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quarta-feira, janeiro 28, 2009

Nasce a Acássia

No frescor que vem do alto
Sob o orvalho que reluz
Na manhã ensolarada
Matas virgens, braços d'água
Na doçura de um jasmim
Que dez mil vai semear

O tremor da depressão
Tal transformação conduz
Na transfigurada encosta
Indaiás assistem e choram
Longas eras até aqui
Tantas mais a se cumprir

Um tufão de passarada
Dos ipês se desviava
Ao surgir da ribanceira
Tanto bicho a se banhar

Há a noite e há o Sol
Tempestades e tormentas
A ninhada derradeira
Todas onças morrideiras
Seres prestes a sumir
Porque o tempo vai passar

No agouro de uma estrada
Os pequenos se matava
Tanta pele pelo chão
Infeliz do bom coati

Há a dor e há o mar
Há trovões a desabar
Há o mundo a desandar
Um fulgor por trás de tudo
Lá do cosmo a comandar
No milagre do existir
No quiçá do tal porvir

Nasce a acássia.



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domingo, janeiro 04, 2009

O Vero Amor Desfaz

Dilascerou meu peito em vão
Só de pensar eu sofro mais
Ai, essa dor na minha vida
O vero amor desfaz

Você chegou por maldade
Vestia toda a inocência
Ao desejar teu amor
Eu tive minha sentença

No mar revirado não vi
Farol que se aproximava de mim
Mas a vida não quis

É espinho que fere o destino
Aparto de mim este fel tão ruim




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sexta-feira, maio 02, 2008

Mulher Jangadeira

Eu danço na areia
Dos rios de ouro
De leitos de barro

Água que corre na beira
Mulher jangadeira
Tem os pés descalços

Ê, é cacimba de Eira
Ê, são segredos de mar
Sacode, sacode, ribeira!

Feito sereia eu desço
Pois não tenho medo
Nem de Caninana

Vou de peixeira e terço
São meus adereços
De guarda e de calma

Oi, são panos modestos
Que uso de vestes
Mas tenho o perfume
Que a mata me cede

Sou tipo rasteira
Ninguém me domina
Que eu sou Jangadeira
Sacode, sacode, ribeira!



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terça-feira, março 11, 2008

Nega Panela

(Rodrigo Santiago e Manu Santos)

Nega Panela batendo canela
No samba crioulo de Dona Sinhá
Traz os quitutes em potes de lata
Fazendo os quindins, os quindins de Iaiá

Nega que canta, balança
Com todos os doces no colo de Sol
Levando cocada na prata, imitando ganzá
Contando da nova iguaria
Que vem confeitada de favos de mel

Fazendo os balagandans, remelexos
E breques-te-breques no chão

Nega que empina a moringa
Na ponta dos dedos e inventa refrão
Não pára, repara
Que eu gosto de ouvir o teu som
De cuias, cumbucas e dos tabuleiros
Batendo na colher de pau

Fazendo os balagandans, remelexos
E breques-te-breques no chão



Safe Creative #0803110483950


A gravação em voz e violão está aqui:
Nega Panela (mp3)

Qualidade baixa e sem produção, só pra ficar o registro.

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quinta-feira, março 06, 2008

Mágoa e Perdão

O que disseste era menos que devia
Tu espalhaste mil mentiras pelo chão
Acumulou a rasa dor que não podia
E transformou numa tormenta sem sentido

Saindo agora com a face tão despida
Que parecia ter falado com razão
Pois eu te digo, não conheces o efeito
Do bom convívio e do poder da humilhação

Amargarás tudo lá fora
Quando cuspir acusações
Porque aqui dentro, em família,
É bem mais fácil
Magoar e ter perdão



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terça-feira, janeiro 29, 2008

Odisséia Além-Mar

No voar da onça feroz
Que roubou asas de avião
Nos sinais da nova estação

Não sei se castigar resolve não
Não sei onde encontrar um coração
Não sei onde guardar meu coração
Que se feriu pelos limites da paixão

Não sei se acabou a solidão febril
Do morno sossego que se instalou

No além-mar só navego a voz
Que gritou "cauda de pavão"
Das reais senhoras de um tostão

Não tento arruinar esta monção
Nem faço seca num breve sertão
Ao menos me vestir de pai-joão
Teu Carnaval, onde pierrot não vale não

Não há parafernália de condão anil
Nos ventos de gelo que me soprou

Se vieres ver como cresci
Além dos postes que te iluminavam também
Será, meu bem, o meu prazer
De ver como te deixo louca

Mas, do cais,
Eu verso para este além-mar
Onde se foi buscar alguém
Que bem outrora quis zelar
Este contrato que ninguém quer assinar

Nos sinais
Que configuram meu serão
Jamais retornarei audaz

Serei mordaz no teu verão
E tempestades jorrarão
E arco-íris saltarão do céu
Imaculando o meu perdão




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Essa foi uma feliz coincidência. Eu estava tentando fazer uma melodia pra uma outra letra. Consegui uma bonitinha, mas não tinha muito a ver com o que estava escrito. Daí eu escrevi uma letra mais apropriada pra música. A anterior ficou guardada.

