sábado, junho 25, 2005

Envelhecer Descobrindo-se Cada Vez Mais Jovem

Um dia, nasceu um ser humano com uma espécie de Via-Láctea dentro da cabeça. Os seres que viviam dentro deste universo descobriram, em certa época, alguns portais para uma dimensão paralela. Na verdade, descobriram que não era paralela, mas sim um mundo que envolvia o mundo deles. Deduziram que estavam dentro de uma caixa (craniana, mas esse detalhe ainda era desconhecido), e procuraram descobrir como fariam para sair de dentro daquela Via-Láctea. Queriam visitar o Super-Universo, como começaram a chamá-lo. Pensavam que, fora daquela caixa, os seres fossem super-seres, e que o Super-Universo fosse, de alguma forma, super-legal. Dentro dessa Via-Láctea, havia muitas perguntas não-respondidas, e até uma certa desordem, em alguns momentos. Lembrava muito o nosso próprio mundo.

Eles conseguiam receber informações do Super-Universo através dos modernos sistemas sinápticos das redes neurais super-avançadas de seu centro de comunicações, que chamaram coicidentemente "cérebro". Os principais centros de pesquisa traziam-lhes informações visuais, auditivas, palativas e até táteis. Tudo o que vinha de fora era reproduzido internamente, e vários experimentos eram refeitos, estudados e devidamente documentados e catalogados.

Enquanto este ser humano crescia, era também influenciado por estes seres dentro de sua cabeça. Ele sabia que algo de muito importante acontecia ali dentro, e por muitas vezes recebia mensagens enviadas pelas criaturas. Em algum cantinho da sua cabeça, havia realmente uma Via-Láctea, e este ser humano acreditava que lá todos fossem super-heróis, e que aquele universo fosse mais justo. Chamou-o também Super-Universo. Estas mensagens vinham em forma de sonhos e imaginação.

O tempo passou, e hoje, os super-seres de dentro da cabeça aprenderam técnicas modernas para saírem de lá e visitar o Super-Universo. Descobriram algumas zonas de refluxo do espaço-tempo, como se fossem buracos negros, que chamaram "Mãos" e "Voz", principalmente. Depois de cada viagem para fora da cabeça do Super-Ser, costumam fazer relatos de aventuras que viveram, e publicar todas estas elas em revistas de seus próprios planetas. Aqui, no nosso Universo, eles saem pelas mãos e pela voz do Super-Ser, em forma de fantásticas histórias, contadas para todo tipo de pessoa.

Eu sou um grande amigo deste Super-Ser. há muitos anos. E há tanto tempo quanto o conheço, tento entender quem inventou quem: se os seres de dentro inventaram o de fora, ou se o de fora inventou os de dentro. De qualquer maneira, tenho nele um irmão, de aventuras e histórias. Hoje é seu aniversário, e como em todos os aniversários, os super-seres lá dentro comemoram a data em que descobriram o Super-Universo. E ele comemora a data em que recebeu a primeira mensagem dessa Via-Láctea em sua cabeça.


Parabéns, Paulo Ivo! Felicidades!

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sexta-feira, junho 24, 2005

Acalmando

Saudosa Partida

Sangrou sua preocupação
Para largar tudo
Abraçou o renascimento
E se apaziguou

Foi curado, elucidou-se
Deitou-se frio
Parou seu coração

Abandonou seu peito
Virou luz
Sorriu

Agora, jaz a carne
No silêncio. na saudade,
Ele se foi em paz


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terça-feira, junho 21, 2005

Pêsames

Não, eu não vou ousar colocar aqui a pior notícia da semana. O Márcio é um daqueles caras raros mesmo, que equilibra inteligência com sensibilidade.

Ouvindo Somos quem Podemos Ser - Engenheiros Do Hawaii


Ele Foi Ali, Mas Não Volta

Enquanto houver amigos, família, amores
Sua jaqueta, seus livros
Mensagens

Enquanto houver os lugares que freqüentou
Haverá saudade
E a sensação
De que em qualquer momento pode chegar

Brilhou o Sol, desde Quarta
Na esperança de que pudesse ficar
Agora, chora o cinza céu
Nossa estrela ascendeu

Estará presente
Porque sempre existiu,
Com veemência e veracidade

Te procuro
Mas antes, há algo
Um mistério que desconheço
Que não pode esperar

Foi muito maneiro, vai lá,
Um abraço,
Valeu


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segunda-feira, junho 20, 2005

(Parênteses)

Num ato de doideira, caminhei da Praia de Botafogo até a Lagoa, no Mustafá, Domingo à noite. Caminhada leve, que durou uma hora, precisamente. Além de assistir um show irado de chorinho, descobri que quem estava ali era o Márcio Bahia, baterista do Hermetão. É claaaaaro que eu tietei o cara, né? Fiquei um tempo conversando com eles.

Pra quem tinha ficado meio pra baixo no final de semana (é, garota, vc acertou em cheio quando disse "você tá com uma voz horrível"), foi uma levantada enorme, justamente nos acréscimos do segundo tempo. Minha "partida" terminou em 1 a 0, música do Pixinguinha.

Todo Domingo eles estão lá:
- Bateria
- Sopro (clarinete e flauta transversa)
- Violão de 7 cordas
- Violino

Não lembro o nome dos outros músicos, mas todos eles são excelentes, e tinham lá os seus CDs a preços muito mais baratos (tipo uns 40% menos) do que na Modern Sound ou na Tracks. Sim, são execuções de muita qualidade e bom gosto, com músicos renomados da nossa melhor arte. A um couvert de R$3,50 por pessoa. Inacreditável.

Enquanto isso, nosso ministro continua em turnê. E a cultura continua em greve. Ou seriam férias?

Sempre em tempo (em apologia à "sempre é tempo lojinha", saudando a época do CEFET), aqui vai:
Salve, Márcio Calhau! Melhoras, meu grande amigo!

sábado, junho 18, 2005

Ao Meu Grande Amigo Márcio - Pensamento Positivo

O Márcio está numa "franca batalha". As coisas estão bem difíceis pra ele, mas todo mundo vê no hospital o Márcio de sempre. Aquele cara revolto reage - não sei se contra a natureza ou com a ajuda dela. Mesmo assim é triste. Ele tá em "coma superficial", seja lá o que isso signifique.

Teve os cabelos cortados para que a cirurgia pudesse ser realizada. Chegou no hospital muito mal. O médico disse que nunca havia visto ninguém tão novo tão mal assim. Em contrapartida, no dia seguinte já esboçava reações e percebia o mundo à sua volta, mas se comunicando muito superficialmente. As pessoas dizem que ele percebe quando alguém diz algo para acalmá-lo. Surpreendeu.

Briga contra suas condições, e teve que ser amarrado na cama, pra não cair no chão. Eu não imagino em que tempestade e desordem mental ele possa estar metido. Fizeram uma incisão em sua cabeça. Não sei se foi na nuca ou na lateral, mas não consigo imaginar instrumenos cirúrgicos entrando por ali. Os médicos não podem sedá-lo, porque têm que manter um histórico da evolução do Márcio. Não sei se usam analgésicos, e mesmo que usassem, não acredito que o seja em quantidade suficiente, já que foi um trauma cerebral.

Márcio reclamou de dor de cabeça no final da semana passada, mas as aspirinas e dipironas de costume deram conta. Acho que foi na Quarta que a tia Eli ouviu um barulho, que foi quando ele desmaiou e caiu no chão. Acho que era de madrugada, e me contaram que havia um saco de gelo por perto. Talvez ele tenha escondido a dor ao longo dos dias, ou talvez tenha havido algum rompimento de vasos mais sério naquela noite. Assim, com um edema cerebral, ele foi parar no Salgado Filho, hospital do Méier.

Não faço idéia de quando ele foi operado, mas vamos ver como nosso amigo fica. Vamos pensar nele. Mas tem que pensar "com força" :-)

O que me vêm à mente agora é que, não importa o quanto nosso amigo possa estar mal nesse momento, todas as pessoas que o conhecem sempre dizem: esse cara é maneiríssimo. Faz aquele estilão quase grunge, meio "dane-se o mundo", mas a gente sempre percebeu no olhar o Márcio de verdade. Sabemos que ele quer pensar em tudo o que viveu de bom aqui, e como é importante que se recupere. Talvez nosso amigo possa estar impedido de pensar com clareza, mas aqui então estão nossas cabeças. Devemos todos fazer isso por ele. Se depender da vontade, ele se recupera - como já tem mostrado.

Agora, o comentário do Sugata:
- Ele vai é ficar puto, quando descobrir que cortaram o cabelo dele.

E uma poesia:

Hemonagem

A todo aquele que já amou
A todo aquele que já sangrou
Àquele que sofreu
E que se dabateu
Pela incerteza da vida

A todo o amigo
Em cuja fatalidade se arrepiou a carne
Cuja amabilidade nunca foi negada
Àquele que muito amou
E que viu seu amor voar como num sonho
Trazendo à realidade um novo modo de viver

Àquele que chora por dentro
E que agoniza a sensação invasiva
Aquele por quem tanto temos carinho

Para todos aqueles
Que viveram suas aventuras
Para todos os que evoluíram
Segundo os cuidados do mestre

Para todos os que com ele aprenderam
Ou gargalharam com seu tom mais irônico
Para todos os que com ele beberam
E encontraram um amigo como tão poucos

Para todos aqueles que querem vê-lo
Porque pode não haver tempo
Os que vêem sua prova mais difícil
Os que tentam sobreviver juntos
Porque cada momento é um desespero
De todos, para segurar a vida.


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terça-feira, junho 14, 2005

Genialidade Condensada

Essa foi da Chris. É cada uma que me aparece...

"Quando você se casar vai perceber que algumas vezes se sente casado com um dos seu pais."


E essa foi do Guilherme:

"O tempo passa,
e com graça
a idiotice diminui."



Tomem nota!

domingo, junho 12, 2005

Só Na Flauta

(Ouvindo Jean Pierre Rampal)


Lá Estava Você

As pessoas falam
Nem todas fazem

Hoje vi o céu
Tão lindo
E somente ele

Constatei:
Continuamos azuis

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segunda-feira, junho 06, 2005

Alguém já ouviu falar de Mechwarriors?

sábado, junho 04, 2005

A Paradinha do Big Ben

Estava eu feliz da vida na casa de uma amiga quando soube a tragédia: o Big Ben, em Londres, parou durante cerca de uma hora, na Sexta-Feira do dia 27 de Maio de 2005, às 22 horas, 7 minutos e 25 segundos. Foi consertado, voltando a funcionar às às 22 horas, 7 minutos e 25 segundos.

Como assim "parou o Big Ben"?! Como todos sabem, desde que o universo surgiu, é ele quem manda na hora universal. É o pai de todos os pontos de trabalho do mundo. Teve sua bateria substituída, depois de uns trilênios paradão, quando Deus se compadeceu de seu relógio atômico e o ligou com aqueles fósforos que também são vendidos até hoje, o Fiat Lux. Nessa época, eu me lembro, todas as coisas voltaram a se mexer novamente, e o universo recomeçou um processo de expansão corporativa, quebrando o monopólio do nada. Está até hoje ampliando sua atuação no cosmos. O Big Ben, de acordo com a Fortune, é o maior CEO de todos os tempos.

Por falar em fósforos, talvez seja mesmo a gás, porque atômico não parece. É meio pesadão, e fica lá, com aquela pinta de lápis de cor, parado - em relação à Terra, não no tempo. Aliás, no tempo ele parou também. Está bem velhinho. Tive uma visão esses dias: Deus usa mesmo é um relogiozão digital, modernoso, estilo "cebolão". É mais bonito, fala as horas e mede até pulsos cardíacos. Acha que Ele ia dar mole? O Big Ben agora enfeita seu criado-mudo. Mudo, porque Ele está de saco cheio de ouvir prece sem sentido, e também apóia a contratação de deficientes físicos.

