quinta-feira, junho 26, 2008

Falei Com Os Senadores Sobre a CSS

Através do blog Formigas Com Megafone, descobri que há uma lista remissiva dos emails dos senadores do nosso país. Precisamente oitenta e um endereços. Resolvi então mandar um manifesto educado, como cidadão e pagador de impostos que sou, para todos eles. Copiei todos os endereços na mão e preparei minha mensagem:

Senhores,

Como cidadão brasileiro e, portanto, um pagante de impostos, venho por meio deste solicitar o veto da CSS. O povo não está disposto a sofrer mais um grande período impedido de realizar transações comerciais por receio de taxações sobre taxações. Isto é um absurdo inaceitável, e inibe a movimentação de dinheiro, por motivos óbvios.

Um abraço,
Rodrigo.

Para o meu espanto, nenhum dos emails voltaram. Isto significa que todos estão ativos e suas caixas não estão abarrotadas. Bom sinal.

Para a minha consternação, eu recebi quase que imediatamente, às 21hrs da noite, a seguinte resposta do Senador Álvaro Dias:

Da tribuna do Senado já me pronunciei contra essa aberração constitucional aprovada pela Câmara. O projeto que restabelece a CPMF com o apelido de CSS é afronta ao povo brasileiro que não agüenta mais pagar tanto imposto. Não há argumento inteligente que possa justificar essa atitude do governo. Falar em Reforma Tributária e aprovar projeto criando novo imposto é falsidade. A CSS é um escárnio, um equívoco e uma afronta à sociedade. A verdade é que nunca se arrecadou tanto imposto no Brasil. Os brasileiros não agüentam mais esta pesada carga tributária. A arrecadação está tão boa que outro dia o governo pediu ao Congresso autorização para repassar ao BNDES 12,5 bilhões de reais para que ele financie projetos em outros países, como o metrô de Caracas, na Venezuela.Há,portanto,dinheiro suficiente para aplicar na Saúde, sem ser preciso sacrificar ainda mais o contribuinte brasileiro.O Senado deve rejeitar essa ofensa à inteligência nacional. Desde já esclareço que vou votar contra a aprovação deste novo imposto que o governo do PT quer impor ao povo brasileiro.
Grato pela mensagem e receba o meu cordial abraço,

Álvaro Dias


Isto mesmo. Um senador me respondeu imediatamente, dentre os oitenta e um que receberam. Vamos ver nos próximos dias quantos deles darão atenção à mensagem. Senhor Álvaro Dias, muito obrigado por me responder. Quanto a saber se o que me dizes é verdade ou não, isto eu não sei. Ninguém sabe. Gostaria muito de acreditar, mas o nosso país está desse jeito, descreditado.

Para que ninguém passe pelo mesmo suplício que eu passei, montei um esqueminha esperto para que você também possa se comunicar com os senadores via email. Via gmail:

todosossenadores@gmail.com


É só mandar para este endereço, que todos os senadores receberão a mensagem. Caso você queira a lista, compartilho aqui com você:

adelmir.santana@senador.gov.br,
almeida.lima@senador.gov.br,
mercadante@senador.gov.br,
alvarodias@senador.gov.br,
acmjr@senador.gov.br,
antval@senador.gov.br,
arthur.virgilio@senador.gov.br,
augusto.botelho@senador.gov.br,
carlos.dunga@senador.gov.br,
cesarborges@senador.gov.br,
cristovam@senador.gov.br,
delcidio.amaral@senador.gov.br,
demostenes.torres@senador.gov.br,
eduardo.azeredo@senador.gov.br,
eduardo.suplicy@senador.gov.br,
efraim.morais@senador.gov.br,
eliseuresende@senador.gov.br,
ecafeteira@senador.gov.br,
expedito.junior@senador.gov.br,
fatima.cleide@senadora.gov.br,
fernando.collor@senador.gov.br,
flavioarns@senador.gov.br,
flexaribeiro@senador.gov.br,
francisco.dornelles@senador.gov.br,
garibaldi.alves@senador.gov.br,
geovaniborges@senador.gov.br,
geraldo.mesquita@senador.gov.br,
gecamata@senador.gov.br,
gilberto.goellner@senador.gov.br,
gim.argello@senador.gov.br,
heraclito.fortes@senador.gov.br,
ideli.salvatti@senadora.gov.br,
inacioarruda@senador.gov.br,
jarbas.vasconcelos@senador.gov.br,
jayme.campos@senador.gov.br,
jefferson.praia@senador.gov.br,
joaodurval@senador.gov.br,
joaopedro@senador.gov.br,
joaoribeiro@senador.gov.br,
jtenorio@senador.gov.br,
j.v.claudino@senador.gov.br,
jose.agripino@senador.gov.br,
jose.maranhao@senador.gov.br,
josenery@senador.gov.br,
sarney@senador.gov.br,
katia.abreu@senadora.gov.br,
leomar@senador.gov.br,
lobaofilho@senador.gov.br,
lucia.vania@senadora.gov.br,
magnomalta@senador.gov.br,
maosanta@senador.gov.br,
crivella@senador.gov.br,
marco.maciel@senador.gov.br,
marconi.perillo@senador.gov.br,
marinasi@senado.gov.br,
mario.couto@senador.gov.br,
marisa.serrano@senadora.gov.br,
mozarildo@senador.gov.br,
neutodeconto@senador.gov.br,
osmardias@senador.gov.br,
papaleo@senador.gov.br,
patricia@senadora.gov.br,
paulo.duque@senador.gov.br,
paulopaim@senador.gov.br,
simon@senador.gov.br,
raimundocolombo@senador.gov.br,
renan.calheiros@senador.gov.br,
renatoc@senador.gov.br,
romero.juca@senador.gov.br,
romeu.tuma@senador.gov.br,
rosalba.ciarlini@senadora.gov.br,
roseana.sarney@senadora.gov.br,
sergio.guerra@senador.gov.br,
zambiasi@senador.gov.br,
serys@senadora.gov.br,
tasso.jereissati@senador.gov.br,
tiao.viana@senador.gov.br,
valdir.raupp@senador.gov.br,
valterpereira@senador.gov.br,
virginio@senador.gov.br,
wellington.salgado@senador.gov.br


Ainda há um último detalhe. A mensagem que enviei para os senadores foi de dentro do email todosossenadores@gmail.com, e toda mensagem que esta conta recebe é redirecionada para a lista de todos os senadores. Pegou o "curto-circuito"? É isto o que eu chamo Transparência Governamental...

quarta-feira, junho 04, 2008

O Chris Anderson Diz

Que tudo será grátis no futuro:
Leia aqui.

Eu falei sobre isso neste blog, há alguns anos atrás. Mas eu não sou o Chris Anderson, editor chefe da Wired, e eleito uma das mentes mais influentes do mundo. Agora, eu mesmo posso começar a pensar que isto seja verdade ;-)

segunda-feira, maio 26, 2008

Primeiras Composições Na Rua

Manu estreou recentemente duas composições minhas no palco. A primeira foi Nega Panela, que fizemos em parceria. Virou o tal lá do maxixe, que é um ritmo muito simpático. A outra se chama Mulher Jangadeira, cujo vídeo pode ser assistido aqui, no site da Manu. Espero que gostem ;)

quinta-feira, maio 08, 2008

O Infigurável Passageiro

Da trama existencial
Sou apenas uma peça
Peça única, sem igual,
Mas mesmo assim, passageira.

Quando eu passar,
Onde aportarei?
Será meu mar este aqui,
O inicial?

Quanto tempo durará
O meu tempo de passar?
E se passar o passageiro agora,
Onde permanecerei?

Se me for para sempre
Será o passageiro, assim,
Uma idéia tão distante por lá?

Mas e se lá for como aqui?
Seria o aqui, lá?
Seja lá como for
Se lá como aqui não for
Não sei se de lá gostarei.



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sexta-feira, maio 02, 2008

Mulher Jangadeira

Eu danço na areia
Dos rios de ouro
De leitos de barro

Água que corre na beira
Mulher jangadeira
Tem os pés descalços

Ê, é cacimba de Eira
Ê, são segredos de mar
Sacode, sacode, ribeira!

Feito sereia eu desço
Pois não tenho medo
Nem de Caninana

Vou de peixeira e terço
São meus adereços
De guarda e de calma

Oi, são panos modestos
Que uso de vestes
Mas tenho o perfume
Que a mata me cede

Sou tipo rasteira
Ninguém me domina
Que eu sou Jangadeira
Sacode, sacode, ribeira!



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terça-feira, abril 29, 2008

O Despertar do Engano

Ao que se compara
O deplorável embaraço
De te confundir com o amor
Que tanto espero chegar?

A minha fome de alma insaciada
Projetou sobre ti
O avatar que pretendia adorar

De tanto ver teus sinais -
Cegamente, somente os intersectos
Daqueles que exatamente
Emitiria quem ousaria me amar -

Encontro-me mergulhado
Num lago de dez mil dos teus corações,
E agora é tarde.

Completamente constrangido,
Troco a moeda da amizade pela da paixão.

Tento acordar da embriaguez do amor,
Mas agora é tarde.

Finjo, como o tolo de álcool,
Não lembrar minha vergonha,
Mas para isto também é tarde.

Ajo como se nada tivesse ocorrido,
Mas não importa, é tarde.

Tento trocar autor e alvo,
Sobrepor intenção ao fato,
Mas é inutilmente tarde.

Em sonhos retorno no tempo,
Mas repito o feito,
Porque lá também é tarde.

E até mesmo para simplesmente
Recuperar o troco do amor cedido
Pela paixão dada

Para reconstruir uma amizade,
Como do nada,
É decerto, também,
Em absoluto,
Muito, muito tarde.



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* Esta é uma poesia que escrevi em resposta à sugestão do Reinaldo, ali na Shoutbox.

