quarta-feira, março 28, 2007

Como conseguir O Melhor Assento do Vôo

Seja um avião para transporte de passageiros. Dentro dele, um corredor que divide as cadeiras ao meio em duas seções. Em cada um dos lados, uma matriz de cadeiras trinta por três, simétrica em relação ao outro lado, e eu me esqueci que nesse momento tenho um lápis e um papel.

Resumindo, a disposição das cadeiras é a seguinte:








Então. A pior coisa no mundo é encarar uma longa viagem numa única cadeira. Quando você for fazer o check-in, tenha certeza de conseguir uma fileira de três cadeiras vazias. Mais. Não serve ter uma cadeira vazia, a não ser que só você tenha acesso a ela.

Vou explicar melhor: pegue sempre uma das cadeiras do meio: B ou E. Ao conseguir uma fileira vazia - se estiver com vergonha de pedir ao agente, faça check-in via Internet - É provável que alguma cadeira continue vazia do seu lado. Se você estiver no meio, uma das cadeiras vazias, se houver, será obrigatoriamente à sua direita ou esquerda, e o passageiro ao seu lado, logicamente, não terá acesso a ela, porque você espertamente estará entre ele e o assento vazio.

Vamos explorar alguns cenários alternativos possíveis:









No cenário A, temos a pior configuração de assentos. Ela traz a disputa do banco livre pelo direito de uso dos passageiros 1 e 2. Quem colocará sua bolsa de mão no assento vazio? Quem dominará a bandeja de refeição deste mesmo assento? Seja sempre o primeiro a largar a bolsa no assento vizinho, e o primeiro a abrir a bandeja para colocar seus restos de refeição lá.

Se estiver na janela, também estará submisso à vontade do seu companheiro, para que o deixe ir ao banheiro, ou que lhe passe a comida de bordo. Comer antes do vôo te livra de um dos problemas, já que não vai precisar da comida de bordo, e é um favor a menos que vai dever ao vizinho.

Algumas observações a respeito da comida de bordo:
  1. É ridículo como as pessoas acham que têm que, obrigatoriamente, comer aquela gororoba.
  2. Este é um dogma já bem estabelecido, um paradigma que deve ser quebrado.
  3. NÃO SE PREOCUPE, O AVIÃO NÃO CAI SE VOCÊ NÃO COMER, e
  4. NÃO, O AVIÃO NÃO FICA MAIS LEVE PORQUE HÁ MENOS COMIDA A BORDO

Comer antes de entrar no avião também significa que você terá um amplo cardápio para escolher. Não se impressione com a gratuidade da comida aérea, ela é tão leve e barata que deve sair de graça na padaria mais próxima. O problema maior da refeição prévia é que você fatalmente vai querer comer em um fast-food (esse tipo de comida está profundamente gravado em nosso inconsciente para estes momentos), vai pedir uma Coca-Cola de 500ml, e vai ter que pedir, suplicar, implorar para que seu carrasco e captor (o maldito vizinho de assento) o deixe alcançar o corredor, e só então você imprimirá a corrida dos cinqüenta passos rasos para chegar ao banheiro ocupado e se mijar todo antes de entrar nele.

Notas:
  1. Se seus rins não funcionam, você não terá esse tipo de preocupação.
  2. Se a nota anterior for verdadeira, assegure-se de que haja uma máquina de hemodiálise aguardando-o na cidade de destino.

Caso você tenha mesmo que pedir ao seu vizinho pra ir ao banheiro, agracie-o com o privilégio de se sentar à janela para apreciar a vista aérea, para que ambos possam se aliviar durante esse momento. Ninguém vai dever nada a ninguém depois disto.

Notas:
  1. Antes de oferecer a janela, faça-lhe a seguinte pergunta, para a segurança de todos a bordo: "Você tem medo de algura?"
  2. Mediante a pergunta do item anterior, tenha a certeza de ter ouvido a resposta "Não", ou sinônimos, pronunciada diretamente do sistema vocal da pessoa pra quem você fez a pergunta. Se não souber o que é um sinônimo, pergunte diretamente ao comandante da nave. Nunca - eu disse NUNCA - tire dúvidas sobre a língua portuguesa com comissários de bordo. O resultado desse tipo de atitude é realmente imprevisível. Dizem as más línguas - as norte-americanas - que foi o que levou quatro aviões a serem jogados com passageiro e tudo nos dois ex-prédios-mais-altos de Manhatan, no Pentágono, e na Casa Branca. O da Whitehouse não atingiu o alvo porque havia um professor de Português lá dentro. Ele havia sido "o aluno mais brilhante de minha carreira inteira como professor", segundo o Professor Pasquale. Esse bem que podia ter atingido o objetivo. Vôo errado, professor, vôo errado...


Bom... Vamos ao cenário 2:










Neste caso, seja o passageiro P2. Você vai ter completos direitos sobre o banheiro e a poltrona V (V de "vaziza"), encurralando seu adversário, P1, podendo conceder-lhe vários favores durante o vôo, tendo a chance até de dar-lhe, de passagem, um gentil sorriso, e quem sabe assim, ter alguém pra se juntar à sua causa secreta de conspiração contra a escassez de espaço nos aviões, com uma boa conversa, até.

Se P1 for um mala total, você pode assim assumir o assento V como medida preventiva, chamar um comissário e perguntar-lhe o porquê de aquele indivíduo não ter sido despachado para o compartimento de cargas, já que ele provavelmente pesa mais de cinco quilos. Se pesar menos, azar, não pergunte nada a ninguém. Fique na sua e agüente o riso até o fim do vôo.

Como regra geral, em uma viagem dessas não se deve sentar na janela, já que Murphy é um dos passageiros, e:
  1. Se for noite, você não vai ter o que ver
  2. Se for dia, vai estar tudo nublado


Boa viagem!

A Normalidade Do Lado De Lá

No momento em que descia as escadas rolantes, a visão foi interessante e aterradora, ao mesmo tempo: do outro lado da parede de vidro, outra escada rolante, idêntica, disposta simetricamente, em funcionamento. Era também uma escada de descida, como a minha, mas estava completamente vazia de passageiros.

Funcionando de maneira síncrona, a impressão que dava no canto dos olhos era a de que uma legião de espectros translúcidos com suas bagagens desciam naquela escada - a seção de almas do aeroporto. As imagens translúcidas chegavam ao final da escada e começavam sua caminhada para a área de recuperação de bagagens, como se tudo fosse muito normal por lá.

Ao chegar eu mesmo no final da minha escada, do meu lado da parede de vidro, me vi - ou à minha recém-inventada alma-gêmea translúcida - do outro lado da parede. Também lá aquele espectro me olhava, imitando meus movimentos, como em um espelho. Também ela me virou as costas e foi buscar suas bagagens, me olhando nos olhos até o último instante. Naquele momento, me fiz a seguinte pergunta: "Como as almas são levadas para o céu?", e mais tarde, a pergunta: "Quantas almas têm subido, e quantas têm descido, ultimamente?". Mais tarde, a ironia conclusiva: "Se reencarnação existisse, talvez também um programa de milhagens pras inúmeras viagens que fazemos. O preço da passagem e estadia talvez explicasse as condições de nossas circunstâncias aqui".

Descartei as perguntas e conclusões, porque todas elas seriam válidas também naquela outra normalidade, através da parede de vidro. Mesmo assim, só voltei a mim, completamente, ao checar meus bolsos, quando saí do aeroporto - a esponja para banho que esqueci de colocar na bagagem me deu a certeza, de lá do fundinho do último compartimento da bermuda, de que eu ainda precisava tomar pelo menos mais um banho, se possível.

Ela trazia pra mim, naquele momento, toda a normalidade do lado de cá daquela mesma parede.