O Big Ben não é o mais pontual do mundo? E agora? como vamos confiar nas horas que dizem por aí? O que aconteceu com o mundo durante o tempo que esteve parado? Será que tudo parou junto? Na minha opinião, isto é um sinal - ele está querendo se comunicar conosco. Como não fala inglês, acaba falando a hora mesmo e tenta dizer algo. Talvez seja a hora de tirar umas férias (captou o trocadilho? "a hora de tirar férias"?). Imagina só o Big Ben descansando durante um mês? 2006 vai ter 13 meses.

Há quem diga que a parada foi motivada pela temperatura, que chegou a 31 graus naquele dia - o mais quente em Londres desde 1953. Se ele vier para o Rio então, derrete.

Os líderes da Inglaterra se reuniram em sua sede - a Casa Branca, pra discutir quem pode substituir o relógio. A tomada de suas estruturas não será fácil, segudo Condolessa Rice, pois os famosos anões que habitam dispositivos automáticos podem ter armas nucleares em seu poder. Cogitaram a hipótese de Bin Laden ter feito uma aliança com eles, e estar escondido por lá.

O Big Ben é herói de guerra. Entre 1939 e 1945, resistiu bravamente aos bombardeios alemães, quando atuava no programa tático de sincronização das manobras dos exércitos ingleses. Era uma grande referência. Em 1962, foi encarregado de anunciar o ano novo, mas chegou um pouco tarde e o fez com dez minutos de atraso, pois uma nevasca atrapalhou o trânsito das ruas até o rio Tâmisa. Conhecidamente, também é ativista político: promoveu uma parada em 30 de abril de 1997, um dia antes das eleições gerais que levaram ao poder o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair. Três semanas depois, ele voltou a parar.

Gosta de mentir, dizendo ter 147 anos. Hebe Camargo, no entanto, revelou que Big Ben sempre foi um tremendo mulherengo, desde os tempos em que ela corria nua pela Mata Atlântica, mas sem laquê - época em que o Tupi-Guarani era a lingua oficial de nossa terra. Conheceu-o acompanhado de marinheiros portugueses nas caravelas das Grandes Expedições Marítimas, quando pela primeira vez soube o que era um espelho. Curiosamente, parece nunca tê-lo usado. "Naquela época", revela a apresentadora, hoje mumificada pelos tratamentos de beleza, "Ele já dava umas paradas de vez em quando, quando estávamos a sós. Mas quando funcionava, era cada ponteirão, uma gracinha!"

Como já dito anteriormente, o relógio mais famoso do mundo é um grande empreendedor. Foi ele quem, em 1788, deu a idéia a John Walter de mudar o formato de edição de seu jornal, o antigo Daily Universal Register, para atingir um público maior. Nessa época, o jornal passou a se chamar The Times, e noticiava fofocas dos figurões locais. "Ben sempre teve muito bom tino para o marketing editorial de massa. Nossas vendas dispararam", disse John Walter, em entrevista por telefone.

Sua contribuição para a arte inclui a participação no melhor disco do Pink Floyd, The Dark Side of The Moon, como percursionista. Na abertura da música Time, foi Ben quem tocou tanto o tique-taque quanto o despertador, e fez o backing vocal das badaladas, com um tenor de grande presença.

"Já não tenho a mesma empolgação com o mundo. Preciso me aposentar. Não estou com a mesma corda de antes", diz. "Os tempos já não são os mesmos, as pessoas não sabem mais o que é felicidade. Deixaram de se importar com questões que deveriam ter sido resolvidas há muito. Deixaram correr uma maldade e desigualdade sem precedentes. Há muita pressa, e meu trabalho tem sido muito árduo. Não dá para conseguir mais tempo do que o tempo tem. Hoje, as horas andam muito apressadas. Não consigo acompanhar", lamenta o atômico astro, em uma mensagem comovente.

O relojoeiro Arlindo Araújo Horácio, brasileiro, 64 anos, especialista em atômicos, foi o herói quem acertou as horas do Big Ben, com as horas do relógio do próprio pulso: "todo mundo diz que eu sou o mais pontual do mundo. Nunca cheguei atrasado para um compromisso na minha vida. Minha esposa e meus cinco filhos sempre me tomaram como exemplo nisso. Chegar na hora em que o Big Ben parou foi fácil. Além disso, eu uso a mesma marca de relógio que o nosso Pai", diz Horácio, mostrando seu cebolão com orgulho. Chegou pontualmente para consertar o Big Ben, às 22 horas, 7 minutos e 25 segundos, horário de Londres.

O Big Ben
Um close revela os olhos cansados de nosso relógio atômico, depois de muitos anos de trabalho


* O Big Ben não é um relógio atômico. A idéia veio do trocadilho com Big Bang, teoria que explica o início da expansão das partículas do universo. Tampouco é a referência dos outros relógios, isso é feito pelo observatório de Greenwich, que também é uma cidade inglesa.

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Leiam o típico diálogo de Bush.

sábado, maio 28, 2005

Notas de Maio

Havia água

No barco que via
Entre navios que voavam
Feito aviões que navegavam
Pairava tudo no vento
Que levou a vasta visão
De tudo que vivia.


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São as notas de Maio fechando o período...

Quando você arruma gavetas, percebe que não tem dado a devida atenção a muita coisa realmente importante.

quinta-feira, maio 26, 2005

Aquela da Livraria

Quando se começa um conto, você sabe que a história tem que ter uma moral. Por quê? Ora, é um pedacinho de texto que não tem a menor chance de ser lido se não for pra entregar algumas pérolas. Pelo menos uma.

E para esse conto eu não vou sequer inventar personagens. Foi comigo mesmo, enquanto passava em frente à livraria Argumento. Os livros que me viam gritaram por mim, da vitrine, ansiando por alguém que os folheassem. Como sempre, fitei as capas, varrendo-as com os olhos pra saber se algum tema me interessava. Olhos pra lá, olhos pra cá, e esvoaçou por trás dos livros uma mecha de fios bem finos e pretos. Cabelos femininos, num típico "momento de serem ajeitados".

Pronto, os livros já se eram. De quem era? Uma dama, como pude perceber, com aquele contraste bem peculiar e interessante: pele branquinha e cabelos bem pretos. Uma diva, vestida com uma saia cinza um pouco abaixo do joelho, e sapatos de boneca pretos, com meias brancas que cobriam as canelas. Vestia uma blusa bem comportada rosa-clara, e tinha os óculos de hastes pretas.

Será que é a "meia um-quarto"? Não sei, mas em um quarto eu teria mais que prazer em desnudar aquelas pernas e beijar os pés daquela princesa-anos-sessenta. Balancei a cabeça, porque já era a hora de voltar à realidade. Pensei: "ok, agora eu esqueço isso e vou para casa".

Você acha que eu ia perder a chance de ver o rostinho daquele anjo? - Entrando na loja, passei direto por ela, e notei que conversava animadamente com um homem. Talvez fosse o namorado. Estava sentada no bar, bebendo um refrigerante e comendo alguma coisinha qualquer. Como todo macho se sente o superior da espécie, logo pensei: "o que ela faz acompanhada desse aí? Que cara de babaca!".

Em uma fração de segundos, me dei conta que todo homem tem cara de babaca, especialmente quando está na companhia de uma linda mulher. Não há status, intelecto, beleza, firmeza, jovialidade, músculos, pose ou terno que faça um homem se ajeitar ao lado de da mulher que ama. Torna-se um babaca, e ponto. PS: as mulheres que são no máximo feias, mas que nunca têm cara de babaca, vão dominar o mundo.

Recolhi com um olhar para baixo a cara que me pertencia naquele momento (ela esteve no chão por um breve instante), e passei pelo casal. Fui ver os livros. Fui ver os discos. Marquei umas próximas compras e vi algumas coisas que podia procurar na rede - É mais fácil do que procurar material raro em lojas. - Depois de uns 15 minutos, eu já havia quase esquecido daquela garota com vestido estranho da entrada. Porque os livros estavam tão interessantes... Com várias intelectualóides gatinhas pesquisando então, nem se fala. Já falei o quanto gosto de garotas com óculos? Acho um charme.

Eu estava na parte de ter que voltar pra ver o rosto daquela que me fez entrar na livraria. Vamos lá. Me viro e vejo à distância a bela dona na porta de entrada. Fiz esse rodeio todo porque não queria dar pinta. Mas acho que essas coisas são sempre óbvias comigo - eu não sei mentir. Devo ter armado a MINHA cara de babaca e seguido em direção à porta. Vagarosamente, caminho sem naturalidade alguma, olhando por cima do ombro do outro que a acompanhava, e... Como diria Vinícius: "que me perdoem as feias, mas a beleza é fundamental".

Conclusão: será que aquela morena que olhava o CD do Coltrane tá sempre por ali? Isso é tão incomum hoje em dia...

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Tou baixando umas ondas de clássico pra experimentar mais estilos. Peguei: Stravinsky, Schoenberg, Wagner, Stockhausen e ainda há na fila: Mahler, Boulez e Debussy. Todos estes são mais contemporâneos. Os Bach, Beethoven e Mozart são bons também, mas já são mais vovôs da galera que mencionei antes, e quero conhecer os compositores de hoje. Retocando: de hoje, não... Mas que sejam de, no máximo, 120 anos atrás.

segunda-feira, maio 23, 2005

Unity Village

Perdi todo o conteúdo de um post que estava fazendo. Vai então a frase:

Mulher: quando teima em ser doida, nem outra igual entende.

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PS: parabéns ao Jon Postel, o maior herói dos últimos 10 anos.

PS2: O título do post é uma música de Pat Metheny.

PS3: Tou pensando em comprar um, mas só quando inventarem um jeito de ele virar PC.

segunda-feira, maio 16, 2005

Acerca da Individualidade

P, eu discordo de você, quando disse que o que importa é termos identidade apenas para nós mesmos. Identidade é ser distinto. Distinção sem coletividade acho que não dá: não há diferença sem comparação. Num universo unitário, para que serve o atributo identidade? Nada.

Só importa ter identidade dentro do espaço social. Sim, eu sei quem sou eu, e não me importo com o que as pessoas dizem de mim. Mas me importa ter a identidade sim.

"Fale o que quiser, ou não fale nada. Mas saiba que eu existo."

A aparência externa de um conjunto qualquer definitivamente depende da identidade. Como se percebe o lençol de areia numa praia? É o somatório dos aspectos distintos dos elementos. Se os grãos não tivessem distinção, ainda que de parcela infinitesimal, como seria a aparência da areia? Isso não seria prova mais clara de que a identidade importa para a sociedade dos grãos?

Não faça pouco caso das praias. =)

Quando disse que é importante ser reconhecido, quero dizer que dentro do sistema eu preciso ser distingüido. Do contrário, na verdade não estou participando ou enriquecendo o grupo com minhas características. Se não participar, se não interferir, quem observar de fora vai perder algo. Mesmo que infinitesimal.

Não, eu não estou dizendo que quero que me vejam mais que outros. Estou dizendo que preciso ser reconhecido localmente, para que as qualidades possam também caracterizar o grupo. É muito reconfortante saber que você marcou algo com informações suas. É bom saber que você se eternizou, de alguma forma. Num instante do espaço-tempo.

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E para finalizar, quero deixar aqui um presente, que mostra um pouco do que penso com relação às pessoas que identifico como meus amigos =)

O Laço Desata
Como o papel fino
Que rasga fácil e decepciona
Como se o tamanho
Fosse insuficiente pra apertar.