Edições

Esses dias tive um conto selecionado pela editora Andross para entrar em uma coletânea de microcontos. Infelizmente, tive que recusar o convite, pois teria que ir a São Paulo, e me comprometer a vender uma certa cota de livros. Neste momento não posso me comprometer desta forma, com certeza os livros ficariam encalhados e eu não poderia ir a Sampa. De qualquer maneira, está aqui o referido conto:

O Mantra das Aparições

Espero que gostem. O quarto conto da série Segredos da Mente Elástica está pronto, falta apenas uma formatação e a seleção de uma fotografia. Apesar de tão pouco - 4 contos, apenas - manter essa direção pra mim é um recorde.

Para quem ainda não conhece, Segredos da Mente Elástica é o projeto que estou escrevendo de um romance não-linear com pitadas levíssimas de Sci-Fi. Não há um protagonistas, porém todos os contos se passam dentro do mesmo universo:

Segredos da Mente Elástica

Agradecimentos

João Francisco e Manu Santos... Ô gente pra conhecer música brasileira. Como eu aprendo com esses dois.

Valeu.

segunda-feira, abril 21, 2008

Contato de Grau Virtual

Acabei de publicar mais um Segredo da Mente Elástica :)
Mudei o nome do projeto literário, pra ter um pouco mais de apelo comercial.

Contato de Grau Virtual

Tive um pouco de dificuldade de ligar a história e fazer este terceiro conto. Mas tá aí. Aprecie, reclame, revise, propague... Tudo é bem-vindo.

quinta-feira, abril 17, 2008

Em Estado de Graça

Digamos que eu esteja neste estado hoje. Sim, pois ontem eu assisti a um show maravilhoso. Pra mim, até agora, foi o show do ano, sem sombra de dúvidas: Áurea Martins, Hermínio Belo de Carvalho e Ângela Evans, menos conhecida, mas não menos aclamada. Foi no Centro Cultural Carioca, na Rua do Teatro, ao lado do Teatro João Caetano, em plena Praça Tiradentes, Centro do Rio de Janeiro.

Foi lindo. Toda a concepção do espetáculo merece aplausos de pé. Também, não foi por menos. Os principais envolvidos eram o próprio Hermínio e Cristóvão Bastos. O formato do espetáculo, o palco, as luzes... Tudo era glorioso e, ao mesmo tempo, simples.

A apresentação é introduzida por uns vídeos com divas da música de outrora: Aracy de Almeida de cara, com todo seu palavreado típico. Tudo à la documentário, cujo interlocutor era o próprio Hermínio.

De forma teatral, ele introduz a primeira canção intercalada com textos maravilhosos e poéticos - certamente de seu próprio punho. Irremediavelmente irreverente, ele destoa nas melodias e passa à música falada num piscar de olhos, com toda a autoridade de ser um dos mais reconhecidos artistas brasileiros.

Absolutamente casual foi o Hermínio.

Ângela Evans: deslumbrante em um vestido preto e um sorriso largo, agudos e saltos melódicos controladíssimos. Pecou em alguns pontos, ao meu ver, confesso: seu canto estava um pouco anasalado, e me fez a maior parte das vezes não entender a letra da música, apesar da melodia perfeitamente entoada. Outro ponto contra, talvez por ser a mais inexperiente, era a presença de palco, que foi, em geral, linear. As expressões faciais eram encantadoras, além do fato de ela ter um rosto com um ar infantil, o que dá a sensação da inocência - em alguns momentos até de ingenuidade. Não desmerecida por meus pontos contra, todos os arranjos de seu disco lançado pela Biscoito Fino foram feitos pelo Cristóvão Bastos - como sempre, extremamente elegante, comportado, dosado e cerebral em sua arte. E sua simpatia era óbvia em todos os momentos do show, ela "não tá de bobeira" e ainda vai dar muito o que falar.

Áurea Martins revelou-se pra mim uma das maiores cantoras brasileiras neste momento. Cantando com um jazz trio - baixo, bateria e piano, com algumas participações do violonista chamado Lucas - cujo sobrenome eu não lembro. Foi um espetáculo do tipo Alcione, só que mais moderado, sem o drama exacerbado da Marrom. Ela foi demais. Com esse jeito jazzy, promoveu-nos o momento Blue Note da noite - segundo Gerdal de Paula nobríssimo amigo que dividia o balcão do bar conosco. Pois bem, no que Áurea dependia somente de Áurea - pois se eu mesmo não prestava muita atenção em mais nada, ela podia estar fazendo tudo a capella que eu não ia perceber a diferença - ficamos com a imagem de uma dor grande e contida, um romantismo incomensurável naquela voz negra. Fiquei feliz de saber que o meu Brasil também tem a sua Billie Holliday.

Comentário de Leandro Fregonesi: "Cara, olha toda essa gente aqui... Você pode ver claramente que está todo mundo querendo aprender bebendo diretamente da fonte, o Hermínio não é qualquer um. Ele tem o apelo muito popular, todo mundo adora o trabalho dele."

Muita gente conhecida estava presente. As cantoras Simone e Zélia Duncan, Luis Carlos da Vila, Emílio Santiago, Cláudio Jorge, Luciana Rabelo, Pedro Aragão e tanta gente que nem lembro mais os nomes. O pequeno espaço e a presença de tanta gente "grande" nos mostrou que todo mundo é do mesmo tamanho. Houve também uma homenagem prestada por Hermínio a... Vocês vão me perdoar, mas eu não lembro o nome da cantora. É uma senhora linda, com uma voz elegante e delicada. Eles mostraram-na durante o show em um vídeo, acompanhada por Rafael Rabello. Sem mais comentários.

Ao final do espetáculo, Áurea Martins chorava como criança, de tanta emoção. De um coração imenso, nos deu grande atenção - a mim e a Manu - dizendo aos mais velhos: viram? Eles são novinhos e gostaram do meu show!

E quem não gostaria de estar sob aquele teto na noite de ontem, Aurinha?

sábado, abril 12, 2008

terça-feira, abril 08, 2008

Pedacinho de Céu

Tocando o teto, puxo um pedacinho do azul.
Hóstia cósmica intergaláctica do éter
Que me alimenta os redemoinhos meridionais.

Saem as reverberações dos ecos divinos que me sopram os ouvidos.
Uma voz em cada - duas vozes.
Estou ouvindo Omara e Maria.

Estou ouvindo Brasil e Cuba.
Estou ouvindo negros e brancos.
Estou ouvindo dor e alegria.

Piano, pandeiro, violão, cool, calmo, caliente.
Brasilês por língua Castellana
Castellano por la lengua Brasileña.


** Eu não falo espanhol. Corrijam-me se estiver errado.
Tive a ajuda de um amigo nessa última frase: Giovani Tadei. Infelizmente, ele disse que dei azar. Espanhol não é sua especialidade dentre os 4 idiomas que são.

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Chiquinha

Coisa linda. Ouça Tacacá, no Arrasta Sandália.

segunda-feira, abril 07, 2008

Fool Me ;-)


You are The Fool


The Fool is the card of infinite possibilities. The bag on the staff indicates that he has all he need to do or be anything he wants, he has only to stop and unpack. He is on his way to a brand new beginning. But the card carries a little bark of warning as well. Stop daydreaming and fantasising and watch your step, lest you fall and end up looking the fool.


What Tarot Card are You?
Take the Test to Find Out.

sexta-feira, abril 04, 2008

Contos da Mente Elástica

Iniciei o meu primeiro livro. Espero terminá-lo.

Contos da Mente Elástica

A quem interessar ler o primeiro conto, leia Do Papel À Vida. Aguardo com ansiedade comentários. Até agora, o placar está: 2 críticas ruins contra 2 boas.

quarta-feira, abril 02, 2008

Eficiência na Coleta de Informações

Hoje eu vejo que é realmente importante manter uma fonte de notícias perene, como um rio de informações que deságua no meu PC. Pra isso, utilizo basicamente as seguintes páginas:

www.mystickies.com
Essa aí é uma página onde você pode manter postits virtuais.

reader.google.com
Aqui eu vejo as notícias de todo tipo de jornais e blogs. Devo ter umas 40 inscrições em sites diferentes. Assim, ele funciona como uma caixa de emails, mas só com as novas postagens dos blogs. Figuram nele amigos, notícias engraçadas, sites de download de discos (jazz e música brasileira, principalmente), e alguns de design.

calendar.google.com
Para organizar a minha agenda. É bacana, dá pra você compartilhar a agenda com muitas pessoas, aí todo mundo fica sabendo dos seus compromissos. Você também pode criar mais de uma agenda, e classificar os tipos de compromissos pela cor. É fantástico. Aqui, por exemplo, tenho uma agenda pública de feriados (mantida por alguém que eu não faço a mínima idéia de quem seja, mas as datas estão todas certinhas, tenho minha agenda pessoal (Rodrigo Santiago), tenho a da Manu, a do Seresta Moderna e a de Aulas. Daí eu as cruzo com as agendas do meu gerente, da minha equipe de desenvolvimento no laboratório, dos seminários que acontecem aqui no trabalho e as de reuniões de grupo no Tecgraf. Meu Google Calendar acaba parecendo uma aquarela...

www.blogger.com
Porque eu também tenho que falar ao mundo. Tenho meu blog pessoal, mais um de vídeos, o site da Manu e o do Seresta Moderna (onde publico também a agenda do Google, pro público ficar sabendo onde vai ter).

Twitter
Descoberto mais recentemente (por insistência do Mentel). É o caminho do meio entre o orkut e o MSN. Você se conecta a várias pessoas e recebe recados aleatórios. Muitos deles são novidades de nicho, e você provavelmente não saberia de nenhuma delas se não estivesse lá.

Uma lista de coisas a fazer, que é um site que instalei no meu domínio pessoal (wiki.rodrigo.st/tracker). Bem funcional, me diz as coisas que preciso fazer e que não tem "data pra ser cumprida".

Um wiki em wiki.rodrigo.st e outro em wiki.manu.art.br.

Como lembrar de abrir todos os sites? Organizo tudo no Firefox. Ele está quase virando meu sistema operacional pessoal, falta só um bloco de notas (daqui a pouco vou acabar usando o Google notes). Basicamente, pra não esquecer de abrir nada, uma vez abri todas elas e marquei como minha "Home Page" no browser. Ele abre todos os sites, um em cada orelhinha, quando ligo o Firefox.

