sexta-feira, junho 30, 2006

Emmanuele Santos - Gracias a la Vida

Experimentando um novo recurso aqui. Clica no play da parada :)




Saca também essa poesia:

Toque
Tuas mãos foram tão minhas
E minhas mãos foram tão tuas
Que quando orei a Deus
Em agradecimento pelas tuas
Já não sabia de quem era
As mãos que as minhas tocavam

Porque, ao me tocar,
Deste-me tantas chaves
Que as respostas encontradas
Tornaram-se enigmas

E percebi serem as portas que conheço
Tão poucas, que me fizeram
Sentir-me um total ingênuo

Quando se tocam nossos lábios
Falam-se com muitos significados,
Texturas, gostos, sons,
E um ritmo, só seu e meu

Ao mesmo tempo sentimos
Tudo o que há para saber
E mesmo assim, aturdidos,
Esperamos um dia compreender
Toda a mágica que há entre mim e você


segunda-feira, junho 26, 2006

Para Severino

Ele se foi
Como a última folha de Outono
Em um lindo dia
Dos mais infelizes

Caiu de repente,
Em meio à sua alegria
A última, e mais importante folha
Marcou o ínicio
Do Inverno da gente

Sua árvore deixou os frutos
Mais belos daquela estação
Sua vida não foi em vão

A queda da folha mais importante
Que ditou o fim
De um aconchegante Outono
Preparou a terra
Com ensinamentos e lembranças

De marido, pai, amigo e bardo
De arquiteto da boa vida

Quando passado
Um dos mais vigorosos Invernos
E despontada a luz primaveril

Qual floresta não crescerá
Em torno do lugar
Onde a folha mais importante está?

Depois de passado o susto e tocado o chão
Subiu seu espírito ao lar celestial
Porque folha que vira estação
Sobe é com muita moral

Pois um anjo, que vivia
Empoleirado naquela árvore
Prendeu, na pontinha de sua asa,
A alma da folha, que é uma pluma

E alçou pleno vôo, direto, a jato,
Para fazer sumirem os derradeiros segundos
Que precediam seu encontro com o Pai

Severino partiu
E para que eu não o esquecesse
Me deixou sua última flor
Para que no Inverno eu a acolhesse,
E tentasse, talvez,
Diminuir sua dor


sexta-feira, junho 23, 2006

Tocando o Céu

Saudades de sentir falta de alguém
Talvez de uma língua espanhola
Misturada com o francês
Sempre com o sotaque carioca

Talvez estes ingredientes exóticos
Pudessem refazer a fórmula mágica
Daquele que busca seus sonhos
E que, por vezes,
Tem a chance de tocar o céu

Talvez um abraço, um cinema
Um encanto e um recado
Sentir de pertinho e pensar
"Merece tudo de bom"

Que, se finito ainda que intenso
Seja ao menos a memória inesquecível
Pois quem começa o que é idealmente eterno
Mesmo tendo conhecimento do passageiro
Não dá o passo pensando em seu fim

Já se foram as saudades
De sentir falta de alguém
E me aproximo, com alegria,
De mais uma chance
De acariciar o paraíso novamente




Namorada, te amo! :-)

quarta-feira, junho 21, 2006

Box.net

Aqueles que me conhecem sabem o quanto eu acredito que um dia todos terão acesso a seus sistemas muito mais virtualmente do que um Gmail da vida, ou do que o orkut.

Então, dêem uma olhada nisso aqui:
Box.net - 1GB de espaço gratuito pra armazenar o que você quiser. Ainda não é tão trivial de ser usado, mas já facilita o backup. Quem leu a historinha A Viagem de Layla e Amanda sabe mais ou menos como eu acredito que tudo isso vá ficar um dia. Vamos esperar que o Google meta as mãos nessa galera ;-)

Aqui você aprende a montar o seu espaço num sistema Windows, como se fosse um disco local. Não testei, mas acredito que ainda não deva ser tão rápido.

E aqui você aprende a fazer um programa que acessa o Box.net. Invente qualquer programa, e use-o em conjunto com esse sisteminha bacana.

Boom Boom Satellites

Integrating electronica, rock, and jazz elements, Boom Boom Satellites are one of Japan's most experimental and acclaimed bands. With exciting and challenging albums, and live shows that would put most dance artists to shame, Boom Boom Satellites are a band for those looking for something different.

Retirado daqui.

Vale à pena ouvir.

Café Com Leite

A graça de amar não está somente
Em saber os mistérios de quem é amado

Ela reside, abstratamente, em descobrir
O que a vida guarda para aqueles
Que seguem juntos o mesmo caminho

Você sabe: existem infinitas novidades
Pra quem as busca com obstinação




Em breve, estarei de férias :-)

Ontem comprei um dos melhores edredons de todos os tempos. Não se engane com a propagando dos 180 fios... Compre logo um edredon de malha. Esse é pretão, 220cm x 240cm, da Tok Stok. Saiu por menos da metade do preço dos edredonzões sinistros que vendem por aí. O meu eu batizei de "De Volta Ao Útero".

segunda-feira, junho 19, 2006

Produtividade e Fluxo de Trabalho – Sérgio Franco

Minha médica me pediu um exame periódico de sangue, a fim de fazer um checkup. Para me informar melhor, fui até o laboratório Sérgio Franco, no Leblon. Do lado de fora, uma vidraça enorme, espelhada, já na altura da calçada. Um segurança local me recepcionou, e imediatamente me encaminhou para um balcão muito óbvio, bem na entrada:
- Você pode conseguir as informações que quiser com aquela moça ali, senhor.

