Ontem eu estava em uma das reuniões de projeto no trabalho, quando de repente pintou uma conversa sobre pequenas mudanças no status atual de sua arquitetura (uma espécie de planta baixa do negócio).
Desenvolver software ajuda a manter alguma sanidade, com certeza. Quero fazer isso e compor músicas e escrever poemas até a minha velhice. Você tem que pensar nos detalhes do modelo, e em como as peças se encaixam... É como se tivesse uma espécie de lego dentro da sua cabeça, e você vai modelando o briquedo imaginário. Acontece que, com o tempo e a observação diária, você passa a entender padrões recorrentes, muito similares mesmo, em partes diferentes do sistema. Você enxerga através desses padrões um "cerne" que pode ser criado e reutilizado, que pode simplificar o seu trabalho. Materializando esse cerne, você pode usá-lo no lugar das coisas parecidas que existiam isoladamente uma das outras, e descartá-las. Esse exercício é mais ou menos o que faço em minha vida, desde que me tornei independente. Justamente por causa da profissão.
Um ponto contra esse tipo de comportamento e uso das coisas é o de se formar o pensamento engessado. Você se acostuma com aquela zona de conforto, com o tal cerne, e ao precisar mudá-la, não faz a mínima idéia de como começar, e é até mesmo resistente a ela. Você acha que, porque tudo está indo bem, não precisa arriscar nada novo. Comigo, isso acontece durante certo tempo. Acho que com você também.
O momento onde o universo está bem confortável e previsível é bom para o descanso. O momento em que a monotonia e o marasmo chegam é provavelmente o momento em que você já descansou demais. É hora de se arriscar de novo. Reinventar o universo.
Novamente, por causa da prática da observação, você verá coisas que precisam ser melhoradas. Vai olhar para o ambiente e observar coisas necessárias, e coisas desnecessárias. Vai querer varrer a casa, trocar os móveis de lugar, se livrar de coisas antigas e obter coisas novas. Vai encontrar um passatempo novo, uma nova maneira de trabalhar, e vai refazer seu universo.
É claro que, se tivéssemos controle total sobre nossas vidas, nada disso seria um problema. Mas às vezes precisamos fazer mudanças radicais, por motivos externos. Uma avalanche, ou uma ligação podem determinar uma ruptura na sua rotina de invenção, usufruto e reinvenção. Um número incontável de coisas podem te jogar para uma outra direção.
É perigoso viver com todos os riscos. Mas é natural. Quando os pássaros fugirem de suas gaiolas e tudo sair do seu controle, é necessário olhar para dentro e pensar: isso é parte do que o mundo é, e eu não o controlo. O que eu sou está aqui dentro. Não é igual a ontem, e não vai ser igual a amanhã. Mas pelo menos aqui dentro eu posso imaginar o que quiser, e ser quem eu quero. Posso tentar derramar um pouco de mim pra fora, mas não posso garantir que a parte de fora seja eu, mesmo que tudo seja muito parecido com o que quero, daqui de dentro.
Com a "metamorfose ambulante" que somos, sempre olhamos para o mundo e encontramos coisas dispensáveis e coisas que faltam. Dispensáveis e ausentes em um segundo podem até mesmo inverterem posições em seguida. Aplicar o esforço pra mudar isso é uma opção, mas certamente, com o tempo, a gente vê. Senão, não seríamos nós. Seríamos só matéria prima.
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quarta-feira, julho 01, 2009
sexta-feira, março 27, 2009
Tabu e Hipocrisia
Já pararam pra pensar que, quanto mais a sociedade derruba tabus, maior é a hipocrisia do homem? Não que seja uma o motivo da outra, mas parece que são correlatas de alguma forma. Eu sinto que nos lugares onde há a atitude religiosa fundamentalista, a comunidade é guiada por um senso de justiça local supremo. Chame esta vissicitude de fanatismo. Mas os fanáticos em geral ao menos servem de todo o coração e em sua maior parte são verdadeiros e coerentes os seus sentimentos, suas palavras e suas ações.
Esta sacralidade dos atos dá aos homens a sensação de estarem sendo observados 24 horas/dia por sua divindade. Ela não dorme, não descansa e é infalível. Sua vontade não pode ser julgada por homens, e o que quer que aconteça é devido à permissão dada pelo divino.
Nas sociedades modernas (portanto, mais céticas), a sacralidade é perdida. Todas as leis são acordadas entre homens. Nestas comunidades, criadores e criaturas se misturam. O sistema é desenhado e redesenhado por mortais. Aqueles que cumprem são os mesmos que fazem. O poder do ego é grande nestes casos. Se um indivíduo julga necessário roubar para continuar sobrevivendo, ou se julga matar necessário, cria-se um mini-tribunal instantaneamente. O infrator sabe que não pode ser pego por Deus - Ele tende a "não existir". E sabe que dos outros homens, pode tentar escapar. Afinal, são seus iguais.
Nós precisamos de um "inimigo" externo. A consciência de que existe um Deus (ou vários) à sua espreita aumentam as chances de você obedecê-lo(s), uma vez que você não compreende a natureza de tal criatura.
Na sociedade moderna, palavra, ação e sentimento podem ter caminhos completamente diversos. Neste momento, surgem os vícios, as mentiras e a violência.
Como exemplo, posso citar o filme Watchmen. Concordei plenamente com seu desfecho. Quantos filósofos já não disseram que o nacionalismo é o diabo?
Analogamente, a forma de "criação e recriação" que se manifesta nas artes pela web é um modelo claro de que os homens não estão dispostos a absorverem material de outrem sem reeditá-lo e repassar à frente com seus próprios valores embutidos. O mundo digital segue esta regra, e ele é o fruto mais transparente da vontade humana.
Para uma sociedade mais civilizada, mais respeitosa e verdadeira, os tabus devem cair. Mas a sacralidade deve continuar, do contrário, corremos o risco de nos tornarmos uma sociedade completamente injusta.
Este vídeo é sobre um homem que resolveu viver biblicamente durante um ano. Seguindo o máximo de preceitos que conseguisse. Muito interessante.
Este outro vídeo mostra o estudo de um cara sobre trapaças, bolsas de valores etc. Muito instrutivo também.
Esta sacralidade dos atos dá aos homens a sensação de estarem sendo observados 24 horas/dia por sua divindade. Ela não dorme, não descansa e é infalível. Sua vontade não pode ser julgada por homens, e o que quer que aconteça é devido à permissão dada pelo divino.
Nas sociedades modernas (portanto, mais céticas), a sacralidade é perdida. Todas as leis são acordadas entre homens. Nestas comunidades, criadores e criaturas se misturam. O sistema é desenhado e redesenhado por mortais. Aqueles que cumprem são os mesmos que fazem. O poder do ego é grande nestes casos. Se um indivíduo julga necessário roubar para continuar sobrevivendo, ou se julga matar necessário, cria-se um mini-tribunal instantaneamente. O infrator sabe que não pode ser pego por Deus - Ele tende a "não existir". E sabe que dos outros homens, pode tentar escapar. Afinal, são seus iguais.
Nós precisamos de um "inimigo" externo. A consciência de que existe um Deus (ou vários) à sua espreita aumentam as chances de você obedecê-lo(s), uma vez que você não compreende a natureza de tal criatura.
Na sociedade moderna, palavra, ação e sentimento podem ter caminhos completamente diversos. Neste momento, surgem os vícios, as mentiras e a violência.
Como exemplo, posso citar o filme Watchmen. Concordei plenamente com seu desfecho. Quantos filósofos já não disseram que o nacionalismo é o diabo?
Analogamente, a forma de "criação e recriação" que se manifesta nas artes pela web é um modelo claro de que os homens não estão dispostos a absorverem material de outrem sem reeditá-lo e repassar à frente com seus próprios valores embutidos. O mundo digital segue esta regra, e ele é o fruto mais transparente da vontade humana.
Para uma sociedade mais civilizada, mais respeitosa e verdadeira, os tabus devem cair. Mas a sacralidade deve continuar, do contrário, corremos o risco de nos tornarmos uma sociedade completamente injusta.
Este vídeo é sobre um homem que resolveu viver biblicamente durante um ano. Seguindo o máximo de preceitos que conseguisse. Muito interessante.
Este outro vídeo mostra o estudo de um cara sobre trapaças, bolsas de valores etc. Muito instrutivo também.
sexta-feira, março 20, 2009
Sobre Jornais e Mídia
Os grandes jornais do mundo estão sob perigo de extinção. Vamos colocar sob o ponto de vista mais clássico: os Tiranossauros estão face-a-face com um meteoro astronômico. É a web com seu livre tráfego de informações.
A sabedoria popular nos diz que os super jornalistas estão empregados nos super jornais. Esse sentimento é tão íntimo e a intuição tão verdadeira que achamos um absurdo esses grandes jornais terem sua receita reduzida por causa da web. Afinal, essa reportagem de alta qualidade é indispensável, e em tese, precisamos pagar por ela. De outra forma, estaremos alienados do mundo, certo?
Eu tenho aqui um pensamento, e quero compartilhar com você. O jornal, da maneira como o conhecemos, é idéia passada. Acontece que, agora, você passa muito mais tempo consumindo informações de sua 'vizinhança' do que indo aos jornais. Coisas de blogs, redes sociais, twitters dos seus amigos. Hoje você tem muito mais amigos do que na sua infância. Se você ainda está na infância, esse é um momento de sorte. Eu sei o que é ter menos de uma centena de pessoas sabendo o que eu estou fazendo.
O maior e mais crescente truque dos jornais para manter suas vendas é o escândalo. O escândalo é trivial, interessante e completamente dispensável. Mas atrai a atenção.
Os últimos hits campeões de venda de jornais são todos sobre crianças. Estupro, violência, roubo, cárcere de criança, até criança grávida de outra criança. Será que estas coisas nunca aconteceram? De repente o mundo ficou pior? Ou essa foi a fórmula mais recente pra vender jornais?
Nenhum papel impresso pode me trazer o acontecimento mais importante da semana. Tampouco uma matéria online. Mas é óbvio que na internet eu consigo muito mais informações sobre um assunto de meu interesse do que em um jornal. Eu não precisava dizer, mas alguns hão de ter como surpresa de que o número de acontecimentos importantes é muito maior do que o número de páginas de um jornal. O número de olheiros que uma instituição dessas tem é muito menor do que o número de lugares onde eles devem estar. A história se conta assim: você deve estar no lugar certo, na hora certa. Nenhum jornal pode estar em todos lugares ao mesmo tempo no mundo. Só no Big Brother você consegue ter gente o suficiente olhando tudo ao mesmo tempo. Mas nem tudo passa percebido. A interpretação de um fato é característica intrínseca de um indivíduo, e é provado que nós geralmente não enxergamos o que não esperamos enxergar, por isso o óbvio muitas vezes passa à nossa frente com uma melancia pendurada no pescoço e não damos bola.
Cercar todos os espaços durante todos os segundos com olhos suficientes cujas cabeças são compreensíveis a tudo instantaneamente... Isso é impossível hoje. Por isso, acho que os jornais são em geral cegos aos 'grandes fatos'. Aqueles que realmente mudam as nossas vidas. Não até que elas já tenham mudado. Um exemplo disso é, e eu hei de me orgulhar disso, a cultura geek, dos nerds. Todas as grandes inovações em redes sociais foram inventadas pelos nerds. Eles hackearam a sociedade e o jeito de se relacionar das pessoas. Na minha adolescência, a cultura online era ignorada pelos demais. Hoje ela é onipresente e consumida em excesso pelas mesmas pessoas que me criticavam há dez anos atrás.
A limitação no escoamento de informações relevantes é diminuída pela web. Um exemplo disso é o TED, uma conferência a quem fui apresentado há poucos dias por um amigo. Se eu fosse você, assistiria a um vídeo por dia, pelo menos, aqui no youtube. Com mais de quatrocentos vídeos publicados, a maior (mas não única) conferência de design, tecnologia e entretenimento do mundo colocou à disposição dos habitantes do planeta não excluídos digitalmente todo o acervo das palestras que executa. Significa que, durante o ano inteiro, você pode assistir a todos os vídeos, um por dia. Tomar sua dose de lirismo e inspiração junto com o café da manhã e partir pro trabalho. Você não vai consumir tudo antes que eles coloquem outras mil palestras online, com mais tantas idéias novas que só de pensar eu me deleito.
Então... O que sobra pros jornais? Alguém vai me dizer que é importante monitorar o que o governo anda fazendo com o dinheiro do contribuinte. Isso é uma verdade. Por isso as novas iniciativas de governo transparente surgiram com a web. Dois exemplos: Obama e Gabeira. Quer mais? Petition online. Os resultados de investigações e CPIs, a denúncia da violência urbana... Tudo isso hoje é o papel de um jornal. E por isso as pessoas pagam. A arte já não tem a mesma graça quando lida, depois da invenção do myspace.
Mais pra frente, teremos estruturas que permitirão ao curioso ocasional checar se está tudo bem com as contas do governo através da internet. E caso não esteja (o que geralmente será verdade), ele poderá publicar sua denúncia. Com o potencial de difusão das redes sociais, os escândalos governamentais serão propagados em vídeo por pessoas como eu e você, totalmente comuns, que terão sua glória adquirida por desempenhar o papel de vigilante voluntário. Não totalmente voluntário, uma vez que os mais empreendedores e obstinados irão lucrar pessoalmente com isso - é o ressurgir daquele moleque na idade média que saía gritando as notícias recentes pela vizinhança.
Acho que já descorri demais e você entendeu a idéia. Não tenho outro ponto a não ser este: os jornais diminuirão de tamanho. Não fazem muito mais sentido. O problema não é "qual é a saída para os jornais?", mas sim "qual é a transformação que se dará?". Porque, afinal, com qualquer blog online, gratuito ou muito barato, qualquer grande jornalista pode ter seu próprio veículo de notícias, e ser muito mais autêntico e simpático do que qualquer grande marca sem um rosto.
(Edição)
Acabo de encontrar esse vídeo interessante no TED, de uma palestra dada pelo fabuloso Tim Berners Lee, inventor da internet. Tem tudo a ver com o que escrevi aqui:
A sabedoria popular nos diz que os super jornalistas estão empregados nos super jornais. Esse sentimento é tão íntimo e a intuição tão verdadeira que achamos um absurdo esses grandes jornais terem sua receita reduzida por causa da web. Afinal, essa reportagem de alta qualidade é indispensável, e em tese, precisamos pagar por ela. De outra forma, estaremos alienados do mundo, certo?
Eu tenho aqui um pensamento, e quero compartilhar com você. O jornal, da maneira como o conhecemos, é idéia passada. Acontece que, agora, você passa muito mais tempo consumindo informações de sua 'vizinhança' do que indo aos jornais. Coisas de blogs, redes sociais, twitters dos seus amigos. Hoje você tem muito mais amigos do que na sua infância. Se você ainda está na infância, esse é um momento de sorte. Eu sei o que é ter menos de uma centena de pessoas sabendo o que eu estou fazendo.
O maior e mais crescente truque dos jornais para manter suas vendas é o escândalo. O escândalo é trivial, interessante e completamente dispensável. Mas atrai a atenção.
Os últimos hits campeões de venda de jornais são todos sobre crianças. Estupro, violência, roubo, cárcere de criança, até criança grávida de outra criança. Será que estas coisas nunca aconteceram? De repente o mundo ficou pior? Ou essa foi a fórmula mais recente pra vender jornais?
Nenhum papel impresso pode me trazer o acontecimento mais importante da semana. Tampouco uma matéria online. Mas é óbvio que na internet eu consigo muito mais informações sobre um assunto de meu interesse do que em um jornal. Eu não precisava dizer, mas alguns hão de ter como surpresa de que o número de acontecimentos importantes é muito maior do que o número de páginas de um jornal. O número de olheiros que uma instituição dessas tem é muito menor do que o número de lugares onde eles devem estar. A história se conta assim: você deve estar no lugar certo, na hora certa. Nenhum jornal pode estar em todos lugares ao mesmo tempo no mundo. Só no Big Brother você consegue ter gente o suficiente olhando tudo ao mesmo tempo. Mas nem tudo passa percebido. A interpretação de um fato é característica intrínseca de um indivíduo, e é provado que nós geralmente não enxergamos o que não esperamos enxergar, por isso o óbvio muitas vezes passa à nossa frente com uma melancia pendurada no pescoço e não damos bola.
Cercar todos os espaços durante todos os segundos com olhos suficientes cujas cabeças são compreensíveis a tudo instantaneamente... Isso é impossível hoje. Por isso, acho que os jornais são em geral cegos aos 'grandes fatos'. Aqueles que realmente mudam as nossas vidas. Não até que elas já tenham mudado. Um exemplo disso é, e eu hei de me orgulhar disso, a cultura geek, dos nerds. Todas as grandes inovações em redes sociais foram inventadas pelos nerds. Eles hackearam a sociedade e o jeito de se relacionar das pessoas. Na minha adolescência, a cultura online era ignorada pelos demais. Hoje ela é onipresente e consumida em excesso pelas mesmas pessoas que me criticavam há dez anos atrás.
A limitação no escoamento de informações relevantes é diminuída pela web. Um exemplo disso é o TED, uma conferência a quem fui apresentado há poucos dias por um amigo. Se eu fosse você, assistiria a um vídeo por dia, pelo menos, aqui no youtube. Com mais de quatrocentos vídeos publicados, a maior (mas não única) conferência de design, tecnologia e entretenimento do mundo colocou à disposição dos habitantes do planeta não excluídos digitalmente todo o acervo das palestras que executa. Significa que, durante o ano inteiro, você pode assistir a todos os vídeos, um por dia. Tomar sua dose de lirismo e inspiração junto com o café da manhã e partir pro trabalho. Você não vai consumir tudo antes que eles coloquem outras mil palestras online, com mais tantas idéias novas que só de pensar eu me deleito.
Então... O que sobra pros jornais? Alguém vai me dizer que é importante monitorar o que o governo anda fazendo com o dinheiro do contribuinte. Isso é uma verdade. Por isso as novas iniciativas de governo transparente surgiram com a web. Dois exemplos: Obama e Gabeira. Quer mais? Petition online. Os resultados de investigações e CPIs, a denúncia da violência urbana... Tudo isso hoje é o papel de um jornal. E por isso as pessoas pagam. A arte já não tem a mesma graça quando lida, depois da invenção do myspace.
Mais pra frente, teremos estruturas que permitirão ao curioso ocasional checar se está tudo bem com as contas do governo através da internet. E caso não esteja (o que geralmente será verdade), ele poderá publicar sua denúncia. Com o potencial de difusão das redes sociais, os escândalos governamentais serão propagados em vídeo por pessoas como eu e você, totalmente comuns, que terão sua glória adquirida por desempenhar o papel de vigilante voluntário. Não totalmente voluntário, uma vez que os mais empreendedores e obstinados irão lucrar pessoalmente com isso - é o ressurgir daquele moleque na idade média que saía gritando as notícias recentes pela vizinhança.
Acho que já descorri demais e você entendeu a idéia. Não tenho outro ponto a não ser este: os jornais diminuirão de tamanho. Não fazem muito mais sentido. O problema não é "qual é a saída para os jornais?", mas sim "qual é a transformação que se dará?". Porque, afinal, com qualquer blog online, gratuito ou muito barato, qualquer grande jornalista pode ter seu próprio veículo de notícias, e ser muito mais autêntico e simpático do que qualquer grande marca sem um rosto.