Misturando A Manga Com O Leite

A relação entre todas as coisas é existente, para o nosso universo perceptível, em duas esferas: a primeira, da experimentação, ou física. Toda espiritualidade conhecida por nós, enquanto encarnados, se manifesta também de forma física até onde podemos medir - e até onde mais pudermos inventar de medir. Tudo é imagem, ou paz, ou alegria... Todas sensações do corpo. Quer mais? O restante é som, é toque, é arrepio. O que de tão extraordinário há nisso?

A segunda esfera - e esta é a mais capciosa e perigosa de todas, se me permitem meta-inferir, é a da abstração, onde se encontram a idéia e a linguagem. Podemos relacionar quaisquer duas coisas através de palavras, escapando das amarras do mundo físico. É aí que surge a crença. Em espíritos, no amor, em que não se pode misturar manga com leite, que mata.

A mistura de ambas as esferas - da manga e do leite - nos organiza. A primeira é limitadora. A segunda, libertadora - porque, através desta, podemos subverter aquela, através da tecnologia, por exemplo.

Tomemos cuidado, pois, para que não tornemos a esfera abstrata um meio limitador. Antes de ser proibitiva, ela deve melhorar a qualidade de nossos relacionamentos na primeira esfera, e assim, melhorar nosso relacionamento com a Criação, objeto da manifestação da vontade de Deus.

Estar de bem com o universo que nos cerca é o primerio passo, para que haja a compreensão de Sua Graça, e para que o alcancemos, posteriormente.

quinta-feira, março 22, 2007

Zapping

O controle remoto despertou nos seres humanos uma mania interessante: zapear.

Algumas coisas legais que se observa ao zapear canais:
  1. Seu nível de insatisfação cresce
  2. Seu nível de ansiedade sobe
  3. Você desenvolve insônia instantânea
  4. Sua percepção do tempo encurta, fazendo com que ele passe muito mais rápido.
  5. Sua esperança de que algo surpreendentemente bom apareça torna-se maior do que sua vontade de desligar a tevê
  6. Sua insegurança em não saber se há algo mais interessante do que algo que surpreendentemente apareceu na sua frente é maior do que sua certeza de que isso que surpreendentemente apareceu é o melhor que você pode ter nesse instante, e você simplesmente troca de canal - sim, essa frase faz sentido
  7. Você quer todos os canais ao mesmo tempo, e simultaneamente não gosta de nenhum
  8. Zapear me faz descobrir o quanto o ser humano pode ganancioso
  9. Zapear parece um jogo, onde cada clique é uma aposta - eu aposto o programa que estou vendo, porque tenho certeza que há algo melhor pra ver nesse momento, em algum lugar, e isso libera adrenalina
  10. Você passa a melhor parte do tempo sem ver programa nenhum


É por ser mais estimulado a zapear do que a assistir um programa que eu simplesmente reúno forças e desligo a tevê.

Sobre a Ganância

Nem tão pequena que não deseje
Ou tão grande que não me goste

Nem tão pequena que me empobreça
Ou tão grande que me endivide

Nem tão pequena que não te mereça
Ou tão grande que não te queira

Nem tão pequena que me cegue
Nem tão grande que me iluda.



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Eu, Matador de Dragões

Meu currículo profissional de matador de dragões:

Primeiro Emprego - Programador C
Chega, olha para o dragão com olhar de desprezo, puxa seu canivete, degola o dragão. Encontra a princesa, mas a ignora para ver os últimos checkins no cvs do
kernel do linux.

Segundo Emprego - Programador C++
Cria um canivete básico e vai juntando funcionalidades até ter uma espada complexa que apenas ele consegue entender … Mata o dragão, mas trava no meio da ponte por causa dos memory leaks.

Terceiro Emprego - Programador Java
Chega, encontra o dragão. Desenvolve um framework para aniquilamento de dragões em múltiplas camadas.
Escreve vários artigos sobre o framework, mas não mata o dragão.

Emprego atual - ANALISTA DE PROCESSOS
Chega ao dragão com duas toneladas de documentação desenvolvida sobre o processo de se matar um dragão genérico, desenvolve um fluxograma super complexo para libertar a princesa e se casar com ela, convence o dragão que aquilo vai ser bom pra ele e que não será doloroso. Ao executar o processo ele estima o esforço e o tamanho do estrago que isso vai causar, consegue o aval do papa, do Buda e do Raul Seixas para o plano, e então compra 2 bombas nucleares, 45 canhões, 1 porta aviões, contrata 300 homens armados até os dentes, quando
na verdade necessitaria apenas da espada que estava na sua mão o tempo todo.

Será um Progresso??

sexta-feira, março 16, 2007

Incomparável

Ela é mais doce do que,
Mais suave do que,
Mais firme do que,
Mais confiável,
Adorável,
Linda,
Terna,
Carinhosa, apaixonante, amável,
Do que qualquer coisa
Que ousa tentar ser
Um pouquinho só a mais do que ela.


quarta-feira, março 14, 2007

O Amor De Nós Dois, Quando A Tristeza Se Vai Ao Longe De Quem Sabe O Que Quer E Em Quem Confia

Eu não posso te possuir, te ser
Não posso ser por você

Deixarei que o vento te leve
Que a lua te banhe
Que o frio te tome

Farei com que me faças sonhar
Dar-te-ei o meu sonho para que também sonhes

Amar-te-ei sobriamente
Sem antever o que não houve
Vou te livrar da minha asa torpe

Tentarei prever o dever,
Sem me repetir por demais
(A não ser que haja a necessidade da ênfase nos fonemas, emblemas, problemas)

Com minha mão, com meu chão,
Dar-te-ei alimento
Com toda a macabrez do incerto amanhã, corda

Com palavras, fé
E nas asas, o Sol
Com a queda, vida
Com firmeza, o amor

Com a brutalidade, sensibilidade
Com o grito, o amém
Felicidade, desdém
Confiança, finalidade

Sem porquê, o quê, causa-efeito,
Motivos pra ser direito,
A sóbria, simples, felicidade.




Isto é uma trascrição completamente pessoal e intransferível da música Eu Sei Que Vou Te Amar, para Manu, meu amor, a quem dedico de maneira completamente intransferível em meu ato de dedicar a música Eu Sei Que Vou Te Amar a alguém sem ser muito repetitivo ou regular - "regular", de "de acordo com as regras" - nos meus atos dedicatórios ou de convivência.

Manu, eu te amo :)

Esse Cara

Quem foi esse cara, que em um lugar tão perturbado por guerras e milhares de religiões diferentes disse "Eu sou o caminho, a verdade e a vida"? Esse cara era carpinteiro - não vem ao caso se Maria era ou não uma virgem. Esse cara abalou as estruturas políticas de nações inteiras, e durante mais de 5 mil anos tem uma comunidade de seguidores crescente - pouco importa se alguns usam ou não de má fé... O fato é que são pessoas que tentam crer e viver de acordo, e aqueles que ousam tentar contra, deturpando Sua Palavra, serão julgados.

Esse cara motivou milhares de relatos a respeito de maravilhas e milagres operados - não importa se são verdadeiros ou não, o que importa é o efeito causado nas pessoas. Esse mesmo cara, que não tinha dinheiro, juntou tanto poder político, e apesar disso tudo, resolveu se entregar para um plano de vida já traçado e conhecido - sua execução na cruz.

Esse mesmo cara foi tão sinistro pra humanidade que até hoje dizem que ele ressuscitou, após três dias - exatamente como Ele disse que faria. É sob o nome desse cara, e a fé nele, que muitas coisas acontecem.

Esse cara mudou a maneira como as pessoas vêem o bem e o mal. Ele traz palavras de amor, mas também traz repreensões quanto à desobediência às suas palavras.