Olhei em volta. Um hall enorme, com um pé direito de talvez uns cinco metros, algumas colunas de sustentação, todas as paredes cobertas com um papel de parede imitando madeira de textura bem clara e suave. Ao meu lado direito, uma fileira de bancos de espera para o balcão de recepção. À esquerda, se estendia uma fileira de baias com atendentes e uma segunda fileira de cadeiras, com pacientes aguardando o momento do atendimento.

Fui até “aquela moça ali”:
- Boa tarde, senhor. Em que posso ajudar? – Fui recebido com um sorriso muito cortês.
- Boa tarde, gostaria de saber como devo proceder para fazer um exame de sangue.
- Convênio com plano de saúde?
- Sim.
- Empresarial ou particular?
- Particular.
- Qual é o plano, senhor?
- X.
- Obrigado. Que exames você deseja fazer?
- Não entendo nada disso, mas a minha médica me entregou esta carta – repassei a tal carta para a atendente.
- Perfeitamente. Para os exames de sangue, o senhor deve estar em jejum por no mínimo doze horas. A radiografia nós ainda não estamos executando neste laboratório. A fila é obedecida por ordem de chegada dos clientes, e estamos abertos a partir das 6:30 da manhã, que é o horário preferível para se fazer a coleta de sangue.
- Bom, então eu posso voltar aqui amanhã de manhã?
- Sim, senhor Rodrigo.
- Obrigado.

(No dia seguinte, fui atendido por uma outra recepcionista)
- Bom dia, senhor, em que posso ajudar?
- Oi, gostaria de fazer um exame de sangue. – De cara, fui entregando o cartão do plano de saúde e a carta da médica.
- Um momento, por favor, senhor Rodrigo. – Agora começou a mágica. Ela digitou alguma coisa em seu terminal – Pronto, o senhor pode aguardar naquela fila com a carteira do plano de saúde, a carta da médica e um documento de identidade. Uma das nossas operadoras vai chamá-lo.

Fui para a fileira de bancos à esquerda. Sentei-me e saquei um livro, pensando que o atendimento fosse demorar. Em menos de cinco minutos, uma mulher chama pelo meu nome, e lá fui eu. Entreguei os documentos, e ela digitou alguns dados cadastrais – afinal, era a primeira visita. Imprimiu alguns documentos, e me pediu para ler e assina-los. Eram somente os pedidos dos exames de sangue.

Não pude deixar de reparar em um leitor de impressões digitais, ao lado do monitor de tela plana da atendente:
- Me desculpe pela pergunta. Você usa isso aqui pra se identificar no seu terminal?
- Não, senhor Rodrigo. O seu plano de saúde usa esse leitor para autenticar os clientes, dependendo do tipo de exame feito. Para exames de sangue isso não é requerido, mas daqui a algumas semanas nossa radiologia estará funcionando novamente, e daí, se você voltasse e pedisse uma radiologia, teríamos que cadastrá-lo uma vez. A partir de então você poderia ser reconhecido em toda a rede onde temos este sistema.
- Calma aí... Você tá dizendo que o meu plano de saúde colocou esses leitores em toda a rede Sérgio Franco?
- Quase toda. Ainda faltam algumas unidades, mas já estão sendo implantados.

Que ingênuo eu fui. Achando mesmo que aquele leitor era pra ser usado uma vez por dia, só quando a mulher chegasse ao trabalho... Mas uma empresa colocando equipamentos dentro de outra... Estranho, não? Isso se chama integração.

Dali a algumas assinaturas, ela me ensinou o terceiro hall de espera, para seguir ao exame.
- Você mesmo vem buscar, ou prefere que enviemos o resultado?
- Eu mesmo posso vir.
- Ok. Tenha um bom dia, senhor Rodrigo.
- Bom dia, Lidiane – O nome dela estava em seu crachá de identificação.

Lá fui eu. Dessa vez, pra uma sala semicircular, com uma tevê que exibia algum vídeo de acrobatas e trapezistas. Provavelmente algum espetáculo do Cirque du Soleil. Não ousei sacar o livro. Em menos de 5 minutos, novamente:
- Senhor Rodrigo?
- Sou eu.
- Bom dia, senhor Rodrigo! Por aqui, por favor.

O técnico comparou minha carteira de identidade com os documentos que recebera via rede, me explicou minuciosamente cada passo da coleta de sangue, e em menos de 10 minutos havia feito o exame. Recebi um cartão, como um cartão de visita, mas com os dados do meu exame e a data do resultado, que seria dali a dois dias. Fui encaminhado para a última saleta, de saída, onde poderia tomar um café e relaxar um pouco. Lá também passava o tal vídeo. Saí pelo outro lado do laboratório.

(Dois dias depois)
- Bom dia, gostaria de recuperar os resultados de um exame de sangue.
- Por ali, senhor – O recepcionista me apontou um segundo balcão de recepção. Dessa vez, notei que tanto a recepção principal quanto a sala de “check in” tinham suas tevês, com a mesma programação do circo.
- Bom dia, senhor, em que posso ajudar?
- Vim pegar os resultados deste exame – Entreguei o cartão.
- Um instante, por favor, senhor Rodrigo.

Em questão de segundos, a mulher digitou minha identificação, e os exatos documentos dos meus exames foram impressos. Ela grampeou as mais de dez páginas, dobrou em duas marcas, inseriu em um envelope de correspondência, lacrou com uma etiqueta do laboratório e me entregou em mãos.
- Obrigado.
- De nada. Tenha um bom dia, senhor Rodrigo.

Em menos de cinco minutos, lá estava eu do lado de fora. Parei para olhar o envelope. As dobras do documento guardado faziam com que os meus dados, juntamente dos dados da minha médica, do meu convênio e do meu endereço residencial aparecessem através de uma parte transparente em uma das faces do envelope, certinho...

Não sei por que, mas eu me sinto tão bem quando as pessoas me recebem sorridentes, são atenciosas e me chamam pelo nome...