(Edição)
Acabo de encontrar esse vídeo interessante no TED, de uma palestra dada pelo fabuloso Tim Berners Lee, inventor da internet. Tem tudo a ver com o que escrevi aqui:
sábado, novembro 29, 2008
Autobiografia
Essas semanas estou numa onda de leituras biográficas. Li o Tim Maia e o Noites Tropicais, ambos do Nelson Motta, estou terminando o do André Midani (onde, descaradamente, ele desmente um dos eventos narrados pelo Nelson Motta no Noites Tropicais, quando supostamente o Tim Maia destruiu toda sua sala na presidência de uma gravadora no Brasil). E comecei a ler o do Tom Jobim, do Sérgio Cabral. No livro, Sérgio relata que Tom o chamava "meu biógrafo". E pensei: quem fará a biografia do Sérgio Cabral? E se todos tivessem um biógrafo atrás de si, quem seria o biógrafo dos biógrafos?
Não sou o Tom Jobim. Deixo registrado aqui que adoraria ter a importância de alguém que merece a companhia de um biógrafo pessoal. Sorte do Tom que o Sérgio Cabral não se foi antes dele (é premissa que o personagem tenha batido as botas para que o biógrafo faça seu trabalho por completo). Mais sorte ainda foi ser pesquisado "em vida", e por um amigo. Alguns não têm esta mesma sorte. O Sérgio assina a biografia do Ary Barroso. E quem disse que os dois viveram carne-e-osso como com o Tom Jobim?
Como não sou o Tom, e não tenho meu biógrafo, coube-me sacar a importância do Progresso, este singelo blog à moda antiga, à la Meu Querido Diário. Meus filhos - tomara que eu os tenha - terão coisas suficientes aqui pra fuxicar quando eu me for. Matar a saudade, e colher algumas inspirações - tomara que as queiram. Como já tenho a mulher da minha vida, que aniversaria HOJE, sinto-me também na obrigação de deixar registros vitalícios para que ela desfrute deles quando tiver saudades e eu tiver me ido desta vida. Decerto, encontrará várias respostas aos meus fenômenos psicológicos imediatamente, se assim reler uma coisa aqui, outra ali.
De repente isto aqui passa a significar alguma coisa para terceiros, nunca podemos esquecer que a vida é imprevisível. Vou registrar o Progresso como "Meu Biógrafo". Eu forneço as linhas da minha vida, e ele se lembra delas enquanto o Google viver. E personagens tão aleatórios e incógnitos como eu também podem fazer sua visita e perder um pouco de seu precioso tempo nessa coisa nostálgica que é a visita ao passado.
Tem vários baratos ao ler estas biografias. Primeiro, que elas me ensinam muito sobre o mercado musical, como as coisas acontecem, e quem são os personagens que os fazem acontecer. Hoje não é igual como há cinqüenta anos, mas ainda resta muita coisa em comum. Segundo, é fácil você se achar íntimo dos biografados. Terceiro, você encaixa as peças de um quebra-cabeças, que é o da MPB. Os mesmos personagens se repetem. Exemplo: aprendi que o Gilberto Gil é um cara super camarada, amado por todos, de uma inteligência social incrível e que se sacrificou por vários amigos. E ele não foi nenhum dos biografados que eu li.
Dessa forma, repenso aquela máxima de que "blog pessoal de cú é rola". Se você quer se deixar um pouco imortalizado, pelo menos pras pessoas que vêm, é bom ter um blog do tipo Meu Querido Diário.
Ces't tout.
Não sou o Tom Jobim. Deixo registrado aqui que adoraria ter a importância de alguém que merece a companhia de um biógrafo pessoal. Sorte do Tom que o Sérgio Cabral não se foi antes dele (é premissa que o personagem tenha batido as botas para que o biógrafo faça seu trabalho por completo). Mais sorte ainda foi ser pesquisado "em vida", e por um amigo. Alguns não têm esta mesma sorte. O Sérgio assina a biografia do Ary Barroso. E quem disse que os dois viveram carne-e-osso como com o Tom Jobim?
Como não sou o Tom, e não tenho meu biógrafo, coube-me sacar a importância do Progresso, este singelo blog à moda antiga, à la Meu Querido Diário. Meus filhos - tomara que eu os tenha - terão coisas suficientes aqui pra fuxicar quando eu me for. Matar a saudade, e colher algumas inspirações - tomara que as queiram. Como já tenho a mulher da minha vida, que aniversaria HOJE, sinto-me também na obrigação de deixar registros vitalícios para que ela desfrute deles quando tiver saudades e eu tiver me ido desta vida. Decerto, encontrará várias respostas aos meus fenômenos psicológicos imediatamente, se assim reler uma coisa aqui, outra ali.
De repente isto aqui passa a significar alguma coisa para terceiros, nunca podemos esquecer que a vida é imprevisível. Vou registrar o Progresso como "Meu Biógrafo". Eu forneço as linhas da minha vida, e ele se lembra delas enquanto o Google viver. E personagens tão aleatórios e incógnitos como eu também podem fazer sua visita e perder um pouco de seu precioso tempo nessa coisa nostálgica que é a visita ao passado.
Tem vários baratos ao ler estas biografias. Primeiro, que elas me ensinam muito sobre o mercado musical, como as coisas acontecem, e quem são os personagens que os fazem acontecer. Hoje não é igual como há cinqüenta anos, mas ainda resta muita coisa em comum. Segundo, é fácil você se achar íntimo dos biografados. Terceiro, você encaixa as peças de um quebra-cabeças, que é o da MPB. Os mesmos personagens se repetem. Exemplo: aprendi que o Gilberto Gil é um cara super camarada, amado por todos, de uma inteligência social incrível e que se sacrificou por vários amigos. E ele não foi nenhum dos biografados que eu li.
Dessa forma, repenso aquela máxima de que "blog pessoal de cú é rola". Se você quer se deixar um pouco imortalizado, pelo menos pras pessoas que vêm, é bom ter um blog do tipo Meu Querido Diário.
Ces't tout.
quinta-feira, abril 17, 2008
Em Estado de Graça
Digamos que eu esteja neste estado hoje. Sim, pois ontem eu assisti a um show maravilhoso. Pra mim, até agora, foi o show do ano, sem sombra de dúvidas: Áurea Martins, Hermínio Belo de Carvalho e Ângela Evans, menos conhecida, mas não menos aclamada. Foi no Centro Cultural Carioca, na Rua do Teatro, ao lado do Teatro João Caetano, em plena Praça Tiradentes, Centro do Rio de Janeiro.
Foi lindo. Toda a concepção do espetáculo merece aplausos de pé. Também, não foi por menos. Os principais envolvidos eram o próprio Hermínio e Cristóvão Bastos. O formato do espetáculo, o palco, as luzes... Tudo era glorioso e, ao mesmo tempo, simples.
A apresentação é introduzida por uns vídeos com divas da música de outrora: Aracy de Almeida de cara, com todo seu palavreado típico. Tudo à la documentário, cujo interlocutor era o próprio Hermínio.
De forma teatral, ele introduz a primeira canção intercalada com textos maravilhosos e poéticos - certamente de seu próprio punho. Irremediavelmente irreverente, ele destoa nas melodias e passa à música falada num piscar de olhos, com toda a autoridade de ser um dos mais reconhecidos artistas brasileiros.
Absolutamente casual foi o Hermínio.
Ângela Evans: deslumbrante em um vestido preto e um sorriso largo, agudos e saltos melódicos controladíssimos. Pecou em alguns pontos, ao meu ver, confesso: seu canto estava um pouco anasalado, e me fez a maior parte das vezes não entender a letra da música, apesar da melodia perfeitamente entoada. Outro ponto contra, talvez por ser a mais inexperiente, era a presença de palco, que foi, em geral, linear. As expressões faciais eram encantadoras, além do fato de ela ter um rosto com um ar infantil, o que dá a sensação da inocência - em alguns momentos até de ingenuidade. Não desmerecida por meus pontos contra, todos os arranjos de seu disco lançado pela Biscoito Fino foram feitos pelo Cristóvão Bastos - como sempre, extremamente elegante, comportado, dosado e cerebral em sua arte. E sua simpatia era óbvia em todos os momentos do show, ela "não tá de bobeira" e ainda vai dar muito o que falar.
Áurea Martins revelou-se pra mim uma das maiores cantoras brasileiras neste momento. Cantando com um jazz trio - baixo, bateria e piano, com algumas participações do violonista chamado Lucas - cujo sobrenome eu não lembro. Foi um espetáculo do tipo Alcione, só que mais moderado, sem o drama exacerbado da Marrom. Ela foi demais. Com esse jeito jazzy, promoveu-nos o momento Blue Note da noite - segundo Gerdal de Paula nobríssimo amigo que dividia o balcão do bar conosco. Pois bem, no que Áurea dependia somente de Áurea - pois se eu mesmo não prestava muita atenção em mais nada, ela podia estar fazendo tudo a capella que eu não ia perceber a diferença - ficamos com a imagem de uma dor grande e contida, um romantismo incomensurável naquela voz negra. Fiquei feliz de saber que o meu Brasil também tem a sua Billie Holliday.
Comentário de Leandro Fregonesi: "Cara, olha toda essa gente aqui... Você pode ver claramente que está todo mundo querendo aprender bebendo diretamente da fonte, o Hermínio não é qualquer um. Ele tem o apelo muito popular, todo mundo adora o trabalho dele."
Muita gente conhecida estava presente. As cantoras Simone e Zélia Duncan, Luis Carlos da Vila, Emílio Santiago, Cláudio Jorge, Luciana Rabelo, Pedro Aragão e tanta gente que nem lembro mais os nomes. O pequeno espaço e a presença de tanta gente "grande" nos mostrou que todo mundo é do mesmo tamanho. Houve também uma homenagem prestada por Hermínio a... Vocês vão me perdoar, mas eu não lembro o nome da cantora. É uma senhora linda, com uma voz elegante e delicada. Eles mostraram-na durante o show em um vídeo, acompanhada por Rafael Rabello. Sem mais comentários.
Ao final do espetáculo, Áurea Martins chorava como criança, de tanta emoção. De um coração imenso, nos deu grande atenção - a mim e a Manu - dizendo aos mais velhos: viram? Eles são novinhos e gostaram do meu show!
E quem não gostaria de estar sob aquele teto na noite de ontem, Aurinha?
Foi lindo. Toda a concepção do espetáculo merece aplausos de pé. Também, não foi por menos. Os principais envolvidos eram o próprio Hermínio e Cristóvão Bastos. O formato do espetáculo, o palco, as luzes... Tudo era glorioso e, ao mesmo tempo, simples.
A apresentação é introduzida por uns vídeos com divas da música de outrora: Aracy de Almeida de cara, com todo seu palavreado típico. Tudo à la documentário, cujo interlocutor era o próprio Hermínio.
De forma teatral, ele introduz a primeira canção intercalada com textos maravilhosos e poéticos - certamente de seu próprio punho. Irremediavelmente irreverente, ele destoa nas melodias e passa à música falada num piscar de olhos, com toda a autoridade de ser um dos mais reconhecidos artistas brasileiros.
Absolutamente casual foi o Hermínio.
Ângela Evans: deslumbrante em um vestido preto e um sorriso largo, agudos e saltos melódicos controladíssimos. Pecou em alguns pontos, ao meu ver, confesso: seu canto estava um pouco anasalado, e me fez a maior parte das vezes não entender a letra da música, apesar da melodia perfeitamente entoada. Outro ponto contra, talvez por ser a mais inexperiente, era a presença de palco, que foi, em geral, linear. As expressões faciais eram encantadoras, além do fato de ela ter um rosto com um ar infantil, o que dá a sensação da inocência - em alguns momentos até de ingenuidade. Não desmerecida por meus pontos contra, todos os arranjos de seu disco lançado pela Biscoito Fino foram feitos pelo Cristóvão Bastos - como sempre, extremamente elegante, comportado, dosado e cerebral em sua arte. E sua simpatia era óbvia em todos os momentos do show, ela "não tá de bobeira" e ainda vai dar muito o que falar.
Áurea Martins revelou-se pra mim uma das maiores cantoras brasileiras neste momento. Cantando com um jazz trio - baixo, bateria e piano, com algumas participações do violonista chamado Lucas - cujo sobrenome eu não lembro. Foi um espetáculo do tipo Alcione, só que mais moderado, sem o drama exacerbado da Marrom. Ela foi demais. Com esse jeito jazzy, promoveu-nos o momento Blue Note da noite - segundo Gerdal de Paula nobríssimo amigo que dividia o balcão do bar conosco. Pois bem, no que Áurea dependia somente de Áurea - pois se eu mesmo não prestava muita atenção em mais nada, ela podia estar fazendo tudo a capella que eu não ia perceber a diferença - ficamos com a imagem de uma dor grande e contida, um romantismo incomensurável naquela voz negra. Fiquei feliz de saber que o meu Brasil também tem a sua Billie Holliday.
Comentário de Leandro Fregonesi: "Cara, olha toda essa gente aqui... Você pode ver claramente que está todo mundo querendo aprender bebendo diretamente da fonte, o Hermínio não é qualquer um. Ele tem o apelo muito popular, todo mundo adora o trabalho dele."
Muita gente conhecida estava presente. As cantoras Simone e Zélia Duncan, Luis Carlos da Vila, Emílio Santiago, Cláudio Jorge, Luciana Rabelo, Pedro Aragão e tanta gente que nem lembro mais os nomes. O pequeno espaço e a presença de tanta gente "grande" nos mostrou que todo mundo é do mesmo tamanho. Houve também uma homenagem prestada por Hermínio a... Vocês vão me perdoar, mas eu não lembro o nome da cantora. É uma senhora linda, com uma voz elegante e delicada. Eles mostraram-na durante o show em um vídeo, acompanhada por Rafael Rabello. Sem mais comentários.
Ao final do espetáculo, Áurea Martins chorava como criança, de tanta emoção. De um coração imenso, nos deu grande atenção - a mim e a Manu - dizendo aos mais velhos: viram? Eles são novinhos e gostaram do meu show!
E quem não gostaria de estar sob aquele teto na noite de ontem, Aurinha?
quarta-feira, abril 02, 2008
Eficiência na Coleta de Informações
Hoje eu vejo que é realmente importante manter uma fonte de notícias perene, como um rio de informações que deságua no meu PC. Pra isso, utilizo basicamente as seguintes páginas:
www.mystickies.com
Essa aí é uma página onde você pode manter postits virtuais.
reader.google.com
Aqui eu vejo as notícias de todo tipo de jornais e blogs. Devo ter umas 40 inscrições em sites diferentes. Assim, ele funciona como uma caixa de emails, mas só com as novas postagens dos blogs. Figuram nele amigos, notícias engraçadas, sites de download de discos (jazz e música brasileira, principalmente), e alguns de design.
calendar.google.com
Para organizar a minha agenda. É bacana, dá pra você compartilhar a agenda com muitas pessoas, aí todo mundo fica sabendo dos seus compromissos. Você também pode criar mais de uma agenda, e classificar os tipos de compromissos pela cor. É fantástico. Aqui, por exemplo, tenho uma agenda pública de feriados (mantida por alguém que eu não faço a mínima idéia de quem seja, mas as datas estão todas certinhas, tenho minha agenda pessoal (Rodrigo Santiago), tenho a da Manu, a do Seresta Moderna e a de Aulas. Daí eu as cruzo com as agendas do meu gerente, da minha equipe de desenvolvimento no laboratório, dos seminários que acontecem aqui no trabalho e as de reuniões de grupo no Tecgraf. Meu Google Calendar acaba parecendo uma aquarela...
www.blogger.com
Porque eu também tenho que falar ao mundo. Tenho meu blog pessoal, mais um de vídeos, o site da Manu e o do Seresta Moderna (onde publico também a agenda do Google, pro público ficar sabendo onde vai ter).
Twitter
Descoberto mais recentemente (por insistência do Mentel). É o caminho do meio entre o orkut e o MSN. Você se conecta a várias pessoas e recebe recados aleatórios. Muitos deles são novidades de nicho, e você provavelmente não saberia de nenhuma delas se não estivesse lá.
Uma lista de coisas a fazer, que é um site que instalei no meu domínio pessoal (wiki.rodrigo.st/tracker). Bem funcional, me diz as coisas que preciso fazer e que não tem "data pra ser cumprida".
Um wiki em wiki.rodrigo.st e outro em wiki.manu.art.br.
Como lembrar de abrir todos os sites? Organizo tudo no Firefox. Ele está quase virando meu sistema operacional pessoal, falta só um bloco de notas (daqui a pouco vou acabar usando o Google notes). Basicamente, pra não esquecer de abrir nada, uma vez abri todas elas e marquei como minha "Home Page" no browser. Ele abre todos os sites, um em cada orelhinha, quando ligo o Firefox.
Ah, tem mais: www.gmail.com como sistema de email e www.dreamhost.com como meu gerenciador de sites. Fora isso tenho Flickr, Revver, Youtube, Orkut, essas coisas.
Mas pra eu não me afogar em uma enxurrada de informações, toda vez que vejo que alguma fonte está me dando informações que não consigo consumir - ou por se tornarem irrelevantes, ou por não ter mais tempo pra tanto - eu descarto essa fonte. Isso costuma acontecer com mais freqüência com as assinaturas de blogs e jornais online e no Twitter. Mas se encontro um site mais eficiente que outro, sem dúvida eu troco de sistema.
É importante se policiar com relação ao que chega aos seus olhos enquanto você está na web. Senão você morre na praia.
www.mystickies.com
Essa aí é uma página onde você pode manter postits virtuais.
reader.google.com
Aqui eu vejo as notícias de todo tipo de jornais e blogs. Devo ter umas 40 inscrições em sites diferentes. Assim, ele funciona como uma caixa de emails, mas só com as novas postagens dos blogs. Figuram nele amigos, notícias engraçadas, sites de download de discos (jazz e música brasileira, principalmente), e alguns de design.
calendar.google.com
Para organizar a minha agenda. É bacana, dá pra você compartilhar a agenda com muitas pessoas, aí todo mundo fica sabendo dos seus compromissos. Você também pode criar mais de uma agenda, e classificar os tipos de compromissos pela cor. É fantástico. Aqui, por exemplo, tenho uma agenda pública de feriados (mantida por alguém que eu não faço a mínima idéia de quem seja, mas as datas estão todas certinhas, tenho minha agenda pessoal (Rodrigo Santiago), tenho a da Manu, a do Seresta Moderna e a de Aulas. Daí eu as cruzo com as agendas do meu gerente, da minha equipe de desenvolvimento no laboratório, dos seminários que acontecem aqui no trabalho e as de reuniões de grupo no Tecgraf. Meu Google Calendar acaba parecendo uma aquarela...
www.blogger.com
Porque eu também tenho que falar ao mundo. Tenho meu blog pessoal, mais um de vídeos, o site da Manu e o do Seresta Moderna (onde publico também a agenda do Google, pro público ficar sabendo onde vai ter).
Descoberto mais recentemente (por insistência do Mentel). É o caminho do meio entre o orkut e o MSN. Você se conecta a várias pessoas e recebe recados aleatórios. Muitos deles são novidades de nicho, e você provavelmente não saberia de nenhuma delas se não estivesse lá.
Uma lista de coisas a fazer, que é um site que instalei no meu domínio pessoal (wiki.rodrigo.st/tracker). Bem funcional, me diz as coisas que preciso fazer e que não tem "data pra ser cumprida".
Um wiki em wiki.rodrigo.st e outro em wiki.manu.art.br.
Como lembrar de abrir todos os sites? Organizo tudo no Firefox. Ele está quase virando meu sistema operacional pessoal, falta só um bloco de notas (daqui a pouco vou acabar usando o Google notes). Basicamente, pra não esquecer de abrir nada, uma vez abri todas elas e marquei como minha "Home Page" no browser. Ele abre todos os sites, um em cada orelhinha, quando ligo o Firefox.