Quem era ele pra ter tanta moral assim? Pior que isso, quem é esse cara pra ser acreditado até por pessoas que não seguem seus preceitos?

O nome desse cara é Jesus.

Se você não acredita em nada, nem em Jesus, nem no Diabo, nem em Buda ou qualquer outro caminho, esse post pode não ser pra você.

Na minha opinião, achar que ninguém é responsável por este Universo é tão fantasioso quanto dizer que alguém é, então não há motivo pra se defender o ateísmo.

terça-feira, março 13, 2007

Novos Instrumentos

Aprender um instrumento é entender exatamente o que nele desperta sua sensibilidade e o atrai. Certamente, ele se torna mais ainda cheio de traços interessantes à medida que o tempo passa. No meu caso, antes de tocar piano, me interessava, sim, por música popula no piano, mas nunca fui tão interessado em como um artista poderia conseguir as notas, ou mesmo no timbre e capricho do instrumento.

Ao acontecer - ao tocar as primeiras notas em um novo instrumento - você é instantaneamente levado a se interessar também pelas obras que demonstram o instrumento. Foi assim também com meu violão e meu contrabaixo. Foi assim até com meu pandeiro e bongô, e vejo, constantemente, a minha aquarela musical (com licença de uso do termo, Manu) ganhando cores.

Um instrumento, tanto quanto agracia um arranjo, também é por ele enriquecido. Afinal, o que seria do piano sem Chopin? E do violino, sem Paganini?

Engraçado é poder entender essa mecânica do instrumental, e se pegar ouvindo novos instrumentos - como neste momento ouço um alaúde, e me pego fazendo as mesmas perguntas novamente, mesmo sem ter a pretensão de sequer encostar em um, um dia.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Resumo do Carnaval

Oi, Andréa,

Os arquivos do mccp estão todos publicados no QP, enfim.

Ontem cortei meu pé lá na casa da minha mãe, em um acidente que envolveu uma enorme garrafa de água de vidro e a escada do segundo pro terceiro andar (além de mim mesmo, claro)... Dados o tamanho da garrafa e a altura de onde tropecei, concluo que tenha sido sorte por só o meu pé direito ter ficado ferido - todos os dedos estão onde deveriam estar, graças a Deus. Infelizmente não estou conseguindo andar direito, ainda... O que importa mesmo é que mais tarde a Manu conseguiu fazer o que eu estava tentando e não consegui, e por isso a Pétala, cachorrinha da minha irmã, não morreu de sede.

Hoje eu iria pra Petro, mas devido a essa infelicidade de fim de Carnaval - cujas palavras-chave foram "dormir", "nuvens", "sobriedade", "todos viajaram menos eu" e "grand finale em um acidente doméstico na quarta feira de cinzas"- eu vou ficar aos cuidados da minha mãe, e os requisitos estarão sob meus cuidados, pelo laptop. Qualquer coisa, me liga.

Bjs,
Rodrigo.




PS: Leiam o Guia do Mochileiro das Galáxias. O estilo do Douglas Adams é único, e pra quem gosta de inferências humorísticas, tá aí uma mostra. Ele fala sobre A Vida, o Universo e Tudo Mais, e te coloca em um Vortex da Perspectiva Total, onde você começa a ter uma noção exata do tamanho do Universo. Infelizmente, apenas desse Universo.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Viajando no Trabalho

A: Quem estará na reunião?
B: Apenas o pessoal daqui. O pessoal de lá tá todo fazendo inspeção de campo.

A: Quer dizer que dez vizinhos vão viajar mil e oitocentos quilômetros a pedido deles pra se encontrar do outro lado do país SEM eles? Que vantagem tem nisso?!

A e B se entreolham silenciosamente

B: O hotel onde vão nos hospedar fica de frente pra praia.

:-S

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Um Quarto de Século

O secular já vem
Mais três partes pra completar
O aniversário da vez
Que desde oitenta e três
Tenho pra comemorar

Daí, neste dia há de vir
A festa surpresa, o bolo na mesa
Os felizes, felizes desejos
De mais um ano aqui

E daí, outro dia a chegar
Que de mim irão se lembrar
Mas não poderão me ver, senão de lembranças
Senão de vídeos, e fotos e versos
E haverá o choro e os episódios
"Narizes do pai"
"Olhos do avô"
Heranças e saudade

Em temer, já não temo
Porque um dia parto, prometo
E cumpro quando chegar meu tempo
Pra quando será? Sei lá
Por enquanto, parto o bolo
Canto os "vivas"
E penso ser eterno

quarta-feira, janeiro 24, 2007

É A Dor

A típica dor que me atinge
É a melancolia, bem conhecida
Sem precedentes, sem início, sem fim,
Ela sempre esteve aqui

É a dor do homem de hoje, sabe?
A dor do medo da dor
Do medo da dor de ficar só
Mas aquieta-me,
Porque como como o que quero
Como também quando tenho fome
Como quando tenho saudade, te espero
Como quando tenho certeza, sorrio

É a dor do homem de hoje, sabe?
A de ter tudo na mão, e nada no coração
Essa dor é má
Acho que não a tenho,
Mas dela sofro, nos outros,
Mais até do que quando tenho saudade
Ou do que quando te espero

É a dor do mundo de hoje
Dor de cotovelo, dor de barriga,
Dor de fome, intriga,
Dor de falta de amar

A dor do homem de hoje é assim
Misteriosa, não sabe se vem ou se foi
Nem se tá aqui
É a dor de passar, do envelhecer
É igual a tudo o que se junta por aí
É igual a toda a dor junta

É até assumir que a dor é perfeita
É que tem que ser assim
É até ficar satisfeito com a dor,
Vê se pode?

É como dois amantes juntos que se partem
E ficam um tempo longe do outro
E mais um tanto de tempo
Longe de si


Natal é triste às vezes.


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quarta-feira, janeiro 10, 2007

Diferença Existencial

Qual
é
a
diferença
entre
quem
tem
e
quem
não
tem?

Resposta:
posse,
ou
seja,
NENHUMA.


segunda-feira, janeiro 08, 2007

Construindo O Futuro De Nós (A Que Se Resume O Amor)

Naquele dia que vi, eu era apenas um velho. Foi a pior das coisas, e também a mais maravilhosa de se ver. Eu e você éramos amantes, ainda. Amantes de vida inteira. O momento do "ter conhecido" já não passava de uma poeira, perto da mágica de uma vida inteira juntos. A história do primeiro beijo já havia sido contada para mais de mil pessoas.

Você, muito velhinha. Eu, também. Você, tão querida por mim quanto eu por você. Esta prosa revela o que vi de uma manhã pra lá de amanhã, no momento do agora, em que te abracei. Não fala por sons, não fala por mim. Fala por nós, aquela visão.

Naquele amanhã, que não quero esquecer, mas que também não quero viver, éramos nós dois na cama, de cama. Um número incontável de netos e bisnetos de nossos cinco ou quatro filhos nos queriam bem em seus quartos de crianças e de casados (cada um na sua casa, cada um na sua casa). Naquela manhã, já não parecíamos eternos. Pelo contrário, pareceremos quase atingir bem o finalzinho, até. Pareceremos estar a um passo de nos tornarmos lembrança. Tudo o que víamos à frente terá sido deixado para trás. Será nosso momento, nosso último suspiro. E ainda assim, naquela mesma manhã, pareceremos ser capazes de nos amar para sempre.

No agora - me vendo como no amanhã - eu me lembro de você como lhe vejo neste instante: em sua juventude e beleza plenas, ternas, e na minha memória, eternas. Naquele dia eu serei o passado do agora, e também serei muito mais do futuro que nos aguardaria. Naquele dia eu me lembrava disso tudo e das promessas. Também lembrava de como o tempo escorreu feito areia, e de como haveríamos nos tornado tão relapsos com a nossa obrigação de viver.