O que aperta é o peito
Que denuncia o mundo que passa
Todos queridos, odiados e suspeitos

Efemeridade, agora já é tarde
Só tu não passará

Já fazia tempo que não te via
Tu, um dos que chamo
"Meu melhor amigo"
Como vai, garoto?
Como vai, meu bem?

Tanta gente pra gostar
Tanta vida, tanta coisa pra fazer
Tanta vida, tanta coisa pra curtir

Sempre pra frente
Não olho pro lado, que perco
Que não devo, não posso
Já nem consigo

Mas gosto de te ver aqui comigo
Um na onda do outro
Enquanto a maré
Não nos força a despedida

O laço desata
Mas reata no casual modo de viver
Jeito globalizado, desigual, indiferente
A vida é virada ao avesso
Que é não viver a vida

E pra não te magoar, meu amigo
Não quero penetrar tua alma
Mas saiba que te amo
Do jeito que dá pra amar

Nesse mundo sem tempo
Onde a moda é móvel, é celular
Prenda o laço nas lembranças

Finja que não foi muito tempo
Foi só um instante
Que correu pelo espaço que nos afastou


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quinta-feira, maio 12, 2005

Das Coisas Que Se Ama

Se eu pudesse por um dia
Esse amor essa alegria
Eu te juro te daria
Se eu pudesse esse amor todo dia


Essa música do Tom acaba de invadir meus pensamentos.

Se soubesses como eu gosto
Do teu cheiro teu jeito De flor
Não negavas um beijinho
A quem anda perdido de amor



Bonito isso, né? Me lembra uma do Dominguinhos, que também curto muito:

Tou com saudade de tu, meu desejo
Tou com saudade do cheiro do mel
Do teu olhar carinhoso
Teu abraço gostoso
De passear no teu céu


São duas canções repletas de melancolia, mas de perspectivas diferentes. Um sentimento que me é muito familiar. Muito mesmo.

Consegui um disco do Chet chamado Let's Get Lost. Uma raridade.

Teu cheiro me dá prazer
Quando estou com você
Estou nos braços da paz.


Muita calma, personas,,,
Terça tem Hermeto na Gávea. Vejam em www.rioprograma.com.br.

O que mais? Ah, comprei um livro interessante chamado Mind Hacks. Ensina várias brincadeiras estranhas que tenta explorar (e explicar) algumas peculiaridades do nosso cérebro. Por exemplo: por que não conseguimos fazer cócegas em nós mesmos? Ah, tsc... Tem mais de cem.

Bienal do livro Sábado.
Sábado à noite tem Neura Jazz nos Antiquário. Puta banda imperdível.
Grupo de dança da UFRJ na Sexta.
Muitas coisas pra este mês. Acho que vou explodir.

quinta-feira, maio 05, 2005

Yet Another "Crise Existencial"

Minhas viagens estão cada vez mais desastrosas. Pudera, se pelo menos me embriagasse com qualquer entorpecente, talvez me enganasse com um pouco de sonhos.

Trôpego, ingênuo.

Mas escolho entender, e quanto mais entendo menos me agrado do que há em volta. Mais prefiro sublimar. Mas ainda não posso. Não sem antes entender mais um pouco. É esse vício que não tem saída: a solidão.

Ou é simplesmente o ritmo imposto pelo que há à minha volta. São as porcarias das engrenagens disfarçadas de microchip. São as distâncias que nos une a qualquer ponto, e surpreendentemente nos isola de todo o mundo.

É a superficialidade de uma Quinta-feira. É o esperar de uma Sexta. É saber que haverá outra Quinta e outra Sexta. E me tranqüilizar com o pensamento de que um dia isso acaba.

Mas não posso me adiantar.

Qualquer céu ou inferno seria o mesmo: a monotonia (ou da mudança, ou da rotina). E, se queimar dói, a dor se tornaria nada, sabendo que o alívia nunca mais pudesse ser sentido. O inferno não é lógico, e tampouco o é o paraíso.

Ora, uma pedra é feliz por ser pedra? Esta pergunta não pode ter "sim" ou "não", se ela nunca deixou de ser pedra, e não teria conhecimento exemplificado do que é não ser pedra. Uma pedra não tem desejos.

Todos somos artistas à medida que os desejos nos fazem querer moldar o mundo. O que não adianta muita coisa, se sabemos que toda a matéria continua no mesmo universo, e que as energias apenas foram transferidas no espaço-tempo. Que também inventamos, por sinal.

Quero transcender meu universo. Não quero morrer, quero apenas cessar de existir, às vezes.

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terça-feira, maio 03, 2005

Hermeto em Montreux, 1979

Em 1979, o "bruxo" brasileiro da música contemporânea, Hermeto Pascoal,
se apresentava no palco de um dos mais consagrados eventos de Jazz do
mundo: o festival de Montreux, na França. A pacata cidade reúne
anualmente vários grandes músicos, e já estrelaram por lá Marvin Gaye,
Miles Davis e John Coltrane.

Em companhia dos integrantes de sua tradicional banda - incluindo o
baixista Itiberê Zwarg e o baterista Márcio Bahia, o velho Hermeto
mostrou que sua música é classificada como universal, apesar de ter
origem verde e amarela. Percorrendo canções clássicas de carreira como
Fátima, Maturi e Pintando o Sete, mostrou-se incansável. Durante a
apresentação tocou muito virtuosamente teclados, sax, flauta e alguns de
seus instrumentos ora improvisados, ora inventados, como uma tampa de
panela, uma chaleira, e um apito.

Muitas vezes estranhas ou incompreensíveis, as execuções foram
magistrais. Em Remelexo, por exemplo, Hermeto acompanhava com sua voz
todo o solo que improvisava no teclado, com um ritmo sustentado por
baixo e bateria. Em contrapartida, ao final da canção fez o teclado
gargalhar com cadências de acordes que imitavam o tom de sua própria voz.

Combinou melodias com harmonias de altíssima tensão, muito modernas, sem
deixar de lado levadas de baião ou samba. Acompanhar suas músicas
significa viajar - em um momento numa trilha tranqüila, como na canção
Bem Vinda, e em outro momento num mar sacudido, como em Quebrando Tudo,
onde os músicos alternam improvisos em um compasso bastante irregular.

Ao final do espetáculo, surpreendeu Montreux com a canção de mesmo nome,
que fora criada especialmente para o festival. O público se deliciou com
a suavidade da obra, que espelhava o ritmo de vida e o verde da cidade.
Para completar, na transição entre seu show e o de Elis Regina, fizeram
um dueto voz e piano considerado histórico para a música, tocando
Brasileirinho e Asa Branca.

Hermeto esteve onipresente no palco de Montreux, em 1979. Mostrando sua
imaginação sem limites e variedade de estilos, fez participações também
nos shows de outros músicos. Nosso bruxo transcende todas as amarras
musicais e respira a arte do som, mostrada no magnífico espetáculo,
reconhecido mundialmente.

sexta-feira, abril 29, 2005

Indiferença Ao Que Não Faz Diferença.

Já fui muito preciosista.
Hoje, o preciosismo me faz vomitar. Acho que virei um contextualista.

Se entre duas escolhas, nenhuma delas faz diferença prática, então dane-se. Pego a primeira e boooooa.

Minha Mãe Viu

Uma senhora
Largada no canto
De língua pra fora
Sem gota de pranto
De lágrimas secas

"Senhora, acorda!"
Que fez a incerteza!
É triste a história
Da mãe de dois filhos
Aos trapos de pano
Caída no canto

Felizes os ricos
Estes não viram
Que a senhora comia
Como quem nunca comeu

Guardou pras crianças
Dois nacos
Da carne que mordia

Que faço eu?
Choraria e molharia o mundo?
Ou daria um prato
Àquela que
No canto, caída de fome
Buscava emprego
Tão longe do lar?

E as crianças?
E as suas roupas?

Eu sou como você
Que consegue me ler:
Responsável pelo mundo.

Procurando o que fazer
Sentindo-me imundo
Pela pureza de meu lar
Pela família
Pelo amor que recebo

Pela força que nego
Àqueles de quem tomo
Ao deixar de comer
Ou pecando
Ao transbordar minha gula

Mas não condeno a Sua vontade
De me fazer nascer em boa casa
De me ensinar os passos da felicidade
Ora, não seria eu injusto
De duvidar de Seu julgamento
Ao me dar algo de bom?

Então, que me cobrem
Pela injustiça que cometo
Ao não me dar ao mundo
Em trabalhos de bom grado
Pela vida de terceiros

Que exijam tudo o que é meu
E levem essas consciências
Que incomodam nosso
Cômodo e leviano
Superficial bem-estar



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A história narrada foi verdadeira. Havia uma mulher, mãe de dois filhos, vestida com farrapos, desmaiada de fome no meio da rua pois não comia há dois dias (e nem as crianças). Minha mãe e irmã deram a assistência que puderam. Todos os que ouvem a história ficam chocados. E ninguém a ajudou, mesmo assim.

Será o progresso?

domingo, abril 24, 2005

Nostalgias e Conduções

Sábado fui ao aniversário da Fabiana (o da Fabiane foi Quarta, e tem até foto ali no Flickr). Acho que nunca fui tão saudosista ou nostálgico quanto naquela noite. Cada momento pra mim com vocês, amigos de infância, foi uma volta ao século passado, os meus anos 90. Sabe que teve um momento que quase me declarei? Rs... Mas o som não deixou.

Por falar em som, foi impressionante: a Fox, uma boate pequena em Campo Grande, tocou uma excelente introdução lounge das 23:00 às 00:00, com remixagens de Bossa Nova. Roda Viva, do Chico, seguido de vários outros clássicos da Bossa me fizeram ver que o cenário noturno está mudando: deve haver tantos DJs por aí que a qualidade musical começa a fazer parte da trilha sonora também. É um novo requisito.

Dedobrando-me agora na nostalgia, hoje ouvi várias histórias do meu avô e de sua infância. Vi até uma foto do meu bisavô, e entendi muitas coisas que aconteceram na minha família. Meu avô fez parte daquela curta geração capitalista de carreira, que fez a mesma coisa durante anos seguidos. O sonho dele era dirigir, e Zé Maria foi um motorista por excelência: transportava tudo e todos de um lugar a outro, começando por Taxi e terminando na Rede Globo - um artista no volante :P ... Ainda lançou: "há coisas que se faz no trabalho que, mesmo gostando da atividade em si, só se faz pela obrigação." Concordo, Zé.

Agora, juntando Bossa e nostalgia, uma boa notícia: consegui pegar os dois volumes de A Arca de Noé, do Vinícius de Moraes. Quando criança, ganhei do meu pai o segundo volume, um bolachão vermelho com o encarte recortável. Mas não sei o que aconteceu com ele.

Fica aqui o link pra letra "O Leão", uma das únicas que eu lembrava cotidianamene.

"Deu um pulo e era uma vez
O cabritinho montês
...
Leão! Leão! Leão!
Foi Deus quem te fez, ou não?"

Na voz de Raimundo Fagner é cômico! ;)

sexta-feira, abril 22, 2005

No Porão

Nós, de tecnologia, encaramos o mundo mais ou menos com a mesma perspectiva de quem está nos bastidores de um palco: vemos um monte de coisas sendo feitas, fazemos uma parte delas, o show começa e termina. O espetáculo é muito confuso duvidoso, mas as pessoas, com medo de questionar, aplaudem achando que está tudo ok, mesmo que dê tudo errado. E os poucos que aparecem no palco continuam se enchendo de orgulho e poder.