Ah, tem mais: www.gmail.com como sistema de email e www.dreamhost.com como meu gerenciador de sites. Fora isso tenho Flickr, Revver, Youtube, Orkut, essas coisas.
Mas pra eu não me afogar em uma enxurrada de informações, toda vez que vejo que alguma fonte está me dando informações que não consigo consumir - ou por se tornarem irrelevantes, ou por não ter mais tempo pra tanto - eu descarto essa fonte. Isso costuma acontecer com mais freqüência com as assinaturas de blogs e jornais online e no Twitter. Mas se encontro um site mais eficiente que outro, sem dúvida eu troco de sistema.
É importante se policiar com relação ao que chega aos seus olhos enquanto você está na web. Senão você morre na praia.
quinta-feira, março 20, 2008
Luiz Gonzaga - Caminho de Pedra
Hoje estava ouvindo essa música do Rei do Baião. Linda canção.
Luiz Gonzaga - Caminho de Pedra
Ela começa com uma melodia já bastante conhecida, citada na música Gabriela, do Tom Jobim. Grande reverência prestada ao maior Cearense de todos os tempos.
Se você reparar, toda vez que, fora do refrão, o Luiz Gonzaga alcança as notas mais altas, sua voz fica longínqua, ganha uma ambiência. É meio óbvio, mas se prestar atenção, vai ver que é um efeito curioso, que dá a impressão de que tem mais gente cantando junto. Mas ele está só. Foi por isso que resolvi postá-la.
É linda, meio melancólica e nostálgica. Sabe, de vez em quando eu conto essa história que lembrei agora pras pessoas. Vou deixá-la registrada aqui.
Meus avós, os pais do meu pai, são do Ceará. Viviam em Guaraciaba do Norte. Meu pai veio pro Rio ainda pequeno. João, meu avô, era muito parecido fisicamente com o Luiz Gonzaga. Minha avó, Iraci, era loura, linda, de olhos verdes.
Não tem muito tempo eu soube que meu avô era menestrel de folia de reis. Quase chorei quando descobri, mas isso havia sido há dezenas de anos atrás, enquanto ainda estava no Ceará. Mesmo assim, ele improvisou algumas poesias pra mim, como se estivesse conduzindo a folia. Isso foi nos últimos meses de sua vida.
Minha avó há muitos anos está entrevada numa cama, após ter sofrido um derrame que a deixou por pelo menos dois anos com a mentalidade de uma criança. Teve cinco filhos, criava porcos para vender, fazia comida pra fora, lavava roupa pros outros, tinha galinhas, rezava seu terço religiosamente, preparava o melhor café que já tomei (e só bebia o dela, não tenho esse costume) e preparava o meu baião-de-dois pra eu comer com as mãos junto com ela, direto da panela.
Com sua mentalidade recuperada, Dona Iraci está em profunda depressão, pois não pode fazer nenhuma destas coisas, e perdera seu companheiro. Meu avô se foi depois do terceiro derrame, depois que fora afastado forçosamente das biritas às quais era muito dado alcoolatramente. Uma crise de abstinência o fez contrair a pneumonia que o levou, e por um dia eu vi meu avô velhinho, velhinho, bem acabado, com tubos furos no pescoço, no dia em que morreu.
Antes disso, ele era o cara que sempre parecia com o Luiz Gonzaga. Quando eu era novo, novinho, havia muitas festas na casa deles, que reunia todos os filhos. Tudo era regado a muito Luiz Gonzaga. A família reunida era sinal de forró. Mas não é nada disso que quero contar.
O que contei serve de base pra entender o que vou contar agora: o Luiz Gonzaga parecia tanto com meu avô que, quando pequenino, com todo aquele baião tocando na casa dos avós, eu achava que o Luiz Gonzaga fosse da minha família. Talvez um tio que ainda morasse no Ceará. Pra mim, ele era meu tio, o Luiz Gonzaga.
Luiz Gonzaga - Caminho de Pedra
Ela começa com uma melodia já bastante conhecida, citada na música Gabriela, do Tom Jobim. Grande reverência prestada ao maior Cearense de todos os tempos.
Se você reparar, toda vez que, fora do refrão, o Luiz Gonzaga alcança as notas mais altas, sua voz fica longínqua, ganha uma ambiência. É meio óbvio, mas se prestar atenção, vai ver que é um efeito curioso, que dá a impressão de que tem mais gente cantando junto. Mas ele está só. Foi por isso que resolvi postá-la.
É linda, meio melancólica e nostálgica. Sabe, de vez em quando eu conto essa história que lembrei agora pras pessoas. Vou deixá-la registrada aqui.
Meus avós, os pais do meu pai, são do Ceará. Viviam em Guaraciaba do Norte. Meu pai veio pro Rio ainda pequeno. João, meu avô, era muito parecido fisicamente com o Luiz Gonzaga. Minha avó, Iraci, era loura, linda, de olhos verdes.
Não tem muito tempo eu soube que meu avô era menestrel de folia de reis. Quase chorei quando descobri, mas isso havia sido há dezenas de anos atrás, enquanto ainda estava no Ceará. Mesmo assim, ele improvisou algumas poesias pra mim, como se estivesse conduzindo a folia. Isso foi nos últimos meses de sua vida.
Minha avó há muitos anos está entrevada numa cama, após ter sofrido um derrame que a deixou por pelo menos dois anos com a mentalidade de uma criança. Teve cinco filhos, criava porcos para vender, fazia comida pra fora, lavava roupa pros outros, tinha galinhas, rezava seu terço religiosamente, preparava o melhor café que já tomei (e só bebia o dela, não tenho esse costume) e preparava o meu baião-de-dois pra eu comer com as mãos junto com ela, direto da panela.
Com sua mentalidade recuperada, Dona Iraci está em profunda depressão, pois não pode fazer nenhuma destas coisas, e perdera seu companheiro. Meu avô se foi depois do terceiro derrame, depois que fora afastado forçosamente das biritas às quais era muito dado alcoolatramente. Uma crise de abstinência o fez contrair a pneumonia que o levou, e por um dia eu vi meu avô velhinho, velhinho, bem acabado, com tubos furos no pescoço, no dia em que morreu.
Antes disso, ele era o cara que sempre parecia com o Luiz Gonzaga. Quando eu era novo, novinho, havia muitas festas na casa deles, que reunia todos os filhos. Tudo era regado a muito Luiz Gonzaga. A família reunida era sinal de forró. Mas não é nada disso que quero contar.
O que contei serve de base pra entender o que vou contar agora: o Luiz Gonzaga parecia tanto com meu avô que, quando pequenino, com todo aquele baião tocando na casa dos avós, eu achava que o Luiz Gonzaga fosse da minha família. Talvez um tio que ainda morasse no Ceará. Pra mim, ele era meu tio, o Luiz Gonzaga.
sexta-feira, março 14, 2008
Por Que o Google Cresce Todo Dia?
É fácil de explicar.
O sonho do Zé da padaria é poder atender todos os consumidores com qualquer item que precise. A localização geográfica em si, o ponto onde as pessoas passam para comprar algo é apenas um embuste para a oportunidade do vendedor.
A localização do imóvel comercial não é o negócio. Mas conveniência da localização é o fator chave para que a tal oportunidade de venda aconteça, com a presença do consumidor. Por que tantas padarias e botecos funcionam em frente a um ponto de ônibus? Infelizmente, a padaria não tem todos os itens do mundo, senão seria de interesse de qualquer pessoa entrar lá para comprar algo. Além disso, é limitado o número de pessoas interessadas em entrar em padarias. Pior ainda é a Lei da Impenetrabilidade da Matéria: dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Como acomodar todos os itens e todas as pessoas do mundo nas finitíssimas prateleiras e corredores de uma padaria?
Simples assim: o McDonalds compra 10 imóveis em um lugar desabitado, e instala uma única loja. As pessoas começam a freqüentar aquela loja. O McDonalds vê os outros imóveis valorizarem pelo aumento de circulação de pessoas. Daí, aluga todas as outras 9 lojas por um valor abusivamente alto. Os donos dos negócios instalados nas lojas, digamos, de cachorro quente e móveis de escritório, suam a camisa pra pagar o aluguel e tirar seu lucro. O McDonalds está comendo os lucros dos cachorros-quentes e dos móveis de escritório, vendendo-os indiretamente. Para quaisquer outros negócios que venham a se instalar naquela zona de 9 lojas, o McDonalds estará lucrando diretamente com um outro negócio que não é diretamente o dele. Ele pode vender qualquer coisa, mas não tudo ao mesmo tempo (varia de acordo com o tipo de loja instalado ao redor do McDonalds). Ele pode ter qualquer tipo de freqüentador, mas não todos ao mesmo tempo (idem para os tipos de loja que acabam surgindo por ali).
O Google FAZ isso. Vende tudo, pra qualquer tipo de pessoa, ao mesmo tempo. Virtualmente, ele inventa um site de utilidade pública. Mas ao invés de vender o serviço (como o Gmail, vários outros serviços de email são assinados e cobram uma taxa periódica), ele o fornece DE GRAÇA. E-mail com 6 gigabites de espaço (dá pra guardar a narrativa da minha vida iteira lá em formato de texto) é de interesse de qualquer médio internauta.
Com o serviço prestado, qualquer local virtual do Google (o site de busca, ou o Gmail, por exemplo) é bastante conveniente. Ele tem milhões de freqüentadores que verificam aquela telinha a cada 10 minutos, umas 8 horas por dia, sei lá.
Dado que o local é abusivamente conveniente, falta apenas o produto. E o que o Google vende? Resposta: o produto dos outros. Qualquer produto.
O Google subverteu a lógica tradicional das lojas. É como se pessoas do mundo inteiro freqüentassem a "lojinha Google" porque lá estão dando chocolate de graça, 24 horas por dia, todos os dias da semana. Daí, os agentes do Google ficam ouvindo as conversas de todos os milhões de freqüentadores. Ele tem um vendedor pra cada pessoa que entra nela. Esse vendedor fala a língua da pessoa, entende o assunto, e logo em seguida oferece um produto, intrometendo-se.
Imagine a cena abaixo:
Henrique entra na lojinha do Google e encontra Mateus, seu amigo de infância. Um terceiro rapaz, empregado da loja, de nome Ricardo, que tem cabelos grandes, usa óculos e uma camisa do Iron Maiden - o vendedor nada perfeito - chega perto deles e ouve atentamente o assunto:
- Fala, meu compadre! - Henrique.
- Fala, Bro! - Mateus.
- E aí, foi bem de viagem?
- Pô, do Centro pra Santa Cruz é chão.
De repente, o Ricardo, se intrometendo:
- Ahn... Com licença. Você gostaria de viajar? Tenho aqui um pacote inesquecível para você e sua família.
- E sua irmã? - Henrique.
- Ah, está ótima, chegou mortinha de cansaço - Mateus.
- Que tal um relaxante muscular pra vocês? - Ricardo.
- Olha, semana que vem vamos ao show do Paralamas, tá a fim? - Henrique
- Excelente! Vambora! - Mateus
- Olha, tenho ingressos para o show do Paralamas a dez Reais. - Ricardo.
- Ôpa, Ricardo. Como é que é o esquema? - Mateus.
- Toma aqui esse endereço de Internet. É lá. - Ricardo.
- Pô, demorou! Maior adianto, aê... - Mateus.
Mateus sai da lojinha Google, onde fica seu amigo Henrique1, aparentemente falando com as paredes, e Ricardo por perto, sempre a oferecer as coisas mais esdrúxulas. Dirige-se à outra lojinha da Ticketronics, onde compra de William um ingresso a dez Reais para o show do Paralamas:
- Ô, meu velho, tá aqui a tua grana - Mateus.
- Beleza, bro, tá aqui teu ingresso - William.
Com a saída de Mateus, William se vira para Tatiane, sua colega de trabalho:
- Ô Tatiane, leva aqui um Real lá pro Ricardo. Manda ele oferecer pra mais cem pessoas os ingressos pros Paralamas a dez Reais.
O sonho do Zé da padaria é poder atender todos os consumidores com qualquer item que precise. A localização geográfica em si, o ponto onde as pessoas passam para comprar algo é apenas um embuste para a oportunidade do vendedor.
A localização do imóvel comercial não é o negócio. Mas conveniência da localização é o fator chave para que a tal oportunidade de venda aconteça, com a presença do consumidor. Por que tantas padarias e botecos funcionam em frente a um ponto de ônibus? Infelizmente, a padaria não tem todos os itens do mundo, senão seria de interesse de qualquer pessoa entrar lá para comprar algo. Além disso, é limitado o número de pessoas interessadas em entrar em padarias. Pior ainda é a Lei da Impenetrabilidade da Matéria: dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Como acomodar todos os itens e todas as pessoas do mundo nas finitíssimas prateleiras e corredores de uma padaria?
Simples assim: o McDonalds compra 10 imóveis em um lugar desabitado, e instala uma única loja. As pessoas começam a freqüentar aquela loja. O McDonalds vê os outros imóveis valorizarem pelo aumento de circulação de pessoas. Daí, aluga todas as outras 9 lojas por um valor abusivamente alto. Os donos dos negócios instalados nas lojas, digamos, de cachorro quente e móveis de escritório, suam a camisa pra pagar o aluguel e tirar seu lucro. O McDonalds está comendo os lucros dos cachorros-quentes e dos móveis de escritório, vendendo-os indiretamente. Para quaisquer outros negócios que venham a se instalar naquela zona de 9 lojas, o McDonalds estará lucrando diretamente com um outro negócio que não é diretamente o dele. Ele pode vender qualquer coisa, mas não tudo ao mesmo tempo (varia de acordo com o tipo de loja instalado ao redor do McDonalds). Ele pode ter qualquer tipo de freqüentador, mas não todos ao mesmo tempo (idem para os tipos de loja que acabam surgindo por ali).
O Google FAZ isso. Vende tudo, pra qualquer tipo de pessoa, ao mesmo tempo. Virtualmente, ele inventa um site de utilidade pública. Mas ao invés de vender o serviço (como o Gmail, vários outros serviços de email são assinados e cobram uma taxa periódica), ele o fornece DE GRAÇA. E-mail com 6 gigabites de espaço (dá pra guardar a narrativa da minha vida iteira lá em formato de texto) é de interesse de qualquer médio internauta.
Com o serviço prestado, qualquer local virtual do Google (o site de busca, ou o Gmail, por exemplo) é bastante conveniente. Ele tem milhões de freqüentadores que verificam aquela telinha a cada 10 minutos, umas 8 horas por dia, sei lá.
Dado que o local é abusivamente conveniente, falta apenas o produto. E o que o Google vende? Resposta: o produto dos outros. Qualquer produto.
O Google subverteu a lógica tradicional das lojas. É como se pessoas do mundo inteiro freqüentassem a "lojinha Google" porque lá estão dando chocolate de graça, 24 horas por dia, todos os dias da semana. Daí, os agentes do Google ficam ouvindo as conversas de todos os milhões de freqüentadores. Ele tem um vendedor pra cada pessoa que entra nela. Esse vendedor fala a língua da pessoa, entende o assunto, e logo em seguida oferece um produto, intrometendo-se.
Imagine a cena abaixo:
Henrique entra na lojinha do Google e encontra Mateus, seu amigo de infância. Um terceiro rapaz, empregado da loja, de nome Ricardo, que tem cabelos grandes, usa óculos e uma camisa do Iron Maiden - o vendedor nada perfeito - chega perto deles e ouve atentamente o assunto:
- Fala, meu compadre! - Henrique.
- Fala, Bro! - Mateus.
- E aí, foi bem de viagem?
- Pô, do Centro pra Santa Cruz é chão.
De repente, o Ricardo, se intrometendo:
- Ahn... Com licença. Você gostaria de viajar? Tenho aqui um pacote inesquecível para você e sua família.
- E sua irmã? - Henrique.
- Ah, está ótima, chegou mortinha de cansaço - Mateus.
- Que tal um relaxante muscular pra vocês? - Ricardo.
- Olha, semana que vem vamos ao show do Paralamas, tá a fim? - Henrique
- Excelente! Vambora! - Mateus
- Olha, tenho ingressos para o show do Paralamas a dez Reais. - Ricardo.
- Ôpa, Ricardo. Como é que é o esquema? - Mateus.
- Toma aqui esse endereço de Internet. É lá. - Ricardo.
- Pô, demorou! Maior adianto, aê... - Mateus.
Mateus sai da lojinha Google, onde fica seu amigo Henrique1, aparentemente falando com as paredes, e Ricardo por perto, sempre a oferecer as coisas mais esdrúxulas. Dirige-se à outra lojinha da Ticketronics, onde compra de William um ingresso a dez Reais para o show do Paralamas:
- Ô, meu velho, tá aqui a tua grana - Mateus.
- Beleza, bro, tá aqui teu ingresso - William.
Com a saída de Mateus, William se vira para Tatiane, sua colega de trabalho:
- Ô Tatiane, leva aqui um Real lá pro Ricardo. Manda ele oferecer pra mais cem pessoas os ingressos pros Paralamas a dez Reais.
sábado, março 01, 2008
Sobre Os Cílios
Hoje eu estava com meu amor nos meus braços quando reparei mais uma coisa encantadora. Ela tem cílios lindos. Isso me levou a um monte de pensamentos. Ligo daqui, ligo de lá, e chego à seguinte conclusão: na entrada da Melt, seguranças enormes asseguram que indivíduos indesejáveis não entrem. Nas entradas da boate-corpo-humano, são os pelinhos nossos seguranças.
Vou desenvolver esta observação um outro dia, quem sabe. Concentrando-me nos cílios, hoje sou um cara culto no que diz respeito à ginástica dos femininos. Um dia, enquanto ia para o trabalho, encontrei uma amiga no ônibus. Nessa época, nosso ganha-pão ficava num lugar a uma hora da nossa casa. Conversa vai, conversa vem, minha amiga saca de sua bolsa um estojinho de maquiagem. Disse que economizava tempo se fizesse sua pintura facial dentro da condução. Com um espelhinho minúsculo, ela iria começar sua arte. Base, blush, baton, sombra, rímel, perfume, escova, corretor, lápis, e tantas outras coisas que só a vaidade feminina são capazes de conceber saltaram de dentro do estojinho, não necessariamente nesta ordem. Comecei a ver uma fumacinha em torno do rosto dessa menina, parecia uma briga entre mãos e face, tipo desenho animado. Só de pensar naqueles cheiros e pozinhos todos sendo aspergidos no ar a menos de cinqüenta centímetros do meu rosto dentro do ônibus me dá vontade de espirrar.
Tudo transcorria na pressa e prática femininas típicas, quando DE REPENTE... De repente, ela sacou um item esquisito da bolsa. Um objetinho pequeno, metálico, com pegadores tipo uma tesourinha, mas com dois arcos que se encontravam na ponta, ao invés das lâminas. Parecia um objetinho de tortura, com a armação bem intrincadinha. Coisa de mulher mesmo, sabe? Quando ela se olhou no espelhinho, pegou a tesourinha esquisita e aproximou-a meticulosamente dos olhos - ficando até com a ponta da língua projetada pra fora dos lábios, lateralmente - como se estivesse mirando o negocinho na cara, eu pensei que fosse sacar as órbitas oculares pra passar maquiagem por dentro. Essa parte branquinha dos olhos realmente não tem nenhuma graça. É tão neutra...