Sabe quando eu gosto de um computador? Quando quem o usa mal precisa tocá-lo.

terça-feira, junho 13, 2006

Gostando de Alguém Feito Você

Escrevo coisas lindas quando gosto de alguém
Mas poucas vezes gostei de alguém desse jeito...
Quando não gosto, sou o maior dos descrentes no amor
Desdenho e faço que não existe
Só pra ter o prazer de me surpreender quando encontro alguém assim
Feito você



Peguei as chaves do meu novo larrrrrrrrrr
Voltei a morar em Botafogo, no prédio do lado do prédio onde morei. Até o final da semana estará tudo certo.

quinta-feira, junho 08, 2006

Ricos Trabalhando Para Pobres?

Este é, de longe, um dos meus melhores artigos. Leia-o. Diga-me que é um dos piores, e me contrarie com razão, por favor, senão eu vou acreditar que estou certo.

Antes de começar a ler, prepare-se: há algumas conclusões bem instigantes. Mas como se trata de um argumento, não o leve tão a sério: eu apenas esculpi as palavras, para que você pudesse até achar que essa seja a verdade. Outra coisa: não me preocupei em explicar alguns detalhes, então tem coisas implícitas. Denuncie qualquer variável que eu possa não ter mencionado - de repente eu nem vi mesmo. Se você puder pelo menos se divertir com esse texto, meu dia tá feito :-)

Vocês sabem por que a tecnologia evolui? Pra que possamos fazer mais coisas com menos esforço. Se podemos fazer mais coisas com menos esforço, que tal usar o nosso tempo pra produzir coisas que não precisamos consumir? Absurdo, não? É isso o que acontece com o mundo, agora mesmo.

O capitalismo hoje é articulado de maneira a fazer os ricos ficarem muito mais ricos, e os pobres, muito mais pobres. A classe média é empurrada cada vez mais pra baixo, a fim de que seja unida às classes mais básicas. Todas as profissões que requerem um mínimo de especialização tendem a ser aniquiladas pela presença da automação. Se você é dono de uma máquina, então essa máquina é o seu "escravo pessoal". Não há necessidade de trabalhar para que no fim do mês haja dindim na sua conta. Mas se você é assalariado, tem medo de perder seu emprego. Você é sua única força de trabalho.

Sendo um pouco marxista, os assalariados hoje são recompensados com muito, muito menos do que o valor que produzem. O sobressalente vai pra mão dos ricos. Assim, surgem ultra-ricos. Concorda?

Com o poder de consumo aniquilado, as classes mais baixas poderão somente suprir as suas necessidades básicas. Os ricos, ao contrário, terão dinheiro que não poderão gastar. Há um problema conceitual econômico: tudo de maravilhoso que produzimos, sendo supérfluo e paradoxalmente também necessário, estará restrito a um número cada vez menor de pessoas. A diminuição dos mercados fará com que as super-máquinas de produção disputem um número cada vez menor de consumidores. O mercado realmente grande será, de fato, a camada rasteira da população. Mas eles só poderão comprar o que podem comer, o que podem vestir, e o que podem habitar.

Segundo C. K. Prahalad (eu gosto muito desse cara), o mercado mais rico hoje é realmente o da base da pirâmide - os mais pobres. E esse mercado está crescendo. As super companhias de bens super caros já estão concentrando esforços para criar produtos acessíveis a essa camada populacional. Na minha opinião, é um dos reflexos do "enxugamento" das camadas econômicas média e superior. O que é um produto comprável pelas camadas baixas? Qualquer um que diminua seu custo de vida. Ôpa! Custo zero é super bom, não é?? Então, as coisas sairão de graça, no futuro. Duvida? Vide Google.

* Sem mais perguntas, meritíssimo *

Então, os super-ricos terão muito dinheiro, e suas principais inovações serão direcionadas aos mais pobres. Quem tem poder trabalha pra quem não tem. Interessante isso, não é mesmo? A tecnologia vai evoluir naturalmente para satisfazer primariamente àqueles que não tem uma boa situação econômica.

Bom, mas o pobre não pode comprar tudo o que quer, quando quer, é bem verdade. E o povo oprimido para baixo pode estourar em revolta. Mas eu não acredito que isso vá acontecer. Não acredito em nenhuma super-mega-rebelião contra os governos corruptos e os super-ricos.

Com a automação gradual dos governos, por exemplo, naturalmente a corrupção será eliminada. Com a eliminação de guichês humanos de atendimento, por exemplo, não haverá mais aquelas pequenas propinas. No trânsito, temos outro exemplo: você não pode "dar 30 Reais" para um pardal tomar sua cerveja, como fazemos com guardas de trânsito.

Meu argumento é o de que a maneira de enxergar o lucro vai mudar. Você não é dono do mundo mesmo que tenha todo o dinheiro. Se não puder desfrutá-lo durante uma vida inteira, do que adianta tê-lo? E se tiver medo de possuir esse dinheiro - temendo os outros que não o têm - do que adianta? E mais: do que adianta ter todo o dinheiro, se tudo o que pode fazer é continuar tomando conta dele?

Pobres e ricos são escravos de um erro conceitual. E essa característica será a principal causadora da extinção do capitalismo.

A super-máquina da produtividade nos permite deixar de trabalhar forçosamente. E é isso o que devia acontecer. Pouco a pouco, estamos sofrendo transformações incríveis na sociedade, na forma como adquirimos bens e como somos supridos. Essa mania que brasileiro tem de criar feriados é uma boa forma de ver como podemos deixar de ser escravos do trabalho, pouco a pouco.