Ou quem sabe: estamos gerenciando e pavimentando a estrada do futuro. Uma infra-estrutura sobre as quais as pessoas simplesmente não sabem quase nada, somente onde pisar. E que há por baixo? A garantia de que a maioria está sendo explorada.

Não quero compactuar com isso. Mas sou apenas um no meio da multidão.

Outra coisa (des)interessante: porque se trabalha cada vez mais, à medida que a tecnologia avança? Não era pra ser o contrário?

Tudo é divino, tudo é maravilhoso. - Apenas um rapaz latino-americano, de Belchior.

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quinta-feira, abril 21, 2005

Composições e Cadências

Ontem à noite estive na Cobal de Botafogo e numa reunião de amigos pra jogar em uma Lan na faculdade. Legal, legal.

Ah, agora o conteúdo deste blog é licenciado. E o do flickr também.

Ah, agora também dá pra comentar livremente no meu flickr (essa fotinho que aparece aí na direita).

terça-feira, abril 19, 2005

Àquele Que Nos Criou

Últimas conclusões? Acho que nenhuma. Só algumas novidades: adquiri um contrabaixo (irado, por sinal), que vocês verão em breve por aqui. Espero que também possam ouvir, pois vou fazer o possível para voltar a compor. E quero que tudo fique online, bunitinho.

Próximas aquisições até o final do ano: um tecladão e um micro decente pra gravar! ;)
Pra quem leu o novo texto à direita, já sabe do que se trata: um investimento.

De vez em quando o site http://rsantiago.no-ip.org estará online. De vez em quando haverá coisas interessantes pra pegar lá, mas esqueçam a parte de trabalhos de faculdade (exceto se vc for do meu grupo). Se quiser acessar e eu estiver online, me fala, que dá pra colocar as coisas no ar pra download.

Segue mais um conto, cujo título é o desse post:



Ele apreciava a natureza nas pedras, nos trovôes e nos choques das massas de ar. Havia uma coisa naquele planeta que o atraíra: água. Viveu a observar as possibilidades de evolução da terra, gostava do calor e da atividade vulcânica. Seria um lugar perfeito para haver vida. Depois de viajar bilhões de anos-luz, descansou por milênios, observando calmamente as ondas do mar.

Juntou um pouco de barro: tronco, pernas, braços e uma cabeça. Assim como ele próprio. Soprou no que seriam os ouvidos, e sussurrou:
- Faça-se a luz.

Da infinitude de seu olhar saíram seres alados e brancos, para que a vida encontrasse respostas.

Para que se pudesse aprender sentir o prazer de criar, presenteou a todos com a liberdade.

Continuou a vagar por toda a eternidade. Acompanhou a tragetória daquele barro molhado: foi logo atingido por um relâmpago, e dali despertou a primeira forma de vida. Caminhou por entre os grandes e antigos répteis, conheceu as primeiras civilizações. Utilizou a própria água para estirpar a criação que subverteu os valores que pregava. Ensinou todas as artes em seu devido tempo às pessoas propensas a aprendê-las e disseminá-las. Professou sua fé, ressuscitando após a a crucificação pelos seus próprios filhos, provando ser ele próprio o caminho, a verdade e a vida. Hoje se confunde no meio da multidão, sendo visto normalmente vestido com jeans e camisa de algodão. Suas palavras estão marcadas para sempre na memória ancestral de cada ser vivo: "Faça-se a luz". Estas mesmas palavras ecoam em nossos corações, como um alguém preso em busca da justiça pela bondade.



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"De papel passado e com firma reconhecida em cartório." - Samba da Bênção, de Vinícius de Moraes e Baden Powell.

domingo, abril 17, 2005

O Sol Veio... O Sol Foi

Hoje resolvi alguns trabalhos. Em geral foram atividades mecânicas. Este tipo de exercício não dá muito espaço pro ócio, reprime a criatividade, mas é perfeitamente cabível quando você não agüenta mais ter que pensar. Dá tempo das idéias se fixarem. O ritmo de aprendizado no mundo de hoje é realmente frenético, e eu penso que estamos mesmo chegando ao ponto de crise: ou o mundo colapsa, ou as humanidade muda.

E passou o dia.

Impulso

Às vezes fazemos coisas por impulso. A chance de tudo ficar estragado, seja lá o que for, é enorme.

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sexta-feira, abril 15, 2005

Peço perdão aos caros amigos pela onda de impessoalidade que me abateu nos últimos posts. Voltaremos com as confissões e reflexologias regulares em breve. ;)

Poutz, tenho uma prova amanhã... 14 às 16, ninguém merece :(

quinta-feira, abril 14, 2005

Soneto das Dissonantes Platonices

E se de repente verdes esperanças
Se levantassem em mim?
Às vezes o tempo sente
O cheiro da loucura que fiz

Se de repente num compasso
Crescesse triste o embaraço que me trai,
E a alma que se pudesse refaria tudo
Todo o amor que relevou-se em mim?

As veredas de um arrependimento justo e rouco,
Cujo nascer desse meu pranto faz-me louco,
Me furtam a visão de um novo amor também

Mas o que me ocorre é por demais pueril
Que em todas as vidas eu só tenho a ti
Mania infernal e angelical de perfeição

Mente de ideias, mundo de Platão.

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terça-feira, abril 12, 2005

Demócrito E A Divisão

Enquanto assistia sua aula na faculdade, Demócrito pensava em como faria para entender todo aquele conteúdo até Sexta-Feira, data de sua prova. Pensou então nas coisas que deveria fazer - cuidar de sua casa, de seu trabalho, de sua faculdade, de sua namorada, de visitar seus pais, de tocar seu violão e se reunir com seus amigos, e finalmente de sua saúde.

Não sentiu o tempo passar, tampouco a loucura chegar, enquanto sentia aquela dor de cabeça lancinante, que começara há dois dias. Seus neurônios pareciam se mover como cobras emaranhadas, tal era a desarrumação e sensação de tonteira causada pela moléstia. Sua imaginação, aos poucos, ficou turva, e tudo o que pensava parecia começar a ser dividido em duas imagens. Os sons que ouvia estavam agora amplificados, quando sentiu um estalo dentro de si. Um estalo que saiu de todos os seus 'eus' - corpo, espírito e mente.

Fechou os olhos. Depois do estalo, tudo ficou silencioso. Abriu-os lentamente, para enxergar o mundo lá fora. Estava em uma UTI, ligado a aparelhos que monitoravam seus batimentos cardíacos e impulsos neurais. Prontuários médicos estavam dispostos em uma mesa de cabeceira, e Demócrito se perguntava quanto tempo devia ter se passado desde que tivera aquela sensação do estalo.

O rádio, que permanecia ligado na MEC, FM dizia: 14 de Agosto de 2005. 4 meses desde a última aula de Finanças que assistira.

Sentou-se sobre a cama, e viu-se preso àquela parafernália de equipamentos que o vigiava. Quando começou a pensar no que teria acontecido, a natureza do diálogo estava presente em sua mente. Demócrito agora percebera algo muito estranho - sua visão, que antes estava um pouco turva, quando se tornou nítida projetava duas imagens idênticas em sua mente, como os olhos de um camaleão faria. Ao se levantar, percebeu duas vontades que trabalhavam simultaneamente em seu cérebro - uma comandava a mão esquerda e outra a mão direita.

- O que é isso? - duas vozes ressoavam dentro de sua mente.
- Quem é você? - Percebeu duas consciências executando a mesma pergunta uma à outra. Havia um estranho na mente de Demócrito, mesmo que nada parecesse tão estranho no que aquelas duas criaturas em sua mente comandavam. Era ele próprio, em cada uma delas.

Desde que acordara, as pessoas não compreendiam o rapaz, e consentiam com sua loucura de se referir a si mesmo como "nós" ao invés de "eu". Afinal, Demócrito - ou Heráclito, como também começou a admitir ser chamado - tornara-se brilhante em tudo o que fazia, desde aquele pico de estresse que o levou a um coma de 4 meses. Parecia ser "dois em um".

Safe Creative #0801220392575

segunda-feira, abril 11, 2005

Que País É Esse?

Vivo num país onde está se tornando mais viável comprar um carro do que utilizar o transporte público. Onde é mais vantajoso ter um plano de saúde do que utilizar a rede pública de hospitais. Onde é muito mais eficiente pagar uma faculdade particular do que não ter aulas em uma faculdade pública. Onde é mais fácil viajar para o exterior do que manter o dinheiro por aqui. Onde as pessoas enchem as ruas pelos seus times de futebol e pelos cantores de axé, e nunca para manifestar a cidadania. Onde estamos todos afundados no mesmo caos, tanto os ricos quanto os pobres. Onde a maior parte do que geramos vai pras mãos do estado, direta ou indiretamente, e mesmo assim teimamos em chamar este lugar de capitalista. Onde há pelo menos 30% de impostos para comprar uma cesta básica.

Onde é mais barato exportar matéria prima e importar produtos industrializados do que fabricá-los nós mesmos.

Onde é preferível ir viver lá fora e visitar os pais no verão.

Safe Creative #0801220392568

sábado, abril 09, 2005

Citações Rodrigo Santiaguianas

Algumas frases que gostaria de deixar registradas:

"Todo lugar é passagem"

"No lugar de nada, qualquer coisa é infinitamente mais."

"Existem os que são e existem os que aparentam ser."

"O 'talvez', o 'acho' e o 'se' estão para nossa língua assim como o zero está para a soma."


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quinta-feira, abril 07, 2005

Saile, o Compositor

Depois de ver a vergonhosa tacada, meteu a mão na mesa e recolheu as bolas de bilhar. Mediante o protesto dos jogadores que estavam na mesa, Esbravejou:

- Tacada?! Tacada?! Quero ver quem joga valendo aqui! - E percebia-se seu estado alcoólico, talvez misturado com algum outro entorpecente ilícito. - Sabe quem sou eu? Já ouviram falar dos Mutantes?

Rearrumou as bolas sobre a mesa, e apostou vinte Reais com um amigo. Venceu: 78 a 7 em uma partida desigual. Era grandioso em seus gestos, como quem sonha grandiosamente. Prepotente? Talvez. Restava-me aguardar. Conversava comigo, enquanto jogava, e explicava o quanto tinha feito como maestro pela música. Compusera para O Terço e Os Mutantes. Sua namorada-acessora traduzia lucidamente tudo o que eu não conseguia entender naquela figura um tanto complexa para o mundo em geral.

(...)

Mal-educadamente pedindo licença aos gritos, não aguardou a saída do violonista do pequeno palco, fazendo pouco caso de sua música. Em resposta ao grosso gesto, as pessoas restantes fizeram pouco caso da pessoa do maestro. Janelas fechadas, vassouras correndo enquanto ele testava o som, e discutia com um dos músicos, dizendo o quanto seu teclado era melhor do que aquele que experimentava. Encontrou finalmente um efeito que o agradava.

Causou um certo furor e antipatia dos empregados locais, até que começou a tocar.

Uma harmonia setentista e grandiosíssima, que eu acompanhava de longe, ao passo que ele acenava pra mim, demonstrando sua arte. Prestava atenção em cada gesto, e me espantava por vários motivos. Os outros músicos pararam, espantados. As pessoas restantes passavam por ele e o ignoravam, recostado naquele canto de parede vermelha com uma luz bem amarelada sobre si. Quando terminou, perguntou se eu havia gostado da música que criara naquele instante, que pra minha surpresa disse ter sido em minha homenagem.

Eu assisti espantado aquela pérola sendo vomitada por um porco: Saile, o Compositor.