Finalmente, ela chegou ao seu alvo. O problema não eram as órbitas. Eram os cílios. Ela enforcou todos, de uma vez. Apertou os cílios entre os arquinhos do negocinho que parecia uma tesoura. Primeiro os da pálpebra superior direita, depois os da pálpebra superior esquerda. Vixe, parecia que ela ia arrancá-los todos fora, ou então que estava a sufocá-los! Por alguns segundos, aquela cara de garota arteira com a língua pra fora apertando os cílios dava a entender que tinha raiva deles. E eles pareciam todos se espicharem pra cima, como se dissessem "por favor, eu não tenho nada com isso!! Pare, não estou conseguindo respirar! Não fui eu! Não fui eu!". Esse tal "espichador de cílios" deixou-os todos pra cima, e após isso, quando ela guardou a tal tesourinha, tinha os olhos parecidos com os de uma boneca da Estrela.
Que coisas mais sinistras a alma feminina é capaz de criar para si própria. Quando eu achava que não havia mais nenhum método... Após as cirurgias de estômago, aspiradores-de-gordura, lingeries-super-apertadas, removedores-de-pedaços-de-pele, arrancadores-de-pêlos-de-partes-super-sensíveis, puxões-de-cabelo-,-cauterizadores-e-afins, banhos-de-chocolate (essa é realmente uma frustração de não poder comer chocolate muito estranha) e toda a sorte de apertões no corpo aos quais se submetem as mulheres para, teoricamente, ficarem mais bonitas... Nem mesmo os cílios foram poupados. Não bastou o rímel. Tinha que ter alguma dor no meio do processo.
A epopéia do embelezamento feminino é muito irônica. Para se tornarem mais belas, mulheres se submetem aos tratamentos mais dolorosos, PERIODICAMENTE. A cantiga do feminismo prega que as mulheres devem ter direitos iguais aos dos homens, e isso significa estarem sempre lindas de morrer. Seria melhor dizer "lindas até quase morrer". Se fosse uma religião, teria o seguinte mote: "a mulher deve se livrar do corpo em que veio e comprar um novo nas liquidações".
Para se purificar de seus pecados, minha companheiríssima decerto também utiliza seu subconjunto do universo de métodos embelezadores. Mas não precisa de enforcadores de cílios.
Vou desenvolver esta observação um outro dia, quem sabe. Concentrando-me nos cílios, hoje sou um cara culto no que diz respeito à ginástica dos femininos. Um dia, enquanto ia para o trabalho, encontrei uma amiga no ônibus. Nessa época, nosso ganha-pão ficava num lugar a uma hora da nossa casa. Conversa vai, conversa vem, minha amiga saca de sua bolsa um estojinho de maquiagem. Disse que economizava tempo se fizesse sua pintura facial dentro da condução. Com um espelhinho minúsculo, ela iria começar sua arte. Base, blush, baton, sombra, rímel, perfume, escova, corretor, lápis, e tantas outras coisas que só a vaidade feminina são capazes de conceber saltaram de dentro do estojinho, não necessariamente nesta ordem. Comecei a ver uma fumacinha em torno do rosto dessa menina, parecia uma briga entre mãos e face, tipo desenho animado. Só de pensar naqueles cheiros e pozinhos todos sendo aspergidos no ar a menos de cinqüenta centímetros do meu rosto dentro do ônibus me dá vontade de espirrar.
Tudo transcorria na pressa e prática femininas típicas, quando DE REPENTE... De repente, ela sacou um item esquisito da bolsa. Um objetinho pequeno, metálico, com pegadores tipo uma tesourinha, mas com dois arcos que se encontravam na ponta, ao invés das lâminas. Parecia um objetinho de tortura, com a armação bem intrincadinha. Coisa de mulher mesmo, sabe? Quando ela se olhou no espelhinho, pegou a tesourinha esquisita e aproximou-a meticulosamente dos olhos - ficando até com a ponta da língua projetada pra fora dos lábios, lateralmente - como se estivesse mirando o negocinho na cara, eu pensei que fosse sacar as órbitas oculares pra passar maquiagem por dentro. Essa parte branquinha dos olhos realmente não tem nenhuma graça. É tão neutra...
Finalmente, ela chegou ao seu alvo. O problema não eram as órbitas. Eram os cílios. Ela enforcou todos, de uma vez. Apertou os cílios entre os arquinhos do negocinho que parecia uma tesoura. Primeiro os da pálpebra superior direita, depois os da pálpebra superior esquerda. Vixe, parecia que ela ia arrancá-los todos fora, ou então que estava a sufocá-los! Por alguns segundos, aquela cara de garota arteira com a língua pra fora apertando os cílios dava a entender que tinha raiva deles. E eles pareciam todos se espicharem pra cima, como se dissessem "por favor, eu não tenho nada com isso!! Pare, não estou conseguindo respirar! Não fui eu! Não fui eu!". Esse tal "espichador de cílios" deixou-os todos pra cima, e após isso, quando ela guardou a tal tesourinha, tinha os olhos parecidos com os de uma boneca da Estrela.
Que coisas mais sinistras a alma feminina é capaz de criar para si própria. Quando eu achava que não havia mais nenhum método... Após as cirurgias de estômago, aspiradores-de-gordura, lingeries-super-apertadas, removedores-de-pedaços-de-pele, arrancadores-de-pêlos-de-partes-super-sensíveis, puxões-de-cabelo-,-cauterizadores-e-afins, banhos-de-chocolate (essa é realmente uma frustração de não poder comer chocolate muito estranha) e toda a sorte de apertões no corpo aos quais se submetem as mulheres para, teoricamente, ficarem mais bonitas... Nem mesmo os cílios foram poupados. Não bastou o rímel. Tinha que ter alguma dor no meio do processo.
A epopéia do embelezamento feminino é muito irônica. Para se tornarem mais belas, mulheres se submetem aos tratamentos mais dolorosos, PERIODICAMENTE. A cantiga do feminismo prega que as mulheres devem ter direitos iguais aos dos homens, e isso significa estarem sempre lindas de morrer. Seria melhor dizer "lindas até quase morrer". Se fosse uma religião, teria o seguinte mote: "a mulher deve se livrar do corpo em que veio e comprar um novo nas liquidações".
Para se purificar de seus pecados, minha companheiríssima decerto também utiliza seu subconjunto do universo de métodos embelezadores. Mas não precisa de enforcadores de cílios.
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
Defendendo a Libertinagem
(Abertura da discussão)
Fulano: "Droga! Acabaram-se os passeios em iates acompanho de modelos gostosas, burras e solícitas... :)"
Cicrano: "Aproveita agora, que no Carnaval isso tudo é de graça, com exceção do Iate. Elas todas estão em liquidação!"
(Momento deceptivo e entrada da discordância)
Beltrana: "Nossa! Que decepção, Cicrano... 'Elas todas estão em liquidação!'???"
(Argumento)
Cicrano:
Neste momento, venho incorporar meus dotes sociológicos, em defesa da nobre satisfação biológica do ser humano.
Eu me referia tão somente às "modelos gostosas, burras e solícitas" sobre as quais falava nosso amigo Fulano, e não a todas as mulheres. É um estereótipo muito comum no Rio de Janeiro, em especial no Carnaval.
É claro que, para uma mulher, ter um destes atributos não implica ter todos os outros. Acontece que o conjunto formado pelas mulheres possuidoras de todos eles é, no mínimo, muito útil.
Há um importante papel a ser desempenhado por elas. São todas responsáveis pela acessibilidade afetiva (ainda que momentânea) dos cidadãos do sexo masculino que são incapazes de contrair um
compromisso com mulheres que têm o que falar e sabem o que querem - e que talvez por isso mesmo estejam em falta para estes pobres e carentes mancebos. Elas - as "modelos gostosas, burras e solícitas" - exercem uma missão de inclusão social, e isto é não só indispensável, como louvável.
Curiosamente, as vagas para este perfil parecem nunca saturar o "mercado de beldades procuradas". A demanda é inelástica, tendendo ao infinito. Em resumo "o que vai pra prateleira é consumido, independente da quantidade e preço". E para arrematar o argumento, lembremo-nos que, justamente no Carnaval, acontece o fenômeno econômico que alvejei: a oferta atinge picos inalcançáveis em qualquer outra época do ano, os preços despencam junto com a vergonha, tendendo a ZERO. Resultado: liquidação total (literalmente) e consumo indisplicente (idem).
Que outra saída teria o homem que, por problemas também sociais, mas que não descreverei aqui, não tem um compromisso fiel e sadio?
Você não é destas. Portanto, assumo que não seja de seu costume "entrar em liquidação no Carnaval".
Fulano: "Droga! Acabaram-se os passeios em iates acompanho de modelos gostosas, burras e solícitas... :)"
Cicrano: "Aproveita agora, que no Carnaval isso tudo é de graça, com exceção do Iate. Elas todas estão em liquidação!"
(Momento deceptivo e entrada da discordância)
Beltrana: "Nossa! Que decepção, Cicrano... 'Elas todas estão em liquidação!'???"
(Argumento)
Cicrano:
Neste momento, venho incorporar meus dotes sociológicos, em defesa da nobre satisfação biológica do ser humano.
Eu me referia tão somente às "modelos gostosas, burras e solícitas" sobre as quais falava nosso amigo Fulano, e não a todas as mulheres. É um estereótipo muito comum no Rio de Janeiro, em especial no Carnaval.
É claro que, para uma mulher, ter um destes atributos não implica ter todos os outros. Acontece que o conjunto formado pelas mulheres possuidoras de todos eles é, no mínimo, muito útil.
Há um importante papel a ser desempenhado por elas. São todas responsáveis pela acessibilidade afetiva (ainda que momentânea) dos cidadãos do sexo masculino que são incapazes de contrair um
compromisso com mulheres que têm o que falar e sabem o que querem - e que talvez por isso mesmo estejam em falta para estes pobres e carentes mancebos. Elas - as "modelos gostosas, burras e solícitas" - exercem uma missão de inclusão social, e isto é não só indispensável, como louvável.
Curiosamente, as vagas para este perfil parecem nunca saturar o "mercado de beldades procuradas". A demanda é inelástica, tendendo ao infinito. Em resumo "o que vai pra prateleira é consumido, independente da quantidade e preço". E para arrematar o argumento, lembremo-nos que, justamente no Carnaval, acontece o fenômeno econômico que alvejei: a oferta atinge picos inalcançáveis em qualquer outra época do ano, os preços despencam junto com a vergonha, tendendo a ZERO. Resultado: liquidação total (literalmente) e consumo indisplicente (idem).
Que outra saída teria o homem que, por problemas também sociais, mas que não descreverei aqui, não tem um compromisso fiel e sadio?
Você não é destas. Portanto, assumo que não seja de seu costume "entrar em liquidação no Carnaval".
terça-feira, abril 10, 2007
Bom Ânimo - Subjugando As Dificuldades
Hoje eu tou com um bom humor DAQUELES.
Primeiro quero dizer: eu amo todos vocês!
Segundo, venho pra falar de uma coisa interessante: deficiências.
Qual é a associação que fazemos à palavra "deficiência"? Fácil: atribuímos, quase que sempre, primeiramente aos deficientes físicos. Em segundo, à falta de algum recurso importante pra cumprir algum objetivo.
Nós não percebemos, mas temos tanto ou mais dificuldades do que os deficientes físicos. É simples a diferença: os chamados "deficientes" têm sempre alguém pra apontar suas falhas. Os tecnicamente não-deficientes não têm ninguém que os diga isso. Não podemos ter nós mesmos uma visão crítica de tudo o que nos assola ou nos deixa "sem pés ou mãos" para fazer aquilo que queremos fazer, porque somos um monte de gente sob condições muitíssimo similares, sob certos aspectos.
Recentemente, houve uma mudança de visão sobre os deficientes físicos. Passaram a serem chamados "pessoas com necessidades especiais", para que não sejam menosprezados ou diminuídos de qualquer maneira.
Vantagem da posição de alguém com "necessidades especiais": uma vez diagnosticada sua necessidade especial (ou o recurso em deficiência nessa pessoa), ela tem toda a liberdade de buscar saciar o que precisa ser saciado. Se ela sabe o que falta, sabe o que deve procurar pra se resolver.
Nós, a maioria das pessoas do mundo, perfeitamente saudáveis fisicamente, quando comparados às pessoas com necessidades especiais, não percebemos o quanto nós mesmos somos terrivelmente deficientes em vários aspectos. Estamos expostos o tempo todo às avaliações de pessoas que respiram nossos mesmos costumes e vive sob as mesmas condições. Ao contrário do que se diz por aí, as pessoas podem ter exatamente os mesmos pontos de vista em vários assuntos. É isso que forma a massa.
Por favor, não nos julguemos donos de uma individualidade absoluta, porque todos compartilhamos certas "unanimidades" que remove qualquer indício de individualismo e unicidade no universo, quando examinadas isoladamente.
Durante quanto tempo se acreditou unanimemente que a Terra fosse um disco, e que o Sol girava em torno dela? Isso indica que nem sempre as pessoas mantém pontos de vista diferentes sob todos os assuntos. Eu, você, nossos pais e nossos amigos temos vários desses pontos de vistas idênticos sobre uma infinidade de assuntos. Inúmeros "o planeta Terra é o centro do Universo" em nossas cabeças.
Portanto, cabe a nós identificar estas deficiências psicológicas. Vamos estudar com calma o processo de solucionamento das deficiências físicas, e encontrar uma maneira de, em princípio, descobrir onde estão as nossas "faltas de pernas e braços", ou onde está nossa paraplegia comportamental. Aos poucos, entenderemos de fato que somos uma manada passiva que pensa igualzinho de maneira completamente errada sobre coisas importantíssimas, e que isso faz de nós um mundo inteiro de deficientes muito mais deficientes do que pessoas com necessidades especiais físicas, porque não temos ninguém tecnicamente em posição vantajosa para nos menosprezar e dizer o quanto somos deficientes.
Melhor do que encontrar as respostas é saber fazer as perguntas que nos definem.

Unanimidade
Melhor do que saber que toda unanimidade é burra
É ter a consciência de que você participa de várias,
Porque isso desperta o sentido da contingência
Pior do que saber que toda unanimidade é burra
É talvez nunca saber em quais delas você dá seu voto positivo
É talvez nunca sequer conseguir enumerá-las
O conforto de saber que toda a unanimidade é burra
Só pode vir se houver alguém que me diga o contrário,
Porque saberei que minha opinião não é unânime.
Quanto mais distinção, mais individualismo,
E se a riqueza se define pelo "mais",
Quanto mais unanimidades, menos variação,
Menos espectros de ação, menos possibilidades,
Menos riquezas
Menos unanimidades, mais diferenças,
Mais diferenças, mais variedades,
Mais riquezas, mais possibilidades,
Mais recursos pra existir.
Mais valioso do que saber ser um indivíduo,
Em princípio, diferente de todos os outros
É o próprio ato da busca pela individualidade, pela distinção,
Isso faz de você alguém "mais único ainda"
À medida que o tempo passe
Mais unanimidade significa menos
E menos, mais.
Primeiro quero dizer: eu amo todos vocês!
Segundo, venho pra falar de uma coisa interessante: deficiências.
Qual é a associação que fazemos à palavra "deficiência"? Fácil: atribuímos, quase que sempre, primeiramente aos deficientes físicos. Em segundo, à falta de algum recurso importante pra cumprir algum objetivo.
Nós não percebemos, mas temos tanto ou mais dificuldades do que os deficientes físicos. É simples a diferença: os chamados "deficientes" têm sempre alguém pra apontar suas falhas. Os tecnicamente não-deficientes não têm ninguém que os diga isso. Não podemos ter nós mesmos uma visão crítica de tudo o que nos assola ou nos deixa "sem pés ou mãos" para fazer aquilo que queremos fazer, porque somos um monte de gente sob condições muitíssimo similares, sob certos aspectos.
Recentemente, houve uma mudança de visão sobre os deficientes físicos. Passaram a serem chamados "pessoas com necessidades especiais", para que não sejam menosprezados ou diminuídos de qualquer maneira.
Vantagem da posição de alguém com "necessidades especiais": uma vez diagnosticada sua necessidade especial (ou o recurso em deficiência nessa pessoa), ela tem toda a liberdade de buscar saciar o que precisa ser saciado. Se ela sabe o que falta, sabe o que deve procurar pra se resolver.
Nós, a maioria das pessoas do mundo, perfeitamente saudáveis fisicamente, quando comparados às pessoas com necessidades especiais, não percebemos o quanto nós mesmos somos terrivelmente deficientes em vários aspectos. Estamos expostos o tempo todo às avaliações de pessoas que respiram nossos mesmos costumes e vive sob as mesmas condições. Ao contrário do que se diz por aí, as pessoas podem ter exatamente os mesmos pontos de vista em vários assuntos. É isso que forma a massa.
Por favor, não nos julguemos donos de uma individualidade absoluta, porque todos compartilhamos certas "unanimidades" que remove qualquer indício de individualismo e unicidade no universo, quando examinadas isoladamente.
Durante quanto tempo se acreditou unanimemente que a Terra fosse um disco, e que o Sol girava em torno dela? Isso indica que nem sempre as pessoas mantém pontos de vista diferentes sob todos os assuntos. Eu, você, nossos pais e nossos amigos temos vários desses pontos de vistas idênticos sobre uma infinidade de assuntos. Inúmeros "o planeta Terra é o centro do Universo" em nossas cabeças.
Portanto, cabe a nós identificar estas deficiências psicológicas. Vamos estudar com calma o processo de solucionamento das deficiências físicas, e encontrar uma maneira de, em princípio, descobrir onde estão as nossas "faltas de pernas e braços", ou onde está nossa paraplegia comportamental. Aos poucos, entenderemos de fato que somos uma manada passiva que pensa igualzinho de maneira completamente errada sobre coisas importantíssimas, e que isso faz de nós um mundo inteiro de deficientes muito mais deficientes do que pessoas com necessidades especiais físicas, porque não temos ninguém tecnicamente em posição vantajosa para nos menosprezar e dizer o quanto somos deficientes.
Melhor do que encontrar as respostas é saber fazer as perguntas que nos definem.
Unanimidade
Melhor do que saber que toda unanimidade é burra
É ter a consciência de que você participa de várias,
Porque isso desperta o sentido da contingência
Pior do que saber que toda unanimidade é burra
É talvez nunca saber em quais delas você dá seu voto positivo
É talvez nunca sequer conseguir enumerá-las
O conforto de saber que toda a unanimidade é burra
Só pode vir se houver alguém que me diga o contrário,
Porque saberei que minha opinião não é unânime.
Quanto mais distinção, mais individualismo,
E se a riqueza se define pelo "mais",
Quanto mais unanimidades, menos variação,
Menos espectros de ação, menos possibilidades,
Menos riquezas
Menos unanimidades, mais diferenças,
Mais diferenças, mais variedades,
Mais riquezas, mais possibilidades,
Mais recursos pra existir.
Mais valioso do que saber ser um indivíduo,
Em princípio, diferente de todos os outros
É o próprio ato da busca pela individualidade, pela distinção,
Isso faz de você alguém "mais único ainda"
À medida que o tempo passe
Mais unanimidade significa menos
E menos, mais.
quarta-feira, março 28, 2007
Misturando A Manga Com O Leite
A relação entre todas as coisas é existente, para o nosso universo perceptível, em duas esferas: a primeira, da experimentação, ou física. Toda espiritualidade conhecida por nós, enquanto encarnados, se manifesta também de forma física até onde podemos medir - e até onde mais pudermos inventar de medir. Tudo é imagem, ou paz, ou alegria... Todas sensações do corpo. Quer mais? O restante é som, é toque, é arrepio. O que de tão extraordinário há nisso?