Em poucas palavras: na Copa, em dia de jogo do Brasil, teremos feriado. Ninguém vai tomar conta das suas contas, ninguém vai deixar de produzir por isso, e todos vão se divertir.

segunda-feira, junho 05, 2006

Um Dia Como Poucos

Chego a mais uma Segunda-Feira
Mas hoje, tenho a ciência
De que nada mais me falta

Porque sentir que há alguém
Cuidando de mim
É inefavelmente maravilhoso

Espero ter a chance
De, ao menos de perto,
Corresponder a sublime sensação
À altura de seu merecimento



Manu, estou caminhando nas nuvens. =)

sexta-feira, junho 02, 2006

Sustentáculo

Ai de quem foge à poesia
Para maltratar seus inimigos
Para instilar o medo infantil

Ai de quem recorre às palavras
Para fazer valer a causa insensata
Ai de quem prepara a massa lógica
Para convencer a massa fraca a abraçar
Uma ideologia barata e irracional

Ai de mim, se não defendo
O prazer de encontrar a verdade
A maçã permitida e procurada

Ai de nós, se não procuramos
Deixar de lado o desnecessário
Ai de nós, se continuarmos
A alimentar a máquina violenta

Ai do mundo, se da terra não tirarmos
Somente o que precisamos
E da Terra, se apagarmos o Sol
Com a fumaça de nossos motores



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quinta-feira, maio 25, 2006

A Viagem de Layla e Amanda

Era o início da tarde. Layla se acomodou em seu quarto, e foi andar pela cidade que visitava. Enquanto dava sua volta de reconhecimento, percebeu que lá havia alguns salões que lembravam esses com caixas eletrônicos de banco. Uma placa os identificava com o nome "Teiaviva".

Ao cair a noite, ela estacionou em frente a um deles. Trancou o carro, e com alguns passos chegou até a porta da loja. Tirou seu chaveiro cilíndrico do bolso e destampou uma das extremidades. Uma espécie de conector foi revelada, e ela o encaixou numa fenda, em um painel lateral à porta. O display passou a mostrar a mensagem "Sua Digital Aqui".

Pressionou o dedo indicador no lugar apropriado, e a porta se abriu. Do lado de dentro, quinze terminais estavam dispostos, lado a lado. Alguns estavam ocupados. Layla escolheu um ao acaso. Cada terminal tinha um monitor de dezessete polegadas, um teclado, uma pequena esfera embutida ao lado do teclado e um conjunto de fones de ouvido e microfone pendurados ao lado do monitor.

Ela colocou o fone em sua cabeça, ajustou o microfone próximo à sua boca e pressionou algumas teclas aleatoriamente, a fim de ligar o monitor. A tela se acendeu, mostrando uma logomarca do sistema, presente em praticamente todas as grandes cidades do mundo. No canto inferior direito, uma seta verde com a legenda "Seu Disco Pessoal Aqui" pulsava lateralmente, apontando uma fenda, idêntica à encontrada no painel da porta.

A mulher, aparentando seus vinte e seis anos no melhor estilo "gostosona", cabelos e olhos castanhos, plugou seu chaveiro no conector. Era hora de dizer à sua prima que havia chegado, e que estava bem.

Ao perceber a conexão do disco, o sistema novamente solicitou que a mulher identificasse sua digital no espaço ao lado do conector.

Após a identificação de Layla, o monitor exibiu a mensagem "Digite Sua Senha". Ela digitou algumas letras, e em seguida, a mensagem "Sincronizando Dados..." apareceu. Após alguns segundos, o sistema mostrou a mensagem "Inicializando".

A logomarca desapareceu, dando espaço a uma área de trabalho ordinária, com alguns ícones e atalhos para programas. No canto inferior direito dessa área havia um display mostrando a hora, e um outro mostrando o tempo de crédito possuído: cinqüenta e três minutos. Automaticamente, sua lista de músicas começou a tocar. Uma canção de uma banda alternativa, Boom Boom Sattellites, soou em seu fone, mas não a ponto de atrapalhar a ligação telefônica que faria a seguir.

"Tenho que comprar mais créditos amanhã, pela manhã", pensou. Deslizando a palma da mão pela esfera, Layla levou o cursor até o ícone de um dos programas que desejava usar. A figura de um telefone surgiu, e um painel com os endereços de seus contatos foi mostrado ao lado esquerdo. Clicou no nome Amanda, e uma ligação para o estado vizinho foi iniciada.

Após alguns toques, sua amiga Amanda, dona de uma voz bem forte e grave, atendeu:
- Alou?
- Amanda?
- Layla? Já chegou?
- Já, amiga! Olha, tou morrendo de saudade! Cheguei pela manhã, e já arrumei tudo. A cidade é muito fria, mas é linda! Já preparou suas coisas?
- Ah, que bom! Já sim! Acabei de arrumar minhas malas, e daqui a pouco vou pro aeroporto!
- Ok, vou te buscar. Qual é mesmo o horário de chegada?
- Dez e meia.
- Perfeito, dez e meia no aeroporto. Um beijo, prima!
- Outro! Deixa eu dar um jeito nessa casa, pra depois eu partir.
- E Fernando?
- Me ligou mais cedo dizendo que ia passar uns dias na casa dos pais.
- Ah, isso vai ser bom pra ele.
- Vai sim. Agora, deixa eu me aprontar.
- Tchau!
- Bye bye!

Amanda desligou o telefone. Layla tentou ligar para seus pais, sem sucesso. Deixou um recado na secretária eletrônica, e mandou também um e-mail. Depois, telefonou para Pedro, mas seu celular não estava ligado.

- Que canalhinha... - Layla riu, sabendo que seu caso devia estar aproveitando sua ausência. Mandou-lhe um torpedo: "aproveite tudo o que puder, meu bem. Quando eu voltar, vou te seqüestrar por três dias."

Não tinha nenhum e-mail novo, mas no orkut seus amigos disparavam os scraps de sempre: "boa viagem!", "boas férias!", "me traz um presente!"