Safe Creative #0801220392544



Visitem o Choppers, às Quartas-Feiras: recitais de poesias e música ao vivo, pelos próprios freqüentadores.

terça-feira, abril 05, 2005

Posthumanamente

Tenho que me convencer
De que as pessoas
Não lêem poemas
E nao gostam de escrever

O lazer está no tão cotidiano
E mais prático fútil prazer
De não suar...

Observando, vejo - lógico -
Que não há mais do que gostar

Se não há arte
Se não há poesia e não há música
Nem sequer um quadro ou escultura
Que agrade às pessoas em geral

Então me pergunto:
Onde foi que erramos?

Porque pra mim
Aqui o mundo jaz:
No depreciar do apreciável
E na morte do criar


Ao som de Chet Baker & Stan Gets - Line For Lions

Safe Creative #0801220392537

Soneto em Décima Quinta

Para que eu aprenda contigo
Faz-se igualmente necessário
Que eu me contraponha à sua vida
Sem necessariamente ferir-te

Se temos tanto a aprender juntos
Por que simplesmente concordar?
Por que cegamente, abusivamente,
Empreender sem nada acrescentar?

Preparemos juntos a massa do bolo
E recursivamente, novos visionários
Virão destituir nosso poder

Deixaremos para os novos tolos
O melhor mundo imaginado por nós
Tal que possam destruir construtivamente

E só assim haverá o que fazer



Safe Creative #0801220392520


Ouvindo Dave Brubeck - Take 5

domingo, abril 03, 2005

Ao Chegar

Fecho a porta
A chave fica por ali
Tiro a bolsa do ombro

Respiro paz

Saio de onde mergulhava
Abro a cortina e a janela -

Apnéia é a tensão da vida

Deixo meus óculos de lado
Há um mundo embaçado, agora
Mas vejo, de um jeito que é só meu


Safe Creative #0801220392513

Para Andar

Quando estou na rua
Quando chego em casa
Quando estou no cinema
Quando vou à praia

Quando encontro amigos
Quando vou a shows
Quando faço compras
Quando estou em um jardim

Quando pego carona
Quando estou livre
Quando viajo

Quando levo meu violão
Quando me sinto leve
Quando te levo
Quando te digo: "leve"
Ou quando me deixo levar

São os momentos em que me vejo
Pensando no que devo fazer
Para andar por aí


Safe Creative #0801220392490

sexta-feira, abril 01, 2005

Freemusic de Qualidade

Cláudio Dauelsberg

Pode baixar as músicas gratuitamente. Hehehehe, mais um bom compositor que acabo achando nas incursões undergrounds da música brasileira. Esse cara já tocou até com Chick Corea.

Em pensar que no Gis Branco a maior parte da platéia era sexagenária... Q bosta de mau gosto o vigente entre nós, jovens e idiotas.

quinta-feira, março 31, 2005

Silêncio

Aprendo a ficar quieto.


Safe Creative #0801220392483

terça-feira, março 29, 2005

Harmonia Antitética Paradoxal

O que sou neste mundo
Senão um processado
Descontrolado e amontoado
Das coisas que vejo?

Às vezes penso:
Perdi minha infância
Às vezes sinto
Que estou mais próximo
Do meu tempo
Às vezes imagino:
Como será
Quando meu tempo acabar?

Haverá lugar pra ficar?
Estou vivendo o eu desconexo
E muito, muito aquém
Do meu desejo

Estou perdendo minha identidade
Minha identidade semântica
Minha identidade afetiva
Estou sem saber o que inferir
Muito menos o que aferir
A partir de mim mesmo

Mesmo que eu caiba
Em qualquer canto
Mesmo que eu pareça
Ter sido sempre dali

Incomoda a alguém
Incomoda apenas a mim
Estar em qualquer lugar

Mas me acomoda
Saber me descobrir
Entrar em um transe
Uma transação de idéias
Eu - como se costuma dizer
Sou apenas um número
Sou um alguém virtual


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Desculpa, saiu :)

segunda-feira, março 28, 2005

Em Breve, algumas imagens de Vitória

Amanhã, às 19 no Forte Copacabana:
Gis Branco

Ao som de Egberto Gismonti - Estudo N.5. Esquentando os tamborins!

O Que Fizemos
Se o ser for para sempre
E o viver for breve
Que seja então uma vida feliz

Que haja algo, mesmo que tão pouco
Que façamos algo, mesmo que tão pouco
Que vejamos, que provemos
Algo, mesmo que tão pouco

Um dia, vou te puxar pela mão
Te mostrar aquela imensa orla
O que fizemos serão os grãos de areia
Acariciados pelas águas - nosso suor


Safe Creative #0801220392445



Vão e Verdade
Seria bom se tivéssemos alguma certeza
De que parte do que fazemos não é em vão.

Seria melhor ainda se fôssemos cônscios
De que ao menos parte do que sabemos
É a verdade.


Safe Creative #0801220392452




A Fragilidade da Atitude
Atos, quando imprevistos
Nos levam a qualquer lugar
E quando premeditados
São crimes contra a espontaneidade.


Safe Creative #0801220392469



Hoje saiu bastante coisa :))
Tou com a digital aqui, e muitas fotos que contam a história de minha estadia em Vitória. Em breve (semana que vem, acho), haverá alguma coisa online. Enquanto isso, dá pra se distrair com as imagens que coloquei randomicamente ao lado. Esse flickr é bem bacana, tou impressionado.

Minha mãe começou um blog ;-)

quinta-feira, março 24, 2005

O Elo Perdido


Layla, originally uploaded by Rodrigo Santiago.


Essa é minha prima. Gracinha, né? Hahahah!

Layla, te amo! Não fica triste com as coisas ruins que acontecem. Segue a frase do nosso poeta e diplomata, Vinícius de Moraes:

São demais os perigos dessa vida.

Daqui a pouquinho vou me reunir com alguns amigos da facul pra tocar. Enfim, o contrabaixo, depois de 6 anos sem me reunir pra musicar!!

Hoje à noite eu tou viajando pra Vitória. Música, estudantes e moqueca capixaba. Domingo eu tou de volta. :)

Ficam dois inspirados poemas que fiz na sala de aula.
O primeiro deles foi supervisionado pela Ju:

O Projeto
Abstrato é o tipo
Que finge não ser o dado
Que dados existem no mundo
Tais que sejam abstratos?

Concretos são os que herdam
Não de pais, mas de perfeitos
No Modelo Entidade-Relacionamento
Ou na Unificada Linguagem de Modelo

Daí surge o projeto
Com seus poucos requisitos
Tão dinâmicos, tão amorfos
Que feito gremlins se multiplicam.



Safe Creative #0801220390472


E o outro é em resposta a Gente Humilde, do Vinícius também:

Olha Só Que Gente Humilde
Na corda bamba é que segue
Essa gente humilde
Que de humilde, muitas vezes
Nem as maledicências que lhe saem da boca
Nem a gana que lhe sai do olhar
Nem as fofocas que gostam de ouvir
Nem o pão, quando há o prazer de roubar.



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sábado, março 19, 2005

Teoria do "Amai-vos"

Marcelo, você me trouxe à tona uma boa pedida pro próximo post! Eu me lembro de uma conversa que tive contigo e algumas outras pessoas lá em casa (não me lembro quem mais estava).

É a teoria do amai-vos.

O que estaria pensando Jesus quando disse "Amai-vos uns aos outros assim como Eu vos amei"? Certamente que deveríamos pensar antes de causar algum mal premeditado a alguém. E ainda, que devemos perdoar quando nos causarem algum mal. Mais além, que deveríamos também nos esforçar para que as pessoas ao nosso redor tivessem uma vida melhor. E mais ainda, que devemos nos sentir responsáveis por elas. E por último, que somos na verdade devedores de nossas próprias vidas para o próximo. Seja quem for.

Muito radical, não? Pois bem. Examinemos o mundo contemporâneo. Aquela velha história: crescer, trabalhar, acumular, envelhecer, deixar para a descendência. O que há de errado com isso, afinal? Hora, se estamos falando de dinheiro guardado, teoricamente estamos com um bom curso de ação, não?

É claro que não. Se observarmos a quantidade de tempo que este dinheiro fica parado (décadas), então estamos falando de décadas sem fazer algo de útil com este valor. Nem você, nem outros. Não venha me dizer que "tá rendendo", ou que "o banco empresta pra quem precisa". Já viu banco emprestar pra pobre? Complicado demais, sem garantias de recebimento. O cliente precisa ceder garantias. A Zogby e seus similares sabem cobrar juros mais que exorbitantes, porque daí um pobre ajuda a custear o rombo que o outro abre nas contas.

Sim, este valor parado no banco de quem é rico poderia ser usado para algo melhor. Mas é complicado ser um no meio da multidão. Imagine-se cedendo toda a sua riqueza no meio da favela para os pobres. Se você tivesse R$50.000,00 guardados em um banco, por exemplo, e resolvesse distribuir em uma favela de 5000 habitantes, que por sinal é pequena, então ficam 10 reais pra cada um, e zero pra você. Pois é, ninguém ganhou melhores condições de vida, e você ainda pulveriza o seu capital. Faz dinheiro virar poeira.

O que faríamos, então? Ora, "bota nêgo pa trabalhá"! Com 50.000 você pode abrir uma pequena confecção (um exemplo), ou uma doceria. Se você contratar 10 mulheres a 400 reais/mes, então vai incorrer num custo de mão de obra de 4000 Reais/mês. 10 Doceiras (ou costureiras) atingem aproximadamente 50 pessoas, se tivermos uma média de 5 pessoas por família. Supondo que você tenha um gasto de 3000 Reais com matérias-primas/contas, então seu gasto mensal vai ser de 7000 Reais/mês. Levando em conta que, em geral, mulheres são mais conscientes com dinheiro familiar do que os homens, estaremos aumentando as chances de beneficiarmos crianças. Pra quem mora na favela, 400 Reais é uma fortuna. Isso melhora a qualidade de vida, com certeza. Estabelecidos os canais corretos de distribuição, este negócio é perfeitamente sustentável, e você acaba criando uma pequena indústria na zona pobre. Recuperar o dinheiro gasto é mera questão de tempo, e o negócio estará consolidado, se for bem feito. Você lucra ao mesmo tempo que traz dinheiro pro bolso da favela. Isso é extremamente interessante. Mas você pode querer apenas recuperar seu montante inicial, e depois deixar a pequena indústria na mão de quem souber tocá-la - destas mulheres, por exemplo. No caso de comidas, o lucro é, em geral, bem alto. A grana pode ser recuperada em 1 ano e meio, creio. e um lucro de mais de 200%, pros interessados, acho que dá pra atingir em 3 anos de atividade. Pra 200% de LUCRO em 3 anos, é mais do que 60% ao ano, muito melhor índice do que os bancários, com certeza.

Isso sem falar dos benefícios indiretos: compre ingredientes de vendas locais. Em geral, são mais baratos e ainda estimula o comércio local. Compre comida daquelas moças que vendem pra fora, etc etc. Cria-se um pequeno pólo com a aplicação de 50000 reais em uma favela. É dinheiro multiplicado.

Não distribua esmolas, nem comida. Ensine a pescar, a trabalhar. Bom, esse é um ponto. Não é distribuindo dinheiro que se aumenta a riqueza. É semeando e gerando valor.

Você sabe o que o banco faz com seu dinheiro? Complicado saber, o banco tem contas privadas. Vamos a outra historinha.
Mercado de ações. Sabe pra que serve? Imagina que uma empresa seja dividida em pequenas partes de 10 reais, e cada uma dessas partes possa ser chamada de "ação". Ação vem de "ativo". É um papel (um documento) que diz o seguinte: o portador deste papel é o dono de 10 reais de todo o dinheiro que compõe a empresa. Pra uma empresa de 1000 reais, teríamos 100 ações. É claro, as empresas no mercado da bolsa de valores são muito maiores do que isso. Há milhares de papéis com essas frações das empresas. Quando você tem papéis de alguma empresa, pode resgatar seu lucro, na época em que há a distribuição de lucros e dividendos - dá-lhe Banco Imobiliário!