A segunda esfera - e esta é a mais capciosa e perigosa de todas, se me permitem meta-inferir, é a da abstração, onde se encontram a idéia e a linguagem. Podemos relacionar quaisquer duas coisas através de palavras, escapando das amarras do mundo físico. É aí que surge a crença. Em espíritos, no amor, em que não se pode misturar manga com leite, que mata.
A mistura de ambas as esferas - da manga e do leite - nos organiza. A primeira é limitadora. A segunda, libertadora - porque, através desta, podemos subverter aquela, através da tecnologia, por exemplo.
Tomemos cuidado, pois, para que não tornemos a esfera abstrata um meio limitador. Antes de ser proibitiva, ela deve melhorar a qualidade de nossos relacionamentos na primeira esfera, e assim, melhorar nosso relacionamento com a Criação, objeto da manifestação da vontade de Deus.
Estar de bem com o universo que nos cerca é o primerio passo, para que haja a compreensão de Sua Graça, e para que o alcancemos, posteriormente.
A segunda esfera - e esta é a mais capciosa e perigosa de todas, se me permitem meta-inferir, é a da abstração, onde se encontram a idéia e a linguagem. Podemos relacionar quaisquer duas coisas através de palavras, escapando das amarras do mundo físico. É aí que surge a crença. Em espíritos, no amor, em que não se pode misturar manga com leite, que mata.
A mistura de ambas as esferas - da manga e do leite - nos organiza. A primeira é limitadora. A segunda, libertadora - porque, através desta, podemos subverter aquela, através da tecnologia, por exemplo.
Tomemos cuidado, pois, para que não tornemos a esfera abstrata um meio limitador. Antes de ser proibitiva, ela deve melhorar a qualidade de nossos relacionamentos na primeira esfera, e assim, melhorar nosso relacionamento com a Criação, objeto da manifestação da vontade de Deus.
Estar de bem com o universo que nos cerca é o primerio passo, para que haja a compreensão de Sua Graça, e para que o alcancemos, posteriormente.
quinta-feira, setembro 28, 2006
A Teia da Liberdade
Outro dia me passou pelas mãos um texto a respeito da conquista da liberdade. Era a história de uma mulher que desde criança fora criada com uma espécie de "redoma" projetada pelos pais, que a protegia dos perigos do mundo. E mesmo depois de casada, aquela redoma permanecia. Bom, acontece que um dia a mulher resolveu partir aquela película protetora, mas para sua surpresa, as suas paredes eram muito finas.
Era um exercício de faculdade, em que os alunos deviam terminar a história. Havia algumas coisas interessantes pra se observar naquele conto. Uma delas é termos a tendência, desde criança, a acharmos que não temos liberdade. Que nossos pais podem ser superprotetores, e mesmo chatos.
Analisemos a seguinte situação: o que queremos ao nos afastarmos dos nossos pais durante a adolescência, senão nos distingüirmos de tudo o que vimos até então? A liberdade vem sob a forma de "vontade de experimentar outro mundo". Fato curioso: muitas vezes, essa vontade de experimentar o "novo mundo" nos faz achar que nossos pais e tudo o que temos à nossa volta é antiquado demais. Nos deligamos de todos os "antiquados", e o que conseguimos? Uma outra trama de pessoas (amigos e amores) que também se importam conosco, e que cuidam de nós. Mas para formar e estabilizar essa segunda rede, temos que passar por várias situações um pouco estressantes - desconfiança, traição e por aí vai.
Meu ponto: essa segunda rede é exatamente igual à primeira quanto aos efeitos sobre nós. O que idiotamente chamamos de "liberdade" é uma outra teia de relacionamentos exercendo poder limitante sob alguns aspectos e potencializador sob outros. Não precisamos realmente nos desligar daqueles que nos amam desde criança. Precisamos entender que tipo de efeito potencializador podemos ter nessa rede. Que tipo de apoio pode vir daqueles que nos amam desde recém-nascidos? O melhor possível, quase que indubitavelmente.
A criação da segunda rede afetiva não pode ser desligada da primeira rede. Nossos amigos devem ser conhecidos por nossos pais o máximo possível, bem como nós conhecidos pelos pais de nossos amigos. E devemos, sobretudo, ouvir com muito carinho o que a primeira rede tem a nos falar sobre nossas ações para a formação da segunda. Isto tornará a nossa vida adulta mais confortável, e a rede se formará mais solidamente, sob a supervisão de pessoas bem mais experientes do que nós, em nossa infância e adolescência.
Há um equívoco em nossa definição de liberdade. Vou tentar enunciar alguma coisa que preste, a partir da minha própria análise:
Liberdade é explorar as possibilidades dentro da sua trama existencial, desenvolvendo-a - e não descartando esta trama.
A perspectiva de tempo explorada neste post foi a da minha infância. A linguagem, obviamente, não. É bom ter sempre essa visão de que há uma infinidade de possibilidades para nossas vidas, e pretendo continuar com ela até os cento e vinte anos. Mas não pretendo me afastar dos meus amigos e familiares. Já fiz isso, e o resultado foi uma solidão que não havia experimentado antes. Eu fui um pouco drástico: saí de casa pra morar longe dos meus pais e amigos de infância, conviver com um monte de pessoas novas no trabalho e na faculdade. Hoje, vejo que não precisava ter feito isso. Pudera eu ter ouvido falar dessas coisas quando tinha dez anos de idade. Agora, observo o quanto eu me envolvi comigo mesmo, somente, durante todo esse tempo. Vejo o quanto eu não sei me relacionar com as pessoas à minha volta. Isso tudo podia ter sido muito diferente.
O que me motivou a fazer isso, afinal? Pra mim, as pessoas "antigas" não me entendiam, ou não queriam muito ouvir minhas "viagens". Resolvi procurar outras pessoas, pra descobrir que elas também não me entendiam muito bem... Resolvi, então, viajar sozinho. Custei pra entender que eu precisava mesmo era refazer minha linguagem, para que pudesse transmitir meus pensamentos mais claramente. Agora, vou penar até recuperar um pouco do tempo perdido. Perdido, sob uns aspectos. Ganho, sob outros. No geral, podia ter sido bem melhor.
Era um exercício de faculdade, em que os alunos deviam terminar a história. Havia algumas coisas interessantes pra se observar naquele conto. Uma delas é termos a tendência, desde criança, a acharmos que não temos liberdade. Que nossos pais podem ser superprotetores, e mesmo chatos.
Analisemos a seguinte situação: o que queremos ao nos afastarmos dos nossos pais durante a adolescência, senão nos distingüirmos de tudo o que vimos até então? A liberdade vem sob a forma de "vontade de experimentar outro mundo". Fato curioso: muitas vezes, essa vontade de experimentar o "novo mundo" nos faz achar que nossos pais e tudo o que temos à nossa volta é antiquado demais. Nos deligamos de todos os "antiquados", e o que conseguimos? Uma outra trama de pessoas (amigos e amores) que também se importam conosco, e que cuidam de nós. Mas para formar e estabilizar essa segunda rede, temos que passar por várias situações um pouco estressantes - desconfiança, traição e por aí vai.
Meu ponto: essa segunda rede é exatamente igual à primeira quanto aos efeitos sobre nós. O que idiotamente chamamos de "liberdade" é uma outra teia de relacionamentos exercendo poder limitante sob alguns aspectos e potencializador sob outros. Não precisamos realmente nos desligar daqueles que nos amam desde criança. Precisamos entender que tipo de efeito potencializador podemos ter nessa rede. Que tipo de apoio pode vir daqueles que nos amam desde recém-nascidos? O melhor possível, quase que indubitavelmente.
A criação da segunda rede afetiva não pode ser desligada da primeira rede. Nossos amigos devem ser conhecidos por nossos pais o máximo possível, bem como nós conhecidos pelos pais de nossos amigos. E devemos, sobretudo, ouvir com muito carinho o que a primeira rede tem a nos falar sobre nossas ações para a formação da segunda. Isto tornará a nossa vida adulta mais confortável, e a rede se formará mais solidamente, sob a supervisão de pessoas bem mais experientes do que nós, em nossa infância e adolescência.
Há um equívoco em nossa definição de liberdade. Vou tentar enunciar alguma coisa que preste, a partir da minha própria análise:
Liberdade é explorar as possibilidades dentro da sua trama existencial, desenvolvendo-a - e não descartando esta trama.
A perspectiva de tempo explorada neste post foi a da minha infância. A linguagem, obviamente, não. É bom ter sempre essa visão de que há uma infinidade de possibilidades para nossas vidas, e pretendo continuar com ela até os cento e vinte anos. Mas não pretendo me afastar dos meus amigos e familiares. Já fiz isso, e o resultado foi uma solidão que não havia experimentado antes. Eu fui um pouco drástico: saí de casa pra morar longe dos meus pais e amigos de infância, conviver com um monte de pessoas novas no trabalho e na faculdade. Hoje, vejo que não precisava ter feito isso. Pudera eu ter ouvido falar dessas coisas quando tinha dez anos de idade. Agora, observo o quanto eu me envolvi comigo mesmo, somente, durante todo esse tempo. Vejo o quanto eu não sei me relacionar com as pessoas à minha volta. Isso tudo podia ter sido muito diferente.
O que me motivou a fazer isso, afinal? Pra mim, as pessoas "antigas" não me entendiam, ou não queriam muito ouvir minhas "viagens". Resolvi procurar outras pessoas, pra descobrir que elas também não me entendiam muito bem... Resolvi, então, viajar sozinho. Custei pra entender que eu precisava mesmo era refazer minha linguagem, para que pudesse transmitir meus pensamentos mais claramente. Agora, vou penar até recuperar um pouco do tempo perdido. Perdido, sob uns aspectos. Ganho, sob outros. No geral, podia ter sido bem melhor.
quinta-feira, junho 08, 2006
Ricos Trabalhando Para Pobres?
Este é, de longe, um dos meus melhores artigos. Leia-o. Diga-me que é um dos piores, e me contrarie com razão, por favor, senão eu vou acreditar que estou certo.
Antes de começar a ler, prepare-se: há algumas conclusões bem instigantes. Mas como se trata de um argumento, não o leve tão a sério: eu apenas esculpi as palavras, para que você pudesse até achar que essa seja a verdade. Outra coisa: não me preocupei em explicar alguns detalhes, então tem coisas implícitas. Denuncie qualquer variável que eu possa não ter mencionado - de repente eu nem vi mesmo. Se você puder pelo menos se divertir com esse texto, meu dia tá feito :-)
Vocês sabem por que a tecnologia evolui? Pra que possamos fazer mais coisas com menos esforço. Se podemos fazer mais coisas com menos esforço, que tal usar o nosso tempo pra produzir coisas que não precisamos consumir? Absurdo, não? É isso o que acontece com o mundo, agora mesmo.
O capitalismo hoje é articulado de maneira a fazer os ricos ficarem muito mais ricos, e os pobres, muito mais pobres. A classe média é empurrada cada vez mais pra baixo, a fim de que seja unida às classes mais básicas. Todas as profissões que requerem um mínimo de especialização tendem a ser aniquiladas pela presença da automação. Se você é dono de uma máquina, então essa máquina é o seu "escravo pessoal". Não há necessidade de trabalhar para que no fim do mês haja dindim na sua conta. Mas se você é assalariado, tem medo de perder seu emprego. Você é sua única força de trabalho.
Sendo um pouco marxista, os assalariados hoje são recompensados com muito, muito menos do que o valor que produzem. O sobressalente vai pra mão dos ricos. Assim, surgem ultra-ricos. Concorda?
Com o poder de consumo aniquilado, as classes mais baixas poderão somente suprir as suas necessidades básicas. Os ricos, ao contrário, terão dinheiro que não poderão gastar. Há um problema conceitual econômico: tudo de maravilhoso que produzimos, sendo supérfluo e paradoxalmente também necessário, estará restrito a um número cada vez menor de pessoas. A diminuição dos mercados fará com que as super-máquinas de produção disputem um número cada vez menor de consumidores. O mercado realmente grande será, de fato, a camada rasteira da população. Mas eles só poderão comprar o que podem comer, o que podem vestir, e o que podem habitar.
Segundo C. K. Prahalad (eu gosto muito desse cara), o mercado mais rico hoje é realmente o da base da pirâmide - os mais pobres. E esse mercado está crescendo. As super companhias de bens super caros já estão concentrando esforços para criar produtos acessíveis a essa camada populacional. Na minha opinião, é um dos reflexos do "enxugamento" das camadas econômicas média e superior. O que é um produto comprável pelas camadas baixas? Qualquer um que diminua seu custo de vida. Ôpa! Custo zero é super bom, não é?? Então, as coisas sairão de graça, no futuro. Duvida? Vide Google.
* Sem mais perguntas, meritíssimo *
Então, os super-ricos terão muito dinheiro, e suas principais inovações serão direcionadas aos mais pobres. Quem tem poder trabalha pra quem não tem. Interessante isso, não é mesmo? A tecnologia vai evoluir naturalmente para satisfazer primariamente àqueles que não tem uma boa situação econômica.
Bom, mas o pobre não pode comprar tudo o que quer, quando quer, é bem verdade. E o povo oprimido para baixo pode estourar em revolta. Mas eu não acredito que isso vá acontecer. Não acredito em nenhuma super-mega-rebelião contra os governos corruptos e os super-ricos.
Com a automação gradual dos governos, por exemplo, naturalmente a corrupção será eliminada. Com a eliminação de guichês humanos de atendimento, por exemplo, não haverá mais aquelas pequenas propinas. No trânsito, temos outro exemplo: você não pode "dar 30 Reais" para um pardal tomar sua cerveja, como fazemos com guardas de trânsito.
Meu argumento é o de que a maneira de enxergar o lucro vai mudar. Você não é dono do mundo mesmo que tenha todo o dinheiro. Se não puder desfrutá-lo durante uma vida inteira, do que adianta tê-lo? E se tiver medo de possuir esse dinheiro - temendo os outros que não o têm - do que adianta? E mais: do que adianta ter todo o dinheiro, se tudo o que pode fazer é continuar tomando conta dele?
Pobres e ricos são escravos de um erro conceitual. E essa característica será a principal causadora da extinção do capitalismo.
A super-máquina da produtividade nos permite deixar de trabalhar forçosamente. E é isso o que devia acontecer. Pouco a pouco, estamos sofrendo transformações incríveis na sociedade, na forma como adquirimos bens e como somos supridos. Essa mania que brasileiro tem de criar feriados é uma boa forma de ver como podemos deixar de ser escravos do trabalho, pouco a pouco.
Em poucas palavras: na Copa, em dia de jogo do Brasil, teremos feriado. Ninguém vai tomar conta das suas contas, ninguém vai deixar de produzir por isso, e todos vão se divertir.
Antes de começar a ler, prepare-se: há algumas conclusões bem instigantes. Mas como se trata de um argumento, não o leve tão a sério: eu apenas esculpi as palavras, para que você pudesse até achar que essa seja a verdade. Outra coisa: não me preocupei em explicar alguns detalhes, então tem coisas implícitas. Denuncie qualquer variável que eu possa não ter mencionado - de repente eu nem vi mesmo. Se você puder pelo menos se divertir com esse texto, meu dia tá feito :-)
Vocês sabem por que a tecnologia evolui? Pra que possamos fazer mais coisas com menos esforço. Se podemos fazer mais coisas com menos esforço, que tal usar o nosso tempo pra produzir coisas que não precisamos consumir? Absurdo, não? É isso o que acontece com o mundo, agora mesmo.
O capitalismo hoje é articulado de maneira a fazer os ricos ficarem muito mais ricos, e os pobres, muito mais pobres. A classe média é empurrada cada vez mais pra baixo, a fim de que seja unida às classes mais básicas. Todas as profissões que requerem um mínimo de especialização tendem a ser aniquiladas pela presença da automação. Se você é dono de uma máquina, então essa máquina é o seu "escravo pessoal". Não há necessidade de trabalhar para que no fim do mês haja dindim na sua conta. Mas se você é assalariado, tem medo de perder seu emprego. Você é sua única força de trabalho.
Sendo um pouco marxista, os assalariados hoje são recompensados com muito, muito menos do que o valor que produzem. O sobressalente vai pra mão dos ricos. Assim, surgem ultra-ricos. Concorda?
Com o poder de consumo aniquilado, as classes mais baixas poderão somente suprir as suas necessidades básicas. Os ricos, ao contrário, terão dinheiro que não poderão gastar. Há um problema conceitual econômico: tudo de maravilhoso que produzimos, sendo supérfluo e paradoxalmente também necessário, estará restrito a um número cada vez menor de pessoas. A diminuição dos mercados fará com que as super-máquinas de produção disputem um número cada vez menor de consumidores. O mercado realmente grande será, de fato, a camada rasteira da população. Mas eles só poderão comprar o que podem comer, o que podem vestir, e o que podem habitar.
Segundo C. K. Prahalad (eu gosto muito desse cara), o mercado mais rico hoje é realmente o da base da pirâmide - os mais pobres. E esse mercado está crescendo. As super companhias de bens super caros já estão concentrando esforços para criar produtos acessíveis a essa camada populacional. Na minha opinião, é um dos reflexos do "enxugamento" das camadas econômicas média e superior. O que é um produto comprável pelas camadas baixas? Qualquer um que diminua seu custo de vida. Ôpa! Custo zero é super bom, não é?? Então, as coisas sairão de graça, no futuro. Duvida? Vide Google.
* Sem mais perguntas, meritíssimo *
Então, os super-ricos terão muito dinheiro, e suas principais inovações serão direcionadas aos mais pobres. Quem tem poder trabalha pra quem não tem. Interessante isso, não é mesmo? A tecnologia vai evoluir naturalmente para satisfazer primariamente àqueles que não tem uma boa situação econômica.
Bom, mas o pobre não pode comprar tudo o que quer, quando quer, é bem verdade. E o povo oprimido para baixo pode estourar em revolta. Mas eu não acredito que isso vá acontecer. Não acredito em nenhuma super-mega-rebelião contra os governos corruptos e os super-ricos.
Com a automação gradual dos governos, por exemplo, naturalmente a corrupção será eliminada. Com a eliminação de guichês humanos de atendimento, por exemplo, não haverá mais aquelas pequenas propinas. No trânsito, temos outro exemplo: você não pode "dar 30 Reais" para um pardal tomar sua cerveja, como fazemos com guardas de trânsito.
Meu argumento é o de que a maneira de enxergar o lucro vai mudar. Você não é dono do mundo mesmo que tenha todo o dinheiro. Se não puder desfrutá-lo durante uma vida inteira, do que adianta tê-lo? E se tiver medo de possuir esse dinheiro - temendo os outros que não o têm - do que adianta? E mais: do que adianta ter todo o dinheiro, se tudo o que pode fazer é continuar tomando conta dele?
Pobres e ricos são escravos de um erro conceitual. E essa característica será a principal causadora da extinção do capitalismo.
A super-máquina da produtividade nos permite deixar de trabalhar forçosamente. E é isso o que devia acontecer. Pouco a pouco, estamos sofrendo transformações incríveis na sociedade, na forma como adquirimos bens e como somos supridos. Essa mania que brasileiro tem de criar feriados é uma boa forma de ver como podemos deixar de ser escravos do trabalho, pouco a pouco.