Não havia tempo. Lá eu sou o futuro, fui o presente e serei o passado. Ou então eu era o futuro, porque serei o presente do passado que sou.

Com os meus olhos já não tão bons eu me recusava a acreditar que a oportunidade que tivemos de viver bem fora jogada no mar, fora deixada evaporar. O que me acabrunhava nessa gelatinosa e instável possibilidade de futuro era a chance de não termos aproveitado nosso passado. O que passou, passou. Mas e o que tínhamos de ter passado? Não deixemos, eu e você, que a vida nos atrapalhe com mazelas distraidoras.

Nesse dia eu ficarei completamente insatisfeito. A Deus, que me deu essa visão, eu agradeço, sinceramente, porque após todos estes anos à frente, além dos quais viajei, posso concluir que o que desejo - e choro por isso - é um futuro contigo, sem arrependimento por não ter vivido juntos o que devemos no hoje.

Tudo a que se resume o amor é vivê-lo de momentos amorosos. O que não é amoroso não pode ser chamado amor. É acrescentado de pequenos gestos, pequenas pitadas, dia após dia, para que seja mais amor amanhã do que ontem. Para que o anteontem não seja mais sequer reconhecido amor, e o futuro seja vislumbrado amor perfeito.



Manu, essa é pra você.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Manhã

O mergulho da Lua adentro
Pra que sereno?
Manhã

O sono sem desespero
Descanso pra que ela chegue
Manhã

O sagrado morrer todo dia
Na letargia da sonolência
Onde vai dar?
Manhã

Espero no litoral
Pra ver o nascer do Sol
Com ou sem boemia
Manhã

Ou despertando pra vida
Despertando tão cedo
Tanto antes pra que não se adiante
Manhã

A tristeza da vida
Quando toma a forma de luta
Empurrando-nos para a labuta triste
Toda manhã

Ou o raiar de mais um ano de vida
Telefones, docinhos, bolo e tortinhas
Naquela manhã

Criança que se dorme cedo
Garotos cujo zelo de seus pais é justo
Para que se descanse, e se mantenha a juventude
Dormindo bastante
Desde o cair da noitinha
Até de manhã

Na madrugada dos bambas
Na roda, como dizia o Noel
Pudera a noite ser infinita,
Pois quem manda as morenas embora?
Manhã.

Sinal do renascer
Bonança depois da tempestade
Tudo muda, havendo uma nova chance
Das seis às dezoito,
Mais doze horas de dia
Manhã.


segunda-feira, dezembro 18, 2006

Natal - Primeiras Impressões






Quebra-Cabeças

Da trama existencial
Sou apenas uma peça
E qual peça! Única, sem igual
Mesmo assim, no entanto,
Um tão tanto assim de passageira

Quando eu passar,
Onde passearei? Onde vou aportar?
Será meu mar, este aqui, o inicial?
Ou o fim do caminho a seguir?

Quanto tempo o tempo vai me dar?
Quanto vai durar o meu tempo de passar?
E se passar o passageiro agora,
Onde permanecerei?

Se eu me for, por acaso
(E que outro jeito há?)
Passado pra sempre
Será o passageiro assim
Uma idéia tão distante
Tão impermanente e passageira por lá?


sexta-feira, dezembro 15, 2006

Foi-Se Um Sanfoneiro

Sivuca, no dia 14 de Dezembro de 2006. Um dos grandes mestres do acordeon. Engraçado, não foi anteontem mesmo que eu passei por uma loja de instrumentos ali na Rua da Carioca e quase comprei uma sanfona de oito baixos? Olha, foi por pouco mesmo que não o fiz. Vou completar a façanha.

O sanfoneiro Sivuca morreu aos 76 anos, na madrugada desta sexta-feira (14), na Paraíba, vítima de câncer. O enterro do músico será no final desta tarde no Cemitério Parque das Acácias, na Paraíba.

Sivuca tinha a doença havia dois anos e já não conseguia se locomover.

Severino Dias de Oliveira nasceu em 1930 em Itabaiana, na Paraíba. Aos 9 anos, começou a tocar sanfona em feiras e praças na cidade natal e, aos 15, Sivuca veio ao Recife, onde começou a carreira profissional na Rádio Clube. Mais...


Segue Manu, com Feira de Mangaio, de Sivuca. Esse talvez seja o melhor momento de seu show na Letras & Expressões.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Mudanças

Sim, eu sei, o Progresso tem estado um pouco emperrado. Quando isso acontece, em geral, é porque eu tou um pouco acelerado. Mudei de trabalho recentemente. A partir de Segunda Feira, me torno um Analista de Processos. Vamos ver no que dá ;-)

Em breve, mais coisas serão postadas aqui. :)

Por enquanto, Divirta-se!

quinta-feira, novembro 23, 2006

171 - A Melhor Música do Ano

Eu não sei de quem é. Chegou por email a brincadeira, e resolvi colocar no ar.



Isso tem cara de coisa feita pelo Tom Zé. Alguém já ouviu o CD Estudando o Pagode e a Opereta Segrega Mulher?

Mó barato, né??? Achei o máximo!

domingo, novembro 19, 2006

Manu - Chiclete Mascado

Manu cantando Chiclete Mascado - música inédita de Roberto França
Apresentação em sua temporada de lançamento, na livraria Letras & Expressões de Ipanema. Os shows continuarão até Janeiro, às Sextas, 21:30. Quem viu, adorou.

Eu recomendo :)



Aliás, eu a amo demais :)

segunda-feira, novembro 13, 2006

Diálogo Confuso

Diálogo verídico, cedido por Giovani Tadei

Pedrinho: Sério, esse livro que tô lendo é f***... Você vai se amarrar... Não consigo parar de ler!
RRRAMON: Sinopse...?
P: Não, história verdadeira.
R: Sinopse significa resumo.
P: Sei lá... O livro tem mais de 300 pags... Não é muito sinopse não.
R: EU ESTOU PEDINDO UMA SINOPSE DO LIVRO, P****!!!!
P: Ahhh, p****!!! Se expressa então...


:-)
Lição do dia: tome cuidado com as explicitices.

Nota: o nome RRRAMON foi a pedido do próprio Giovani: "Zezinho? Não podia ter sido um nome mais imponente? RRRAMON??"

sábado, novembro 11, 2006

Feira de Mangaio

Segue Manu, com Feira de Mangaio, de Sivuca. Essa faz parte de sua apresentação no Letras & Expressões. Toda Sexta, até Janeiro, na Livraria Letras & Expressões, Ipanema, Rio de Janeiro. Na esquina da Vinícius de Moraes com a Visconde de Pirajá, às 21:30.

O vídeo é presente de Felipe Faria, excelente amigo. Valeu, Felipe :)



Àqueles que deixaram seus elogios ao blog, o meu MUITO OBRIGADO :-)
Agora, já entendi o que aconteceu. Ele entrou pra galeria do The Bobs, o evento mundial. É uma espécie de diretório dos blogs que "valem à pena" na Internet, então, já foi um ganho ;)

E acho que o Progresso progride, hein?? :)

quarta-feira, novembro 08, 2006

The Bobs - Retratação

VACILEI! :)

Achei que o Progresso estivesse com tudo, mas ele não anda lá com essa bola toda. Andei dizendo que o The Bobs havia colocado o Progresso na final, mas foi tuuuuuuuuudo ladainha. Eu não prestei atenção ao email da organização, e fui com muita sede ao pote.

Sem problemas. Esse ano, no Bobs, o Progresso não está com tudo. Me perdoem, leitores, eu pisei na bola. Acontece ;)

De qualquer maneira, tenho uma ótima notícia pra vocês: há blogs muito melhores do que o meu, indicados no The Bobs. Se você curte o Progresso, imagina o que não vai curtir quando ler alguns dos indicados na lista de votantes?

