Cheguei ao Tec às 8 da manhã.
Ninguém por lá.
Esperei. 10:30 aparece a primeira alma.
Almocei com amigos de faculdade ao meio-dia, precisamente. Diálogo rápido:
- E ae, cara? Como você tá?
- Ah, tou bem! Sabe, fiz uma coisa que não fazia há um tempinho. Mandei flores, e um cartão com uma poesia. Fiz uma declaração...
- Flores?? - Um terceiro descuidado, que nunca vi na vida.
- Sim, flores... E quem é você?
- Ah, mandar flores é meio caído.
- Hmm. Pois é. Não fiquei com a dita cuja. Mas isso não importa. O que importa é que fui do jeito que eu gosto de ser. Fico feliz de saber que vivo bem, e que faço o que quero, mesmo que não pareça o adequado aos olhos dos outros. Não fiquei "bolado" de ter sido sumariamente chutado, quero mais é ser eu mesmo. Pronto, passou.
(Risos generalizados)
- Vai pra onde, no Carnaval? - Meu amigo, retomando o assunto.
- Visitar um amigo. Abriu um bar numa cidade pequena, e quero tocar algumas músicas com ele. Bossa Nova, como sempre.
- E aquele cara que você me falou? Miles Davis, né?
- Ah, não... O Chet. É música lentinha, só pra curtir. Mas tem uns beebops do cacete também. Tu vai gostar.
O desavisado me olha com cara de estranheza.
- Nossa, olha só essa luminária! Com essa chuva, vou acabar dando uma de Gene Kelly - Me penduro de lado na luminária antiga preta, em frente ao Gávea Trade Center, e enquanto a chuva cai, eu estico o guarda-chuva e começo a cantarolar a trilha sonora clássica do filme.
Gargalhadas, e o desavisado achando que eu acho que vivo há 40 anos atrás, pelo menos.
- Pô, maneiro, maneiro. - Eu, terminando de me divertir.
Almoço. Colheradas, garfadas, cortes no filé.
- Cara, um amigo meu outro dia estava em frente ao computador, gargalhando sozinho. Enquanto jogava Pac Man! Pac Man, cara! Não tem cabimento! - O desavisado, a quem ninguém havia perguntado nada.
- Cara, você tem um grande problema com manifestações de emotividade e expressões espontâneas. Deve ser um recalcado do tipo que não consegue abraçar um amigo porque acha que é viadagem.
O desavisado ficou sem graça.
- Viu? - Eu estava mesmo esperando a deixa, desde que ele me falou mal das flores ;-)
(...)
Às cinco da tarde peguei meus documentos da empresa. Agora posso assinar uma nota fiscal. Prepare-se, mundo! Agora posso vender meu know how!
(...)
Comprei dois cds novos:
.Chet Baker Quintet (excelente)
.Chet Baker com Stan Getz (sem comentários)
Um livro de música:
.Patterns For Jazz - Resolvi começar a comprar livros, é o único jeito de aprender mesmo :P
(...)
Aprimorei um pouco mais da minha nova composição. Essa eu faço pelo prazer, não por alguém. Ainda não tem nome, mas já nasce com uma linda carinha de música que marca.
(...)
Encontrei uma amiga, a Samy. Com o namorado novo dela, que eu tenho certeza de que conheço de algum lugar. Bate papo pra lá e pra cá, lembro que havia descoberto que o mundo de tecnologia é uma politicagem, e que a computação não serve pra nada - As pessoas só precisam de Word e Excel. De vez em quando um Access, e daí pulam pros joguinhos.
(...)
É noite no Shennanigans de Ipanema. Leandro, Bruno, Carlos, James, Daniel e eu. Saiu o sexteto de lá, compramos uma garrafa de Velho Barreiro e uma de Sprite Light (prontamente escolhida por mim) no Zona Sul da General Osório. Passei no posto de conveniência, comprei um pote de sorvete, descobri que não conseguiria colher em lugar nenhum àquela hora, e improvisei uma com a tampa do pote. Leandro canta em portunhol forçado e bêbado a canção Desafinado.
***** disparou um sms avisando que estava na 00 (zero zero) com a ###### e a &&&&&. Resposta: "to no Shena. Beijos! E manda um beijo pra &&&&&&". (oh!)
Seguimos toda a extensão de Ipanema e Leblon pela orla, cantando aos berros e perdendo gente pras suas casas no meio do caminho. Chegamos ao Jobi com uma cadeira de Skol amarela de plástico tomada emprestada de um dos quiosques - que Leandro trouxe equilibrando na cabeça, pra treinar sua "postura" social. Sentados em frente ao Jobi com nossa cadeira, lógico, olhando pras belezas da Guanabara, e conversando sobre o tempo que o tempo tem.
1o Mandamento da noite: Nunca se afastar das pessoas que valem à pena. Isto é, procure-as onde estiver. Trabalho, escola, família, amigos.
2o Mandamento da noite: Troque tempo por mais tempo. Troque informação por tempo. Venda vácuo e seja feliz. É o que esperam de você. Desempenhe um papel impressionantemente sacrificante, e todos te aclamarão, mesmo que no fundo não faça nada.
3o Mandamento da noite: gritar faz bem.
4o Mandamento da noite: Aprenda a olhar onde pisa.