verdade ;-)
domingo, abril 22, 2007
YoungTubers
Do you realize what it means?
Outro dia eu pensava o seguinte: se o problema todo da futura falta de água é que a água POTÁVEL é escassa, então não temos por que lavar carros, garrafas, ou qualquer coisa com a água POTÁVEL. Nem a boca, nem o corpo...
Me perguntei o seguinte: quanto custaria alternar o sitema de fornecimento de água potável nos sistemas hídricos tradicionais para água do mar, dessalinizada?
Você tem noção do desperdício de água POTÁVEL estamos promovendo, usando-a para fins que não sejam bebê-la?
Ah, sobre o vídeo... Hoje é o dia internacional da Terra.
Eu não sei o que você faz com os seus recursos naturais. Não sei se os desperdiça. Mas não tenho dúvidas de que os seus filhos não vão fazê-lo, e eu mesmo me sinto confortável de saber que não vou viver a ponto de destruir o meu planeta com meus costumes do século passado.
Crianças do mundo inteiro estão submetendo vídeos para o youtube para dizerem o quanto estão preocupados com seu planeta. Há uma inteligência superior que surge da interação dessas crianças. E de quaisquer grupos que se formam através da Rede.
Nós não precisamos nos preocupar com essas manifestações, nem com a força desses acontecimentos. Eles são completamente incontroláveis e arrasadores para os nossos pensamentos "vintescos". Nós somos apenas míseras vítimas passivas dessa fera, dessa revolução.
Eu tenho certeza de que a humanidade ainda vai permanecer por aqui durante muito, muito tempo...
Outro dia eu pensava o seguinte: se o problema todo da futura falta de água é que a água POTÁVEL é escassa, então não temos por que lavar carros, garrafas, ou qualquer coisa com a água POTÁVEL. Nem a boca, nem o corpo...
Me perguntei o seguinte: quanto custaria alternar o sitema de fornecimento de água potável nos sistemas hídricos tradicionais para água do mar, dessalinizada?
Você tem noção do desperdício de água POTÁVEL estamos promovendo, usando-a para fins que não sejam bebê-la?
Ah, sobre o vídeo... Hoje é o dia internacional da Terra.
Eu não sei o que você faz com os seus recursos naturais. Não sei se os desperdiça. Mas não tenho dúvidas de que os seus filhos não vão fazê-lo, e eu mesmo me sinto confortável de saber que não vou viver a ponto de destruir o meu planeta com meus costumes do século passado.
Crianças do mundo inteiro estão submetendo vídeos para o youtube para dizerem o quanto estão preocupados com seu planeta. Há uma inteligência superior que surge da interação dessas crianças. E de quaisquer grupos que se formam através da Rede.
Nós não precisamos nos preocupar com essas manifestações, nem com a força desses acontecimentos. Eles são completamente incontroláveis e arrasadores para os nossos pensamentos "vintescos". Nós somos apenas míseras vítimas passivas dessa fera, dessa revolução.
Eu tenho certeza de que a humanidade ainda vai permanecer por aqui durante muito, muito tempo...
sexta-feira, abril 20, 2007
Feliz
No silêncio e na saudade,
Deitou-se deixando o frio corpo
E o alusivo coração parou
Corações pararam
A fim de entender
E choraram sua ida
Sangrou sua preocupação
No abraço de seu hábito
Se escondeu, e faleceu
No sonho profundo, jaz
Abandonou tudo
Abraçou uma nova vida
Renasceu,
Fechou os olhos,
Foi curado,
E partiu em paz.
Para Márcio Calhau.
terça-feira, abril 10, 2007
Escrendo pra um grande amigo...
Manu vai cantar em Minas, em breve. Acho que dia 26, se não me engano. Só sei que estarei com ela ;-). Ela deve cantar com uma galera da Zona Oeste também, e eu estou tentando ajudá-la de alguma forma a organizar a gravação do seu CD.
Estou imaginando um processo pessoal que vai me ajudar a dar continuidade aos meus projetos. Esse é meu principal problema, e estou endereçando-o agora (basicamente algumas listas de ToDo's organizadas de uma forma que eu entenda e seja estimulado a perseguir as tarefas).
Já tentei algumas estratégias anteriormente. Algumas quase deram certo, ou deram por algum tempo... Na verdade, eu tinha que ter uma máquina que me prendesse pelos pulsos e me obrigasse a dar continuidade às coisas. Estou pensando em ir a um psicanalista pra saber se tenho DDA. Enquanto isso não acontece, vou imaginando a melhor maneira de resolver esse problema de falta de atenção no que sei que vai dar certo, e com isso talvez conseguir rastrear as coisas que tenho pra fazer sempre, em que ponto parei, e com que freqüência devo dar atenção a essas coisas, até chegar aos frutos de uma idéia implementada, ou à conclusão de que não era tão boa idéia. Por isso, você vai receber emails periódicos, porque estás na mira do meu objetivo de abrir um negócio ;-)
Resumindo: meu projeto pessoal atual é a tentativa de criar uma máquina psicológica de me fazer realizar projetos.
