sexta-feira, julho 22, 2005

Capítulo e Tanto (Monobloco)

Acabo de chegar do show do Monobloco, no Circo Voador.

Combinei de reencontrar uma amiga que não vejo há uns 6 anos. Tudo muito bem, tudo muito bom, nos ligamos e eu chego ao local, às 23h. Estão nos Arcos da Lapa a própria e mais 4 amigas. Cheguei só, e elas não estavam esperando ninguém. Eu e mais 5 mulheres gatíssimas, muito alegres e saltitantes. Beberam alguma coisa pra calibrar e entramos.

Tudo muito bem, tudo muito bom, a pista estava vazia, e lá vão os 6 pro picadeiro. Tocava um funk pesadíssimo, e lá fui eu dançar com as ladies. 5 aluninhas de direito da UFF. Você me pergunta: "Ué, você dançando funk?!"... E eu até agora me perguntando como eu lembro do estilo que tocava, dado que a distração estava excelente. ;)

Me lembro da frase da minha amiga:
"Elas bebem pouco. Eu tomei 4 tequilas, e pra mim tá tranqüilo, não preciso beber mais nada durante a noite. As outras são mais fracas"....

Onde estaria o tal Monobloco? Devia estar fazendo uma obturação antes de entrar no palco, e pelo visto, era esse o costume:
"...No último show que fui deles, eles só entraram às 3 da manhã...".

Primeiro sinal de que algo ia errado: minha amiga e as amigas de esbarravam e se apoiavam umas nas outras pra dançar. Ok, fingi que não vi o estado alcoólico. 1 hora de 'show' e só dava funk. O picadeiro encheu de palhaços pra participar daquele tribalismo, que infelizmente tenho que celebrar como cultura nacional. Eu, com uma camisa escrita "Atitude Carioca - Bossa Nova", começava a me sentir um alienado diante daquela atitude carioquíssima e contemporânea.

"...Vou levar a Josefina no banheiro, ela não tá bem. Avise às outras meninas."
Revi mentalmente o que poderia ter levado Josefina a se sentir mal. 500ml de caipirinha? Não, não... Ela tomou algumas outras coisas antes de entrar com aquele copo enorme e cheio na mão.

Começaram a subir no palco MC Fulaninho, MC Sei-lá-o-quê, MC Malandrão-de-boné-pra-trás e outros decadentes que sobrevivem dividindo o que ganham com a nostalgia dos funks antigos (menos pior do que os atuais). Devia ter mais gente pra subir no palco do que pagantes do show (show do Monobloco!). O cheiro de maconha aumentou. Os DJs eram risíveis, e não tinham a mínima noção de ritmo. Como podiam ser pagos por aquilo? Naquela altura do campeonato, ninguém mais tinha senso crítico, então até o Genival Lacerda ou o Tiririca podiam subir que não ia fazer diferença.

Cansei. Me afastei um pouco da galera e comecei a me perguntar o que estava fazendo ali, olhando em volta e reparando em tudo o que pudesse. Dançando só pra dizer que dançava, mas com a cabeça longe. Me perguntei: "Cadê o Monobloco"? Tive meu primeiro acesso de gargalhadas sem sentido.

1 hora da manhã as amigas da minha amiga começam a ficar preocupadas. E eu, com sede (já fazendo idéia do que estava acontecendo: elas estavam na enfermaria). Fui com Gurmecinda comprar água e procurar as outras duas. Me deram a bolsa da Josefina, e a partir daí, comecem a contar enquanto a história continua. Fiquei mais 1 hora com a linda bolsa feminina no ombro, andando pra lá e pra cá. Nesse momento, outros dois caras se juntam ao grupo, e é claro, ficaram tomando conta das duas que ainda estavam dançando.

A partir de agora, a história fica trash.

Procura pra lá e pra cá, telefonemas não respondidos e nada da minha amiga Herundina com a Josefina. Guilhermina chegou até nós acompanhada de seu consorte, e eu comecei a me preocupar: o Monobloco...