Ah, tem mais: www.gmail.com como sistema de email e www.dreamhost.com como meu gerenciador de sites. Fora isso tenho Flickr, Revver, Youtube, Orkut, essas coisas.

Mas pra eu não me afogar em uma enxurrada de informações, toda vez que vejo que alguma fonte está me dando informações que não consigo consumir - ou por se tornarem irrelevantes, ou por não ter mais tempo pra tanto - eu descarto essa fonte. Isso costuma acontecer com mais freqüência com as assinaturas de blogs e jornais online e no Twitter. Mas se encontro um site mais eficiente que outro, sem dúvida eu troco de sistema.

É importante se policiar com relação ao que chega aos seus olhos enquanto você está na web. Senão você morre na praia.

quarta-feira, março 26, 2008

Coração de Papel

Queria sinceramente entender esse Coco, da Dona Cila do Coco.

A senhora do Engenho do Bom Jardim
Mandou um carro pra mim com dois botões
No sereno tem gente que está roendo
Amanhã vai morrer do coração

Coração, coração
Ele não é de papel
Estou cantando este Coco
Em homenagem a Michel

Michel, Michel,
Cabeça de papel

Entra Michel pra comer papel


Vidão

quinta-feira, março 20, 2008

Luiz Gonzaga - Caminho de Pedra

Hoje estava ouvindo essa música do Rei do Baião. Linda canção.

Luiz Gonzaga - Caminho de Pedra

Ela começa com uma melodia já bastante conhecida, citada na música Gabriela, do Tom Jobim. Grande reverência prestada ao maior Cearense de todos os tempos.

Se você reparar, toda vez que, fora do refrão, o Luiz Gonzaga alcança as notas mais altas, sua voz fica longínqua, ganha uma ambiência. É meio óbvio, mas se prestar atenção, vai ver que é um efeito curioso, que dá a impressão de que tem mais gente cantando junto. Mas ele está só. Foi por isso que resolvi postá-la.

É linda, meio melancólica e nostálgica. Sabe, de vez em quando eu conto essa história que lembrei agora pras pessoas. Vou deixá-la registrada aqui.

Meus avós, os pais do meu pai, são do Ceará. Viviam em Guaraciaba do Norte. Meu pai veio pro Rio ainda pequeno. João, meu avô, era muito parecido fisicamente com o Luiz Gonzaga. Minha avó, Iraci, era loura, linda, de olhos verdes.

Não tem muito tempo eu soube que meu avô era menestrel de folia de reis. Quase chorei quando descobri, mas isso havia sido há dezenas de anos atrás, enquanto ainda estava no Ceará. Mesmo assim, ele improvisou algumas poesias pra mim, como se estivesse conduzindo a folia. Isso foi nos últimos meses de sua vida.

Minha avó há muitos anos está entrevada numa cama, após ter sofrido um derrame que a deixou por pelo menos dois anos com a mentalidade de uma criança. Teve cinco filhos, criava porcos para vender, fazia comida pra fora, lavava roupa pros outros, tinha galinhas, rezava seu terço religiosamente, preparava o melhor café que já tomei (e só bebia o dela, não tenho esse costume) e preparava o meu baião-de-dois pra eu comer com as mãos junto com ela, direto da panela.

Com sua mentalidade recuperada, Dona Iraci está em profunda depressão, pois não pode fazer nenhuma destas coisas, e perdera seu companheiro. Meu avô se foi depois do terceiro derrame, depois que fora afastado forçosamente das biritas às quais era muito dado alcoolatramente. Uma crise de abstinência o fez contrair a pneumonia que o levou, e por um dia eu vi meu avô velhinho, velhinho, bem acabado, com tubos furos no pescoço, no dia em que morreu.

Antes disso, ele era o cara que sempre parecia com o Luiz Gonzaga. Quando eu era novo, novinho, havia muitas festas na casa deles, que reunia todos os filhos. Tudo era regado a muito Luiz Gonzaga. A família reunida era sinal de forró. Mas não é nada disso que quero contar.

O que contei serve de base pra entender o que vou contar agora: o Luiz Gonzaga parecia tanto com meu avô que, quando pequenino, com todo aquele baião tocando na casa dos avós, eu achava que o Luiz Gonzaga fosse da minha família. Talvez um tio que ainda morasse no Ceará. Pra mim, ele era meu tio, o Luiz Gonzaga.

quarta-feira, março 19, 2008

terça-feira, março 18, 2008

A Vaga Era

(Rodrigo Santiago e Manu Santos)

Esperando acontecer o que sempre sonhei
Nas eras vaguei
Pois não seria à era do esperar
Que aconteceria o que sonhara

O sonho é dos que dormem
Fazer é para os lúcidos
Acordar, mesmo enquanto não dormia,
Foi o que precisei aprender

Vagando até o final desta era de sonhos, vi-me:
Pá, pedras, chão e cal
Deveria construir minha vida
Com minhas próprias mãos,
Gratidão,
E sob o guarda-chuva
Da divina vontade de Deus



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Para Aprender

Eu sigo a um propósito: aprender. Posso ter qualquer cara que queira.

segunda-feira, março 17, 2008

Seresta Moderna na Sala Baden Powell

Da esquerda para a direita:
Manu Santos - Voz
Radamés Lago - Percussão
João Francisco - Voz, Violões, Arranjo e Direção Artística
Juli Mariano - Voz e Pesquisas
João Gabriel - Piano
Rodrigo Santiago - Samplers, Percussão, Violão e Voz





A lente é de Marco Sobral.

sexta-feira, março 14, 2008

Por Que o Google Cresce Todo Dia?

É fácil de explicar.

O sonho do Zé da padaria é poder atender todos os consumidores com qualquer item que precise. A localização geográfica em si, o ponto onde as pessoas passam para comprar algo é apenas um embuste para a oportunidade do vendedor.

A localização do imóvel comercial não é o negócio. Mas conveniência da localização é o fator chave para que a tal oportunidade de venda aconteça, com a presença do consumidor. Por que tantas padarias e botecos funcionam em frente a um ponto de ônibus? Infelizmente, a padaria não tem todos os itens do mundo, senão seria de interesse de qualquer pessoa entrar lá para comprar algo. Além disso, é limitado o número de pessoas interessadas em entrar em padarias. Pior ainda é a Lei da Impenetrabilidade da Matéria: dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Como acomodar todos os itens e todas as pessoas do mundo nas finitíssimas prateleiras e corredores de uma padaria?

Simples assim: o McDonalds compra 10 imóveis em um lugar desabitado, e instala uma única loja. As pessoas começam a freqüentar aquela loja. O McDonalds vê os outros imóveis valorizarem pelo aumento de circulação de pessoas. Daí, aluga todas as outras 9 lojas por um valor abusivamente alto. Os donos dos negócios instalados nas lojas, digamos, de cachorro quente e móveis de escritório, suam a camisa pra pagar o aluguel e tirar seu lucro. O McDonalds está comendo os lucros dos cachorros-quentes e dos móveis de escritório, vendendo-os indiretamente. Para quaisquer outros negócios que venham a se instalar naquela zona de 9 lojas, o McDonalds estará lucrando diretamente com um outro negócio que não é diretamente o dele. Ele pode vender qualquer coisa, mas não tudo ao mesmo tempo (varia de acordo com o tipo de loja instalado ao redor do McDonalds). Ele pode ter qualquer tipo de freqüentador, mas não todos ao mesmo tempo (idem para os tipos de loja que acabam surgindo por ali).

O Google FAZ isso. Vende tudo, pra qualquer tipo de pessoa, ao mesmo tempo. Virtualmente, ele inventa um site de utilidade pública. Mas ao invés de vender o serviço (como o Gmail, vários outros serviços de email são assinados e cobram uma taxa periódica), ele o fornece DE GRAÇA. E-mail com 6 gigabites de espaço (dá pra guardar a narrativa da minha vida iteira lá em formato de texto) é de interesse de qualquer médio internauta.

Com o serviço prestado, qualquer local virtual do Google (o site de busca, ou o Gmail, por exemplo) é bastante conveniente. Ele tem milhões de freqüentadores que verificam aquela telinha a cada 10 minutos, umas 8 horas por dia, sei lá.

Dado que o local é abusivamente conveniente, falta apenas o produto. E o que o Google vende? Resposta: o produto dos outros. Qualquer produto.

O Google subverteu a lógica tradicional das lojas. É como se pessoas do mundo inteiro freqüentassem a "lojinha Google" porque lá estão dando chocolate de graça, 24 horas por dia, todos os dias da semana. Daí, os agentes do Google ficam ouvindo as conversas de todos os milhões de freqüentadores. Ele tem um vendedor pra cada pessoa que entra nela. Esse vendedor fala a língua da pessoa, entende o assunto, e logo em seguida oferece um produto, intrometendo-se.

Imagine a cena abaixo:

Henrique entra na lojinha do Google e encontra Mateus, seu amigo de infância. Um terceiro rapaz, empregado da loja, de nome Ricardo, que tem cabelos grandes, usa óculos e uma camisa do Iron Maiden - o vendedor nada perfeito - chega perto deles e ouve atentamente o assunto:
- Fala, meu compadre! - Henrique.
- Fala, Bro! - Mateus.
- E aí, foi bem de viagem?
- Pô, do Centro pra Santa Cruz é chão.
De repente, o Ricardo, se intrometendo:
- Ahn... Com licença. Você gostaria de viajar? Tenho aqui um pacote inesquecível para você e sua família.
- E sua irmã? - Henrique.
- Ah, está ótima, chegou mortinha de cansaço - Mateus.
- Que tal um relaxante muscular pra vocês? - Ricardo.
- Olha, semana que vem vamos ao show do Paralamas, tá a fim? - Henrique
- Excelente! Vambora! - Mateus
- Olha, tenho ingressos para o show do Paralamas a dez Reais. - Ricardo.
- Ôpa, Ricardo. Como é que é o esquema? - Mateus.
- Toma aqui esse endereço de Internet. É lá. - Ricardo.
- Pô, demorou! Maior adianto, aê... - Mateus.
Mateus sai da lojinha Google, onde fica seu amigo Henrique1, aparentemente falando com as paredes, e Ricardo por perto, sempre a oferecer as coisas mais esdrúxulas. Dirige-se à outra lojinha da Ticketronics, onde compra de William um ingresso a dez Reais para o show do Paralamas:
- Ô, meu velho, tá aqui a tua grana - Mateus.
- Beleza, bro, tá aqui teu ingresso - William.
Com a saída de Mateus, William se vira para Tatiane, sua colega de trabalho:
- Ô Tatiane, leva aqui um Real lá pro Ricardo. Manda ele oferecer pra mais cem pessoas os ingressos pros Paralamas a dez Reais.

quinta-feira, março 13, 2008

Anonymous Coward

From Wikipedia
"Anonymous Coward" is a term applied within some online communities to describe users who post without a screen name; it is a dummy name attributed to anonymous posts used by some weblogs that allow posting by people without registering for accounts. The practice, which had its roots in BBS and USENET culture, was made especially popular on Slashdot, where the mildly derogatory term is meant to chide anonymous contributors into logging in. Some weblog engines such as Scoop use the term "Anonymous Hero" instead, perhaps to avoid the name's confrontational nature. Others use stronger varieties, like Plastic.com's "Anonymous Idiot", and SuicideGirls' "Random Fuckbag".
Cuidado com eles.