Melhor Weblog
Blogwurst, algo como "Blog Mais divertido" :P
Melhor blog em Português

Divirtam-se! :-)

segunda-feira, novembro 06, 2006

Freehugs - Abraços Gratuitos

Esse é meu pai. Hoje é seu aniversário. Parabéns, pai! ;)

Outro dia, fomos acertar uns documentos do aluguel do meu apartamento, e conversamos sobre vários assuntos. Naquele dia, percebi como minha maneira de pensar é parecida com a dele. Por incrível que pareça, foi a primeira vez que me identifiquei de verdade com a mente do meu pai. Até então, nunca havia notado isso. Talvez porque tivesse sido a primeira vez que conversara com ele sobre assuntos bem mundanos e gerais. Precisamos repetir a dose, várias vezes.

E aqui, um manifesto muito interessante em reação à impessoalidade no mundo. Me deixou emocionado de verdade. Deixo esse abraço em homenagem aos leitores, e principalmente para o meu paizão ;)

Para quem você dedicaria um abraço gratuito?

quarta-feira, novembro 01, 2006

Aventuranças Domésticas

Se você quiser voar
Tente aviõezinhos de papel
Dobre, respire, observe
Atente pro que chegará

Tente também os barcos
Na correnteza do seu quintal
Na banheira a transbordar
Porque chuveiro é cachoeira
Ou tempestade em alto mar

Mergulhe no oceano
Dos seus peixinhos dourados
Numa cantoria, tantos pardais
Triste do seu canário enjaulado
Persa que se dorme no sofá
É leão empanzinado

Deitar na rede é rasar de calcanhar rente ao chão
Ou se balançar como Tarzan
Dobre, respire, observe
Toda a extensão do seu reinado

Pernas pro ar, aprumar
Vê se tem um descanso, não descaso

Foto exposta na estante
É trazer pro presente o passado
E calendário na parede
É alimentar as esperanças
Do futuro desejado


domingo, outubro 29, 2006

Lula e o Milagre da Multiplicação de Empregos

Como criar novos postos de trabalho no Brasil?
Simples: redefinindo-se o que é um posto de emprego.

CBO = Classificação Brasileira de Ocupações

A reedição da CBO foi executada em 2002, primeiro ano do governo Lula.

"Desde a sua primeira edição, em 1982, a CBO sofreu alterações pontuais, sem modificações estruturais e metodológicas. A edição 2002 utiliza uma nova metodologia de classificação e faz a revisão e atualização completas de seu conteúdo."

Por exemplo:

5198 :: Profissionais do sexo

5243 :: Vendedores ambulantes (Camelôs)

Bom... Isso não são exatamente empregos. Essas pessoas, em geral, não têm vínculo empregatício nenhum, e se viram como podem pra viver. Mas o nosso presidente, o Lula, não pensa dessa forma. Votei nele da primeira vez. Não votei da segunda. Não porque o Alckmin fosse melhor. Era só pra variar a cagada.

Eu imagino nosso presidente nos falando o seguinte: "se você não conseguir trabalho, caro companheiro, que tal se prostituir, ou andar de Sol a Sol vendendo água mineral no sinal??"

Ele vai ter mais 4 anos pra fazer algo que preste. Já que não conseguimos destituí-lo, vamos pelo menos orar pra que ele pelo menos tente.

O que é, pra você, criar um emprego, caro leitor?

sexta-feira, outubro 27, 2006

Acerca do Equilíbrio Natural

O homem nada mais é do que um ser vivo muito bem adaptado e adaptável. Isso faz ocorrer a explosão demográfica, e entramos em dissonância com nosso meio ambiente. A nossa proliferação causa naturalmente o desequilíbrio e várias reações desse planetinha.

Felizmente, nós temos nas nossas mãos o conhecimento e a capacidade para restaurar o equilíbrio que ameaçamos.

Infelizmente, ter todo esse conhecimento e capacidade é bem diferente de ter a consciência do que devemos fazer.

Pode ser que estejamos cavando nossa própria cova, enquanto humanidade. Pode ser que não tenhamos essa consciência toda, na prática. Mas é bom saber que ela pode existir em algum lugar, pois me dá esperança, e ter esperança me faz bem.

Me sentir bem é sinônimo de querer continuar vivendo. Eu acredito que muita coisa vai ser transformada positivamente, nos próximos 70 anos. Não vou ser um neo-malthusiano, proliferando o apocalipse e o fim do mundo. Eu sei que vamos nos tocar. Ou vamos, simplesmente, deixar de ser.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Conheça-me: Eu Sou Isto Aqui

Certas coisas me fazem muito, muito, muito, muito mal.
Certamente, a falta de transparência é uma delas.

Esse lance de "deixa pra lá que depois tudo se resolve" é um pensamento muito pobre. Eu não gosto de desentendimentos.

"Um dia, um primeiro bom agricultor pegou suas melhores sementes e começou seu plantio. Veio um segundo bom agricultor e viu o trabalho de seu companheiro. Ao olhar pro chão, estava lá um pacote vazio das piores sementes. Não se sabe como surgiu aquele pacote vazio. Ele apenas estava lá, pronto para enganar um observador desatento. O segundo agricultor chamou a atenção do companheiro e começou a catar as melhores sementes do chão, alertando seu amigo de que aquelas não eram as melhores, mas sim as piores sementes. O primeiro agricultor deixou seu bom amigo continuar o trabalho, porque sabia que ele era alguém muito especial e bem intencionado. E assim, as boas sementes foram mais tarde jogadas ao fogo pelo segundo agricultor, que tinha as melhores intenções."

A reação do primeiro agricultor não tem lógica. Mas é exatamente isso que fazemos durante toda vida, ao deixarmos um pequeno desvio de entendimento perdurar. Somos como o primero agricultor que, tendo plantando boas sementes, deixou que alguém as destruísse, simplesmente porque era alguém tão bem intencionado quanto ele.

Imagine se eu ficasse quieto a cada vez que desse a entender algo que não fosse verdade? As pessoas, aos poucos, formariam uma opinião equivocada sobre a minha pessoa. E pra reverter esse quadro, como seria? Teria que catar cada pequeno engano pra desenganar? Eu quero uma opinião baseada na verdade dos fatos, e não numa interpretação trocada.

Eu detesto tudo o que fira a minha integridade. Esse é um problema crônico, pra mim. Se tomar conta da minha integridade fosse uma loucura, eu encabeçaria a lista dos internados.

Sempre assumi todos os meus erros, e reconheço quando faço alguma besteira. Às vezes, erro sem saber, mas ao entender que errei, faço o que estiver no meu alcance pra corrigir. Mas assumir um erro que sei que não cometi? Olha, até tentei... Mas não rola. Simplesmente, não rola. Conviver comigo é saber disso desde sempre. Graças a Deus, eu não sei de ninguém que tivesse me dito que sou irritante, ou ruim, por isso. Pelo contrário, isso me é motivo de elogios, e devo ao Deus todo esse juízo. Tenho todas e tantas amizades quanto posso fazer, das melhores possíveis. De um, dois, dez, vinte anos. Amizades de vida inteira, e até um grande amor, como todos esperam que seja um grande amor.

Desentendimento, eu não sabia, me faz fisicamente mal.

Pode achar que sou mau ou bom. Mas que ache com base na verdade.