Entrou em seguida em um site, ThisPlace. Lá, fez uma busca pela cidade em que estava, e pegou todo o programa de bares, restaurantes, teatros e lugares recomendados. Salvou o arquivo, e resolveu partir.

Após desconectar e desligar tudo, voltou ao carro. Lá dentro, sacou um palmtop e plugou seu chaveiro nele. Iniciou o ThisPlace, abriu através do programa o arquivo que havia baixado na cabine. Na tela, apareceu o mapa em fotos aéreas da rua, e também um ponto vermelho, indicando onde ela estava naquele momento.

- Isso vai ser fácil. - Ela suspirou aliviada.

Digitou a palavra "lugares indicados". Automaticamente, a imagem foi afastada, e sobre o mapa apareceram alguns pontos azuis. Selecionou e gravou o roteiro daquela noite: parque público, buscar Amanda no aeroporto, jantar e por último ir a uma boate. Se divertiria com gente diferente, sem seu "cobertor de orelha" por perto.

- Primeiro passo... - Com um clique em "Piloto Automático", o programa soou a frase: "Siga em frente, e vire a próxima direita".

Layla deu a partida, seguiu em frente, virou à direita, e sorriu.

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terça-feira, maio 23, 2006

Bost



Essa é uma paródia do Lost, feita por uma galera maneiríssima :-)
Vai ter mais depois, eles estão fazendo seleção de atores pros próximos capítulos!

quarta-feira, maio 17, 2006

Poesia em Grupo

Este texto foi feito durante uma longa conversa com a Manu. Ela é fantástica ;)

Poesia a Quatro Mãos

Quanto mais as pessoas se escondem...
Parece que têm medo das palavras
Não falam o que sentem,
Não ouvem o que devem ouvir

Como se o dito fosse como armas
Como se a verdade doesse mais
Que um ventre rasgado

É como a criança que se recusa a aprender a ler
Assim são as lições do amor
Terrivelmente necessárias

O coração partido pela verdade
Logo se recupera para aprender a não errar
Mas a ferida aberta pela mentira é pior
Será a mesma armadilha dia após dia

O coração que usa de omissão se sufoca
Como um glutão, enche-se de palavras
E atos que não condizem com a devida atitude
Escurece o que estava claro e acaba com a própria paz

Quanto mais as pessoas se escondem
Mais ciladas armam contra si mesmas
Mais continuam a se esconder
Mais vestem sorrisos e inspiram a dor


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IV Jornada de Estudos de Casos SEBRAE

Recebi uma excelente notícia!
Nosso grupo, composto por dois alunos universitários: eu e a Maria Beatriz, orientados pela Helene Salim, ficou em sexto lugar nesse concurso aí do título:



Teremos nossa história publicada em um livro do Sebrae este ano. Trata-se do estudo de caso da empresa de design Estúdio Criatura, voltada especialmente para atender o terceiro setor. Foi uma boa surpresa, um tanto inesperada.

Na verdade, havia mais uma aluna no grupo, a Angélica, mas ela acabou não podendo se inscrever conosco, porque era da pós-graduação.

Meus agradecimentos ao pessoal do Estúdio - o Roberto, principalmente, que nos deu um excelente panorama da empresa, para que pudéssemos desenvolver nosso estudo, e aos meus colegas de grupo e curso. Um beijo também pra magnânima orientadora, sempre alegre, sorridente e muito paciente.

Consideramos o tempo que tivemos, o trabalho podia ter ficado melhor. Mas já teve um bom resultado, em vista das prioridades. É tanta coisa pra fazer no nosso dia-a-dia...

:) :)

segunda-feira, maio 08, 2006

Vejamos o caso da China

O que a China está fazendo com toda a tecnologia existente no mundo? Copiar/colar.

Podemos também dizer "aprendendo por exemplo". Todos temem a chegada dos chineses no mercado de trabalho. Eles podem cobrar muito menos, e viver (muito bem, às vezes) com isso. Na verdade, o primeiro mundo teme a emergência do terceiro. E todos temem a China. Lá, antigamente, era uma terra com pessoas miseráveis. Muito digno de George Orwell, um país fechado, onde o cidadão comum não sabia o que acontecia do lado de fora. Até hoje não são muitos os que sabem. Mas este número está mudando, rapidamente e numa taxa constante.

Como assim é possível que os engenheiros chineses vivam muito bem com muito menos do que os engenheiros americanos? O terceiro mundo, e principalmente a Índia e a China, nivelarão o mercado de trabalho. Infelizmente, para baixo, no início. Não há demanda que não possa ser provida por um chinês baratinho. Pensem bem: metade do mundo (quase 3 bilhões de pessoas) têm finalmente a chance de entrar e competir no cenário global. Onde não havia força produtiva, estão sendo despertados verdadeiros gigantes. Digamos que 1 bilhão de pessoas seja a massa das pessoas do primeiro mundo. O que acontece quando outros 3 bilhões passam a fazer a exatamente a mesma coisa, por um preço mínimo? Teremos uma explosão de produtividade. Dessa vez, ou o planetinha acaba, ou a gente aprende a consumir.

Existe alguma maneira de impedir que os países emergentes copiem os métodos de produção e energia de países desenvolvidos? Royalties e patentes. Pasmem, pra impedir que o topo da pirâmide fique largo, existe até gente querendo limitar o número de países a usar energia nuclear em apenas 8. E as crianças que estão crescendo, que se danem.

Mas... Por que a Índia afinal vende serviços para os EUA com muito menos custo que os próprios americanos? A resposta está na maneira como "flui" a informação. Os espaços virtuais são tão etéreos que o tempo de tráfego dos dados é praticamente zero. Comparando as economias, é óbvio que a Índia tem um custo de vida menor. Mas a entrega do produto não seria possível, se não fossem as redes. Tanto a Índia quanto a China se tornam praticamente territórios dentro do próprio quintal dos americanos.