Yôga Na Praia



Este é o Edu. E a foto é iradíssima.

Margarida Verde



Gostaram do novo banner?

terça-feira, março 11, 2008

Nega Panela

(Rodrigo Santiago e Manu Santos)

Nega Panela batendo canela
No samba crioulo de Dona Sinhá
Traz os quitutes em potes de lata
Fazendo os quindins, os quindins de Iaiá

Nega que canta, balança
Com todos os doces no colo de Sol
Levando cocada na prata, imitando ganzá
Contando da nova iguaria
Que vem confeitada de favos de mel

Fazendo os balagandans, remelexos
E breques-te-breques no chão

Nega que empina a moringa
Na ponta dos dedos e inventa refrão
Não pára, repara
Que eu gosto de ouvir o teu som
De cuias, cumbucas e dos tabuleiros
Batendo na colher de pau

Fazendo os balagandans, remelexos
E breques-te-breques no chão



Safe Creative #0803110483950


A gravação em voz e violão está aqui:
Nega Panela (mp3)

Qualidade baixa e sem produção, só pra ficar o registro.

Safe Creative #0803110483974

segunda-feira, março 10, 2008

Performance



Esta foto foi uma das melhores da série Manu Santos. Está sem tratamento, foi tirada na Lona Cultural Hermeto Pascoal.

sexta-feira, março 07, 2008

Dezessete Bilhões de Anos

Naquele dia, sua casa estava cheia. Estrelas, astros, vias lácteas, todo mundo estava lá. O homem escuro, de barbas brancas, pesadas, das profundezas de seus dezessete bilhões de anos, se recusava a soprar as velinhas. Ele olhava em seu interior, e via na euforia dos pequeninos seres que dentro dele viviam um motivo pra comemorar: era seu aniversário.

Será que eles não cansavam? Ficavam a dar voltas em seu Estomacal Sistema Solar, contando uma parametrização de unidades de tempo totalmente harbitrárias. Yugas, anos, nanossegundos, bits, luas. Em cada momento era uma coisa. Eles não se cansavam.

Sentiu frio. Colocou seu casaco de matéria escura. As barbas estavam de molho há incontáveis giros do Sol. Incontáveis mesmo. Isso é coisa de um povo da Terra. Agora, sentia pena.

Havia muitas coisas inexplicáveis aos seres intrínsecos deste ser. E muitas coisas inexplicáveis a este ser sobre os seres intrínsecos. Por mais que fosse onipotente, não os controlava. Por mais que fosse onisciente, haviam segredos indecifráveis. Por mais que fosse onipresente, não era notado.

Entristecia-se. Seus remédios não funcionavam mais. Estava com dezessete bilhões de anos, e nada mais parecia resolver a tendência destes micróbios de se autodestruírem. Parecia muito com aquilo que eles próprios inventaram, que se chamava Câncer.

Cada criação boa correspondia a uma ruim. Viviam segundo as leis do equilíbrio, do Ying e do Yang, que descobriram, mas sobre à qual fechavam os olhos e fingiam nada saber.

"Estes serezinhos que vivem dentro de mim. São uns insanos. Ao taparem os ouvidos à minha voz, criam seu próprio circo de loucura, enxergando vários super-seres que podem governar suas vontades espirituais. Grande necessidade espiritual de merda, estas coisas todas que lhes aparecem não existem. Eles não sabem que estão em mim. Cavam-me buracos, de dentro pra fora. Irrompem em explosões. Desnutrem parte do meu corpo... Eu estou ficando obsoleto."

Olhando no espelho, vê um outro universo: o de sua imaginação.

"Eles foram todos feitos segundo minha vontade, à minha imagem e semelhança. E eu era tão bom, tão íntegro, tão perfeito. Eu era tudo o que eles precisavam. Eu era o centro de tudo. Eu era o mais poderoso. Eles eram tão parecidos comigo. Eu os fiz exatamente assim, como eu. Justo eu, que sou tão belo, tão majestoso, tão divino..."

E, piscando, afasta-se do espelho, abaixando lentamente seu olhar, como que resignado.

"Onde foi que eu errei?"


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Louco Maracatu




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Berlinda




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quinta-feira, março 06, 2008

Mágoa e Perdão

O que disseste era menos que devia
Tu espalhaste mil mentiras pelo chão
Acumulou a rasa dor que não podia
E transformou numa tormenta sem sentido

Saindo agora com a face tão despida
Que parecia ter falado com razão
Pois eu te digo, não conheces o efeito
Do bom convívio e do poder da humilhação

Amargarás tudo lá fora
Quando cuspir acusações
Porque aqui dentro, em família,
É bem mais fácil
Magoar e ter perdão



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terça-feira, março 04, 2008

Efemeridade Individual e Pública

Lendo um texto do meu amigo Jorge Maia, tive o seguinte insight:

Descobri que a efemeridade da opinião pública baseia-se inteiramente no coletivo da efemeridade da opinião individual. E descobri em mim mesmo, enquanto selecionava textos do meu blog para registro. Imagine o que acontecia toda vez que eu prometia ou me comprometia com algo em algum texto? Eu esquecia, logo em seguida.

Estou envergonhado pela minha falta de direção. O que foi bom é que eu realmente nunca parei de escrever, e isso eu nunca prometi. Se tenho um grande hiato de publicações no blog, me agrada o simples fato de os textos destas datas não terem sido escritos lá, mas estarem em cadernos. Quase uma dezena deles.

Quanto aos jornais, só uma coisa não muda nunca: a Fernanda Montenegro sempre vai ser a maior atriz do país, em qualquer jornal, em qualquer data.

sábado, março 01, 2008

Sobre Os Cílios

Hoje eu estava com meu amor nos meus braços quando reparei mais uma coisa encantadora. Ela tem cílios lindos. Isso me levou a um monte de pensamentos. Ligo daqui, ligo de lá, e chego à seguinte conclusão: na entrada da Melt, seguranças enormes asseguram que indivíduos indesejáveis não entrem. Nas entradas da boate-corpo-humano, são os pelinhos nossos seguranças.

Vou desenvolver esta observação um outro dia, quem sabe. Concentrando-me nos cílios, hoje sou um cara culto no que diz respeito à ginástica dos femininos. Um dia, enquanto ia para o trabalho, encontrei uma amiga no ônibus. Nessa época, nosso ganha-pão ficava num lugar a uma hora da nossa casa. Conversa vai, conversa vem, minha amiga saca de sua bolsa um estojinho de maquiagem. Disse que economizava tempo se fizesse sua pintura facial dentro da condução. Com um espelhinho minúsculo, ela iria começar sua arte. Base, blush, baton, sombra, rímel, perfume, escova, corretor, lápis, e tantas outras coisas que só a vaidade feminina são capazes de conceber saltaram de dentro do estojinho, não necessariamente nesta ordem. Comecei a ver uma fumacinha em torno do rosto dessa menina, parecia uma briga entre mãos e face, tipo desenho animado. Só de pensar naqueles cheiros e pozinhos todos sendo aspergidos no ar a menos de cinqüenta centímetros do meu rosto dentro do ônibus me dá vontade de espirrar.

Tudo transcorria na pressa e prática femininas típicas, quando DE REPENTE... De repente, ela sacou um item esquisito da bolsa. Um objetinho pequeno, metálico, com pegadores tipo uma tesourinha, mas com dois arcos que se encontravam na ponta, ao invés das lâminas. Parecia um objetinho de tortura, com a armação bem intrincadinha. Coisa de mulher mesmo, sabe? Quando ela se olhou no espelhinho, pegou a tesourinha esquisita e aproximou-a meticulosamente dos olhos - ficando até com a ponta da língua projetada pra fora dos lábios, lateralmente - como se estivesse mirando o negocinho na cara, eu pensei que fosse sacar as órbitas oculares pra passar maquiagem por dentro. Essa parte branquinha dos olhos realmente não tem nenhuma graça. É tão neutra...

Finalmente, ela chegou ao seu alvo. O problema não eram as órbitas. Eram os cílios. Ela enforcou todos, de uma vez. Apertou os cílios entre os arquinhos do negocinho que parecia uma tesoura. Primeiro os da pálpebra superior direita, depois os da pálpebra superior esquerda. Vixe, parecia que ela ia arrancá-los todos fora, ou então que estava a sufocá-los! Por alguns segundos, aquela cara de garota arteira com a língua pra fora apertando os cílios dava a entender que tinha raiva deles. E eles pareciam todos se espicharem pra cima, como se dissessem "por favor, eu não tenho nada com isso!! Pare, não estou conseguindo respirar! Não fui eu! Não fui eu!". Esse tal "espichador de cílios" deixou-os todos pra cima, e após isso, quando ela guardou a tal tesourinha, tinha os olhos parecidos com os de uma boneca da Estrela.