Essa história do lucro cheira bem. Cheira tão bem que, se eu sei que a empresa vai gerar dividendos, eu posso vender esse papel pra alguém. Mas não vou vender por 10 reais, porque sei que há alguém a fim de comprar essa fonte de grana. É como um manancial, jorrando dinheiro lentamente. Ou pode nem jorrar grana, e continuar sendo atrativo - no caso de reestruturações e alto índice de investimentos internos.

Esse papel diz que eu sou dono de 10 reais lá na companhia (o equivalente ao grampeador da secretária, por exemplo). Mas eu vendo por 15, porque sei que no longo prazo essa grana que "nasce" da empresa vai cobrir esses 5 a mais no bolso de quem comprá-la de mim. Perfeito, não? E assim, quando há notícias boas, o preço da ação sobe. Quando há notícias ruins, o preço da ação desce. E raramente o preço da ação iguala a parte de direito na companhia. O mercado é perfeito nessas ondas de sobe e desce de preço. Mas quando alguém negocia as ações que tem, a empresa emissora da ação não recebe nenhum benefício direto de capital. Não há entrada de dinheiro na empresa. O benefício que se gera pra empresa é uma outra história.

O banco, nosso famigerado banco, lá onde temos nossos hipotéticos 50000 Reais, compra ações quando seu preço tá em baixa, e vende quando o preço tá em alta. Em suma, o jogo é: se o preço tá muito baixo, vai subir, e se o preço tá muito alto, vai cair. Pois bem, essas negociações são feitas com outros financistas, e em geral não há benefícios para o povo. Dinheiro grande, é verdade, mas que não serve de nada. A bolsa é uma grande jogatina.

Não há mais por que manter o dinheiro exclusivamente no caixa. Pronto. Aqui encerro essa coisa de banco.

Eu sei que o negócio tá se estendendo um pouco mais do que deveria - eu juro que meu próximo post vai ser mais curto. Mas vamos a uma próxima questão - essa muito mais importante que a anterior.

Seja um universo de 50 pessoas. Se todas olham somente pro próprio umbigo (é o "universo não-amai-vos"), então em qualquer momento desse universo egoísta podemos dizer que apenas uma pessoa se preocupa com cada uma delas ao mesmo tempo: a própria pessoa, admirando seu lindo umbigo.

Alguns umbigos são tão lindinhos...

Seja um universo de 50 pessoas. Se todas tomam conta do bem estar das outras e deixam de cuidar de si, então teremos em qualquer momento 49 pessoas cuidando de cada uma delas. Esse é o universo do "amai-vos".

E então, em qual destes universos você gostaria de estar?


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terça-feira, março 15, 2005

Música Internalizada

Vou tirar meus óculos para analisar melhor a noite. Os planos, estes sim, merecem ser considerados. E pondo um fim no fim das histórias, sejam tristes ou não, eu digo: pouco importa. Pouco importa qualquer coisa que haja entre mim e você, ou entre você e outro. Pouco importa a escolha. Pouco transcende a alma, mergulhada na pequenez humana. Do pouco que compreendemos, o que tiramos também não importa. Não importa sermos algo dentro dessa casca de éter. O universo é tão pequenino, que o que fazemos com ele acaba não importando a mais ninguém além de nós, seus habitantes. Pouco importa uma noite em um bar.

Na verdade, nada importa. E se nada importa, tudo importa tanto quanto. Não há argumentos, e eu também não quero que você leia. Eu não leio pra esconder mensagens. Eu leio pra comunicar. E pouco importa a menção das entrelinhas, o que você faz com ela, ou o que você inventa entender. Essa é a sua parte. A minha foi escrever, e saber o que eu entendo. As MINHAS entrelinhas. Sentiu o toque auspicioso do egoísmo? MINHAS. Não tente tomá-las, porque não são de sua propriedade. O que você entender é culpa SUA, e eu não tenho nada a ver com isso. O que você interpretar não foi uma leitura mental. Foi invenção. Se coincidir, parabéns. Mas não invente saber de tudo o que acontece por debaixo destes panos. Debaixo dos meus panos há calor, como este desta noite.

A participação é a única coisa que nos resta. Estamos dentro de um sistema que participa de infinitos super-sistemas, e a única coisa da qual podemos ter certeza é de que há algo. E que estamos inseridos neste algo, que não conhecemos por provas científicas, apenas por intuição. Acho que a intuição está desligada deste haver físico, e ligada em um outro sistema. E se estamos imersos em todos estes, então dane-se seu funcionamento. Não podemos nos desvencilhar. O que fazemos é apenas um amontoado de energia, e às vezes nos traz prazer satisfazer aos nossos caprichos, sejam "honráveis" ou não. Só fazemos por nós mesmos, já dizia o poeta.

Aliás, alguém me dê um exemplo do que é o "não ser", que eu já tenho dúvidas (existenciais e milenares) sobre se "somos".

E nestes dias, a música tem feito parte de mim, como nada mais.

Safe Creative #0801220390458

quarta-feira, março 09, 2005

A Letra e a Imagem

Anda há pouco reparei em um dado estatístico: eu tenho passado passado a maior parte do meu dia lendo, ou escrevendo. É óbvio: isso parece ser bem normal. Mas se pararmos pra pensar, pode ser o costume, hoje. Mas não é o natural, propriamente dito. Natural é criar uma linguagem para expressar e transmitir informações. Natural também é evoluir para novas formas de linguagem. O símbolo da letra começa a não fazer muito sentido em nossa época, quando precisamos de mais "largura de banda" mental para capturar as idéias ao nosso redor.

Mas o que seriam estes 'novos símbolos'? Curso expresso de leitura dinâmica? Provavelmente não. Temos vários sentidos para captar a informação, no qual a visão é, no caso do texto, a principal delas. E mesmo esta é mal aproveitada. Afinal, o que são as palavras perto de uma imagem? O que é o preto-e-branco de um artigo perto do potencial das tonalidades? O hipertexto, no meio eletrônico, nos deu uma visão organizacional similar à que temos em nossas cabeças. Mas esta reorganização nos rouba a noção quantitativa de tudo o que temos pra ler, por exemplo. Em um hipertexto muito disperso, podemos facilmente nos perder dentro do conteúdo.

Pois bem. O hipertexto expande a organização informacional. Replica no mundo eletrônico das idéias o que temos em nossa mente. E o texto, como matéria prima, é uma mídia muito pobre se comparada às outras mídias. Dado o impacto que tivemos do "hiper-meio" sobre o texto , imagine o que aconteceria se esta hiper-dimensão fosse aplicada também às outras mídias?

Esta é uma boa questão: a substituição do texto (e hipertexto) como forma principal de transmissão de conteúdo por outros meios, que aproveitem toda a amplitude de nossos sentidos. Para se ter uma idéia: uma pequena nova adição à mídia do texto - um texto colorizado, por exemplo, nos traria inúmeras informações adicionais. Ou o texto multi-estilizado. Uma alteração de fonte, tamanho, estilo ou cor poderia nos trazer padrões à mídia lida, e reconheceríamos através dessas informações puramente visuais alguma informação subjacente. Tome como exemplo um suposto dicionário colorido, onde as diferentes classificações morfológicas (verbo, substantivo, artigo) trouxessem cores específicas às palavras definidas.

O principal desafio do texto hoje é sua análise semântica (de sentido) automática. Se houvesse, por exemplo, um meio de analisar eletronicamente os sentidos do texto para diferentes contextos, poderíamos - similarmente aos meios matemáticos de projeções de números - estudar um texto, e produzir um segundo texto, automaticamente. Mentalmente é uma tarefa bem simples, se há a cultura prévia do conhecimento relacionado à produção textual em questão. Mas como produzir uma resenha de um livro de maneira puramente eletrônica e automatizada? Similar ao estudo da estatística, medir o comportamento de um texto requer o estudo de inúmeras variáveis.

Desta perspectiva, começamos a perceber um pouco mais da grandiosidade da complexidade textual. Ela está indiretamente relacionada a todos os nossos sentidos, já que a leitura sempre nos traz a mistura de recordações de vários fatos prévios - fatos que podem ser autitivos, olfativos, visuais, palativos, táteis ou emotivos.

Por que achar então a produção textual contemporânea pobre? O problema em compreender um texto reside no trabalho de realizar a cognição (ligação) entre as idéias deste e a experiência pessoal prévia, durante sua leitura. Elementos diferentes do texto puro - as cores, por exemplo, podem alavancar a compreensão da informação. Novamente: o que interessa, no fundo, não é o texto em si, mas o objeto alvo do texto - o leitor. Sendo assim, não precisamos necessariamente nos prender ao texto, mas à informação e à formação do alvo, não importa por qual meio esteja sendo passada.

Se o texto, que é somente um texto, possui todas estas dificuldades para ser compreendido e estruturado, imagine o vídeo, o áudio e cada uma das outras mídias? Transportar a linguagem e sua análise para cada um destes meios é uma tarefa para este século, certamente. E talvez para o próximo também.

Outro ponto interessante: o texto é uma mídia confiável. O dia em que uma filmagem servir de contrato, saberemos que o vídeo também é confiável. Em 2002, nosso governo criou uma lei na qual documentos eletrônicos podem servir da mesma forma que papel impresso. Mas isso é papo pra micreiro. O mercado pra estas aplicações é emergente - GED (Gerenciamento Eletrônico de Documentos). São basicamente os contratos textuais assinados e posteriormente escaneados, guardados como arquivos de imagem em bancos de dados. Já é um progresso.

Resumo da ópera: quanto mais sentidos atingidos, maior e mais rápida a possibilidade de transmitir a informação. E mais complexa a sua estrutura, porque se aproxima cada vez mais da linguagem da natureza.

De uns 5 ou 6 anos pra cá, desenvolvi muito maior apreço pela música e pela natureza intuitivamente, ao notar inconscientemente a quantidade de experiências que recebia com elas. De fato, hoje minha emotividade é prontamente despertada com artes - talvez justamente por lidar o dia inteiro com o "limitado" texto. Acho que minha percepção está carente de meios mais amigáveis e rápidos de comunicação.


Safe Creative #0801220390441

sábado, fevereiro 26, 2005

Isso Não Se Ensina, Seu Bosta!

Chuveu que abarrotô
Foi tanta água que meu boi nadô


Vocês já assistiram a um show, ou pelo menos ouviram as músicas do Cordel do Fogo Encantado?

Ontem fui ver. Assistir ao show desses caras foi uma baita surpresa. Todo mundo havia me alertado o quão diferente é a arte desses pernambucanos. Fiquei satisfeito de ver: uma produção que não envolve somente a música, mas também a performance. É impossível assistir esses caras sem ter a impressão de que algo muito estranho e diferente aconteceu. É quase um teatro. Há música, há poesia (muita poesia), e há percursão (muita, muita percursão). Devia ter uns 30 tambores ao todo, de todos os tipos, no palco. E todos foram muito bem usados. Cordas? Só um violão, que em vários momentos também virava instrumento de percursão. Nossa, muito diferente mesmo, eles sabiam o que estavam fazendo em todo instante.