Em poucas palavras: na Copa, em dia de jogo do Brasil, teremos feriado. Ninguém vai tomar conta das suas contas, ninguém vai deixar de produzir por isso, e todos vão se divertir.
sexta-feira, abril 07, 2006
Ágata II
Há muito tempo descrevi os talentos de uma mulher fenomenal, que não era de nada. Segue aqui a continuação de um fiasco de gente:
Ágata chegara desta vez no Planetário da Gávea, precisamente às 22:00 de uma Quinta-Feira. Estupenda, com seu vestidinho preto bem curto, de alcinhas, botas pretas e gigantes, sua pele muito branca e seu sorriso clássico. Desta vez, ela encarnava uma gótica, que vinha serelepe, acompanhada de sua outra amiga gótica. É óbvio que me chamou atenção o fato de que a única peça de roupa que tinha alguma cor era a meia três-quartos, que alternava listras horizontais amarelas e pretas. Estava praticamente travestida de abelha.
De repente, pensei: "onde será que ela esconde o mel?". Exercitem, pensem bem e respondam.
Pra completar a produção, havia uma tatuagenzinha aqui, outra ali, e mais uma enorme acolá, na metade das costas, que eu não sabia o que era, apesar do tamanho.
Quando disse "serelepe", eu estava falando sério: as duas vinham andando como duas Alices, dando pulinhos e levantando os braços, como se fossem muito, muito leves. Achei estranho, até porque me parecia que Ágata estava ligeiramente acima do peso. Mas continuava linda. Bom, esse pessoal de preto é assim mesmo.
Ela se sentou na mesa oposta à minha, exatamente de frente pra mim. Não preciso dizer que logo olhei pro óbvio: suas pernas desprotegidas, por baixo da mesa. Com um monte de amigos na minha mesa, e um visual desses, estava me sentindo muito bem. E ainda tinha um show por assistir.
Cigarros, cigarros, cigarros... É impressionante como um monte de gente que fuma costuma espantar a fumaça depois de soprar o que tragou. Ora, não é bom fumar? Pra que espantar a névoa??
Caipirinha, caipirinha, caipirinha... Isso seria o de menos, se não exagerasse.
Nos primeiros estágios da bebedeira, falava alto, e brincava lucidamente. Gargalhava de forma natural e parecia bem disposta. Chegou o primeiro atacante: um neguinho de tranças curtinhas. Cumprimentou e foi logo roubando-lhe um beijo. Ela desviou, fez que não gostou, ergueu um sinal da cruz com os dedos na direção do rapaz, que seguia pra comprimentar outra pessoa da mesa. Ficou vários minutos com cara de desgosto, e eu já sabia que o óbvio mais tarde chegaria.
Quem desdenha quer comprar...
Cruzada de perna pra lá, cruzada de perna pra cá, e começaram os sinais da falta de decoro e elegância: olhos pesados e aquela piscadinha lenta. Tudo bem, isso ainda é tranqüilo. Conversando com um rapaz baixote de cabelos meio sarará, começou a sorrir demais e deu um abraço no maluco, que tascou-lhe um beijo. Não foi um beijão não, foi só um beijo, mas retribuído. Seria o primeiro da noite. De língua, que não me pareceu muito bem dado, mas que foi bonito. Valeu o primeiro round. O cara beijou e foi embora. Assim, como se fosse comum se despedir com um colante.
"Pô, depois vou lá me despedir também." - Pensei, no ato.
Passados vários minutos, Ágata já mostrava pra que tinha vindo. Em curtas palavras: arreganhada na mesa, na mão do palhaço. E quem volta? O neguinho. Sentou na mesa, fez umas brincadeiras, puxou a branquela e slurp! Segundo da noite! Ela era linda, e podia ter qualquer um que desejasse mesmo... Por que não dois? Bom, desse ela tinha se desfeito anteriormente. Mas o nego mandou bem. Num bom brasilês: bagunçou a mulher de verde e amarelo! Bom, na verdade, o nego bagunçou a mulher de preto-e-amarelo. Começou devagar, com aquele jeito de quem sabe o que tá fazendo. Mas depois de dez minutos... Sinceramente, acho que as pessoas pagam pra ver shows assim. E ali, pra mim, foi de graça.
Agora, o que eu fazia, enquanto aquele espetáculo rolava bem na minha frente? Conversávamos na mesa sobre Nietzsche, O Guia do Mochileiro das Galáxias, Platão, Matéria Escura, Sistemas Auto-Organizados e sobre a brilhante conclusão de um amigo: o analista de sistemas alimenta dentro de si uma grande esquizofrenia. Eu dei razão - a pouca que havia me restado.
É bem verdade que o show estava bom. Mas tava tão óbvio ali, a dois metros de distância, que eu, de repente, me desliguei deles. E era bom que me desligasse, porque nem só de olhar vive o homem. Voltei toda a atenção pra minha mesa, e não vi mais o que aconteceu com os dois.
Ao partir, fui cumprimentar algumas pessoas da mesa onde ela estava - eram conhecidos meus. Quando me voltei pra ela, vi um pudim de gente, que não conseguia falar direito com os outros: um misto de entorpecente com sono e tesão, agarrada ao negão.
Não há muita conclusão ou especulação na história. Há só o fato. Ignoro o porquê, e também não me interessa. Eu desdenho, mas como ela também não vale muito, não vou nem pechinchar.

Ágata chegara desta vez no Planetário da Gávea, precisamente às 22:00 de uma Quinta-Feira. Estupenda, com seu vestidinho preto bem curto, de alcinhas, botas pretas e gigantes, sua pele muito branca e seu sorriso clássico. Desta vez, ela encarnava uma gótica, que vinha serelepe, acompanhada de sua outra amiga gótica. É óbvio que me chamou atenção o fato de que a única peça de roupa que tinha alguma cor era a meia três-quartos, que alternava listras horizontais amarelas e pretas. Estava praticamente travestida de abelha.
De repente, pensei: "onde será que ela esconde o mel?". Exercitem, pensem bem e respondam.
Pra completar a produção, havia uma tatuagenzinha aqui, outra ali, e mais uma enorme acolá, na metade das costas, que eu não sabia o que era, apesar do tamanho.
Quando disse "serelepe", eu estava falando sério: as duas vinham andando como duas Alices, dando pulinhos e levantando os braços, como se fossem muito, muito leves. Achei estranho, até porque me parecia que Ágata estava ligeiramente acima do peso. Mas continuava linda. Bom, esse pessoal de preto é assim mesmo.
Ela se sentou na mesa oposta à minha, exatamente de frente pra mim. Não preciso dizer que logo olhei pro óbvio: suas pernas desprotegidas, por baixo da mesa. Com um monte de amigos na minha mesa, e um visual desses, estava me sentindo muito bem. E ainda tinha um show por assistir.
Cigarros, cigarros, cigarros... É impressionante como um monte de gente que fuma costuma espantar a fumaça depois de soprar o que tragou. Ora, não é bom fumar? Pra que espantar a névoa??
Caipirinha, caipirinha, caipirinha... Isso seria o de menos, se não exagerasse.
Nos primeiros estágios da bebedeira, falava alto, e brincava lucidamente. Gargalhava de forma natural e parecia bem disposta. Chegou o primeiro atacante: um neguinho de tranças curtinhas. Cumprimentou e foi logo roubando-lhe um beijo. Ela desviou, fez que não gostou, ergueu um sinal da cruz com os dedos na direção do rapaz, que seguia pra comprimentar outra pessoa da mesa. Ficou vários minutos com cara de desgosto, e eu já sabia que o óbvio mais tarde chegaria.
Quem desdenha quer comprar...
Cruzada de perna pra lá, cruzada de perna pra cá, e começaram os sinais da falta de decoro e elegância: olhos pesados e aquela piscadinha lenta. Tudo bem, isso ainda é tranqüilo. Conversando com um rapaz baixote de cabelos meio sarará, começou a sorrir demais e deu um abraço no maluco, que tascou-lhe um beijo. Não foi um beijão não, foi só um beijo, mas retribuído. Seria o primeiro da noite. De língua, que não me pareceu muito bem dado, mas que foi bonito. Valeu o primeiro round. O cara beijou e foi embora. Assim, como se fosse comum se despedir com um colante.
"Pô, depois vou lá me despedir também." - Pensei, no ato.
Passados vários minutos, Ágata já mostrava pra que tinha vindo. Em curtas palavras: arreganhada na mesa, na mão do palhaço. E quem volta? O neguinho. Sentou na mesa, fez umas brincadeiras, puxou a branquela e slurp! Segundo da noite! Ela era linda, e podia ter qualquer um que desejasse mesmo... Por que não dois? Bom, desse ela tinha se desfeito anteriormente. Mas o nego mandou bem. Num bom brasilês: bagunçou a mulher de verde e amarelo! Bom, na verdade, o nego bagunçou a mulher de preto-e-amarelo. Começou devagar, com aquele jeito de quem sabe o que tá fazendo. Mas depois de dez minutos... Sinceramente, acho que as pessoas pagam pra ver shows assim. E ali, pra mim, foi de graça.
Agora, o que eu fazia, enquanto aquele espetáculo rolava bem na minha frente? Conversávamos na mesa sobre Nietzsche, O Guia do Mochileiro das Galáxias, Platão, Matéria Escura, Sistemas Auto-Organizados e sobre a brilhante conclusão de um amigo: o analista de sistemas alimenta dentro de si uma grande esquizofrenia. Eu dei razão - a pouca que havia me restado.
É bem verdade que o show estava bom. Mas tava tão óbvio ali, a dois metros de distância, que eu, de repente, me desliguei deles. E era bom que me desligasse, porque nem só de olhar vive o homem. Voltei toda a atenção pra minha mesa, e não vi mais o que aconteceu com os dois.
Ao partir, fui cumprimentar algumas pessoas da mesa onde ela estava - eram conhecidos meus. Quando me voltei pra ela, vi um pudim de gente, que não conseguia falar direito com os outros: um misto de entorpecente com sono e tesão, agarrada ao negão.
Não há muita conclusão ou especulação na história. Há só o fato. Ignoro o porquê, e também não me interessa. Eu desdenho, mas como ela também não vale muito, não vou nem pechinchar.
domingo, janeiro 08, 2006
Que Seja Infinito Enquanto Dure
Não é que hoje não haja amor eterno. É que ele nunca houve.
O jeito de amar está intimamente ligado ao meio de produção. Amar é em parte uma conveniência que acompanha a economia na nossa sociedade, assim como todas as formas de relacionamento entre pessoas.
Quantos "melhores amigos" você já teve nos vários ambientes onde viveu?
"Amor eterno" foi algo que as gerações passadas nos ensinaram, e que definitivamente funcionava pra época. Afinal, falar em eternidade é fácil pra quem vive estavelmente durante 60 anos, morre, e depois não diz pra ninguém se continua casado lá do outro lado. É bem tranqüilo pra gente perceber "eternidade" quando o casamento começou em algum ponto da vida dos nossos avós e existiu até suas mortes. É, é bem fácil confundir 40 anos de relacionamento com eternidade. E se eles se divorciassem 1 ano antes de morrerem? Vai dizer que o casamento não deu certo? Ou que não houve amor de verdade?
Por que as pessoas choraram tanto quando Elvis morreu, razoavelmente jovem? Ou Charlie Parker? Ou John Lennon? Ou John Kennedy? Naquela época, era esperado que se fizesse algo grandioso durante 30 anos ou mais. Havia uma sensação enorme da perda de tudo o que essa pessoa poderia ter feito. Amor é sempre algo muito grandioso que é relativamente fácil de ser vivido por qualquer um. É o sonho de "mudar o mundo" mais fácil de se realizar, com certeza. Retificando: "mais fácil" não, "menos difícil".
Hoje, algo grandioso deve ser feito em 1 ou 2 anos.
Quantos novos famosos ganham as telas todos os dias?
E por que o amor continua tendo que ser até a morte?
De maneira similar, um amor grandioso pode ser vivido em pouco tempo. Se temos tantas incertezas todos os dias, temos que arrumar um jeito de amar direito. Somos muito passivos com relação ao amor, e acho que essa não é a postura correta. É como uma gripe: você é alvo dela. Bom, se você se desproteger, vai estar muito mais suscetível à doença. Pensa só: você pode estar um pouco mais aberto ao amor, e deixá-lo acontecer. Não é garantido, mas aumenta suas chances. Com tão pouco tempo pra aproveitar, por que outorgar a uma única pessoa em sua vida inteira o direito de ser seu amor? E se essa pessoa te trai? E se ela se vai? E se ela morre? E se ela não te aceita? Como é que você fica? Não estou dizendo que você "escolhe o amor". Mas que você pode esquecer algum que não tá mais na área... Ah, com certeza sim!
Pra mim, é burrice atribuir um título para todo o sempre a uma única pessoa que é decadente como tudo mais nesse mundo.
O jeito de amar é sempre diferente, dependendo do casal. É como misturar diferentes tipos de leite com diferentes tipos de café, colocando açúcar a gosto e bebendo na temperatura que mais agrada. Sim, você também tem o seu tipo preferido de café, e eu não te culpo por isso. Mas dizer que 1 em 3 bilhões de tipos de café é com certeza o que mais te agrada? Será que dá pra comparar cada sabor com todos os outros? Alguns tipos de bebidas são inesquecíveis, e te proporcionam um prazer completamente diferente do outro. Igualzinho ao amor: podemos ter diferentes amores de verdade ao longo de nossas vidas. Cada um com sua marquinha especial, que é única.
Você pode até pensar que sou promíscuo. Mas ninguém pode dizer de mim que me embriago com vários "amores". Isso seria um vício muito feio; certamente uma subversão do significado disso tudo que estou dizendo, e estaria promovendo a banalização do termo. Promiscuidade é algo que tá por aí: todo mundo beija 30 bocas em qualquer micareta. É óbvio, não é disso que estou falando. Falo de ter aquele abraço onde você parece estar flutuando. Daquele carinho que parece conhecer cada detalhe do que você prefere. Acha mesmo que apenas uma pessoa no mundo te proporcionaria isso? Leva tempo, mas você encontraria seu amor em qualquer parte do mundo.
A não-eternidade do amor pode não ser a "verdade verdadeira", sabe? Pode apenas ser uma resposta que inventei pra me satisfazer. Mas pra mim, funciona. Bom... Na verdade, funciona mais ou menos.
Como todo mundo tem sua dose de hipocrisia, eu também acredito que um dia vá aparecer 'aquele' amor, e que dure mais de trinta anos. Ou seja: eternamente. Mas não digo que um amor que durou pouco tempo não tenha sido amor verdadeiro. Nem insisto em forçar a barra, dizendo que um amor que foi verdadeiro ainda o é, sabendo que pensar nele só me faz mal, e achar que esse mal é temporário. O desencanto pode fazer tudo vir abaixo, mas em algum momento da minha vida, foi o sentimento mais puro que tive. Não nego, e não pestanejo em dizer: foi amor de verdade.

O jeito de amar está intimamente ligado ao meio de produção. Amar é em parte uma conveniência que acompanha a economia na nossa sociedade, assim como todas as formas de relacionamento entre pessoas.
Quantos "melhores amigos" você já teve nos vários ambientes onde viveu?
"Amor eterno" foi algo que as gerações passadas nos ensinaram, e que definitivamente funcionava pra época. Afinal, falar em eternidade é fácil pra quem vive estavelmente durante 60 anos, morre, e depois não diz pra ninguém se continua casado lá do outro lado. É bem tranqüilo pra gente perceber "eternidade" quando o casamento começou em algum ponto da vida dos nossos avós e existiu até suas mortes. É, é bem fácil confundir 40 anos de relacionamento com eternidade. E se eles se divorciassem 1 ano antes de morrerem? Vai dizer que o casamento não deu certo? Ou que não houve amor de verdade?
Por que as pessoas choraram tanto quando Elvis morreu, razoavelmente jovem? Ou Charlie Parker? Ou John Lennon? Ou John Kennedy? Naquela época, era esperado que se fizesse algo grandioso durante 30 anos ou mais. Havia uma sensação enorme da perda de tudo o que essa pessoa poderia ter feito. Amor é sempre algo muito grandioso que é relativamente fácil de ser vivido por qualquer um. É o sonho de "mudar o mundo" mais fácil de se realizar, com certeza. Retificando: "mais fácil" não, "menos difícil".
Hoje, algo grandioso deve ser feito em 1 ou 2 anos.
Quantos novos famosos ganham as telas todos os dias?
E por que o amor continua tendo que ser até a morte?
De maneira similar, um amor grandioso pode ser vivido em pouco tempo. Se temos tantas incertezas todos os dias, temos que arrumar um jeito de amar direito. Somos muito passivos com relação ao amor, e acho que essa não é a postura correta. É como uma gripe: você é alvo dela. Bom, se você se desproteger, vai estar muito mais suscetível à doença. Pensa só: você pode estar um pouco mais aberto ao amor, e deixá-lo acontecer. Não é garantido, mas aumenta suas chances. Com tão pouco tempo pra aproveitar, por que outorgar a uma única pessoa em sua vida inteira o direito de ser seu amor? E se essa pessoa te trai? E se ela se vai? E se ela morre? E se ela não te aceita? Como é que você fica? Não estou dizendo que você "escolhe o amor". Mas que você pode esquecer algum que não tá mais na área... Ah, com certeza sim!
Pra mim, é burrice atribuir um título para todo o sempre a uma única pessoa que é decadente como tudo mais nesse mundo.
O jeito de amar é sempre diferente, dependendo do casal. É como misturar diferentes tipos de leite com diferentes tipos de café, colocando açúcar a gosto e bebendo na temperatura que mais agrada. Sim, você também tem o seu tipo preferido de café, e eu não te culpo por isso. Mas dizer que 1 em 3 bilhões de tipos de café é com certeza o que mais te agrada? Será que dá pra comparar cada sabor com todos os outros? Alguns tipos de bebidas são inesquecíveis, e te proporcionam um prazer completamente diferente do outro. Igualzinho ao amor: podemos ter diferentes amores de verdade ao longo de nossas vidas. Cada um com sua marquinha especial, que é única.
Você pode até pensar que sou promíscuo. Mas ninguém pode dizer de mim que me embriago com vários "amores". Isso seria um vício muito feio; certamente uma subversão do significado disso tudo que estou dizendo, e estaria promovendo a banalização do termo. Promiscuidade é algo que tá por aí: todo mundo beija 30 bocas em qualquer micareta. É óbvio, não é disso que estou falando. Falo de ter aquele abraço onde você parece estar flutuando. Daquele carinho que parece conhecer cada detalhe do que você prefere. Acha mesmo que apenas uma pessoa no mundo te proporcionaria isso? Leva tempo, mas você encontraria seu amor em qualquer parte do mundo.
A não-eternidade do amor pode não ser a "verdade verdadeira", sabe? Pode apenas ser uma resposta que inventei pra me satisfazer. Mas pra mim, funciona. Bom... Na verdade, funciona mais ou menos.
Como todo mundo tem sua dose de hipocrisia, eu também acredito que um dia vá aparecer 'aquele' amor, e que dure mais de trinta anos. Ou seja: eternamente. Mas não digo que um amor que durou pouco tempo não tenha sido amor verdadeiro. Nem insisto em forçar a barra, dizendo que um amor que foi verdadeiro ainda o é, sabendo que pensar nele só me faz mal, e achar que esse mal é temporário. O desencanto pode fazer tudo vir abaixo, mas em algum momento da minha vida, foi o sentimento mais puro que tive. Não nego, e não pestanejo em dizer: foi amor de verdade.
sexta-feira, julho 22, 2005
Capítulo e Tanto (Monobloco)
Acabo de chegar do show do Monobloco, no Circo Voador.
Combinei de reencontrar uma amiga que não vejo há uns 6 anos. Tudo muito bem, tudo muito bom, nos ligamos e eu chego ao local, às 23h. Estão nos Arcos da Lapa a própria e mais 4 amigas. Cheguei só, e elas não estavam esperando ninguém. Eu e mais 5 mulheres gatíssimas, muito alegres e saltitantes. Beberam alguma coisa pra calibrar e entramos.