Que coisas mais sinistras a alma feminina é capaz de criar para si própria. Quando eu achava que não havia mais nenhum método... Após as cirurgias de estômago, aspiradores-de-gordura, lingeries-super-apertadas, removedores-de-pedaços-de-pele, arrancadores-de-pêlos-de-partes-super-sensíveis, puxões-de-cabelo-,-cauterizadores-e-afins, banhos-de-chocolate (essa é realmente uma frustração de não poder comer chocolate muito estranha) e toda a sorte de apertões no corpo aos quais se submetem as mulheres para, teoricamente, ficarem mais bonitas... Nem mesmo os cílios foram poupados. Não bastou o rímel. Tinha que ter alguma dor no meio do processo.

A epopéia do embelezamento feminino é muito irônica. Para se tornarem mais belas, mulheres se submetem aos tratamentos mais dolorosos, PERIODICAMENTE. A cantiga do feminismo prega que as mulheres devem ter direitos iguais aos dos homens, e isso significa estarem sempre lindas de morrer. Seria melhor dizer "lindas até quase morrer". Se fosse uma religião, teria o seguinte mote: "a mulher deve se livrar do corpo em que veio e comprar um novo nas liquidações".

Para se purificar de seus pecados, minha companheiríssima decerto também utiliza seu subconjunto do universo de métodos embelezadores. Mas não precisa de enforcadores de cílios.

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quinta-feira, fevereiro 28, 2008

MPB - Foto Histórica


Dando prosseguimento à série de fotos, segue a histórica da MPB. Recebi por email do Giovani, um grande amigo.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Cambada Mineira, Lô Borges e Manu Santos no Rival - Rio de Janeiro

Lembrancinhas da grande noite mágica pode ser vista Aqui, no www.manusantos.com.br e Aqui, no Película de Rua (Escrito por mim mesmo).

Isso é que é coisa boa. O resto é poeira no caminho.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Defendendo a Libertinagem

(Abertura da discussão)
Fulano: "Droga! Acabaram-se os passeios em iates acompanho de modelos gostosas, burras e solícitas... :)"

Cicrano: "Aproveita agora, que no Carnaval isso tudo é de graça, com exceção do Iate. Elas todas estão em liquidação!"

(Momento deceptivo e entrada da discordância)
Beltrana: "Nossa! Que decepção, Cicrano... 'Elas todas estão em liquidação!'???"

(Argumento)
Cicrano:
Neste momento, venho incorporar meus dotes sociológicos, em defesa da nobre satisfação biológica do ser humano.

Eu me referia tão somente às "modelos gostosas, burras e solícitas" sobre as quais falava nosso amigo Fulano, e não a todas as mulheres. É um estereótipo muito comum no Rio de Janeiro, em especial no Carnaval.

É claro que, para uma mulher, ter um destes atributos não implica ter todos os outros. Acontece que o conjunto formado pelas mulheres possuidoras de todos eles é, no mínimo, muito útil.

Há um importante papel a ser desempenhado por elas. São todas responsáveis pela acessibilidade afetiva (ainda que momentânea) dos cidadãos do sexo masculino que são incapazes de contrair um
compromisso com mulheres que têm o que falar e sabem o que querem - e que talvez por isso mesmo estejam em falta para estes pobres e carentes mancebos. Elas - as "modelos gostosas, burras e solícitas" - exercem uma missão de inclusão social, e isto é não só indispensável, como louvável.

Curiosamente, as vagas para este perfil parecem nunca saturar o "mercado de beldades procuradas". A demanda é inelástica, tendendo ao infinito. Em resumo "o que vai pra prateleira é consumido, independente da quantidade e preço". E para arrematar o argumento, lembremo-nos que, justamente no Carnaval, acontece o fenômeno econômico que alvejei: a oferta atinge picos inalcançáveis em qualquer outra época do ano, os preços despencam junto com a vergonha, tendendo a ZERO. Resultado: liquidação total (literalmente) e consumo indisplicente (idem).

Que outra saída teria o homem que, por problemas também sociais, mas que não descreverei aqui, não tem um compromisso fiel e sadio?

Você não é destas. Portanto, assumo que não seja de seu costume "entrar em liquidação no Carnaval".

sábado, fevereiro 02, 2008

Defendendo as Intenções

O Brasil não tem desempregados.
Tem gente estudando pra concurso.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Prática da Fotografia

A cada cem cliques, um presta.
A cada mil cliques, um presta MUITO.
A cada dez mil cliques, um deles merece um prêmio.

Dentro de dez mil cliques,
Achar o premiado é um problema sério.

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Odisséia Além-Mar

No voar da onça feroz
Que roubou asas de avião
Nos sinais da nova estação

Não sei se castigar resolve não
Não sei onde encontrar um coração
Não sei onde guardar meu coração
Que se feriu pelos limites da paixão

Não sei se acabou a solidão febril
Do morno sossego que se instalou

No além-mar só navego a voz
Que gritou "cauda de pavão"
Das reais senhoras de um tostão

Não tento arruinar esta monção
Nem faço seca num breve sertão
Ao menos me vestir de pai-joão
Teu Carnaval, onde pierrot não vale não

Não há parafernália de condão anil
Nos ventos de gelo que me soprou

Se vieres ver como cresci
Além dos postes que te iluminavam também
Será, meu bem, o meu prazer
De ver como te deixo louca

Mas, do cais,
Eu verso para este além-mar
Onde se foi buscar alguém
Que bem outrora quis zelar
Este contrato que ninguém quer assinar

Nos sinais
Que configuram meu serão
Jamais retornarei audaz

Serei mordaz no teu verão
E tempestades jorrarão
E arco-íris saltarão do céu
Imaculando o meu perdão




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Essa foi uma feliz coincidência. Eu estava tentando fazer uma melodia pra uma outra letra. Consegui uma bonitinha, mas não tinha muito a ver com o que estava escrito. Daí eu escrevi uma letra mais apropriada pra música. A anterior ficou guardada.

Tem muitos momentos nos quais eu só arrumo uma palavra que encaixa, e que seja "da família" do assunto. Aí a letra ganha um sentido abstrato, abrangente. É um truque possível, e esse truque, ironicamente, eu uso quando não sei muito bem o que vou escrever. Aí, pincelo palavras, no acaso, mais ou menos, e a letra acaba crescendo. Essa é uma técnica boa, porque dá resultados bem subjetivos na hora de interpretar. É a tal da "letra viajante".

Lótus

Oh! Flor do céu! Oh! Flor cândida e pura!
Retinta dos bons jardins Edênicos!
Perfeitas, maliciosas e virgens brumas
Guardam-te, sequestrando-me do desejo!

Me fazem conter-me ao vê-la só tez,
Cravando em minhas pestanas, alvura,
Mas na alma, satânico bem do querer,
Do véu santo e dos espinhos cegos, nua

Contento-me de, inocente, deixá-la!
Paro a deliciosa pré-luta de órbitas vis e rasas
Apagando sozinho as chamas do Eros que afagavas

Mas se, palatado o teu néctar por minha gula,
Aproveita o inseto que tua lótus cala!
Perde-se a vida, ganha-se a batalha!



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quinta-feira, janeiro 24, 2008

Samba do Trabalhador

Abram passagem
Pra grande emoção entrar, ô ô ô
A boa luz do samba, la laiá
Acabou de chegar

Trazendo a sensação
De antigamente
Belas poesias
Simplesmente diferente

Depois de tempos hostis
Muda o palco num clarão
Aqui se faz samba
É na palma da mão

Os versos do Renascer
São na raiz Vila Isabel
Universo do samba
Terra de Noel

Segunda de bambas
Terreiro, pés no chão
Um chope às quinze
É tudo de bom
No aeroporto
Feito avião
Daqui para o mundo
Todo mundo notou

O mais lindo
Samba do Trabalhador



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terça-feira, janeiro 15, 2008

Os Filhos de Eleonor

Eleonor teve dois filhos que ama, mas que contra sua vontade não têm metade da normalidade das crianças dos vizinhos. E nem um centésimo disso.

O primeiro deles, Medhros, tem a boca completamente nua; e no lugar dos cabelos possui longos e finos dentes, apontados para cima, como se houvesse uma enorme boca perenamente aberta, cuja circunferência segue a coroa de sua cabeça. Essas pinçudas presas permanecem em um lento movimento, como o de uma respiração, dando ao garoto mais velho uma aparência simplesmente arrepiante. Apesar de seus 15 anos, seu falar mais parece o de um velho que colocou uma esponja bem macia na boca. Tem um estômago poderoso, uma traquéia elástica, um esôfago que mais parece uma cobra de tão controlado, sendo capaz de engolir as coisas mais duvidosas.

Em certa feita, enquanto fazia graça para que sua mãe não insistisse que comesse brócolis, Medhros subiu em uma mangueira e comeu folha por folha. Passou dez horas catando cada um dos brincos verdes da árvore, deixando os galhos e os frutos intactos. Ao ver seu filho preso na árvore, com a cintura da largura de um fusca sem pneus, Eleonor decidiu que nunca mais pediria que comesse, porque comia bem demais quando queria.

A mangueira, com medo de sofrer um novo assalto do garoto, nunca mais deu uma folhinha. Nem um único e pequenino brotinho verde lhe saiu da ponta do galho mais fino da parte mais alta da árvore. Estava apavorada. Seus frutos ressecaram, não era mais capaz de se sustentar. Secou e se tornou uma árvore assustadora (mais assustada do que assustadora, na verdade).

Uma outra vez, durante uma briga com um de seus vizinhos, Nestor, Medhros arremessou-se de cabeça contra o rapazinho. Ele recebeu tantas dentadas na região pélvica que nunca mais pensaria em sexualidade na sua vida. Medhros arrancou as bolinhas do garotinho com muita acuidade, guardando-as nos bolsos para mais tarde montar um bate-bolinhas, envoltando-as com resina e pendurando ambas nas pontas de uma cordinha. Prendeu um anel de ferro na metade do comprimento da fina corda, e então punha-se a segurar o anel de ferro, balançando as bolinhas-de-garoto-de-resina uma contra a outra. Toda vez que brincava com o objeto, Nestorzinho sofria dores terríveis, tais que não conseguia levantar-se de onde estivesse, e nem mesmo deixar sua posição fetal característica, na qual passava a maior parte do tempo, vide seu trauma anterior.