Isso me lembra Duna, de Frank Herbert: "the spice must flow". E há quem queira impedir que a informação flua. A correnteza das nossas abstrações mentais é uma forma de se criar riquezas infinitamente. O custo em matéria prima é quase zero. Gente, não tentem vender um software achando que você tá vendendo um carro. Pra ter novos carros, eu preciso de uma linha de montagem. Pra ter novos softwares, eu preciso de um copiar/colar.

Quanto aos serviços "criminosos" de compartilhamento de músicas e arquivos, eis a minha indagação: quando você tem uma tecnologia que fere legalmente os interesses de algumas dezenas mas facilita a vida de bilhões, quem está errado? A tecnologia ou a lei?

Post meio difuso, mas tem lá seus pontos de discussão.

sexta-feira, abril 28, 2006

Sketchup - 3D For Everyone

Fiquem ligados: o todo-poderoso Google acaba de lançar uma ferramenta pra desbaratar a teste de que "desenvolver design em 3D é difícil". Sketchup - 3D for Everyone.

Há uma tentativa de integrar essa ferramente com o Google Earth. Isto significa que, se você quiser, poderá fazer seus objetos em 3D, e disponibilizá-los para qualquer um que esteja "viajando pelo mundo" através do sistema. Já pensou ter uma réplica tridimensional do Cristo Redentor na web? E mais: ter várias réplicas do Cristo Redentor, e você escolhe qual delas vai deixar na tela? :-)

Isso tem tudo a ver com o post anterior. Vamos começar com o tema Realidade Virtual.

Pra começar, esse nome é muito paradoxal. Ou mudamos nossos dicionários, ou continuaremos a viver com a idéia de que o que é real não pode ser virtual, e vice-versa.

Cada vez que eu vejo uma notícia dessas, dá um frio na barriga...

quarta-feira, abril 12, 2006

A Natureza da Informação É Ser Livre - Parte I

Qual é a única coisa que podemos multiplicar infinitamente em nosso cotidiano, como se fôssemos Deus? Informação. Ó, guerra e pobreza não valem! ;-)

O que é abstração? É um conceito inexistente no mundo físico, que tem por objetivo explicar, generalizar, e por fim, tornar compreensível o universo em que vivemos. Nossos conhecimentos são todos abstrações que nos permitem entender o mundo. Não, nós não enxergamos as verdades absolutas, mas chegamos a um limite de compreensão prática que nos conforta. O que sabemos é verdade - verdade que pode ser mudada posteriormente.

Verdade não-absoluta (essa eu tomei emprestado da aula de Filosofia). Se uma pessoa discorda, ela busca uma resposta melhor. Às vezes, essa pessoa acaba inventando coisa nova. Às vezes, morre tentando. Às vezes, se convence de que a resposta anterior era a melhor. Às vezes, desiste, e vive no meio da frustração, sabendo, intuitivamente, que existe uma maneira melhor de se explicar essa verdade que não convence, que não considerava algumas variáveis, mas que mesmo assim, é verdade.

De agora em diante, quando eu disse a palavra "criar", considere "estruturar", "materializar" ou "comunicar" uma abstração.

A abstração materializada é um objeto. Uma vez que você tente materializar um objeto, encontra certa dificuldade ao lidar com as limitações do mundo físico. Este é o plano da vontade de Deus, enquanto a sua cabeça é o plano da sua vontade, do livre-arbítrio: o que acontece aí dentro é problema seu. Uma pequena cortesia do nosso Senhor, que respeita nossa individualidade. ;-)

Me parece que o plano material oferece resistência à criação. Por que isso acontece? A criatura (nosso espaço), ao ser atingida por uma força transformadora (nossa tentativa de criar), tenta a todo custo manter seu estado original (lei natural da conservação de energia). A energia necessária para criar um objeto (transformar nosso meio) deve ser suficiente para sobrepujar o estado de equilíbrio em que ele se encontra. E assim, fabricamos de tudo: lápis, papel, borracha, computadores e aviões, idiomas, pinturas, músicas - transformando nosso meio. Isso significa que "vencemos a vontade de Deus?" não, mas sim que "era da vontade dEle que você criasse o que conseguiu criar; você estava em sintonia com seus planos".

Podemos dizer que idéias criadoras se influenciam mutuamente. Todo ato de criação necessariamente carrega traços de erro, advindo da interferência das outras atividades criadoras. Estes erros podem ou não ser suficientes para invalidar toda a obra. Nesse contexto, tanto "materializar" quanto "comunicar" uma abstração pode sofrer da influência de incontáveis atividades criadoras - tanto de Deus quanto de nossos colegas. O único espaço onde estamos livres pra criar o que quisermos é nossa mente, nos aproximando do tal "mundo das idéias" de Platão. Nossa matéria prima, nesse caso, são duas coisas: nossa experiência, que são as criações das quais nos alimentamos previamente, e que geraram abstrações em nossas mentes, e o instinto que nos leva à evolução.

Criar nos aproxima cada vez mais do mundo perfeito, do Bem. Essa é a minha idéia de "à imagem e semelhança de Deus". Ele é O Criador, e nós somos criaturas e criadores em menor escala. Você talvez tenha lido algo desse tipo, que eu tenha escrito anteriormente. Esse espaço mental, onde podemos imaginar todas as coisas com perfeição e acurácia, é nosso playground de massinha infinita. Ao materializar idéias, estamos entrando em choque com o mundo que não foi criado por nós. Há várias forças em conflito: a dos indivíduos e a de Deus. Se você inventar algo em sintonia com o que Deus quis, isso sai direitinho. Do contrário, cumpádi, pode tirar o cavalinho da chuva, porque vai dar tudo errado. Da mesma forma, não adianta nada ter um bom projeto de lei se ele é embargado nas instâncias superiores do poder legislativo.