Guilhermina ligou e Herundina atendeu. Descobriu-se a América: Herundina e Josefina estavam... Na enfermaria. Pensei: "ah, é..."

Essas histórias de bebedeiras são sempre assim: todo mundo tenta explicar pra todo mundo como se deve beber. E aí, brotaram vários phds em alcoolismo de todos os lugares. Do bar até a enfermaria foram uns 10, tentando me ensinar como se "beber direito".

As duas estavam num estado lastimável. Olhei pra minha amiga, que estava sentada e com aquela cara-de-bunda-básica-da-bebedeira-pós-vômito (com o chão sujo aos seus pés como prova), e disse: "Dina, você está linda!" (Dina é diminutivo pra Herundina). A Josefina não respondia. Tava viajando demais das idéias, deitada na maca. Tive meu segundo acesso de gargalhadas sem sentido.

A logística foi excelente. Depois de vomitarem o suficiente pra sujar todo o chão da enfermaria, foram levadas pra fora. Começou o tão aclamado Monobloco (que deve estar rolando até agora, enquanto escrevo). Pronto; agora eu já OUVI o Monobloco. As amigas que não foram até a enfermaria pra vomitar começaram a beijar e dançar forró com seus respectivos ficantes. Um dos ficantes reagiu mal ao convite do segurança para que se retirassem daquela área, que não era nenhum ficadouro, nem tampouco um ficódromo, apesar de ter paredes convidativas e espaçosas. "Agora o Circo Voador tem dois ambientes", pensei. Somado aos dois seguranças, todos aqueles sujeitos que tinham subido no palco nos expulsaram gentilmente da área da enfermaria. Os funkeiros introdutores do Monobloco eram seguranças nas horas vagas, e quase desceram o cacete em todo mundo.

Saindo da *#(%*$*%#$* do show, as minhas duas amigas trêbadas (a que não via há 6 anos era uma delas, só pra recapitular) saíram com a minha ajuda e da Gurmecinda (e aí, leitor? Tá acompanhando os nomes direitinho?). Fiquei com saudade de ouvir Flora Purim, no disco Light as a Feather do Chick Corea. Na saída, acabei me distanciando de Gurmecinda e Josefina. Virando a esquina, estava a Josefina sentada num carro qualquer e... (arregalando os olhos) Gurmecinda de amasso com um sujeito-mal-encarado-com-barba-por-fazer no muro do Circo. Praticamente um novo número, no meio da rua.

Pensamento instantâneo: "get a room"...

Fui apoiar Josefina. Pronto: eu tomando conta de duas trêbadas reclamando de frio, assistindo um casal que se formou naquele instante porque... Porque a Terra é redonda. Tive meu terceiro acesso de gargalhadas sem sentido.

Aguardados 5 minutos (pronto, já não estou com a bolsa feminina no ombro), fomos pro carro de Josefina, que se dizia bem pra dirigir atravessando a Rio-Niterói. Meu quarto acesso de gargalhadas. Agora com sentido. Besteira pouca, ela estava bem mesmo era pra jogar o carro naágua e beber toda a Baía de Guanabara!

Um grupo de uns 6 homenzinhos-de-vinte-e-quatro-anos-que-zoam-todos-na-noite abordou a todos nós, jogando verde pras trêbadas. Nesse ínterim, fiquei sabendo que Raimundo, o sujeito-mal-encarado-com-barba-por-fazer, é ex-namorado de Gurmecinda (ufa!). Pronto. Um dos idiotinhas se declara para Josefina, dizendo que "sério, tava a fim de te conhecer" blablabla...

Josefina começou a cantar uma paródia difamatória pro nosso querido presidente dos Mensalões. Descobri então que era ativista política.

Saca o diálogo:
[Josefina] - Qual é seu partido?
[homenzinho] - PDT.
[Josefina] - Sai daqui. Não beijo homens de direita.
[homenzinho] - Mas eu sou esquerda... Falando sério.
[Josefina] - Então sai daqui. Não beijo idiotas. PDT é direita.
[homenzinho] - Mas não tou falando de beijar... Queria mesmo só te conhecer, conversar contigo... - Ele me comoveu.
[Josefina] - Vem - abaixando o banco do carona - Senta aqui, pra gente beijar.