O segundo filho de Eleonor eu não ouso descrever, e acho melhor parar a história por aqui, antes que ele descubra que estou pensando nele.


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A Ruiva do Saulo

(Partido Alto)

Encontrei o amigo Saulo
Com um tremendo mulherão
Cabelões muito vermelhos
Boca cheia de batom

Salto alto, saia curta
Nos mostrando tantos dotes
Meus botões, pensando bem,

Tem alguma coisa errada
Porque a fama desse cara
É de não pegar ninguém

Eu falei
Que a fama do Saulo
É de não pegar ninguém

Aí que eu descobri
Saulo de bobo é quase nada
À espreita nas noitadas
Deu o tiro bem no alvo

A preferência do nosso colega
Era só de ruivas
Esperou feito coruja
De olho grande na irmã do parceiro Araquém

A garotinha que já debutava lá pros seus dezoito
Chegou bonitinha, toda arrumadinha
E Saulo deu o bote naquela ruivinha

Eu falei
Que a fama do Saulo
Tá com a irmã do Araquém



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sexta-feira, janeiro 11, 2008

quarta-feira, janeiro 09, 2008

A Salvo

Salvo o que é dos outros, o que é meu, é meu. Este blog está inteiramente registrado. Todos os meus textos estão expressamente registrados no meu nome.

Eu sou Rodrigo, e meus textos agora têm uma identidade na web.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Soneto do Quererismo

No meu quereral tenho plantados
E como poderiam não ser: quereres,
Desejos, quiçás, sementes de vontade,
Almejos de todas as estações

No meu quintal, colheita mais valiosa
Logo à frente descarto descompromissos.
Num cemitério pequeno, graças a Deus
Jazem frustrações e perdas totais.

Minhas ferramentas são tão poucas
Coragem, audácia, humildade
Felicidade por muito viver

Os riscos também não ficam por mais
Querer somente o melhor existente
Implica perder o que é sempre pouco


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quinta-feira, dezembro 27, 2007

Amarelo

(Para Tila)

Será que a minha filhote de labrador
Vai amarelar quando crescer?
Como amarela o trabalhador cansado
Como amarela o céu, ao fim do dia
Como amarela Ronaldo em decisão
Como o Amarelinho na Glória, ou da Cinelândia
Como amarela o envergonhado
Como táxis do Rio,
Como a frebre amarela
Como as páginas de um velho livro
Fotos antigas, ou Amarelas Páginas

Será que vai?
Como amarelam as folhas ressecadas
Samambaias, chorosas, amarelam na falta d'água
Já os girassóis, sempre

E como é o Sol escaldante, amarelão
Como os olhos do preto, bem preto, velho
Ou a antiga amarelinha das crianças

Ouro, bananas, cervejas, orientais,
Tantas coisas amarelam como uma faixa do arco-íris
Só espero minha labradora não amarelar

Luz secundária, Sangue-Mata,
Amarela é a matiz que mata,
Chama-olhos, ouro de tolo é o amarelo,
Acho o amarelo sendo a cor da morte

Por fim - amarelo-claro, claro -
O futuro da minha cadela
Tanto quanto o nosso futuro,
É um semáforo... Inflexivelmente amarelíssimo.



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segunda-feira, dezembro 24, 2007

Das Coisas Mais Valiosas

A relação entre as coisas
É o motivo final da razão.
Daí que provém a maior riqueza.
Construa relações.

Feliz Natal!

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segunda-feira, dezembro 10, 2007

Maior Que O Samba

(Para Manu)
Com todo esse charme que mata e me pega
No contra-pé de minha resistência
Não tenho mais o que falar… Só te admirar

Quando pega a cadência e refaz os acentos,
Me encanta de tanto cantar
meu sonho é tão particular - de te amar

Comandando o teu grupo com braços de mestra
Tu és a maestra que quero abraçar
Maior que o samba que dá

Sopro de canouro
Olhos diamantinos
Cheiro de Jasmim
Lábios de cetim

E os abraços de seda
Me pego a pensar
Se um dia tenho
Não vou mais parar

Tenho que ter sorte
Pra amar uma bela dama assim
Ser amado por ti é a bênção de Deus
Pra minha vida ficar mais feliz


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quarta-feira, dezembro 05, 2007

Justiça Gratuita - Nei Lopes

Felicidade, passou no vestibular
E agora tá ruim de aturar
Mudou-se pra faculdade de direito
E só fala com a gente de um jeito cheio de preliminar
É de amargar
Casal abriu, ela diz que é divórcio
Parceria é litisconsórcio
Sacanagem é libidinagem e atentado ao pudor
Só fala cheia de subterfúgios
Nego morreu ela diz que é de cujus
Não aguento mais esta felicidade, Dr. Defensor
Só mesmo um Desembargador
Amigação pra ela é concubinato
Vigarice é estelionato
Caduquice de esclorosado é demência senil
Sumui na poeira ela chama de ausente
Não pagou a conta é inadimplente
Ela diz consultando o Código Civil
Me pediu uma grana dizendo que era um contrato de mútuo
Comeu e bebeu disse que era usufruto
E levou pra casa o meu violão
Meses depois que fez este agravo ao meu instrumento
Ela então me disse cheia de argumento
Que o adquiriu por usucapião
Seu defensor, não é mole não!


Fantástico!
*Nota: o compositor é formado em direito.

sexta-feira, junho 08, 2007

Novo Blog Na Área

Quer saber as últimas da corrupção brasileira??

Um extrato de todos jornais sobre CPI, CPMF, Reforma Tributária e Desvios de Verba. Só pra você, olha aqui, ó:

Colarinho Branco Mata!

quarta-feira, maio 30, 2007

Costumes certos fazem pessoas direitas.

Quando Faltar Calor

Não esqueça que eu te amo
Lembra que teu coração bate pelo meu
Quantas vezes já me disseste
Que o teu vive aqui, no meu peito?

Quando faltar coragem
Fecha os olhos e esquece o resto
Lembra que sou eu quem lhe fala
Lembra que espero por ti
Em cada segundo do meu dia

Não te tornes fria em momento algum
Porque mesmo o mais duro dos corações
Amolece ao ver a alma amorosa

Se lhe partem a face com um golpe de punho
Ou se lhe apunhalam as costas com habilidade de cobra
Mais tarde ser-lhe-á ardente e dolorido o coração em culpa
Por ter machucado alguém que, por si só, ama

Não perca teu dia com indagações vazias
Inúteis vicissitudes do chão que despenca sem cair
Não deixe que façam de tua alma o iceberg
Pois, quando me faltar calor
Tu serás meu Sol, meu cobertor,
Minha toca, minha cama,
Tu é quem fará o meu dia


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segunda-feira, maio 21, 2007

Baú-Mundo

Se me parto, breve,
É porque procuro um porto
Ser teu porto
Por um futuro, por um cheiro,
Por um terreno, um cantinho
Pra gente dormir direito

E se me pego longe
É pra poder voltar sempre

...

Dia chuvoso
Céu de algodão cinza
Sol na moleira
Moléstia, peste, vento,
Frio, calor, fotografia,
Pra te levar os lugares onde estive

Pra me pensar
Ter te levado aos lugares onde andei

...

Pra tornar esta panacéia da minha cabeça
Progressivamente real
Até não mais sairmos
Um de perto do outro
Em qualquer lugar
Em qualquer mundo

...

Minha saudade clama
Pra te arrastar comigo

Minha cama é a saudade
Onde durmo sem paz
Longe do meu anjo adormecido

Agora, eis que sofro,
Mais uma noite só
A fim de cultivar
Tua presença ad eternum
Feito tesouro em um baú-mundo
Que, a ser desenterrado,
Permanece, por hora, escondido



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quarta-feira, maio 16, 2007

Amorzão

Daqui a pouco vou partir
Quero dizer que te amo
Enquanto puder me ouvir

Depois eu direi, também,
E o vento se encarregará
De te levar essa mensagem
Que não chegará pelos ouvidos
Mas pelo coração

Você saberá
Quando estiver pensando em você
Te dizendo: te amo




Para Emmanuele.

Engraçado

Quando eu era mais moleque
Não queria saber do que era novo
Só queria ouvir as velharias
E o que tinha sido história

Passa o tempo, me torno velho
Mas hoje, diferente dos velhos dias,
Quero mesmo é sair pro abraço
E reinventar tudo o que faço

Quando era criança, eu queria o meu chão
Um chão firme, que não machucasse meus pés
Chão forte, pra eu me formar de primeira

Quando era criança, queria cantochão
Mas hoje, quero eletrizar,
Quero sambar tudo de novo
Quero abraçar tudo que amo e renovar meu gosto

Quando guri, estava mais próximo ao chão
E eu queria a terra
Mas cresci, e agora, mais distante de onde piso
Quero me aproximar ainda mais do céu


terça-feira, abril 24, 2007

O Perigo das Palavras'

"Meu" é uma retórica problemática
Nada que temos, temos
Tudo é de ninguém
Nenhum algo vai conosco
Nenhum algo fica conosco
Por tempo indeterminado

"Morrer" é perigosamente desesperador
Eu não morro. Vivo quando parto
E quando parto, não posso ser dor
Se sei que aqui há, mas lá 'inda não sei'

"Ser" é desconhecimento permanente
Não sabemos o que somos
Talvez nunca venha à tona
Apenas pensamos, e isso é constatado
Ou estaria eu enganado?

"Saber" é abstrato
Esse, definitivamente não existe
No sensível mundo do tato
Tomé, tomara que um dia se prove o que sei, que é:
O que sabemos não importa de fato

O passado é o agora que se desfez
O futuro é o agora que a gente inventou
O agora não me interessa explicar
Já que as palavras não vão me dizer muito mais
Do que me diz o presente momento

Palavras devem ser usadas com cuidado
Não transmitem a verdade,
Mas sim a mensagem do acreditado
Tome cuidado, ao usá-las cegamente,
Você pode estar errado, ou estar sendo enganado

Porque o mundo das línguas,
Na nossa cabeça, é um caminho de rato
Um curto circuito neural muito doido
Um teatro mental, isso é o que é esse mundo,
Dentro das nossas fanáticas mentes
Quem julga o que pensamos, dentro de nós mesmos?
Ninguém.