Agora, pense você também se não é bem melhor comunicar do que deixar pra lá.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Engraçado

Quando eu era mais moleque
Não queria saber do que era novo
Só queria ouvir as velharias
E o que tinha sido história

Passa o tempo, e histórico me torno
Hoje, diferente dos velhos dias,
Quero mesmo é sair pro abraço
Reinventar tudo o que faço

Quando era criança, eu queria o meu chão
Um chão firme, que não machucasse meus pés
Um chão forte, pra eu me formar de primeira

Quando era criança, queria cantochão
Mas hoje, quero eletrizar,
Quero sambar tudo de novo
Quero abraçar tudo que gosto
Ver o renovar do meu povo

Prometo a vocês:
Um dia eu toco a genialidade


quarta-feira, outubro 18, 2006

Âncora

É bem diferente
Não tentar por não saber
Se o que pode dar certo dará

De não tentar
Por saber que certo vai dar
E afinal, ter de luxo uma preguiça
Que não me deixa continuar

Preguiça não, qualidade de vida
Porque o mundo vive entulhado
De mais e mais trabalho

Confesso, em alguns momentos,
Eu quero é desfrutar
Esticar as pernas com quem amo
Não quero me afogar atarefado

Não, não quero mesmo trabalhar
No lugar de quem pede emprego
Quero aproveitar o que é moderno
O que me economiza tempo

Quero dar salário a quem precisa
Quero empregar
E se o dono do rebanho engorda o gado
Quero alimentar meus empregados




Não, eu não tenho empregados. Mas a idéia da poesia é essa. Num país onde os impostos acabam com a produtividade do setor privado, em favor de um governo populista, fica a minha crítica: essas bolsas-auxílio podem acabar com a vontade do trabalhador de trabalhar, e com a capacidade do empregador de empregar. ;)

** Não sei como é o plural de bolsa-auxílio, se alguém souber, me diz!

segunda-feira, outubro 16, 2006

Beautiful Couple - Jorge Maia - 26/08/2006

(to Emmanuele and Rodrigo)

When I see then together, happiness shinning in theirs eyes
If I feel sad inside I change myself and feel me all right
When they wandering aimless, sun kiss theirs skins
For whom rings the bell? – For Rodrigo and Emmanuele

They live in the bottom of my heart
They clear my way when life is very hard
It’s good to know their love still growing
It makes me happy when I’m feeling down

Some day they will be three or more I hope to see
Children smiling on the lap of the beautiful Singer
And though many years will pass, we still listen the bell
Ringing for the love of Rodrigo and Emmanuele


Poema de Jorge Maia, um amigo nosso.

Aqui, um passeio de Domingo. Fomos à Ilha Grande e visitamos algumas praias:
Daiane, minha irmã:
Inominável

Inefável:
Inefável

Eu, Nayara e Manu. Caretaz:
Caretaz

Sugata, eu, Gonçalves (meu paizão) e Daiane. Vamu Cumigu!
Vamo Cumigu!

Eu :-)
Eu

Layla, Nayara (minhas primas) e Manu
Primas e Manu
Amandinha foi, mas não consegui ainda uma fotinho dela no passeio. Tudo bem, outro dia rola :-)

Novidades: comprei um piano elétrico. Amanhã começo as aulas no CIGAN

sábado, outubro 14, 2006

Ócios do Ofício (27/08/2006)

(Rodrigo Santiago& Manu)

Segue a receita do sucesso
Não é trabalho sobre trabalho
Tampouco sobrar dinheiro
Trata-se do grande segredo:
Seu trabalho deve ser um grande brinquedo
Dentro de um parque de diversões
Onde brincam também
Todos os seus companheiros
Com lápis e papel nas “mões”
Escreve ali, ri aqui, ama acolá...
O trabalho de verdade
É a arte de brincar
E não ter medo de errar




Um dos ossos do ofício Viver é o Morrer. Em menos de 48 horas, partem dois avós. Dona Lourdes e Seu João, na ordem cronológica das coisas.

É sinistro. É possível. É normal. Lamento.

segunda-feira, outubro 09, 2006

A Vaca Foi Pro Brejo

Nesta Sexta feira houve o casamento de um dos nossos companheiros - Casé, o Amigo da Garotada. Só que essa festa era proibida para menores. Lá foi então O VACA, ignorando a tudo e a todos, passou-se por adulto e... Garoteou. Segue o documentário do caso:

Aqui, podemos ver em ângulo exclusivo os passos da Vaca... Ela foi quem ensinou o U Can Dance:


Aqui, uma palhinha de como estava bebendo a Vaca:


Aqui, a Vaca regurgitando... Mas não era grama... Era malte escocês.


Aqui, momentos depois de ter sido acudida pelo Costa.


E as Fotos:

O Encontro
O Encontro

O Delírio
O Delirio

A Entrega
A Entrega

O Auge
O Auge

Resultado dos 15 Copos
Resultado Dos 15 Copos

Cachaça Não É Água
Cachaça Naum É Água

Esta foi mais uma fábula "daquelas". Qualquer semelhança com a verdade é mera coincidência.

Pintando o Céu

Encanto meu,
Tremo como o fogo
Com saudades dos abraços e sorrisos
De tanta mágica, de tanto brilho

Nada falta.
Na tua compania
Ser também essa boa companhia
Era todo o meu querer

Me faz bem, amor
Cuidar de ti
Alguém tão especial
Entregue aos meus abraços

Dando-me a missão de trazer
Mais céu à tua vida
Sabendo que muito do que é bom
Acontecerá a dois, e somente a nós dois

Cuido bem de mim
Mas nunca me achei capaz
De cuidar de outro coração

Amor, encontrar alguém assim
Pra mim era utopia
E se tu te revelas feliz
Penso que tenho feito jus
Dando tudo o quanto precisas

Sonho que surgiu pra mim
Mais bela criatura
Que veio sem saber o porquê

Quem sou eu?
Senão aquele que tem, por obrigação, trazer-te
Sonhos prazerosos todos os dias?

Quando ligado em teu espírito,
Minh'alma engrandece
E se não te encontrasse,
Minha existência findaria no dia que eu morresse
Mas você me faz terno e eterno
Eu te amo, é o mínimo que posso fazer

Falarei disto todas as vezes
Pois gosto de fantasiar o amor,
Emoldurando nossa paixão

Yo no buscava nadie y te vi

E se tu cansares das minhas palavras,
Aprenderei a pintar o céu pra ti




Pra vc, Manu :)

sexta-feira, outubro 06, 2006

Lo Straniero

A quem interessar possa, Esse cara tem os textos excelentes. Vá para lá, agora.

quarta-feira, outubro 04, 2006

Acabou o Suco

Esse conto é muito, muito antigo. Deve fazer um ano e meio que o escrevi. Em todo o caso, ou eu não o publiquei anteriormente, ou o blogger simplesmente perdeu um post. Vamos lá:

Tudo começou quando acabou o suco de goiaba de caixinha. Eram dez horas da manhã, em pleno feriado no Rio de Janeiro. Vida de solteiro morando sozinho é assim: você acorda, faz algumas coisas e só vai tomar banho lá pelo meio dia, quando sente fome e quer almoçar mas está com preguiça de fazer comida. No meu caso, não é preguiça. É uma imperícia da peste: eu não sei cozinhar, e também não me interessa aprender.

Há quem me pergunte como eu consigo me virar na vida social, quando rola um rateio para o almoço na casa de um amigo. O que eu faço? Como participo? Ora, lavo louça. Não ligo para isso, e até gosto. Mas em casa, sozinho, fazer almoço e lavar louça? Definitivamente, não é para mim.

Voltando. Lá estava eu, na frente do computador editando uns textos - porque nestes dias me surgiram algumas idéias, e tenho colocado tudo no papel - quando fui até a cozinha pegar algo para beber. Pus um copo de suco de goiaba, que acabou com o que havia dentro da caixinha. Depois de matar o suco, a caixinha ficou ali, sozinha em cima da pia, com um vazio por dentro que dava até pena. Decidi que ela precisava ir pro lixo, e se juntar às outras como ela, indo pro "céu das caixinhas vazias de suco". Ela havia cumprido bem seu papel de matadora de fome das horas vagas, e merecia um funeral. Quem sabe se numa encarnação posterior não voltasse reciclada, e misturada às almas de outros produtos que também serviram dignamente aos seus consumidores?