Tudo muito bem, tudo muito bom, a pista estava vazia, e lá vão os 6 pro picadeiro. Tocava um funk pesadíssimo, e lá fui eu dançar com as ladies. 5 aluninhas de direito da UFF. Você me pergunta: "Ué, você dançando funk?!"... E eu até agora me perguntando como eu lembro do estilo que tocava, dado que a distração estava excelente. ;)
Me lembro da frase da minha amiga:
"Elas bebem pouco. Eu tomei 4 tequilas, e pra mim tá tranqüilo, não preciso beber mais nada durante a noite. As outras são mais fracas"....
Onde estaria o tal Monobloco? Devia estar fazendo uma obturação antes de entrar no palco, e pelo visto, era esse o costume:
"...No último show que fui deles, eles só entraram às 3 da manhã...".
Primeiro sinal de que algo ia errado: minha amiga e as amigas de esbarravam e se apoiavam umas nas outras pra dançar. Ok, fingi que não vi o estado alcoólico. 1 hora de 'show' e só dava funk. O picadeiro encheu de palhaços pra participar daquele tribalismo, que infelizmente tenho que celebrar como cultura nacional. Eu, com uma camisa escrita "Atitude Carioca - Bossa Nova", começava a me sentir um alienado diante daquela atitude carioquíssima e contemporânea.
"...Vou levar a Josefina no banheiro, ela não tá bem. Avise às outras meninas."
Revi mentalmente o que poderia ter levado Josefina a se sentir mal. 500ml de caipirinha? Não, não... Ela tomou algumas outras coisas antes de entrar com aquele copo enorme e cheio na mão.
Começaram a subir no palco MC Fulaninho, MC Sei-lá-o-quê, MC Malandrão-de-boné-pra-trás e outros decadentes que sobrevivem dividindo o que ganham com a nostalgia dos funks antigos (menos pior do que os atuais). Devia ter mais gente pra subir no palco do que pagantes do show (show do Monobloco!). O cheiro de maconha aumentou. Os DJs eram risíveis, e não tinham a mínima noção de ritmo. Como podiam ser pagos por aquilo? Naquela altura do campeonato, ninguém mais tinha senso crítico, então até o Genival Lacerda ou o Tiririca podiam subir que não ia fazer diferença.
Cansei. Me afastei um pouco da galera e comecei a me perguntar o que estava fazendo ali, olhando em volta e reparando em tudo o que pudesse. Dançando só pra dizer que dançava, mas com a cabeça longe. Me perguntei: "Cadê o Monobloco"? Tive meu primeiro acesso de gargalhadas sem sentido.
1 hora da manhã as amigas da minha amiga começam a ficar preocupadas. E eu, com sede (já fazendo idéia do que estava acontecendo: elas estavam na enfermaria). Fui com Gurmecinda comprar água e procurar as outras duas. Me deram a bolsa da Josefina, e a partir daí, comecem a contar enquanto a história continua. Fiquei mais 1 hora com a linda bolsa feminina no ombro, andando pra lá e pra cá. Nesse momento, outros dois caras se juntam ao grupo, e é claro, ficaram tomando conta das duas que ainda estavam dançando.
A partir de agora, a história fica trash.
Procura pra lá e pra cá, telefonemas não respondidos e nada da minha amiga Herundina com a Josefina. Guilhermina chegou até nós acompanhada de seu consorte, e eu comecei a me preocupar: o Monobloco...
Guilhermina ligou e Herundina atendeu. Descobriu-se a América: Herundina e Josefina estavam... Na enfermaria. Pensei: "ah, é..."
Essas histórias de bebedeiras são sempre assim: todo mundo tenta explicar pra todo mundo como se deve beber. E aí, brotaram vários phds em alcoolismo de todos os lugares. Do bar até a enfermaria foram uns 10, tentando me ensinar como se "beber direito".
As duas estavam num estado lastimável. Olhei pra minha amiga, que estava sentada e com aquela cara-de-bunda-básica-da-bebedeira-pós-vômito (com o chão sujo aos seus pés como prova), e disse: "Dina, você está linda!" (Dina é diminutivo pra Herundina). A Josefina não respondia. Tava viajando demais das idéias, deitada na maca. Tive meu segundo acesso de gargalhadas sem sentido.
A logística foi excelente. Depois de vomitarem o suficiente pra sujar todo o chão da enfermaria, foram levadas pra fora. Começou o tão aclamado Monobloco (que deve estar rolando até agora, enquanto escrevo). Pronto; agora eu já OUVI o Monobloco. As amigas que não foram até a enfermaria pra vomitar começaram a beijar e dançar forró com seus respectivos ficantes. Um dos ficantes reagiu mal ao convite do segurança para que se retirassem daquela área, que não era nenhum ficadouro, nem tampouco um ficódromo, apesar de ter paredes convidativas e espaçosas. "Agora o Circo Voador tem dois ambientes", pensei. Somado aos dois seguranças, todos aqueles sujeitos que tinham subido no palco nos expulsaram gentilmente da área da enfermaria. Os funkeiros introdutores do Monobloco eram seguranças nas horas vagas, e quase desceram o cacete em todo mundo.
Saindo da *#(%*$*%#$* do show, as minhas duas amigas trêbadas (a que não via há 6 anos era uma delas, só pra recapitular) saíram com a minha ajuda e da Gurmecinda (e aí, leitor? Tá acompanhando os nomes direitinho?). Fiquei com saudade de ouvir Flora Purim, no disco Light as a Feather do Chick Corea. Na saída, acabei me distanciando de Gurmecinda e Josefina. Virando a esquina, estava a Josefina sentada num carro qualquer e... (arregalando os olhos) Gurmecinda de amasso com um sujeito-mal-encarado-com-barba-por-fazer no muro do Circo. Praticamente um novo número, no meio da rua.
Pensamento instantâneo: "get a room"...
Fui apoiar Josefina. Pronto: eu tomando conta de duas trêbadas reclamando de frio, assistindo um casal que se formou naquele instante porque... Porque a Terra é redonda. Tive meu terceiro acesso de gargalhadas sem sentido.
Aguardados 5 minutos (pronto, já não estou com a bolsa feminina no ombro), fomos pro carro de Josefina, que se dizia bem pra dirigir atravessando a Rio-Niterói. Meu quarto acesso de gargalhadas. Agora com sentido. Besteira pouca, ela estava bem mesmo era pra jogar o carro naágua e beber toda a Baía de Guanabara!
Um grupo de uns 6 homenzinhos-de-vinte-e-quatro-anos-que-zoam-todos-na-noite abordou a todos nós, jogando verde pras trêbadas. Nesse ínterim, fiquei sabendo que Raimundo, o sujeito-mal-encarado-com-barba-por-fazer, é ex-namorado de Gurmecinda (ufa!). Pronto. Um dos idiotinhas se declara para Josefina, dizendo que "sério, tava a fim de te conhecer" blablabla...
Josefina começou a cantar uma paródia difamatória pro nosso querido presidente dos Mensalões. Descobri então que era ativista política.
Saca o diálogo:
[Josefina] - Qual é seu partido?
[homenzinho] - PDT.
[Josefina] - Sai daqui. Não beijo homens de direita.
[homenzinho] - Mas eu sou esquerda... Falando sério.
[Josefina] - Então sai daqui. Não beijo idiotas. PDT é direita.
[homenzinho] - Mas não tou falando de beijar... Queria mesmo só te conhecer, conversar contigo... - Ele me comoveu.
[Josefina] - Vem - abaixando o banco do carona - Senta aqui, pra gente beijar.
Um sujeito fino trato, que chegara altamente delicado, de repente entra no carro com uma cara de cachorro de rua esfomeado e beija a vomitada Josefina. Aquele beijo bem dado, que me provocou minha quinta crise de gargalhadas. E a enésima dos outros homenzinhos.
Resumo da ópera: saí ileso do local. Minha amiga foi levada pra sua casa, em Nikity, na companhia de todos aqueles casais formados. Ah, minto. Josefina, depois que beijou o homenzinho-orgulho-do-papai, sumariamente expulsou o coitado do carro. E ainda me inquiriu, perguntando por que eu a tinha deixado fazer aquilo! :s
Tive minha sexta crise de gargalhadas.
Impressionante era ouvir de todas elas assim: "eu nunca tinha feito isso antes"... Será que acredito?
Sóbrio, sobrando etc etc... Mas feliz de ter reencontrado uma amiga minha de muito tempo atrás, de ter conhecido várias pessoas novas, e de ter uma história punk na cabeça pra escrever. Não aumentei uma palavra, essa história acabou de acontecer, eu acabei de chegar em casa, e você deve estar embasbacado com a furada em que me meti. É óbvio que estou usando pseudônimos, com exceção de um dos personagens... Consegue adivinhar qual?
Salvos os cegos, eu fui o único que já presenciou, mas nunca viu o Monobloco.

Combinei de reencontrar uma amiga que não vejo há uns 6 anos. Tudo muito bem, tudo muito bom, nos ligamos e eu chego ao local, às 23h. Estão nos Arcos da Lapa a própria e mais 4 amigas. Cheguei só, e elas não estavam esperando ninguém. Eu e mais 5 mulheres gatíssimas, muito alegres e saltitantes. Beberam alguma coisa pra calibrar e entramos.
Tudo muito bem, tudo muito bom, a pista estava vazia, e lá vão os 6 pro picadeiro. Tocava um funk pesadíssimo, e lá fui eu dançar com as ladies. 5 aluninhas de direito da UFF. Você me pergunta: "Ué, você dançando funk?!"... E eu até agora me perguntando como eu lembro do estilo que tocava, dado que a distração estava excelente. ;)
Me lembro da frase da minha amiga:
"Elas bebem pouco. Eu tomei 4 tequilas, e pra mim tá tranqüilo, não preciso beber mais nada durante a noite. As outras são mais fracas"....
Onde estaria o tal Monobloco? Devia estar fazendo uma obturação antes de entrar no palco, e pelo visto, era esse o costume:
"...No último show que fui deles, eles só entraram às 3 da manhã...".
Primeiro sinal de que algo ia errado: minha amiga e as amigas de esbarravam e se apoiavam umas nas outras pra dançar. Ok, fingi que não vi o estado alcoólico. 1 hora de 'show' e só dava funk. O picadeiro encheu de palhaços pra participar daquele tribalismo, que infelizmente tenho que celebrar como cultura nacional. Eu, com uma camisa escrita "Atitude Carioca - Bossa Nova", começava a me sentir um alienado diante daquela atitude carioquíssima e contemporânea.
"...Vou levar a Josefina no banheiro, ela não tá bem. Avise às outras meninas."
Revi mentalmente o que poderia ter levado Josefina a se sentir mal. 500ml de caipirinha? Não, não... Ela tomou algumas outras coisas antes de entrar com aquele copo enorme e cheio na mão.
Começaram a subir no palco MC Fulaninho, MC Sei-lá-o-quê, MC Malandrão-de-boné-pra-trás e outros decadentes que sobrevivem dividindo o que ganham com a nostalgia dos funks antigos (menos pior do que os atuais). Devia ter mais gente pra subir no palco do que pagantes do show (show do Monobloco!). O cheiro de maconha aumentou. Os DJs eram risíveis, e não tinham a mínima noção de ritmo. Como podiam ser pagos por aquilo? Naquela altura do campeonato, ninguém mais tinha senso crítico, então até o Genival Lacerda ou o Tiririca podiam subir que não ia fazer diferença.
Cansei. Me afastei um pouco da galera e comecei a me perguntar o que estava fazendo ali, olhando em volta e reparando em tudo o que pudesse. Dançando só pra dizer que dançava, mas com a cabeça longe. Me perguntei: "Cadê o Monobloco"? Tive meu primeiro acesso de gargalhadas sem sentido.
1 hora da manhã as amigas da minha amiga começam a ficar preocupadas. E eu, com sede (já fazendo idéia do que estava acontecendo: elas estavam na enfermaria). Fui com Gurmecinda comprar água e procurar as outras duas. Me deram a bolsa da Josefina, e a partir daí, comecem a contar enquanto a história continua. Fiquei mais 1 hora com a linda bolsa feminina no ombro, andando pra lá e pra cá. Nesse momento, outros dois caras se juntam ao grupo, e é claro, ficaram tomando conta das duas que ainda estavam dançando.
A partir de agora, a história fica trash.
Procura pra lá e pra cá, telefonemas não respondidos e nada da minha amiga Herundina com a Josefina. Guilhermina chegou até nós acompanhada de seu consorte, e eu comecei a me preocupar: o Monobloco...
Guilhermina ligou e Herundina atendeu. Descobriu-se a América: Herundina e Josefina estavam... Na enfermaria. Pensei: "ah, é..."
Essas histórias de bebedeiras são sempre assim: todo mundo tenta explicar pra todo mundo como se deve beber. E aí, brotaram vários phds em alcoolismo de todos os lugares. Do bar até a enfermaria foram uns 10, tentando me ensinar como se "beber direito".
As duas estavam num estado lastimável. Olhei pra minha amiga, que estava sentada e com aquela cara-de-bunda-básica-da-bebedeira-pós-vômito (com o chão sujo aos seus pés como prova), e disse: "Dina, você está linda!" (Dina é diminutivo pra Herundina). A Josefina não respondia. Tava viajando demais das idéias, deitada na maca. Tive meu segundo acesso de gargalhadas sem sentido.
A logística foi excelente. Depois de vomitarem o suficiente pra sujar todo o chão da enfermaria, foram levadas pra fora. Começou o tão aclamado Monobloco (que deve estar rolando até agora, enquanto escrevo). Pronto; agora eu já OUVI o Monobloco. As amigas que não foram até a enfermaria pra vomitar começaram a beijar e dançar forró com seus respectivos ficantes. Um dos ficantes reagiu mal ao convite do segurança para que se retirassem daquela área, que não era nenhum ficadouro, nem tampouco um ficódromo, apesar de ter paredes convidativas e espaçosas. "Agora o Circo Voador tem dois ambientes", pensei. Somado aos dois seguranças, todos aqueles sujeitos que tinham subido no palco nos expulsaram gentilmente da área da enfermaria. Os funkeiros introdutores do Monobloco eram seguranças nas horas vagas, e quase desceram o cacete em todo mundo.
Saindo da *#(%*$*%#$* do show, as minhas duas amigas trêbadas (a que não via há 6 anos era uma delas, só pra recapitular) saíram com a minha ajuda e da Gurmecinda (e aí, leitor? Tá acompanhando os nomes direitinho?). Fiquei com saudade de ouvir Flora Purim, no disco Light as a Feather do Chick Corea. Na saída, acabei me distanciando de Gurmecinda e Josefina. Virando a esquina, estava a Josefina sentada num carro qualquer e... (arregalando os olhos) Gurmecinda de amasso com um sujeito-mal-encarado-com-barba-por-fazer no muro do Circo. Praticamente um novo número, no meio da rua.
Pensamento instantâneo: "get a room"...
Fui apoiar Josefina. Pronto: eu tomando conta de duas trêbadas reclamando de frio, assistindo um casal que se formou naquele instante porque... Porque a Terra é redonda. Tive meu terceiro acesso de gargalhadas sem sentido.
Aguardados 5 minutos (pronto, já não estou com a bolsa feminina no ombro), fomos pro carro de Josefina, que se dizia bem pra dirigir atravessando a Rio-Niterói. Meu quarto acesso de gargalhadas. Agora com sentido. Besteira pouca, ela estava bem mesmo era pra jogar o carro naágua e beber toda a Baía de Guanabara!
Um grupo de uns 6 homenzinhos-de-vinte-e-quatro-anos-que-zoam-todos-na-noite abordou a todos nós, jogando verde pras trêbadas. Nesse ínterim, fiquei sabendo que Raimundo, o sujeito-mal-encarado-com-barba-por-fazer, é ex-namorado de Gurmecinda (ufa!). Pronto. Um dos idiotinhas se declara para Josefina, dizendo que "sério, tava a fim de te conhecer" blablabla...
Josefina começou a cantar uma paródia difamatória pro nosso querido presidente dos Mensalões. Descobri então que era ativista política.
Saca o diálogo:
[Josefina] - Qual é seu partido?
[homenzinho] - PDT.
[Josefina] - Sai daqui. Não beijo homens de direita.
[homenzinho] - Mas eu sou esquerda... Falando sério.
[Josefina] - Então sai daqui. Não beijo idiotas. PDT é direita.
[homenzinho] - Mas não tou falando de beijar... Queria mesmo só te conhecer, conversar contigo... - Ele me comoveu.
[Josefina] - Vem - abaixando o banco do carona - Senta aqui, pra gente beijar.
Um sujeito fino trato, que chegara altamente delicado, de repente entra no carro com uma cara de cachorro de rua esfomeado e beija a vomitada Josefina. Aquele beijo bem dado, que me provocou minha quinta crise de gargalhadas. E a enésima dos outros homenzinhos.
Resumo da ópera: saí ileso do local. Minha amiga foi levada pra sua casa, em Nikity, na companhia de todos aqueles casais formados. Ah, minto. Josefina, depois que beijou o homenzinho-orgulho-do-papai, sumariamente expulsou o coitado do carro. E ainda me inquiriu, perguntando por que eu a tinha deixado fazer aquilo! :s
Tive minha sexta crise de gargalhadas.
Impressionante era ouvir de todas elas assim: "eu nunca tinha feito isso antes"... Será que acredito?
Sóbrio, sobrando etc etc... Mas feliz de ter reencontrado uma amiga minha de muito tempo atrás, de ter conhecido várias pessoas novas, e de ter uma história punk na cabeça pra escrever. Não aumentei uma palavra, essa história acabou de acontecer, eu acabei de chegar em casa, e você deve estar embasbacado com a furada em que me meti. É óbvio que estou usando pseudônimos, com exceção de um dos personagens... Consegue adivinhar qual?
Salvos os cegos, eu fui o único que já presenciou, mas nunca viu o Monobloco.
sábado, junho 04, 2005
A Paradinha do Big Ben
Estava eu feliz da vida na casa de uma amiga quando soube a tragédia: o Big Ben, em Londres, parou durante cerca de uma hora, na Sexta-Feira do dia 27 de Maio de 2005, às 22 horas, 7 minutos e 25 segundos. Foi consertado, voltando a funcionar às às 22 horas, 7 minutos e 25 segundos.
Como assim "parou o Big Ben"?! Como todos sabem, desde que o universo surgiu, é ele quem manda na hora universal. É o pai de todos os pontos de trabalho do mundo. Teve sua bateria substituída, depois de uns trilênios paradão, quando Deus se compadeceu de seu relógio atômico e o ligou com aqueles fósforos que também são vendidos até hoje, o Fiat Lux. Nessa época, eu me lembro, todas as coisas voltaram a se mexer novamente, e o universo recomeçou um processo de expansão corporativa, quebrando o monopólio do nada. Está até hoje ampliando sua atuação no cosmos. O Big Ben, de acordo com a Fortune, é o maior CEO de todos os tempos.
Por falar em fósforos, talvez seja mesmo a gás, porque atômico não parece. É meio pesadão, e fica lá, com aquela pinta de lápis de cor, parado - em relação à Terra, não no tempo. Aliás, no tempo ele parou também. Está bem velhinho. Tive uma visão esses dias: Deus usa mesmo é um relogiozão digital, modernoso, estilo "cebolão". É mais bonito, fala as horas e mede até pulsos cardíacos. Acha que Ele ia dar mole? O Big Ben agora enfeita seu criado-mudo. Mudo, porque Ele está de saco cheio de ouvir prece sem sentido, e também apóia a contratação de deficientes físicos.