Estou imaginando um processo pessoal que vai me ajudar a dar continuidade aos meus projetos. Esse é meu principal problema, e estou endereçando-o agora (basicamente algumas listas de ToDo's organizadas de uma forma que eu entenda e seja estimulado a perseguir as tarefas).
Já tentei algumas estratégias anteriormente. Algumas quase deram certo, ou deram por algum tempo... Na verdade, eu tinha que ter uma máquina que me prendesse pelos pulsos e me obrigasse a dar continuidade às coisas. Estou pensando em ir a um psicanalista pra saber se tenho DDA. Enquanto isso não acontece, vou imaginando a melhor maneira de resolver esse problema de falta de atenção no que sei que vai dar certo, e com isso talvez conseguir rastrear as coisas que tenho pra fazer sempre, em que ponto parei, e com que freqüência devo dar atenção a essas coisas, até chegar aos frutos de uma idéia implementada, ou à conclusão de que não era tão boa idéia. Por isso, você vai receber emails periódicos, porque estás na mira do meu objetivo de abrir um negócio ;-)
Resumindo: meu projeto pessoal atual é a tentativa de criar uma máquina psicológica de me fazer realizar projetos.
Bom Ânimo - Subjugando As Dificuldades
Hoje eu tou com um bom humor DAQUELES.
Primeiro quero dizer: eu amo todos vocês!
Segundo, venho pra falar de uma coisa interessante: deficiências.
Qual é a associação que fazemos à palavra "deficiência"? Fácil: atribuímos, quase que sempre, primeiramente aos deficientes físicos. Em segundo, à falta de algum recurso importante pra cumprir algum objetivo.
Nós não percebemos, mas temos tanto ou mais dificuldades do que os deficientes físicos. É simples a diferença: os chamados "deficientes" têm sempre alguém pra apontar suas falhas. Os tecnicamente não-deficientes não têm ninguém que os diga isso. Não podemos ter nós mesmos uma visão crítica de tudo o que nos assola ou nos deixa "sem pés ou mãos" para fazer aquilo que queremos fazer, porque somos um monte de gente sob condições muitíssimo similares, sob certos aspectos.
Recentemente, houve uma mudança de visão sobre os deficientes físicos. Passaram a serem chamados "pessoas com necessidades especiais", para que não sejam menosprezados ou diminuídos de qualquer maneira.
Vantagem da posição de alguém com "necessidades especiais": uma vez diagnosticada sua necessidade especial (ou o recurso em deficiência nessa pessoa), ela tem toda a liberdade de buscar saciar o que precisa ser saciado. Se ela sabe o que falta, sabe o que deve procurar pra se resolver.
Nós, a maioria das pessoas do mundo, perfeitamente saudáveis fisicamente, quando comparados às pessoas com necessidades especiais, não percebemos o quanto nós mesmos somos terrivelmente deficientes em vários aspectos. Estamos expostos o tempo todo às avaliações de pessoas que respiram nossos mesmos costumes e vive sob as mesmas condições. Ao contrário do que se diz por aí, as pessoas podem ter exatamente os mesmos pontos de vista em vários assuntos. É isso que forma a massa.
Por favor, não nos julguemos donos de uma individualidade absoluta, porque todos compartilhamos certas "unanimidades" que remove qualquer indício de individualismo e unicidade no universo, quando examinadas isoladamente.
Durante quanto tempo se acreditou unanimemente que a Terra fosse um disco, e que o Sol girava em torno dela? Isso indica que nem sempre as pessoas mantém pontos de vista diferentes sob todos os assuntos. Eu, você, nossos pais e nossos amigos temos vários desses pontos de vistas idênticos sobre uma infinidade de assuntos. Inúmeros "o planeta Terra é o centro do Universo" em nossas cabeças.
Portanto, cabe a nós identificar estas deficiências psicológicas. Vamos estudar com calma o processo de solucionamento das deficiências físicas, e encontrar uma maneira de, em princípio, descobrir onde estão as nossas "faltas de pernas e braços", ou onde está nossa paraplegia comportamental. Aos poucos, entenderemos de fato que somos uma manada passiva que pensa igualzinho de maneira completamente errada sobre coisas importantíssimas, e que isso faz de nós um mundo inteiro de deficientes muito mais deficientes do que pessoas com necessidades especiais físicas, porque não temos ninguém tecnicamente em posição vantajosa para nos menosprezar e dizer o quanto somos deficientes.
Melhor do que encontrar as respostas é saber fazer as perguntas que nos definem.

Unanimidade
Melhor do que saber que toda unanimidade é burra
É ter a consciência de que você participa de várias,
Porque isso desperta o sentido da contingência
Pior do que saber que toda unanimidade é burra
É talvez nunca saber em quais delas você dá seu voto positivo
É talvez nunca sequer conseguir enumerá-las
O conforto de saber que toda a unanimidade é burra
Só pode vir se houver alguém que me diga o contrário,
Porque saberei que minha opinião não é unânime.