Ah, também havia as cordas vocais. Não sei o nome de ninguém ainda, mas como voz, não era tão impressionante. Em contraste, a performance desse vocalista "palhaço" foi alucinante. Ele era o próprio personagem das canções, cujos olhos brilharam enquanto o povo cantava as músicas. Eles próprios ficaram muito impressionados com a performance do público. As pessoas que foram assistir estavam muito mais interadas do que o esperado pela banda. Resultado: uma explosão de som nas batucadas infalíveis dos componentes, conduzidos pelo carisma do nosso palhaço, e sustentado por coros, pulos e palmas da platéia. Foi de arrepiar!


Semana que vem começam as minhas aulas.

A expressão tem importância mais do que vital na vida do artista. A formação, de fato, se dá muito mais pelo cotidiano do que enquanto se procura cientificar o saber. As maiores impressões, as lembranças mais traumáticas (não no sentido ruim, mas no sentido de marcar uma memória) certamente são a base do desenvolvimento de qualquer um. E lá estava eu, na escadaria dos doidões da Lapa, sentindo o cheiro de toda aquela loucura e percebendo a névoa de uma confusão, que em maior parte é desproposital. Todos os gestos e costumes me lembraram a mesma garota, que me marcou, mas não por eu ter sido apaixonado por ela - isso jamais aconteceria. É impressionante como todos os "broders" que fumam um baseado se parecem. E não importa se estão no Rio, ou em Sampa, ou se são de fora. Isso é intrigante. Tá, só um pouquinho intrigante ;)

E como conversar com doidões quase nunca leva a lugar nenhum, eu dispensei a companhia dos outros pra conversar com um molequinho que veio me vender chicletes. Ele tinha uns 11 anos. Havia outras crianças também, e resolvi parar pra conversar com elas, já que estavam sóbrias - mas não imaculadas. É realmente uma pena, que ensina tanto o que é bom quanto o que não é.

Vou inventar alguns nomes e vocês fingem que conhecem.

A Márcia disse que era mulher do Ricardo, que estava vendendo os chicletes. A Glória disse que era amante. Ricardo disse que era tímido, e que não gostava dessa brincadeira. Falou também que dava uns beijinhos por aí, mas que ficava com vergonha quando elas diziam isso na frente dos outros desconhecidos. Os três tinham 11 anos, em média.

Ricardo disse que preferiria dar o dinheiro que ganhava a gastá-lo com álcool, ou drogas. Ricardo, uma criança de 11 anos de idade, estava tão oprimido pelas experiências daquele lugar, que não me olhava nos olhos enquanto conversávamos. Com o tempo, ele pegou confiança e o olhar já não era mais uma preocupação. Enquanto isso, os doidões conversavam entre si, passando por vários assuntos, todos eles irrelevantes - categoricamente irrelevantes - que eu estava aturando antes.

Não estou discriminando nem culpando, dizendo que eles deviam procurar algo de útil pra fazer. Só que o assunto tava tão chato que preferi conversar com crianças. Ponto.

Ricardo foi a cena de descaso da noite, pra mim. Ele dependia de dois reais e quinze centavos pra voltar pra casa. Não sei se estava mentindo, mas resolvi fazer a minha parte, encarnando o beija-flor, e dar até pouco mais do que ele precisava, cedendo todas as moedas da minha carteira. Não fiquei com os chicletes. Podia ter sido mais ainda, claro. Mas esse pouco foi de uma satisfação enorme para o moleque. De serviço terminado, ele podia agora ficar ali sem fazer nada, e então ficamos conversando mesmo, enquanto ele não se decidia por partir. Deveria esperar outros amigos, eu acho. Voltariam pra Santa Cruz, ainda.

- Você tem irmãos?
- Nove.
- E consegue lembrar o nome de todos eles?? - AAAAah, mandei mal pra kct!
- Consigo, ué!

- O que você vai ser quando crescer?

A única coisa que ele sabia é que queria ser "alguém na vida, ué". Mas ele não sabia o que era ser alguém na vida. Não sabia o motivo. Não sabia nem por onde começar.

- Quero ser alguém na vida, ué. Só não sei ainda o que vou ser.

Resolvi compartilhar algumas das minhas experiências, e tentar marcá-lo positivamente, de certa forma. Expliquei a ele a fórmula básica: divirta-se com coisas que faça diferença na vida das pessoas. Pouco a pouco, ele conseguiu revelar seu sonho:

- Eu quero ser consertador de vídeo game.

Impulso? Não sei. Mas já havia sido diferente da resposta anterior.


Safe Creative #0801220390434

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Ciclos de Vida

Nasceu Maria Eduarda!
Êla garota preguiçosa! Depois de ter sido marcada a data de nascimento da Maria Eduarda, mistura de Vina com Marcela, pra dia 6 de Fevereiro - tá, ia ser presente meu - A menina espera mais 10 dias pra sair da barriga da mãe. E à força, pelo visto!
Isso é ter medo do mundo. O resto é bobagem.
De qualquer maneira, nasceu cheia de saúde, e pelos pais que têm, com certeza é linda! Vou visitá-la esse final de semana. E PIvo, o padrinho-todo-bobo, que se cuide! Parabéns aos pais, e ao padrinho! :)

Ontem cheguei à real conclusão de que quero ter 4 filhos, no mínimo.

Três aquisições da semana:
Solos do Brasil - Hermeto Pascoal, Sebastião Tapajós e Gilson Peranzzetta
Monk Alone: The Complete Columbia Studio Studio Recordings of Thelonious Monk (1962-1968)
Vinícius Anos 90


Songbook: Tom Jobim vol.1 ( Só falta mais 1 pra completar a série)

Ouvindo o Monk nesse instante.

Ontem escrevi algo (!!)
Isso vai ser musicado, em homenagem a uma garota fantástica. Todos já conhecem bem a história, então não há porque ter segredos.

Carol, esse é um presente pra você ;)

Desencanto

Assumo
Que somos assim iguais
Que pelo tudo que vivi
Sonhando te encontrar
Nunca mais, nunca mais
Veria alguém assim

Assumo
Que tudo prometi
Eu te prometi o mundo
E qual mágoa te causei

O desencanto, o desencanto

Das palavras abusei
O teu corpo que senti
Era tão meu, tão meu
Confesso que sofri

O nascer do desencanto
Fez das cores preto-e-branco
Do silêncio, uma distância

Os meus olhos desviei de ti
Minhas costas eu te dei
E teu coração parti


Safe Creative #0801210390420




Essa noite eu sonhei um sonho meio louco (mais um da série) com amigos e uns primos meus, que nem sei por onde andam. Figuraram no sonho:

Kiki, Vinícius, eu e Pamps.
Estávamos andando de carro pelo bairro onde morei, o Conjunto da Marinha, em Campo Grande. O lugar estava bem caído, com vários "puxados" construídos em anexo aos apartamentos (similar aos do Sapo, favela próxima ao simpatissíssimo bairro Jabour, onde moram meus pais hoje, e pra onde vou sempre que posso). O ponto alto dessa volta foi o Kiki, subindo uma ladeira impossível de ser subida por um carro, por conter pedras e mais pedras. ;)

Também passamos na casa de Valesca. Lá estavam Amaro e Vanessinha, Valesca e Juninho e era aniversário de alguém. Amaro me dava "dicas" de relacionamento (dizia que o homem devia ser cafajeste), enquanto enchia Vanessinha de adulações (oh, que coisa mais Potengi!). Novamente, dei um CD de presente pra Vanessinha.

Passamos na casa da família de meus primos, a tia Célia. O tio Neca não estava mais lá, mas a casa estava muito cheia. Poutz, vários amigos dos meus primos, e chegamos de surpresa. A Renata tá liiiiiiiiiinda! Ora, sempre foi mesmo! Também estava proporcionalmente tímida ;)
Marden e Fábio estavam lá. E a tia Célia também, toda parecidona com minha avó, só que mais gordinha. Estavam preparando um churrasco. Rapidamente, Kiki, vinícius e Pamps sumiram no meio do pessoal, e eu fiz questão de cumprimentar um a um. Nossa, foi mesmo como matar a saudade! :)
De lá, fomos a um restaurante Japa, em Ipanema. Ipanema no sonho ficava a uma praça de distância de Campo Grande. Hehehehehe...
O Japa tinha até nome, mas agora me foge à cabeça. Acho que era Tanaka mesmo. E lá, comendo sushi e churrasco (!!) um dos amigos não identificados dos meus primos me diz que eu o ajudei a levar um som (!!) cantando (?!), enquanto ele tocava seu "harpejo russo" (sei lá o que é isso!). E isso fora há dois anos, de acordo com o que ele me dizia. Ele próprio cantou a música, que eu não lembro agora. Mas eu nunca tinha visto a criatura, e insistia com ele dizendo que não me lembrava disso.

Fim.

Post Morten
+ Lamentamos muitíssimo e sentimos pela partida de Sérgio. Espero poder ajudar meus amigos (seus filhos) no que for necessário.

sábado, fevereiro 12, 2005

Foi Carnaval

E também foi meu aniversário. Obrigado a todos :)

Todos os cursos poderiam ter mudado, se as borboletas no Japão tivesem batido as asas.
Pelo menos meu Tangerine Dream Discography tá em 92%.

A vida nesse momento por mim definida é: uma grande ironia.

Cheers!

Sim, estou desconstruindo a harmonia, e descobrindo o quanto é essencial entender o funcionamento de sucessões de acordes. Mas na verdade, são sucessões de acontecimentos que emotivam estes mesmos encadeamentos.

Hoje durmo com um corte. Amanhã acordo melhor. E o que seria da vida se não fossem as distâncias cruzadas por nós, sob todos os aspectos? O que seria de uma nota, sem saber que existe a próxima? O que seria da vida sem a morte? No fundo, tem tudo a mesma origem, e dista uma da outra somente pelo tempo.

Tempo perdido. E vai-se o ritmo. Q mesmo este é ditado de forma concordante, sob alguma batuta celestial. Sob os auspícios de conspirações para o bem da humanidade.

Todos os dias quando acordo...

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

Argumento da Decepção

Gostei do que a Nany falou do último post. Bom, vou retomar o texto passado. Vou tentar compor um argumento, com base nos achados que ela trouxe ao post.

Decepcionar-se é provar que você estava errado.
Correto.

A decepção é um erro.
Pra mim, a decepção aponta um erro. Ela não é o erro em si. Se a decepção é a prova de que estávamos errados, como pode a própria prova ser errada? Se a prova do errado é errada, então não temos nada para falar do errado. Ele pode até mesmo estar certo. A decepção é uma forma de "luz vermelha", que acende para que notemos que nosso pressentimento está errado. Isto mesmo, errado.

O pressentimento nos guiou erroneamente.
No caso em que o pressentimento nos indica o caminho errado, ele próprio não é um erro. O erro é conteúdo fundamental do pressentimento. É o fim que esperamos do tempo. O pressentimento é apenas um motivador. Sua essência pode ser equivocada, mas pressentir é natural. O hábito de pressentir não pode ser suprimido. Do contrário, nos sentiremos perturbados por ele. E utilizá-lo como pretexto principal de nossas ações pode ser uma desculpa ruim para nossos fracassos.

O que há de errado, então?
Revisão: a decepção nos confirma que o conteúdo de nosso pressentimento é um equívoco. O que "preenche" nosso pressentimento vem de duas famílias de coisas: as internas e as externas. Por internas, acredito que a moral e o raciocínio são duas das ferramentas que usamos pra processar o que há externamente. E nosso canal de entrada é a percepção; a sensibilidade. Quanto mais sensíveis, mais informações externas coletamos.