O Big Ben não é o mais pontual do mundo? E agora? como vamos confiar nas horas que dizem por aí? O que aconteceu com o mundo durante o tempo que esteve parado? Será que tudo parou junto? Na minha opinião, isto é um sinal - ele está querendo se comunicar conosco. Como não fala inglês, acaba falando a hora mesmo e tenta dizer algo. Talvez seja a hora de tirar umas férias (captou o trocadilho? "a hora de tirar férias"?). Imagina só o Big Ben descansando durante um mês? 2006 vai ter 13 meses.
Há quem diga que a parada foi motivada pela temperatura, que chegou a 31 graus naquele dia - o mais quente em Londres desde 1953. Se ele vier para o Rio então, derrete.
Os líderes da Inglaterra se reuniram em sua sede - a Casa Branca, pra discutir quem pode substituir o relógio. A tomada de suas estruturas não será fácil, segudo Condolessa Rice, pois os famosos anões que habitam dispositivos automáticos podem ter armas nucleares em seu poder. Cogitaram a hipótese de Bin Laden ter feito uma aliança com eles, e estar escondido por lá.
O Big Ben é herói de guerra. Entre 1939 e 1945, resistiu bravamente aos bombardeios alemães, quando atuava no programa tático de sincronização das manobras dos exércitos ingleses. Era uma grande referência. Em 1962, foi encarregado de anunciar o ano novo, mas chegou um pouco tarde e o fez com dez minutos de atraso, pois uma nevasca atrapalhou o trânsito das ruas até o rio Tâmisa. Conhecidamente, também é ativista político: promoveu uma parada em 30 de abril de 1997, um dia antes das eleições gerais que levaram ao poder o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair. Três semanas depois, ele voltou a parar.
Gosta de mentir, dizendo ter 147 anos. Hebe Camargo, no entanto, revelou que Big Ben sempre foi um tremendo mulherengo, desde os tempos em que ela corria nua pela Mata Atlântica, mas sem laquê - época em que o Tupi-Guarani era a lingua oficial de nossa terra. Conheceu-o acompanhado de marinheiros portugueses nas caravelas das Grandes Expedições Marítimas, quando pela primeira vez soube o que era um espelho. Curiosamente, parece nunca tê-lo usado. "Naquela época", revela a apresentadora, hoje mumificada pelos tratamentos de beleza, "Ele já dava umas paradas de vez em quando, quando estávamos a sós. Mas quando funcionava, era cada ponteirão, uma gracinha!"
Como já dito anteriormente, o relógio mais famoso do mundo é um grande empreendedor. Foi ele quem, em 1788, deu a idéia a John Walter de mudar o formato de edição de seu jornal, o antigo Daily Universal Register, para atingir um público maior. Nessa época, o jornal passou a se chamar The Times, e noticiava fofocas dos figurões locais. "Ben sempre teve muito bom tino para o marketing editorial de massa. Nossas vendas dispararam", disse John Walter, em entrevista por telefone.
Sua contribuição para a arte inclui a participação no melhor disco do Pink Floyd, The Dark Side of The Moon, como percursionista. Na abertura da música Time, foi Ben quem tocou tanto o tique-taque quanto o despertador, e fez o backing vocal das badaladas, com um tenor de grande presença.
"Já não tenho a mesma empolgação com o mundo. Preciso me aposentar. Não estou com a mesma corda de antes", diz. "Os tempos já não são os mesmos, as pessoas não sabem mais o que é felicidade. Deixaram de se importar com questões que deveriam ter sido resolvidas há muito. Deixaram correr uma maldade e desigualdade sem precedentes. Há muita pressa, e meu trabalho tem sido muito árduo. Não dá para conseguir mais tempo do que o tempo tem. Hoje, as horas andam muito apressadas. Não consigo acompanhar", lamenta o atômico astro, em uma mensagem comovente.
O relojoeiro Arlindo Araújo Horácio, brasileiro, 64 anos, especialista em atômicos, foi o herói quem acertou as horas do Big Ben, com as horas do relógio do próprio pulso: "todo mundo diz que eu sou o mais pontual do mundo. Nunca cheguei atrasado para um compromisso na minha vida. Minha esposa e meus cinco filhos sempre me tomaram como exemplo nisso. Chegar na hora em que o Big Ben parou foi fácil. Além disso, eu uso a mesma marca de relógio que o nosso Pai", diz Horácio, mostrando seu cebolão com orgulho. Chegou pontualmente para consertar o Big Ben, às 22 horas, 7 minutos e 25 segundos, horário de Londres.

Um close revela os olhos cansados de nosso relógio atômico, depois de muitos anos de trabalho
* O Big Ben não é um relógio atômico. A idéia veio do trocadilho com Big Bang, teoria que explica o início da expansão das partículas do universo. Tampouco é a referência dos outros relógios, isso é feito pelo observatório de Greenwich, que também é uma cidade inglesa.

Como assim "parou o Big Ben"?! Como todos sabem, desde que o universo surgiu, é ele quem manda na hora universal. É o pai de todos os pontos de trabalho do mundo. Teve sua bateria substituída, depois de uns trilênios paradão, quando Deus se compadeceu de seu relógio atômico e o ligou com aqueles fósforos que também são vendidos até hoje, o Fiat Lux. Nessa época, eu me lembro, todas as coisas voltaram a se mexer novamente, e o universo recomeçou um processo de expansão corporativa, quebrando o monopólio do nada. Está até hoje ampliando sua atuação no cosmos. O Big Ben, de acordo com a Fortune, é o maior CEO de todos os tempos.
Por falar em fósforos, talvez seja mesmo a gás, porque atômico não parece. É meio pesadão, e fica lá, com aquela pinta de lápis de cor, parado - em relação à Terra, não no tempo. Aliás, no tempo ele parou também. Está bem velhinho. Tive uma visão esses dias: Deus usa mesmo é um relogiozão digital, modernoso, estilo "cebolão". É mais bonito, fala as horas e mede até pulsos cardíacos. Acha que Ele ia dar mole? O Big Ben agora enfeita seu criado-mudo. Mudo, porque Ele está de saco cheio de ouvir prece sem sentido, e também apóia a contratação de deficientes físicos.
O Big Ben não é o mais pontual do mundo? E agora? como vamos confiar nas horas que dizem por aí? O que aconteceu com o mundo durante o tempo que esteve parado? Será que tudo parou junto? Na minha opinião, isto é um sinal - ele está querendo se comunicar conosco. Como não fala inglês, acaba falando a hora mesmo e tenta dizer algo. Talvez seja a hora de tirar umas férias (captou o trocadilho? "a hora de tirar férias"?). Imagina só o Big Ben descansando durante um mês? 2006 vai ter 13 meses.
Há quem diga que a parada foi motivada pela temperatura, que chegou a 31 graus naquele dia - o mais quente em Londres desde 1953. Se ele vier para o Rio então, derrete.
Os líderes da Inglaterra se reuniram em sua sede - a Casa Branca, pra discutir quem pode substituir o relógio. A tomada de suas estruturas não será fácil, segudo Condolessa Rice, pois os famosos anões que habitam dispositivos automáticos podem ter armas nucleares em seu poder. Cogitaram a hipótese de Bin Laden ter feito uma aliança com eles, e estar escondido por lá.
O Big Ben é herói de guerra. Entre 1939 e 1945, resistiu bravamente aos bombardeios alemães, quando atuava no programa tático de sincronização das manobras dos exércitos ingleses. Era uma grande referência. Em 1962, foi encarregado de anunciar o ano novo, mas chegou um pouco tarde e o fez com dez minutos de atraso, pois uma nevasca atrapalhou o trânsito das ruas até o rio Tâmisa. Conhecidamente, também é ativista político: promoveu uma parada em 30 de abril de 1997, um dia antes das eleições gerais que levaram ao poder o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair. Três semanas depois, ele voltou a parar.
Gosta de mentir, dizendo ter 147 anos. Hebe Camargo, no entanto, revelou que Big Ben sempre foi um tremendo mulherengo, desde os tempos em que ela corria nua pela Mata Atlântica, mas sem laquê - época em que o Tupi-Guarani era a lingua oficial de nossa terra. Conheceu-o acompanhado de marinheiros portugueses nas caravelas das Grandes Expedições Marítimas, quando pela primeira vez soube o que era um espelho. Curiosamente, parece nunca tê-lo usado. "Naquela época", revela a apresentadora, hoje mumificada pelos tratamentos de beleza, "Ele já dava umas paradas de vez em quando, quando estávamos a sós. Mas quando funcionava, era cada ponteirão, uma gracinha!"
Como já dito anteriormente, o relógio mais famoso do mundo é um grande empreendedor. Foi ele quem, em 1788, deu a idéia a John Walter de mudar o formato de edição de seu jornal, o antigo Daily Universal Register, para atingir um público maior. Nessa época, o jornal passou a se chamar The Times, e noticiava fofocas dos figurões locais. "Ben sempre teve muito bom tino para o marketing editorial de massa. Nossas vendas dispararam", disse John Walter, em entrevista por telefone.
Sua contribuição para a arte inclui a participação no melhor disco do Pink Floyd, The Dark Side of The Moon, como percursionista. Na abertura da música Time, foi Ben quem tocou tanto o tique-taque quanto o despertador, e fez o backing vocal das badaladas, com um tenor de grande presença.
"Já não tenho a mesma empolgação com o mundo. Preciso me aposentar. Não estou com a mesma corda de antes", diz. "Os tempos já não são os mesmos, as pessoas não sabem mais o que é felicidade. Deixaram de se importar com questões que deveriam ter sido resolvidas há muito. Deixaram correr uma maldade e desigualdade sem precedentes. Há muita pressa, e meu trabalho tem sido muito árduo. Não dá para conseguir mais tempo do que o tempo tem. Hoje, as horas andam muito apressadas. Não consigo acompanhar", lamenta o atômico astro, em uma mensagem comovente.
O relojoeiro Arlindo Araújo Horácio, brasileiro, 64 anos, especialista em atômicos, foi o herói quem acertou as horas do Big Ben, com as horas do relógio do próprio pulso: "todo mundo diz que eu sou o mais pontual do mundo. Nunca cheguei atrasado para um compromisso na minha vida. Minha esposa e meus cinco filhos sempre me tomaram como exemplo nisso. Chegar na hora em que o Big Ben parou foi fácil. Além disso, eu uso a mesma marca de relógio que o nosso Pai", diz Horácio, mostrando seu cebolão com orgulho. Chegou pontualmente para consertar o Big Ben, às 22 horas, 7 minutos e 25 segundos, horário de Londres.
Um close revela os olhos cansados de nosso relógio atômico, depois de muitos anos de trabalho
* O Big Ben não é um relógio atômico. A idéia veio do trocadilho com Big Bang, teoria que explica o início da expansão das partículas do universo. Tampouco é a referência dos outros relógios, isso é feito pelo observatório de Greenwich, que também é uma cidade inglesa.
segunda-feira, maio 16, 2005
Acerca da Individualidade
P, eu discordo de você, quando disse que o que importa é termos identidade apenas para nós mesmos. Identidade é ser distinto. Distinção sem coletividade acho que não dá: não há diferença sem comparação. Num universo unitário, para que serve o atributo identidade? Nada.
Só importa ter identidade dentro do espaço social. Sim, eu sei quem sou eu, e não me importo com o que as pessoas dizem de mim. Mas me importa ter a identidade sim.
"Fale o que quiser, ou não fale nada. Mas saiba que eu existo."
A aparência externa de um conjunto qualquer definitivamente depende da identidade. Como se percebe o lençol de areia numa praia? É o somatório dos aspectos distintos dos elementos. Se os grãos não tivessem distinção, ainda que de parcela infinitesimal, como seria a aparência da areia? Isso não seria prova mais clara de que a identidade importa para a sociedade dos grãos?
Não faça pouco caso das praias. =)
Quando disse que é importante ser reconhecido, quero dizer que dentro do sistema eu preciso ser distingüido. Do contrário, na verdade não estou participando ou enriquecendo o grupo com minhas características. Se não participar, se não interferir, quem observar de fora vai perder algo. Mesmo que infinitesimal.
Não, eu não estou dizendo que quero que me vejam mais que outros. Estou dizendo que preciso ser reconhecido localmente, para que as qualidades possam também caracterizar o grupo. É muito reconfortante saber que você marcou algo com informações suas. É bom saber que você se eternizou, de alguma forma. Num instante do espaço-tempo.

E para finalizar, quero deixar aqui um presente, que mostra um pouco do que penso com relação às pessoas que identifico como meus amigos =)
O Laço Desata
Como o papel fino
Que rasga fácil e decepciona
Como se o tamanho
Fosse insuficiente pra apertar.
O que aperta é o peito
Que denuncia o mundo que passa
Todos queridos, odiados e suspeitos
Efemeridade, agora já é tarde
Só tu não passará
Já fazia tempo que não te via
Tu, um dos que chamo
"Meu melhor amigo"
Como vai, garoto?
Como vai, meu bem?
Tanta gente pra gostar
Tanta vida, tanta coisa pra fazer
Tanta vida, tanta coisa pra curtir
Sempre pra frente
Não olho pro lado, que perco
Que não devo, não posso
Já nem consigo
Mas gosto de te ver aqui comigo
Um na onda do outro
Enquanto a maré
Não nos força a despedida
O laço desata
Mas reata no casual modo de viver
Jeito globalizado, desigual, indiferente
A vida é virada ao avesso
Que é não viver a vida
E pra não te magoar, meu amigo
Não quero penetrar tua alma
Mas saiba que te amo
Do jeito que dá pra amar
Nesse mundo sem tempo
Onde a moda é móvel, é celular
Prenda o laço nas lembranças
Finja que não foi muito tempo
Foi só um instante
Que correu pelo espaço que nos afastou

Só importa ter identidade dentro do espaço social. Sim, eu sei quem sou eu, e não me importo com o que as pessoas dizem de mim. Mas me importa ter a identidade sim.
"Fale o que quiser, ou não fale nada. Mas saiba que eu existo."
A aparência externa de um conjunto qualquer definitivamente depende da identidade. Como se percebe o lençol de areia numa praia? É o somatório dos aspectos distintos dos elementos. Se os grãos não tivessem distinção, ainda que de parcela infinitesimal, como seria a aparência da areia? Isso não seria prova mais clara de que a identidade importa para a sociedade dos grãos?
Não faça pouco caso das praias. =)
Quando disse que é importante ser reconhecido, quero dizer que dentro do sistema eu preciso ser distingüido. Do contrário, na verdade não estou participando ou enriquecendo o grupo com minhas características. Se não participar, se não interferir, quem observar de fora vai perder algo. Mesmo que infinitesimal.
Não, eu não estou dizendo que quero que me vejam mais que outros. Estou dizendo que preciso ser reconhecido localmente, para que as qualidades possam também caracterizar o grupo. É muito reconfortante saber que você marcou algo com informações suas. É bom saber que você se eternizou, de alguma forma. Num instante do espaço-tempo.
E para finalizar, quero deixar aqui um presente, que mostra um pouco do que penso com relação às pessoas que identifico como meus amigos =)
O Laço Desata
Como o papel fino
Que rasga fácil e decepciona
Como se o tamanho
Fosse insuficiente pra apertar.
O que aperta é o peito
Que denuncia o mundo que passa
Todos queridos, odiados e suspeitos
Efemeridade, agora já é tarde
Só tu não passará
Já fazia tempo que não te via
Tu, um dos que chamo
"Meu melhor amigo"
Como vai, garoto?
Como vai, meu bem?
Tanta gente pra gostar
Tanta vida, tanta coisa pra fazer
Tanta vida, tanta coisa pra curtir
Sempre pra frente
Não olho pro lado, que perco
Que não devo, não posso
Já nem consigo
Mas gosto de te ver aqui comigo
Um na onda do outro
Enquanto a maré
Não nos força a despedida
O laço desata
Mas reata no casual modo de viver
Jeito globalizado, desigual, indiferente
A vida é virada ao avesso
Que é não viver a vida
E pra não te magoar, meu amigo
Não quero penetrar tua alma
Mas saiba que te amo
Do jeito que dá pra amar
Nesse mundo sem tempo
Onde a moda é móvel, é celular
Prenda o laço nas lembranças
Finja que não foi muito tempo
Foi só um instante
Que correu pelo espaço que nos afastou
quinta-feira, maio 05, 2005
Yet Another "Crise Existencial"
Minhas viagens estão cada vez mais desastrosas. Pudera, se pelo menos me embriagasse com qualquer entorpecente, talvez me enganasse com um pouco de sonhos.
Trôpego, ingênuo.
Mas escolho entender, e quanto mais entendo menos me agrado do que há em volta. Mais prefiro sublimar. Mas ainda não posso. Não sem antes entender mais um pouco. É esse vício que não tem saída: a solidão.
Ou é simplesmente o ritmo imposto pelo que há à minha volta. São as porcarias das engrenagens disfarçadas de microchip. São as distâncias que nos une a qualquer ponto, e surpreendentemente nos isola de todo o mundo.
É a superficialidade de uma Quinta-feira. É o esperar de uma Sexta. É saber que haverá outra Quinta e outra Sexta. E me tranqüilizar com o pensamento de que um dia isso acaba.
Mas não posso me adiantar.
Qualquer céu ou inferno seria o mesmo: a monotonia (ou da mudança, ou da rotina). E, se queimar dói, a dor se tornaria nada, sabendo que o alívia nunca mais pudesse ser sentido. O inferno não é lógico, e tampouco o é o paraíso.
Ora, uma pedra é feliz por ser pedra? Esta pergunta não pode ter "sim" ou "não", se ela nunca deixou de ser pedra, e não teria conhecimento exemplificado do que é não ser pedra. Uma pedra não tem desejos.
Todos somos artistas à medida que os desejos nos fazem querer moldar o mundo. O que não adianta muita coisa, se sabemos que toda a matéria continua no mesmo universo, e que as energias apenas foram transferidas no espaço-tempo. Que também inventamos, por sinal.
Quero transcender meu universo. Não quero morrer, quero apenas cessar de existir, às vezes.

Trôpego, ingênuo.
Mas escolho entender, e quanto mais entendo menos me agrado do que há em volta. Mais prefiro sublimar. Mas ainda não posso. Não sem antes entender mais um pouco. É esse vício que não tem saída: a solidão.
Ou é simplesmente o ritmo imposto pelo que há à minha volta. São as porcarias das engrenagens disfarçadas de microchip. São as distâncias que nos une a qualquer ponto, e surpreendentemente nos isola de todo o mundo.
É a superficialidade de uma Quinta-feira. É o esperar de uma Sexta. É saber que haverá outra Quinta e outra Sexta. E me tranqüilizar com o pensamento de que um dia isso acaba.
Mas não posso me adiantar.
Qualquer céu ou inferno seria o mesmo: a monotonia (ou da mudança, ou da rotina). E, se queimar dói, a dor se tornaria nada, sabendo que o alívia nunca mais pudesse ser sentido. O inferno não é lógico, e tampouco o é o paraíso.
Ora, uma pedra é feliz por ser pedra? Esta pergunta não pode ter "sim" ou "não", se ela nunca deixou de ser pedra, e não teria conhecimento exemplificado do que é não ser pedra. Uma pedra não tem desejos.
Todos somos artistas à medida que os desejos nos fazem querer moldar o mundo. O que não adianta muita coisa, se sabemos que toda a matéria continua no mesmo universo, e que as energias apenas foram transferidas no espaço-tempo. Que também inventamos, por sinal.
Quero transcender meu universo. Não quero morrer, quero apenas cessar de existir, às vezes.
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