Um sujeito fino trato, que chegara altamente delicado, de repente entra no carro com uma cara de cachorro de rua esfomeado e beija a vomitada Josefina. Aquele beijo bem dado, que me provocou minha quinta crise de gargalhadas. E a enésima dos outros homenzinhos.

Resumo da ópera: saí ileso do local. Minha amiga foi levada pra sua casa, em Nikity, na companhia de todos aqueles casais formados. Ah, minto. Josefina, depois que beijou o homenzinho-orgulho-do-papai, sumariamente expulsou o coitado do carro. E ainda me inquiriu, perguntando por que eu a tinha deixado fazer aquilo! :s

Tive minha sexta crise de gargalhadas.

Impressionante era ouvir de todas elas assim: "eu nunca tinha feito isso antes"... Será que acredito?

Sóbrio, sobrando etc etc... Mas feliz de ter reencontrado uma amiga minha de muito tempo atrás, de ter conhecido várias pessoas novas, e de ter uma história punk na cabeça pra escrever. Não aumentei uma palavra, essa história acabou de acontecer, eu acabei de chegar em casa, e você deve estar embasbacado com a furada em que me meti. É óbvio que estou usando pseudônimos, com exceção de um dos personagens... Consegue adivinhar qual?

Salvos os cegos, eu fui o único que já presenciou, mas nunca viu o Monobloco.

Safe Creative #0801270401180

9 comentários:

Layla disse...

POutz...qria eu ter dias diferentes...
meus dias nao todos iguais...
tu podia escrever um livro sabia?
bjos

RB® disse...

caraaaaambaaaaaaa
como é que vc se meteu numa roubada dessas?
lamento informar, mas para quem lê, a história é cômica...
tomara que daí saia uma lição... ou um progresso, se preferir... rs...
abçs!

Renatinha disse...

caracaaaaaaaa Rodrigo
suas historias sao as melhores

vamos ao teatro semana q vem???

programinha menos trahs em.... e se for escrever sobre alguma historia minha aki por favor me chame de jessica hahahahhahah

os nomes sao os melhoresssssssss

beijaooo

Mário Meyer disse...

Meu irmao.. meu irmao... só tu pra se meter nessas furadas mesmo... mas na verdade esses seus programas são de utilidade pública... porque eles divertem MUITO os seus amigos... ahahahhaah

Vamos marcar de sair... tu sabe que comigo tu não entra nessas furadas.. ahahhaha

Rodrigo Santiago disse...

Hauhahuhuahuahuahuaa!!!
Pode crer! :P
Vamo marcar, Mariow!

Gumercinda disse...

Como personagem desta história, tenho duas coisas a dier: Primeiro q o show de funk estava muito bom, mesmo para quem não gosta. Ou vc finge bem ou estava gostando; Segundo que, coisas como essas só acontecem uma vez na vida, por isso, nem que tenha servido apenas para vc dizer que nunca mais vai se meter numa dessas. OBS: Vc esvcreve muito bem, e todos os fatos são verídicos.

Ninha disse...

tadinho de Rodrigo! rsrs
o pior de td é q tu nem viu ainda a cara dos caras do monobloco...na boa! Contando ninguém acredita, Rodrigo hahaha

Bom domingopra tu, visse?!
Bjão!

Lu disse...

Nossa ... infelizmente já me acostumei com esses "acontecimentos". Já passei por essas situações vááááárias vezes (aliás, em diversos papéis, confesso :<)

Bjs !

Rodrigo Santiago disse...

Heheheheh... Nenhuma das posições são confortáveis, e não é esse o objetivo de se sair na noite e beber, né? :P

Não mérito ou demérito estar em um ou outro papel. Eu me danei do mesmo jeito, mesmo não estando bêbado!! ;)