Se exercemos nossa atividade criadora com muita intensidade, é bem mais provável que exerçamos influência sobre a criação de nossos colegas. Do contrário, seremos produto do meio em que vivemos, escolhendo o que devemos ou não absorver. Mesmo nisso, há um pouco de criação: ao concordar, absorver e praticar uma determinada idéia, você deposita um pouco da sua energia naquela criação. Se torna co-criador. Ao censurar, você impõe resistência a uma tentativa de criação.

A maneira através da qual conseguimos comunicar nossas abstrações é a linguagem. Tem muita gente boa dizendo que, sem linguagem, não conseguimos desenvolver o raciocínio. Me parece razoável. Li em algum lugar que isso foi provado cientificamente. Legal. Completando: é através da linguagem que desenvolvemos e comunicamos nossas abstrações. Isso traz uma questão legal: como então surgiu a linguagem, como a conhecemos hoje? Português, Inglês, Francês, Alemão, Mandarim... Como tudo teve início, se a própria linguagem é criada sobre estruturas racionais? Tentando explicar muito brevemente, admito que no início havia uma linguagem primitiva inerente a nós (presente do Papai do Céu), que nos permitiu desenvolver abstrações que aprimoraram essa linguagem, que permitiu desenvolver abstrações mais complexas que tornaram nossa linguagem mais complexa ainda, e assim por diante. Essa linguagem original - primitiva e intuitiva - era a semente da criação em nossos corações. E hoje nossa capacidade de comunicação cresceu como uma árvore. Lindo isso né? :-)

Chegando ao ponto: ao comunicar, estamos alimentando com energia criativa nossos colegas. Comunicar uma abstração não consome recursos: teoricamente você poderia ensinar matemática básica pra todos os seres humanos, sem ter que poluir o ar, ou acabar com a água potável, partindo do princípio que você possa levar sua mensagem até seus interlocutores - 6 bilhões de cabeças, só nesse planeta, hoje. Na verdade, consome sim: você tem que respirar, comer, etc etc. Mas esse é o pequeno preço que se paga, ao transmitir suas idéias. Penso que ensinar e multiplicar conhecimento é tão fácil porque a lucidez humana é uma meta bem próxima do âmago da vontade de Deus.

Bom, agora pensem novamente sobre o que o Guilherme falou: "a Microsoft está dando licenças de uso de seus programas de graça". Vamos discutir com mais calma essa questão, no próximo post.

sexta-feira, abril 07, 2006

Ágata II

Há muito tempo descrevi os talentos de uma mulher fenomenal, que não era de nada. Segue aqui a continuação de um fiasco de gente:

Ágata chegara desta vez no Planetário da Gávea, precisamente às 22:00 de uma Quinta-Feira. Estupenda, com seu vestidinho preto bem curto, de alcinhas, botas pretas e gigantes, sua pele muito branca e seu sorriso clássico. Desta vez, ela encarnava uma gótica, que vinha serelepe, acompanhada de sua outra amiga gótica. É óbvio que me chamou atenção o fato de que a única peça de roupa que tinha alguma cor era a meia três-quartos, que alternava listras horizontais amarelas e pretas. Estava praticamente travestida de abelha.

De repente, pensei: "onde será que ela esconde o mel?". Exercitem, pensem bem e respondam.

Pra completar a produção, havia uma tatuagenzinha aqui, outra ali, e mais uma enorme acolá, na metade das costas, que eu não sabia o que era, apesar do tamanho.

Quando disse "serelepe", eu estava falando sério: as duas vinham andando como duas Alices, dando pulinhos e levantando os braços, como se fossem muito, muito leves. Achei estranho, até porque me parecia que Ágata estava ligeiramente acima do peso. Mas continuava linda. Bom, esse pessoal de preto é assim mesmo.

Ela se sentou na mesa oposta à minha, exatamente de frente pra mim. Não preciso dizer que logo olhei pro óbvio: suas pernas desprotegidas, por baixo da mesa. Com um monte de amigos na minha mesa, e um visual desses, estava me sentindo muito bem. E ainda tinha um show por assistir.

Cigarros, cigarros, cigarros... É impressionante como um monte de gente que fuma costuma espantar a fumaça depois de soprar o que tragou. Ora, não é bom fumar? Pra que espantar a névoa??

Caipirinha, caipirinha, caipirinha... Isso seria o de menos, se não exagerasse.

Nos primeiros estágios da bebedeira, falava alto, e brincava lucidamente. Gargalhava de forma natural e parecia bem disposta. Chegou o primeiro atacante: um neguinho de tranças curtinhas. Cumprimentou e foi logo roubando-lhe um beijo. Ela desviou, fez que não gostou, ergueu um sinal da cruz com os dedos na direção do rapaz, que seguia pra comprimentar outra pessoa da mesa. Ficou vários minutos com cara de desgosto, e eu já sabia que o óbvio mais tarde chegaria.

Quem desdenha quer comprar...

Cruzada de perna pra lá, cruzada de perna pra cá, e começaram os sinais da falta de decoro e elegância: olhos pesados e aquela piscadinha lenta. Tudo bem, isso ainda é tranqüilo. Conversando com um rapaz baixote de cabelos meio sarará, começou a sorrir demais e deu um abraço no maluco, que tascou-lhe um beijo. Não foi um beijão não, foi só um beijo, mas retribuído. Seria o primeiro da noite. De língua, que não me pareceu muito bem dado, mas que foi bonito. Valeu o primeiro round. O cara beijou e foi embora. Assim, como se fosse comum se despedir com um colante.