Tem muitos momentos nos quais eu só arrumo uma palavra que encaixa, e que seja "da família" do assunto. Aí a letra ganha um sentido abstrato, abrangente. É um truque possível, e esse truque, ironicamente, eu uso quando não sei muito bem o que vou escrever. Aí, pincelo palavras, no acaso, mais ou menos, e a letra acaba crescendo. Essa é uma técnica boa, porque dá resultados bem subjetivos na hora de interpretar. É a tal da "letra viajante".

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Samba do Trabalhador

Abram passagem
Pra grande emoção entrar, ô ô ô
A boa luz do samba, la laiá
Acabou de chegar

Trazendo a sensação
De antigamente
Belas poesias
Simplesmente diferente

Depois de tempos hostis
Muda o palco num clarão
Aqui se faz samba
É na palma da mão

Os versos do Renascer
São na raiz Vila Isabel
Universo do samba
Terra de Noel

Segunda de bambas
Terreiro, pés no chão
Um chope às quinze
É tudo de bom
No aeroporto
Feito avião
Daqui para o mundo
Todo mundo notou

O mais lindo
Samba do Trabalhador



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terça-feira, janeiro 15, 2008

A Ruiva do Saulo

(Partido Alto)

Encontrei o amigo Saulo
Com um tremendo mulherão
Cabelões muito vermelhos
Boca cheia de batom

Salto alto, saia curta
Nos mostrando tantos dotes
Meus botões, pensando bem,

Tem alguma coisa errada
Porque a fama desse cara
É de não pegar ninguém

Eu falei
Que a fama do Saulo
É de não pegar ninguém

Aí que eu descobri
Saulo de bobo é quase nada
À espreita nas noitadas
Deu o tiro bem no alvo

A preferência do nosso colega
Era só de ruivas
Esperou feito coruja
De olho grande na irmã do parceiro Araquém

A garotinha que já debutava lá pros seus dezoito
Chegou bonitinha, toda arrumadinha
E Saulo deu o bote naquela ruivinha

Eu falei
Que a fama do Saulo
Tá com a irmã do Araquém



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sexta-feira, setembro 22, 2006

Estrelas de Sexta

Surge luz do mar azul às cinco da manhã
Com céu claro para te encontrar
Bate a brisa no meu rosto, os passarinhos
Me contam segredos sobre o dia
Que está pra chegar

Desço a alameda lá da Gávea
Os ponteiros giram com a saudade a me apertar
Não demora muito e eu te vejo
Nas areias de ipanema com um sorriso
Só pra me encantar

Eu gosto tanto de você que preparei essa canção

O meu amor tem no sorriso um brilho
E o beijo que me faz
Sonhar o dia inteiro
Ele me leva pelo ar
Com aquele abraço firme
e com aquele olhar
Que me faz ver estrelas


Essa
foi feita em um dos nossos primeiros encontros
Ela tava lá, com aquele brilho no olhar,
E os abraços eram tão apertados
Que um moleque passou com os amigos e disse
"Se eu estivesse aqui com a minha mina
Seria como, na areia? só assim, ó"

Morremos de rir, e ao subir na pedra do arpoador
Ela ficou com um medo enorme de cair
Eu, o super-herói, segurei sua mão
Mas quase que não adiantou
Então, resolvemos descer

Beijamos, beijamos e beijamos
Debaixo daquele sol quente de Ipanema
eu me lembro dos detalhes e do telefonema
Que ela recebeu de seu pai
Querendo saber onde estava

Ela estava ali, comigo, numa sexta-feira pela manhã
Com os beijos que me fizeram sonhar o restante da tarde
Estávamos tão radiantes e tão felizes
Quanto o sol que veio nos saudar
Luminosos, como duas estrelas
E com todo o calor que as estrelas têm pra dar




Música que compus para o nosso segundo encotro :)
Colocarei o áudio aqui, em breve.

Relembrando: Quarta que vem é a última apresentação. Depois disso, quem não foi no Letras, "perdeu". Mas aí já vai rolar a de Outubro, né? Mais detalhes nos próximos dias :)