Peguei a caixa, e olhei para o caixão - o cesto de lixo. Estava cheio. Impossível colocar qualquer coisa a mais. Lembrei que havia ficado de jogar aquilo tudo no fora da próxima vez que saísse. Mas, como todo cara relapso que se preze, eu havia esquecido. Por uns quatro dias, eu havia esquecido, e sempre insistia em entulhar mais coisas no cesto, pobrezinho. Já não conseguia nem mais fechar a tampa. Era a hora de um ato heróico: levaria o lixo para a lixeira do prédio, e depois colocaria um saco de lixo novinho em folha, no qual a caixa de suco de goiaba seria a primeira a descansar em paz.

Para o leitor de boa memória, é desnecessário dizer que eu estava como quem havia acabado de acordar, não é mesmo? "Pois é... Aí tem um problema", como diria Cassino - meu chefe - sempre com uma boa inspiração e visão de inúmeros lances à frente da minha. Era muito claro: como iria atravessar o corredor no estado em que me encontrava? Uma blusa azul-desbotada que parecia ter sido mastigada, cabelos para o ar e um short velho que doía? Resolvi dar um "jeitinho rápido", pois, como todo mundo sabe, quando você está em situação desprivilegiada no corredor do seu prédio, todos os vizinhos saem para te ver.

Fui até o banheiro, me olhei no espelho e pensei: nem a Medusa teria coragem de me olhar nos olhos. Passei uma água bem de leve no cabelo, peguei uma escova e lá fui eu lutar contra milhares de fios. Bom, pelo menos são menos do que quando eu era mais novo - acho que eles estão me abandonando de insatisfação. Quando enfim terminei, percebi que não parecia nem que tinha tentado pentear. Mas já estava bem melhor. Precisava de mais recursos. Um boné, quem sabe? Essa idéia, que está sempre entre as primeiras da fila de idéias salvadoras, é sempre ridícula, ainda mais quando você só quer atravessar o corredor. Para mim, seria pior se me vissem de boné, porque não haveria maneira de esconder o quanto estava preocupado, e detesto quando isso acontece, ainda mais no que tange minha beleza natural, da qual tenho tanto orgulho.

A idéia do boné foi pelo ralo - Há uns 6 anos, data do meu último boné, eu acho. Comecei a enganchar uma cabelo no outro, para pelo menos mantê-los baixos o suficiente. Assim, quem me visse de longe não ia notar nada, a não ser que fossem aves de rapina. Depois de uns minutos tentando ajeitar meu visual, me peguei pensando em como me preocupara com aquela trajetória ridícula de menos de dez metros, entre a porta do meu apartamento e a lixeira, no corredor.

"Mas era ida e volta", pensei. Agora é a hora de você me perguntar se sou algum lunático. Eu estava prevendo que todo o tráfego pedestre de Botafogo passaria por aquele corredorzinho, e que a distância até a lixeira era a de uma maratona. "Ida e volta", pensei novamente. "Mas e se me virem de costas? Eu não sei como está meu cabelo desse ângulo." Meu ego agonizava, tremendo encolhido ali, no canto do banheiro, com olhos vidrados e grandes. E percebi o quanto somos vuneráveis às condições tão normais de temperatura e pressão que nos assolam todos os dias.

Subitamente, um instinto heróico me tomou o espírito. "Eu vou do jeito que estou, e dane-se (dano-me) se alguém me vir assim". Afinal, a caixinha de suco de goiaba já estava se sentindo abandonada com o meu descaso. Corri para a cozinha, dei um nó no saco de lixo, tirei-o de dentro da lata e abri a porta, tudo de uma vez. A caixinha pulou de alegria, como um plebeu que vê o He-Man chegando para salvar a vila das maldades do poderoso Esqueleto. Um infortúnio, porque pareço mais com o vilão.

No meu som, tocava muito alto o álbum Breathless do Camel o tempo todo. Quando entrou a música Summer Lightning, me enchi de inspiração. Olhei o corredor, mas não parecia haver qualquer sinal de inimigos ou transeuntes. Nem mesmo as águias ou falcões. Pensei: "os inimigos sempre armam as emboscadas nas curvas dos corredores". Sorrateiramente, dei os primeiros passos para dentro daquele labirinto. Me sentia um herói de O Senhor dos Anéis. Mais especificamente o Frodo, que é mais fraco e tolo. Torcia mesmo que houvesse somente orcs no corredor, pois pelo menos são mais feios do que eu, e não poderiam zombar de minhas madeixas despenteadas. Com um passo após o outro, me aproximava da garganta do gigante (a lixeira) que engoliria todo o lixo com seu apetite voraz.

Suava frio. Durante todo o caminho, me perguntava quando os inimigos saltariam do nada para caçoar de mim, ou quando aquela vizinha gatinha sairia de seu apartamento e me veria novamente numa situação embaraçosa. Da primeira vez em que a vi, eu estava saindo para trabalhar e não notei que ela estava no corredor. Imitava um solo de bateria, com os barulhos, gestos e tudo mais. Foi patético.

Mas ali, com os pés descalços e o chão frio, não havia nada. Nem sequer a miúda torcida do Fluminense. Nem sequer a velhinha que costuma caminhar de vez em quando pelo corredor para exercitar, e sempre pergunta pela minha mãe como se me conhecesse desde que nasci, apesar de eu nunca tê-la visto até uns seis meses atrás, quando me mudei para o prédio. Em menos de trinta segundos, fui até a lixeira, enfiei o saco de lixo pelo buraco, fechei e num piscar de olhos estava em meu apartamento novamente: o Solo Sagrado.

Frustrante. Eu havia me preparado tanto para atravessar aqueles dez metrinhos, e nem uma viva alma foi me ver? Impossível. Logicamente, fui procurar o que mais havia de lixo para ser jogado fora. Havia o da sala e o do banheiro. Levei os dois, um a um, só para prolongar minha estadia no corredor. Não adiantou, o corredor era um deserto. "O mundo deve ter sido abduzido, não é possível!" - Eu exclamei, enquanto voltava da última viagem.

Num surto de loucura, fiz uma cambalhota no chão do corredor. E outra. Depois, dei uns passos, e fiz uma estrelinha. Ninguém apareceu, nem para aplaudir, nem para vaiar. Tomei mais distância, corri e dei um salto-triplo-escarpado, igualzinho à Daiane dos Santos, mas Botafogo inteiro já devia estar dentro de uma nave mãe à la Independence Day. Tirei a blusa e joguei no chão. Depois, dancei sensualmente e fiz um strip do restante. Estava nu, no corredor, e ninguém aparecia. Ora, será o Big Brother? Nem um camundongo. Nem uma formiga, sequer. Notei que estava indo longe demais quando lembrei que as portas tinham olhos. Olhos mágicos, por sinal.

Recolhi meus trajes de gogo boy do chão e voltei para o apartamento - não deu sequer para fazer um trocado - mas não fechei a porta. O Camel continuou comendo solto, e pus o som no último volume. Nem o Claro Hall tem um som tão alto quanto o meu! Estava pau da vida. Coloquei a maldita caixinha de suco de goiaba na lixeira com um porcaria de um saco de supermercado vazio, lugar mais que merecido para aquele resto de coisas - veio no saco, vai no saco. E finalmente, escrevi este conto inteiro com a porta escancarada, mas nem um vizinho veio reclamar.