Beautiful Couple Revised

When I see them together happiness shies in their eyes
If I feel sad inside I become to be all right
When they’re wandering aimless sun kisses their skin
For whom rings the bell? For Rodrigo and Emmanuele

They live in the bottom of my heart
They clear my way when life is very hard
It’s good to know their love is still growing
It makes happy when I’m feeling down

Some day they will be three or more, I hope to see
Children smiling on the lap of the beautiful singer
And tough many years will pass we’ll still listening the bell
Long life for the love of Rodrigo and Emmanuele


Essa é do Jorge Maia. Uma re-edição de uma antiga música. Depois vai rolar o áudio.

Valeu, Jorge!

Uma Vez Me Perdi

Uma vez, não mais do que isso
Me apaixonei... Pelo quê? Não sei
Daquela vez, a única,
Eu entrei na vida de alguém
Uma pessoa que não tinha nada a ver

Até hoje, eu me pergunto:
Como deixei isso acontecer?
Porque amor, você sabe,
É maré onde nos deixamos levar -
Essa me lançou do avião

Mas aí, como eu dizia,
Naquela vez eu via um monte de coisas boas
Eu vivi um sonho lindo
Só aqui na minha cabecinha tola
Fiquei prostrado de paixão
Mas ela não tinha nada a ver comigo

Hoje, eu me pergunto:
Como deixei acontecer?
Um estranho, uma estranha, um desejo
Combustível, calor, comburente
Queimei o desejo
E com ele o vício de amar sem jeito

Quando desiludi? Foi só escolher enxergar
Desencantei, e me vi
Na casa de pessoas estranhas
Ouvindo e vivendo coisas estranhas
Temendo o previsto: a estranhice

Hoje, eu realmente me pergunto, e insisto
Neste mesmo instante, me inquiro:
Por que me deixei acontecer desse jeito?
Mas naquele tempo, era mais veia e instinto
Hoje, é mais sensibilidade
Naquele tempo, eu era adolescente,
Hoje, ainda sou, de mais idade

Não quero um conto de fadas
Quero que os encantos sejam reais
As fadas que me perdoem,
Mas eu prefiro mulher de verdade.




Essa é de 18/10/06... Bem antiguinha.

Manuzinha, meu amor. Você é a minha mulher de verdade ;-)

domingo, abril 22, 2007

YoungTubers

Do you realize what it means?



Outro dia eu pensava o seguinte: se o problema todo da futura falta de água é que a água POTÁVEL é escassa, então não temos por que lavar carros, garrafas, ou qualquer coisa com a água POTÁVEL. Nem a boca, nem o corpo...

Me perguntei o seguinte: quanto custaria alternar o sitema de fornecimento de água potável nos sistemas hídricos tradicionais para água do mar, dessalinizada?

Você tem noção do desperdício de água POTÁVEL estamos promovendo, usando-a para fins que não sejam bebê-la?

Ah, sobre o vídeo... Hoje é o dia internacional da Terra.
Eu não sei o que você faz com os seus recursos naturais. Não sei se os desperdiça. Mas não tenho dúvidas de que os seus filhos não vão fazê-lo, e eu mesmo me sinto confortável de saber que não vou viver a ponto de destruir o meu planeta com meus costumes do século passado.

Crianças do mundo inteiro estão submetendo vídeos para o youtube para dizerem o quanto estão preocupados com seu planeta. Há uma inteligência superior que surge da interação dessas crianças. E de quaisquer grupos que se formam através da Rede.

Nós não precisamos nos preocupar com essas manifestações, nem com a força desses acontecimentos. Eles são completamente incontroláveis e arrasadores para os nossos pensamentos "vintescos". Nós somos apenas míseras vítimas passivas dessa fera, dessa revolução.

Eu tenho certeza de que a humanidade ainda vai permanecer por aqui durante muito, muito tempo...

sexta-feira, abril 20, 2007

Feliz


No silêncio e na saudade,
Deitou-se deixando o frio corpo
E o alusivo coração parou

Corações pararam
A fim de entender
E choraram sua ida

Sangrou sua preocupação
No abraço de seu hábito
Se escondeu, e faleceu

No sonho profundo, jaz
Abandonou tudo
Abraçou uma nova vida

Renasceu,
Fechou os olhos,
Foi curado,
E partiu em paz.


Para Márcio Calhau.

terça-feira, abril 10, 2007

Escrendo pra um grande amigo...

Manu vai cantar em Minas, em breve. Acho que dia 26, se não me engano. Só sei que estarei com ela ;-). Ela deve cantar com uma galera da Zona Oeste também, e eu estou tentando ajudá-la de alguma forma a organizar a gravação do seu CD.

Estou imaginando um processo pessoal que vai me ajudar a dar continuidade aos meus projetos. Esse é meu principal problema, e estou endereçando-o agora (basicamente algumas listas de ToDo's organizadas de uma forma que eu entenda e seja estimulado a perseguir as tarefas).

Já tentei algumas estratégias anteriormente. Algumas quase deram certo, ou deram por algum tempo... Na verdade, eu tinha que ter uma máquina que me prendesse pelos pulsos e me obrigasse a dar continuidade às coisas. Estou pensando em ir a um psicanalista pra saber se tenho DDA. Enquanto isso não acontece, vou imaginando a melhor maneira de resolver esse problema de falta de atenção no que sei que vai dar certo, e com isso talvez conseguir rastrear as coisas que tenho pra fazer sempre, em que ponto parei, e com que freqüência devo dar atenção a essas coisas, até chegar aos frutos de uma idéia implementada, ou à conclusão de que não era tão boa idéia. Por isso, você vai receber emails periódicos, porque estás na mira do meu objetivo de abrir um negócio ;-)

Resumindo: meu projeto pessoal atual é a tentativa de criar uma máquina psicológica de me fazer realizar projetos.

Bom Ânimo - Subjugando As Dificuldades

Hoje eu tou com um bom humor DAQUELES.

Primeiro quero dizer: eu amo todos vocês!

Segundo, venho pra falar de uma coisa interessante: deficiências.

Qual é a associação que fazemos à palavra "deficiência"? Fácil: atribuímos, quase que sempre, primeiramente aos deficientes físicos. Em segundo, à falta de algum recurso importante pra cumprir algum objetivo.

Nós não percebemos, mas temos tanto ou mais dificuldades do que os deficientes físicos. É simples a diferença: os chamados "deficientes" têm sempre alguém pra apontar suas falhas. Os tecnicamente não-deficientes não têm ninguém que os diga isso. Não podemos ter nós mesmos uma visão crítica de tudo o que nos assola ou nos deixa "sem pés ou mãos" para fazer aquilo que queremos fazer, porque somos um monte de gente sob condições muitíssimo similares, sob certos aspectos.

Recentemente, houve uma mudança de visão sobre os deficientes físicos. Passaram a serem chamados "pessoas com necessidades especiais", para que não sejam menosprezados ou diminuídos de qualquer maneira.

Vantagem da posição de alguém com "necessidades especiais": uma vez diagnosticada sua necessidade especial (ou o recurso em deficiência nessa pessoa), ela tem toda a liberdade de buscar saciar o que precisa ser saciado. Se ela sabe o que falta, sabe o que deve procurar pra se resolver.

Nós, a maioria das pessoas do mundo, perfeitamente saudáveis fisicamente, quando comparados às pessoas com necessidades especiais, não percebemos o quanto nós mesmos somos terrivelmente deficientes em vários aspectos. Estamos expostos o tempo todo às avaliações de pessoas que respiram nossos mesmos costumes e vive sob as mesmas condições. Ao contrário do que se diz por aí, as pessoas podem ter exatamente os mesmos pontos de vista em vários assuntos. É isso que forma a massa.

Por favor, não nos julguemos donos de uma individualidade absoluta, porque todos compartilhamos certas "unanimidades" que remove qualquer indício de individualismo e unicidade no universo, quando examinadas isoladamente.

Durante quanto tempo se acreditou unanimemente que a Terra fosse um disco, e que o Sol girava em torno dela? Isso indica que nem sempre as pessoas mantém pontos de vista diferentes sob todos os assuntos. Eu, você, nossos pais e nossos amigos temos vários desses pontos de vistas idênticos sobre uma infinidade de assuntos. Inúmeros "o planeta Terra é o centro do Universo" em nossas cabeças.

Portanto, cabe a nós identificar estas deficiências psicológicas. Vamos estudar com calma o processo de solucionamento das deficiências físicas, e encontrar uma maneira de, em princípio, descobrir onde estão as nossas "faltas de pernas e braços", ou onde está nossa paraplegia comportamental. Aos poucos, entenderemos de fato que somos uma manada passiva que pensa igualzinho de maneira completamente errada sobre coisas importantíssimas, e que isso faz de nós um mundo inteiro de deficientes muito mais deficientes do que pessoas com necessidades especiais físicas, porque não temos ninguém tecnicamente em posição vantajosa para nos menosprezar e dizer o quanto somos deficientes.

Melhor do que encontrar as respostas é saber fazer as perguntas que nos definem.



Unanimidade
Melhor do que saber que toda unanimidade é burra
É ter a consciência de que você participa de várias,
Porque isso desperta o sentido da contingência

Pior do que saber que toda unanimidade é burra
É talvez nunca saber em quais delas você dá seu voto positivo
É talvez nunca sequer conseguir enumerá-las

O conforto de saber que toda a unanimidade é burra
Só pode vir se houver alguém que me diga o contrário,
Porque saberei que minha opinião não é unânime.

Quanto mais distinção, mais individualismo,
E se a riqueza se define pelo "mais",
Quanto mais unanimidades, menos variação,
Menos espectros de ação, menos possibilidades,
Menos riquezas

Menos unanimidades, mais diferenças,
Mais diferenças, mais variedades,
Mais riquezas, mais possibilidades,
Mais recursos pra existir.