Se você colhe evidências e processa-as de forma errada, então isto se dá como erro pessoal. O substrato desse processamento preenche seus pressentimentos, no momento em que tentamos adivinhar o que há por vir. Se você coleta informações e processa corretamente, mas estas informações não estão corretas ao chegar, então isto pode ter sido motivado por insensibilidade necessária ao fato. Ouvir um pagode pode exigir muito pouco de seu ouvido. Ouvir um clássico certamente vai exigir muito mais. Se você acha música clássica ruim, então provavelmente não está interessado em abrir sua sensibilidade à música verdadeira. Se você gosta de funk, paciência.

Mas e se tanto a sensibilidade quanto a criatividade (processamento) dessas impressões externas não estiverem errados? Vamos às externalidades.

O que há entre a luz e seus olhos são as cores. As pessoas transmitem as cores da maneira que desejam. Assumo que este canal seja perfeito para que vivamos, então não causa perdas de informação. Mas o que o outro transmite pode estar equivocado. Este é o fruto de duas coisas: falta de sinceridade, ou resposta a algum estímulo errado que esta pessoa recebeu de você, em uma interação anterior.

De maneira geral, quanto mais sinceros somos, mais sinceras as pessoas tendem a ser conosco. E quanto mais sombreamos nossos verdadeiros motivos, mais os outros se desviarão do bem em suas ações. A transparência é o que chamo "o bem". Um canal limpo, onde a informação flua sem problemas.

Desta forma, pode configurar-se como erro as nossas intenções, e não o ato de pressentir, ou o de se decepcionar. Erramos no caráter, fundamentalmente. E quando erramos, desviamos o curso natural das coisas. O bom curso - e daí não podermos confiar nos estímulos, até que limpemos o canal. Até que nos façamos transparentes novamente.

Um erro nosso leva a outro - nosso ou de outra pessoa.

Mas se as intenções são boas, nossos erros desfazem-se ao nos mostrarmos dignificados pelo arrependimento. Ao pedirmos perdão. Porque erramos, mas inconscientemente. Como diria Sócrates: erramos por ignorância.

Pressentir não é de maneira alguma errado. Nossa curiosidade é motivada pelo pressentimento de que será bom se soubermos tudo o quanto há no universo. Este pressentimento é o que nos leva a evoluir, então seu substrato é essencialmente bom. Ter conhecimento dos fatos é deter poder. Você pode vendê-lo ou dá-lo. O que importa é que você propague, e receba o quanto quiser receber por isso (ou o quanto puder). Mate a curiosidade de outra pessoa, e você estará satisfazendo a ordem evolutiva. Mas por favor, não o detenha. Deter conhecimento é como interromper o curso de um rio. Sim, você pode querer extrair energia dele, e com isso se sustentar, mas faça de forma equitativa e auto-sustentável. Este pressentimento primordialmente correto, na minha opinião, não poderia ter sido preenchido em nós por nós mesmos. Pra mim, são partículas divinas.

Sendo assim, ache, pressinta, procure, busque, e peça desculpas quando se mostrar idefeso quanto às suas falhas (de caráter e consciência, até). E de forma reflexiva, perdoe ao se decepcionar, sempre.

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Saí de Férias e...

Quando eu comecei minhas férias, estava disposto a fazer três provas de certificação. Essas provinhas, que quando você faz, ganha um documento (o certificado), que "prova" que você sabe.

Vamos ver o saldo. O que eu fiz, afinal??
- Tirei a primeira certificação - Essa era um "abre alas", pra eu poder fazer as outras
- Abri uma empresa
- Mudei de emprego - esse aqui usando coisas que eu ainda não conhecia direito, e num ambiente acadêmico, que mais cheira a pesquisa do que trabalho
- Registrei um domínio junto com dois sócios
- Dei duas palestras - Uma online e outra presencial. Cerca de 60 pessoas, somando as duas.
- Li Deuses Americanos - excelente
- Li O Elogio Ao Ócio
- Li A Conquista da Felicidade
- Li A Reinvenção do Bazar
- Comprei meu violão novo
- Ouvi novos estilos de música
- Estudei o songbook do Tom Jobim
- Estudei o songbook do Vinícius de Moraes
- Estou fazendo exercícios de violão, já de olho no piano
- No aguardo da chegada do meu mais novíssimo livro Harmonia, de Arnold Schoemberg (acho que é asim que se escreve)
- Comprei um afinador eletrônico e metrônomo (medidor de compasso)
- Comecei uma nova composição
- Me reuni com os amigos com maior freqüência

Acho que foi isso. E agora, decidi ir pra São Sebastião, no carná. São Sebastião do Rio de Janeiro.

Minhas férias na faculdade estão terminando, e estou começando a captação do primeiro projeto pra minha empresa, e quiçá um investidor - este último é só uma hipótese.

E quanto às provas de certificação??? Bom, minha qualidade de vida está melhor, estou aprendendo muito mais estudando música do que me metendo em trabalho por mais de 8hrs/dia, meu desempenho no laboratório tá bem legal e de mercado também. Eu simplesmente chutei o balde com relação às minhas obrigações de provas, e aparentemente tudo melhorou. Busquei qualidade de vida, e aparentemente isto surte um efeito em todas as outras áreas da minha vida.

Onde eu quero chegar? Ah, lugar nenhum. Isso é só um review das férias, medindo o que foi bom e o que não foi.

E quanto ao que NÃO foi bom?
É, a sensação da semana passada inteira não foi tão boa, até a Sexta do Grito.

Daí, numas linhas de conversa com a Freak me saiu o seguinte diálogo (solenemente editado):

- O que você faz quando fica muito chateado com alguém? - Freak.
- Evito me chatear, antes disso. - Eu.
- Mas e quando você se decepciona?
- A decepção... É elemento não esperado, concorda?
- Sim, concordo.
- Será que a decepção e a surpresa são sentimentos da mesma família?
- Provavelmente.
- E enquanto ruim, a surpresa na verdade se revela decepção.
- É, acho que é isso.
- Então podemos convencionar que a surpresa por si só é boa. E a decepção é uma surpresa, mas ruim.
- Talvez.
- Mas o que causa uma decepção?
- Um erro, algo negativo que você não esperava que acontecesse. Geralmente vindo de alguém.
- Erro. Então, faz o seguinte. Faça sempre o que acha bom. Sempre. Não se convença de que o "mais ou menos" é o bom, porque não é (pelo menos não pra você, sabendo que há coisas melhores). Se vc faz o que é bom, entao quando algo sai errado e vc sabe que fez o bem, entao pode assumir que:
1 - Voce errou inocentemente.
2 - A outra pessoa errou.
A primeira é passiva de perdão. A segunda, de perdoar.

sábado, janeiro 29, 2005

Desvairados

Cheguei ao Tec às 8 da manhã.

Ninguém por lá.

Esperei. 10:30 aparece a primeira alma.

Almocei com amigos de faculdade ao meio-dia, precisamente. Diálogo rápido:
- E ae, cara? Como você tá?
- Ah, tou bem! Sabe, fiz uma coisa que não fazia há um tempinho. Mandei flores, e um cartão com uma poesia. Fiz uma declaração...
- Flores?? - Um terceiro descuidado, que nunca vi na vida.
- Sim, flores... E quem é você?
- Ah, mandar flores é meio caído.
- Hmm. Pois é. Não fiquei com a dita cuja. Mas isso não importa. O que importa é que fui do jeito que eu gosto de ser. Fico feliz de saber que vivo bem, e que faço o que quero, mesmo que não pareça o adequado aos olhos dos outros. Não fiquei "bolado" de ter sido sumariamente chutado, quero mais é ser eu mesmo. Pronto, passou.
(Risos generalizados)
- Vai pra onde, no Carnaval? - Meu amigo, retomando o assunto.
- Visitar um amigo. Abriu um bar numa cidade pequena, e quero tocar algumas músicas com ele. Bossa Nova, como sempre.
- E aquele cara que você me falou? Miles Davis, né?
- Ah, não... O Chet. É música lentinha, só pra curtir. Mas tem uns beebops do cacete também. Tu vai gostar.
O desavisado me olha com cara de estranheza.
- Nossa, olha só essa luminária! Com essa chuva, vou acabar dando uma de Gene Kelly - Me penduro de lado na luminária antiga preta, em frente ao Gávea Trade Center, e enquanto a chuva cai, eu estico o guarda-chuva e começo a cantarolar a trilha sonora clássica do filme.
Gargalhadas, e o desavisado achando que eu acho que vivo há 40 anos atrás, pelo menos.
- Pô, maneiro, maneiro. - Eu, terminando de me divertir.
Almoço. Colheradas, garfadas, cortes no filé.
- Cara, um amigo meu outro dia estava em frente ao computador, gargalhando sozinho. Enquanto jogava Pac Man! Pac Man, cara! Não tem cabimento! - O desavisado, a quem ninguém havia perguntado nada.
- Cara, você tem um grande problema com manifestações de emotividade e expressões espontâneas. Deve ser um recalcado do tipo que não consegue abraçar um amigo porque acha que é viadagem.
O desavisado ficou sem graça.
- Viu? - Eu estava mesmo esperando a deixa, desde que ele me falou mal das flores ;-)

(...)

Às cinco da tarde peguei meus documentos da empresa. Agora posso assinar uma nota fiscal. Prepare-se, mundo! Agora posso vender meu know how!

(...)

Comprei dois cds novos:
.Chet Baker Quintet (excelente)
.Chet Baker com Stan Getz (sem comentários)

Um livro de música:
.Patterns For Jazz - Resolvi começar a comprar livros, é o único jeito de aprender mesmo :P

(...)

Aprimorei um pouco mais da minha nova composição. Essa eu faço pelo prazer, não por alguém. Ainda não tem nome, mas já nasce com uma linda carinha de música que marca.

(...)

Encontrei uma amiga, a Samy. Com o namorado novo dela, que eu tenho certeza de que conheço de algum lugar. Bate papo pra lá e pra cá, lembro que havia descoberto que o mundo de tecnologia é uma politicagem, e que a computação não serve pra nada - As pessoas só precisam de Word e Excel. De vez em quando um Access, e daí pulam pros joguinhos.

(...)

É noite no Shennanigans de Ipanema. Leandro, Bruno, Carlos, James, Daniel e eu. Saiu o sexteto de lá, compramos uma garrafa de Velho Barreiro e uma de Sprite Light (prontamente escolhida por mim) no Zona Sul da General Osório. Passei no posto de conveniência, comprei um pote de sorvete, descobri que não conseguiria colher em lugar nenhum àquela hora, e improvisei uma com a tampa do pote. Leandro canta em portunhol forçado e bêbado a canção Desafinado.

***** disparou um sms avisando que estava na 00 (zero zero) com a ###### e a &&&&&. Resposta: "to no Shena. Beijos! E manda um beijo pra &&&&&&". (oh!)

Seguimos toda a extensão de Ipanema e Leblon pela orla, cantando aos berros e perdendo gente pras suas casas no meio do caminho. Chegamos ao Jobi com uma cadeira de Skol amarela de plástico tomada emprestada de um dos quiosques - que Leandro trouxe equilibrando na cabeça, pra treinar sua "postura" social. Sentados em frente ao Jobi com nossa cadeira, lógico, olhando pras belezas da Guanabara, e conversando sobre o tempo que o tempo tem.

1o Mandamento da noite: Nunca se afastar das pessoas que valem à pena. Isto é, procure-as onde estiver. Trabalho, escola, família, amigos.

2o Mandamento da noite: Troque tempo por mais tempo. Troque informação por tempo. Venda vácuo e seja feliz. É o que esperam de você. Desempenhe um papel impressionantemente sacrificante, e todos te aclamarão, mesmo que no fundo não faça nada.

3o Mandamento da noite: gritar faz bem.

4o Mandamento da noite: Aprenda a olhar onde pisa.