Quanto mais distinção, mais individualismo,
E se a riqueza se define pelo "mais",
Quanto mais unanimidades, menos variação,
Menos espectros de ação, menos possibilidades,
Menos riquezas
Menos unanimidades, mais diferenças,
Mais diferenças, mais variedades,
Mais riquezas, mais possibilidades,
Mais recursos pra existir.
Mais valioso do que saber ser um indivíduo,
Em princípio, diferente de todos os outros
É o próprio ato da busca pela individualidade, pela distinção,
Isso faz de você alguém "mais único ainda"
À medida que o tempo passe
Mais unanimidade significa menos
E menos, mais.
Primeiro quero dizer: eu amo todos vocês!
Segundo, venho pra falar de uma coisa interessante: deficiências.
Qual é a associação que fazemos à palavra "deficiência"? Fácil: atribuímos, quase que sempre, primeiramente aos deficientes físicos. Em segundo, à falta de algum recurso importante pra cumprir algum objetivo.
Nós não percebemos, mas temos tanto ou mais dificuldades do que os deficientes físicos. É simples a diferença: os chamados "deficientes" têm sempre alguém pra apontar suas falhas. Os tecnicamente não-deficientes não têm ninguém que os diga isso. Não podemos ter nós mesmos uma visão crítica de tudo o que nos assola ou nos deixa "sem pés ou mãos" para fazer aquilo que queremos fazer, porque somos um monte de gente sob condições muitíssimo similares, sob certos aspectos.
Recentemente, houve uma mudança de visão sobre os deficientes físicos. Passaram a serem chamados "pessoas com necessidades especiais", para que não sejam menosprezados ou diminuídos de qualquer maneira.
Vantagem da posição de alguém com "necessidades especiais": uma vez diagnosticada sua necessidade especial (ou o recurso em deficiência nessa pessoa), ela tem toda a liberdade de buscar saciar o que precisa ser saciado. Se ela sabe o que falta, sabe o que deve procurar pra se resolver.
Nós, a maioria das pessoas do mundo, perfeitamente saudáveis fisicamente, quando comparados às pessoas com necessidades especiais, não percebemos o quanto nós mesmos somos terrivelmente deficientes em vários aspectos. Estamos expostos o tempo todo às avaliações de pessoas que respiram nossos mesmos costumes e vive sob as mesmas condições. Ao contrário do que se diz por aí, as pessoas podem ter exatamente os mesmos pontos de vista em vários assuntos. É isso que forma a massa.
Por favor, não nos julguemos donos de uma individualidade absoluta, porque todos compartilhamos certas "unanimidades" que remove qualquer indício de individualismo e unicidade no universo, quando examinadas isoladamente.
Durante quanto tempo se acreditou unanimemente que a Terra fosse um disco, e que o Sol girava em torno dela? Isso indica que nem sempre as pessoas mantém pontos de vista diferentes sob todos os assuntos. Eu, você, nossos pais e nossos amigos temos vários desses pontos de vistas idênticos sobre uma infinidade de assuntos. Inúmeros "o planeta Terra é o centro do Universo" em nossas cabeças.
Portanto, cabe a nós identificar estas deficiências psicológicas. Vamos estudar com calma o processo de solucionamento das deficiências físicas, e encontrar uma maneira de, em princípio, descobrir onde estão as nossas "faltas de pernas e braços", ou onde está nossa paraplegia comportamental. Aos poucos, entenderemos de fato que somos uma manada passiva que pensa igualzinho de maneira completamente errada sobre coisas importantíssimas, e que isso faz de nós um mundo inteiro de deficientes muito mais deficientes do que pessoas com necessidades especiais físicas, porque não temos ninguém tecnicamente em posição vantajosa para nos menosprezar e dizer o quanto somos deficientes.
Melhor do que encontrar as respostas é saber fazer as perguntas que nos definem.
Unanimidade
Melhor do que saber que toda unanimidade é burra
É ter a consciência de que você participa de várias,
Porque isso desperta o sentido da contingência
Pior do que saber que toda unanimidade é burra
É talvez nunca saber em quais delas você dá seu voto positivo
É talvez nunca sequer conseguir enumerá-las
O conforto de saber que toda a unanimidade é burra
Só pode vir se houver alguém que me diga o contrário,
Porque saberei que minha opinião não é unânime.
Quanto mais distinção, mais individualismo,
E se a riqueza se define pelo "mais",
Quanto mais unanimidades, menos variação,
Menos espectros de ação, menos possibilidades,
Menos riquezas
Menos unanimidades, mais diferenças,
Mais diferenças, mais variedades,
Mais riquezas, mais possibilidades,
Mais recursos pra existir.
Mais valioso do que saber ser um indivíduo,
Em princípio, diferente de todos os outros
É o próprio ato da busca pela individualidade, pela distinção,
Isso faz de você alguém "mais único ainda"
À medida que o tempo passe
Mais unanimidade significa menos
E menos, mais.
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