Mais valioso do que saber ser um indivíduo,
Em princípio, diferente de todos os outros
É o próprio ato da busca pela individualidade, pela distinção,
Isso faz de você alguém "mais único ainda"
À medida que o tempo passe

Mais unanimidade significa menos
E menos, mais.


segunda-feira, abril 09, 2007

O DIA DA CRIAÇÃO

Macho e fêmea os criou
BÍBLIA: Gênese, 1, 27

HOJE é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na Cruz para nos salvar.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é o dia do presente
O dia é sábado.

Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.


II
NESTE MOMENTO há um casamento
Porque hoje é sábado.
Há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado.
Há um homem rico que se mata
Porque hoje é sábado.
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado.
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado.
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado.
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado.
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado.
Há um grande espírito de porco
Porque hoje é sábado.
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado.
Há criancinhas que não comem
Porque hoje é sábado.
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado.
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado.
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado.
Há uma tensão inusitada
Porque hoje é sábado.
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado.
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado.
Há um grande aumento de consumo
Porque hoje é sábado.
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado.
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado.
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado.
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado.
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado.
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado.
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado.
Há a comemoração fantástica
Porque hoje é sábado.
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado.
E dando os trâmites por findo
Porque hoje é sábado.
Há a perspectiva de domingo
Porque hoje é sábado.


III
Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens, o Sexto Dia da
Criação.
De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas
E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra
Melhora fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.
Na verdade, o homem não era necessário
Nem tu, mulher, ser vegetal dona do abismo, que queres como as plantas, imovelmente e
nunca saciada
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias
Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa
Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos
Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas em queda invisível na
terra.
Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes
Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia
Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda e missa de
sétimo dia.
Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das águas em núpcias
A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio
A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em cópula.
Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos
Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas
Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e sim no Sétimo.
E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente
Porque era sábado.


Feliz do último Sábado.

Manu - Feira de Mangaio

Na Letras & Expressões, Ipanema.



M A R A V I L H O S A

Rainha Bossa

A rainha Bossa, em seus tempos de ouro,
Matriarca do samba de luxo,
Deixou saudade e alvoroço
Pros órfãos da minha geração

Quem foi que disse, já não me lembro,
Que a bossa caiu dos seus regalos?
Isso não se diz, é pecado, nem brincando
Ela não perde a moral
E se um dia balançar,
A gente segura e coloca de pé, na geral




Vai lá e procura - Loronix, pra todos!

sexta-feira, abril 06, 2007

Ela Me Faz Bem

Aí, ela me faz é bem, sabia?
Aquela pele, aquele cabelo
Todo cheiro, toda poesia,
Tudo que vem dela é muito bom,
Ela me faz muito bem

Quando tou longe, é nela que penso
Quando tou perto, também
É tanto querer que chego a pensar
Se nos seus poros não vou poder penetrar
Fundindo os dois corpos pra sermos um só

Se pudéssemos, estaríamos juntos em cada segundo singular,
Sem ter medo de enjoar, e assim digo sem temer assustar
Porque é assim também do lado de lá
Ela pensa igual, eu sei, ela já me disse

Esse amor, do ponto de vista de muitos, é esquisitice,
Depois de tanto amor de confusão, ela só me fez melhorar
Eu, que antes não via os outros, comecei a ver tudo,
E os outros me vêem mais, e eu visito as pessoas,
E eu me importo mais, e eu me abro mais,
E eu aprendo mais coisas legais,
Das que não são aprendidas lendo

Eu amo, é isso que importa
Quando ela chega, meu coração se esquenta todo, feliz
Quando ela se vai, eu sei que ela virá novamente,
Essa mulher me deixa tranqüilo, apesar dos defeitos,
Os defeitos dela são tão engraçadinhos...
Dos meus eu já não sei falar, mas ela diz que dá pra aturar

Parece que ela sempre foi da minha família
Todo mundo a adora, e ela também a todo mundo
Olha só, quanta coisa boa aconteceu
Até agora, valeu, valeu mesmo,
E parece que vai valer sempre,
Porque quando meço o esforço, a medida é zero,
E a recompensa é um maná

Amar essa mulher é um presente de Deus
Com quem aprendo mais intensamente na vida o que é existir.


Manu - Chiclete Mascado

Na Letras & Expressões.

Relacionamento é algo que serve pra você arrumar uma opinião sobre o que é um relacionamento com alguém com quem você não o tenha.

E tenho dito!

quarta-feira, março 28, 2007

Como conseguir O Melhor Assento do Vôo

Seja um avião para transporte de passageiros. Dentro dele, um corredor que divide as cadeiras ao meio em duas seções. Em cada um dos lados, uma matriz de cadeiras trinta por três, simétrica em relação ao outro lado, e eu me esqueci que nesse momento tenho um lápis e um papel.

Resumindo, a disposição das cadeiras é a seguinte:








Então. A pior coisa no mundo é encarar uma longa viagem numa única cadeira. Quando você for fazer o check-in, tenha certeza de conseguir uma fileira de três cadeiras vazias. Mais. Não serve ter uma cadeira vazia, a não ser que só você tenha acesso a ela.

Vou explicar melhor: pegue sempre uma das cadeiras do meio: B ou E. Ao conseguir uma fileira vazia - se estiver com vergonha de pedir ao agente, faça check-in via Internet - É provável que alguma cadeira continue vazia do seu lado. Se você estiver no meio, uma das cadeiras vazias, se houver, será obrigatoriamente à sua direita ou esquerda, e o passageiro ao seu lado, logicamente, não terá acesso a ela, porque você espertamente estará entre ele e o assento vazio.

Vamos explorar alguns cenários alternativos possíveis:









No cenário A, temos a pior configuração de assentos. Ela traz a disputa do banco livre pelo direito de uso dos passageiros 1 e 2. Quem colocará sua bolsa de mão no assento vazio? Quem dominará a bandeja de refeição deste mesmo assento? Seja sempre o primeiro a largar a bolsa no assento vizinho, e o primeiro a abrir a bandeja para colocar seus restos de refeição lá.

Se estiver na janela, também estará submisso à vontade do seu companheiro, para que o deixe ir ao banheiro, ou que lhe passe a comida de bordo. Comer antes do vôo te livra de um dos problemas, já que não vai precisar da comida de bordo, e é um favor a menos que vai dever ao vizinho.

Algumas observações a respeito da comida de bordo:
  1. É ridículo como as pessoas acham que têm que, obrigatoriamente, comer aquela gororoba.
  2. Este é um dogma já bem estabelecido, um paradigma que deve ser quebrado.
  3. NÃO SE PREOCUPE, O AVIÃO NÃO CAI SE VOCÊ NÃO COMER, e
  4. NÃO, O AVIÃO NÃO FICA MAIS LEVE PORQUE HÁ MENOS COMIDA A BORDO

Comer antes de entrar no avião também significa que você terá um amplo cardápio para escolher. Não se impressione com a gratuidade da comida aérea, ela é tão leve e barata que deve sair de graça na padaria mais próxima. O problema maior da refeição prévia é que você fatalmente vai querer comer em um fast-food (esse tipo de comida está profundamente gravado em nosso inconsciente para estes momentos), vai pedir uma Coca-Cola de 500ml, e vai ter que pedir, suplicar, implorar para que seu carrasco e captor (o maldito vizinho de assento) o deixe alcançar o corredor, e só então você imprimirá a corrida dos cinqüenta passos rasos para chegar ao banheiro ocupado e se mijar todo antes de entrar nele.

Notas:
  1. Se seus rins não funcionam, você não terá esse tipo de preocupação.
  2. Se a nota anterior for verdadeira, assegure-se de que haja uma máquina de hemodiálise aguardando-o na cidade de destino.

Caso você tenha mesmo que pedir ao seu vizinho pra ir ao banheiro, agracie-o com o privilégio de se sentar à janela para apreciar a vista aérea, para que ambos possam se aliviar durante esse momento. Ninguém vai dever nada a ninguém depois disto.

Notas:
  1. Antes de oferecer a janela, faça-lhe a seguinte pergunta, para a segurança de todos a bordo: "Você tem medo de algura?"
  2. Mediante a pergunta do item anterior, tenha a certeza de ter ouvido a resposta "Não", ou sinônimos, pronunciada diretamente do sistema vocal da pessoa pra quem você fez a pergunta. Se não souber o que é um sinônimo, pergunte diretamente ao comandante da nave. Nunca - eu disse NUNCA - tire dúvidas sobre a língua portuguesa com comissários de bordo. O resultado desse tipo de atitude é realmente imprevisível. Dizem as más línguas - as norte-americanas - que foi o que levou quatro aviões a serem jogados com passageiro e tudo nos dois ex-prédios-mais-altos de Manhatan, no Pentágono, e na Casa Branca. O da Whitehouse não atingiu o alvo porque havia um professor de Português lá dentro. Ele havia sido "o aluno mais brilhante de minha carreira inteira como professor", segundo o Professor Pasquale. Esse bem que podia ter atingido o objetivo. Vôo errado, professor, vôo errado...


Bom... Vamos ao cenário 2:










Neste caso, seja o passageiro P2. Você vai ter completos direitos sobre o banheiro e a poltrona V (V de "vaziza"), encurralando seu adversário, P1, podendo conceder-lhe vários favores durante o vôo, tendo a chance até de dar-lhe, de passagem, um gentil sorriso, e quem sabe assim, ter alguém pra se juntar à sua causa secreta de conspiração contra a escassez de espaço nos aviões, com uma boa conversa, até.

Se P1 for um mala total, você pode assim assumir o assento V como medida preventiva, chamar um comissário e perguntar-lhe o porquê de aquele indivíduo não ter sido despachado para o compartimento de cargas, já que ele provavelmente pesa mais de cinco quilos. Se pesar menos, azar, não pergunte nada a ninguém. Fique na sua e agüente o riso até o fim do vôo.

Como regra geral, em uma viagem dessas não se deve sentar na janela, já que Murphy é um dos passageiros, e:
  1. Se for noite, você não vai ter o que ver
  2. Se for dia, vai estar tudo nublado


Boa viagem!