Vai ver eles gostam de Camel.


terça-feira, outubro 03, 2006

Votar Em Quem?

O Lula e O Alckmin foram pro segundo turno. Se Lula não fede, Alckmin não cheira. Cristovam, na retaguarda, tem a melhor formação, as melhores ações e as melhores propostas. Lula é o Nordeste e toda pobretada, Alckmin é São Paulo. Cristóvam é Brasília. Brasília é pequenina, São Paulo é gigante e toda a pobretada quase acabou com o segundo turno.

Lula disse que nunca foi esquerdista. Mentira pouca é bobagem.
Alckmin fez carreira política desde pequenino.
Cristóvam é inteligente pra cacete.

Alckmin é esperto. Já disse que vai procurar Cristóvam pro governo dele.
Lula é o careta que tentou manter na média o governo FHC, e em somente 4 anos levou o Brasil às mais altas taxas de juros e estagnação econômica.
Cristóvam? Leia.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Voltando das Férias

Assim é a vida no Tecgraf. Pelo menos ao voltar das férias...

Vídeo com o depoimento:


FOTOS...
Minha Baia - Voltando das Férias

Minha Baia - Detalhes

Stan

Pira e Casé

Kati e Casé

Cenário Pronto

Pira

Katilce

Olha lá o Monitor!

Estação Espacial em Uso

I/O Prepared

Stan Assustado

quinta-feira, setembro 28, 2006

A Teia da Liberdade

Outro dia me passou pelas mãos um texto a respeito da conquista da liberdade. Era a história de uma mulher que desde criança fora criada com uma espécie de "redoma" projetada pelos pais, que a protegia dos perigos do mundo. E mesmo depois de casada, aquela redoma permanecia. Bom, acontece que um dia a mulher resolveu partir aquela película protetora, mas para sua surpresa, as suas paredes eram muito finas.

Era um exercício de faculdade, em que os alunos deviam terminar a história. Havia algumas coisas interessantes pra se observar naquele conto. Uma delas é termos a tendência, desde criança, a acharmos que não temos liberdade. Que nossos pais podem ser superprotetores, e mesmo chatos.

Analisemos a seguinte situação: o que queremos ao nos afastarmos dos nossos pais durante a adolescência, senão nos distingüirmos de tudo o que vimos até então? A liberdade vem sob a forma de "vontade de experimentar outro mundo". Fato curioso: muitas vezes, essa vontade de experimentar o "novo mundo" nos faz achar que nossos pais e tudo o que temos à nossa volta é antiquado demais. Nos deligamos de todos os "antiquados", e o que conseguimos? Uma outra trama de pessoas (amigos e amores) que também se importam conosco, e que cuidam de nós. Mas para formar e estabilizar essa segunda rede, temos que passar por várias situações um pouco estressantes - desconfiança, traição e por aí vai.

Meu ponto: essa segunda rede é exatamente igual à primeira quanto aos efeitos sobre nós. O que idiotamente chamamos de "liberdade" é uma outra teia de relacionamentos exercendo poder limitante sob alguns aspectos e potencializador sob outros. Não precisamos realmente nos desligar daqueles que nos amam desde criança. Precisamos entender que tipo de efeito potencializador podemos ter nessa rede. Que tipo de apoio pode vir daqueles que nos amam desde recém-nascidos? O melhor possível, quase que indubitavelmente.

A criação da segunda rede afetiva não pode ser desligada da primeira rede. Nossos amigos devem ser conhecidos por nossos pais o máximo possível, bem como nós conhecidos pelos pais de nossos amigos. E devemos, sobretudo, ouvir com muito carinho o que a primeira rede tem a nos falar sobre nossas ações para a formação da segunda. Isto tornará a nossa vida adulta mais confortável, e a rede se formará mais solidamente, sob a supervisão de pessoas bem mais experientes do que nós, em nossa infância e adolescência.

Há um equívoco em nossa definição de liberdade. Vou tentar enunciar alguma coisa que preste, a partir da minha própria análise:
Liberdade é explorar as possibilidades dentro da sua trama existencial, desenvolvendo-a - e não descartando esta trama.

A perspectiva de tempo explorada neste post foi a da minha infância. A linguagem, obviamente, não. É bom ter sempre essa visão de que há uma infinidade de possibilidades para nossas vidas, e pretendo continuar com ela até os cento e vinte anos. Mas não pretendo me afastar dos meus amigos e familiares. Já fiz isso, e o resultado foi uma solidão que não havia experimentado antes. Eu fui um pouco drástico: saí de casa pra morar longe dos meus pais e amigos de infância, conviver com um monte de pessoas novas no trabalho e na faculdade. Hoje, vejo que não precisava ter feito isso. Pudera eu ter ouvido falar dessas coisas quando tinha dez anos de idade. Agora, observo o quanto eu me envolvi comigo mesmo, somente, durante todo esse tempo. Vejo o quanto eu não sei me relacionar com as pessoas à minha volta. Isso tudo podia ter sido muito diferente.

O que me motivou a fazer isso, afinal? Pra mim, as pessoas "antigas" não me entendiam, ou não queriam muito ouvir minhas "viagens". Resolvi procurar outras pessoas, pra descobrir que elas também não me entendiam muito bem... Resolvi, então, viajar sozinho. Custei pra entender que eu precisava mesmo era refazer minha linguagem, para que pudesse transmitir meus pensamentos mais claramente. Agora, vou penar até recuperar um pouco do tempo perdido. Perdido, sob uns aspectos. Ganho, sob outros. No geral, podia ter sido bem melhor.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Manu - Tudo Bem

Vídeo amador de Felipe Benevides. Tudo Bem, de Lulu Santos, interpretada por Manu :-)

Na próxima Quarta, última apresentação, na Letras de Ipanema, às 21:30.

Em Outubro, com João Roberto Kelly, no Gláucio Gil, em Copacabana.

sexta-feira, setembro 22, 2006

Estrelas de Sexta

Surge luz do mar azul às cinco da manhã
Com céu claro para te encontrar
Bate a brisa no meu rosto, os passarinhos
Me contam segredos sobre o dia
Que está pra chegar

Desço a alameda lá da Gávea
Os ponteiros giram com a saudade a me apertar
Não demora muito e eu te vejo
Nas areias de ipanema com um sorriso
Só pra me encantar

Eu gosto tanto de você que preparei essa canção

O meu amor tem no sorriso um brilho
E o beijo que me faz
Sonhar o dia inteiro
Ele me leva pelo ar
Com aquele abraço firme
e com aquele olhar
Que me faz ver estrelas


Essa
foi feita em um dos nossos primeiros encontros
Ela tava lá, com aquele brilho no olhar,
E os abraços eram tão apertados
Que um moleque passou com os amigos e disse
"Se eu estivesse aqui com a minha mina
Seria como, na areia? só assim, ó"

Morremos de rir, e ao subir na pedra do arpoador
Ela ficou com um medo enorme de cair
Eu, o super-herói, segurei sua mão
Mas quase que não adiantou
Então, resolvemos descer

Beijamos, beijamos e beijamos
Debaixo daquele sol quente de Ipanema
eu me lembro dos detalhes e do telefonema
Que ela recebeu de seu pai
Querendo saber onde estava

Ela estava ali, comigo, numa sexta-feira pela manhã
Com os beijos que me fizeram sonhar o restante da tarde
Estávamos tão radiantes e tão felizes
Quanto o sol que veio nos saudar
Luminosos, como duas estrelas
E com todo o calor que as estrelas têm pra dar




Música que compus para o nosso segundo encotro :)
Colocarei o áudio aqui, em breve.

Relembrando: Quarta que vem é a última apresentação. Depois disso, quem não foi no Letras, "perdeu". Mas aí já vai rolar a de Outubro, né? Mais detalhes nos próximos dias :)