"Pô, depois vou lá me despedir também." - Pensei, no ato.

Passados vários minutos, Ágata já mostrava pra que tinha vindo. Em curtas palavras: arreganhada na mesa, na mão do palhaço. E quem volta? O neguinho. Sentou na mesa, fez umas brincadeiras, puxou a branquela e slurp! Segundo da noite! Ela era linda, e podia ter qualquer um que desejasse mesmo... Por que não dois? Bom, desse ela tinha se desfeito anteriormente. Mas o nego mandou bem. Num bom brasilês: bagunçou a mulher de verde e amarelo! Bom, na verdade, o nego bagunçou a mulher de preto-e-amarelo. Começou devagar, com aquele jeito de quem sabe o que tá fazendo. Mas depois de dez minutos... Sinceramente, acho que as pessoas pagam pra ver shows assim. E ali, pra mim, foi de graça.

Agora, o que eu fazia, enquanto aquele espetáculo rolava bem na minha frente? Conversávamos na mesa sobre Nietzsche, O Guia do Mochileiro das Galáxias, Platão, Matéria Escura, Sistemas Auto-Organizados e sobre a brilhante conclusão de um amigo: o analista de sistemas alimenta dentro de si uma grande esquizofrenia. Eu dei razão - a pouca que havia me restado.

É bem verdade que o show estava bom. Mas tava tão óbvio ali, a dois metros de distância, que eu, de repente, me desliguei deles. E era bom que me desligasse, porque nem só de olhar vive o homem. Voltei toda a atenção pra minha mesa, e não vi mais o que aconteceu com os dois.

Ao partir, fui cumprimentar algumas pessoas da mesa onde ela estava - eram conhecidos meus. Quando me voltei pra ela, vi um pudim de gente, que não conseguia falar direito com os outros: um misto de entorpecente com sono e tesão, agarrada ao negão.

Não há muita conclusão ou especulação na história. Há só o fato. Ignoro o porquê, e também não me interessa. Eu desdenho, mas como ela também não vale muito, não vou nem pechinchar.

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segunda-feira, abril 03, 2006

Curiosidade

A curiosidade mais nobre não é a ansiedade em saber os porquês, mas sim o sentimento que nos faz encontrar as perguntas corretas. Existem inúmeras respostas para cada questão. Quanto às perguntas, penso que talvez possam não sofrer com a relatividade.

Conhecer a verdade é abrir o leque do desconhecido, sabendo-se desde o início que haverá um cardápio de inúmeras explicações para cada fenômeno. Alimente-se com as respostas que julgar mais adequadas, mas prepare-se para mudar sua dieta assim que sentir que a antiga resposta não é mais a melhor.

Viver em um universo do qual ocupamos uma parte infinitesimal e acharmos que nossos problemas acabam com o mundo - isso é um exagero.

Vocês gostam de açúcar? Então leia essa página curtinha da Universidade de Caxias do Sul, e se estiver com mais tempo e disposição, leia Sugar Blues - O Gosto Amargo do Açúcar.

sexta-feira, março 24, 2006

A Nova da Marisa Monte

Vocês sabem o que acontece quando se coloca um dos novos CDs da Marisa pra tocar no computador? :-)

Aparentemente, ele dá início a uma dor de cabeça bizarra:

http://feeds.feedburner.com/boingboing/iBag?m=279

É verdade mesmo que isso acontece? Bom, mesmo que tentem proibir a cópia de CDs, eles falharam novamente. Conheço uma pá de gente que já tá com todas as MP3 dos dois álbuns nos seus computadores, formulando críticas e tudo. Não adianta remar contra a maré: a natureza da informação é ser livre e "copiável" :-)

quarta-feira, março 22, 2006

Omissão

Não tenho escrito nada nesses últimos dias. Aqui está uma lista dos motivos, ordenada pelo quanto eles me impedem:

1 - Tou tentando fazer um documento com todos os posts que valem à pena registrar. Se eu ficar inventando mais coisas, nunca vou escrever esse documento.
2 - Começaram as aulas na faculdade.
3 - Comecei a estudar Francês.
4 - Meu computador tá um negócio sério. Toda hora dá problema.
5 - Música
6 - Yôga

Os outros motivos nem valem comentar ;-)

quinta-feira, março 16, 2006

Ímã de Malucos

Duas observações sobre os últimos dias:

1 - Tenho feito alguma coisa que potencializou minha estupidez.
2 - Tenho atraído malucos - e dado muita trela pra eles. Imagine que esses dias levei um banho de coca-cola de uma Mato-Grossense do Sul que se chama Morgana.

:-S

quarta-feira, março 15, 2006

Atualizações Progressivas

Coloquei uma lista de músicas preferidas na coluna à direita do blog. Ela vai mudando praticamente dia após dia.

A lista é do site www.pandora.com, onde você pode montar várias rádios para ouvir músicas de artistas similares aos seus preferidos. Por exemplo, você faz uma rádio do Chet Baker e, além de ouvir músicas do Chet, acaba ouvindo Wes, Sony Rollings etc etc... Muito show!

Além disso, a lista de links "outros lugares" também muda periodicamente. Coloquei os links do del.icio.us no blog :-)

terça-feira, março 07, 2006

Surre@rte

Dá uma olhada aqui: Surre@rte

É de um amigo meu, o JB. Ele é designer gráfico. Tem uns trabalhos de transformação e tunning virtual de carros. Acho que ele manda bem, né? :)~

Parabéns, garoto!

sexta-feira, março 03, 2006

O Que Há de Errado Com Essa Frase?

Eu nunca tive problemas com a minha ex-namorada.

?!?!

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Vagas de Emprego

É impressionante a quantidade de gente que anda falando que não há emprego no nosso país. A minha experiência é exatamente contrária. O IBGE disse que a taxa de desemprego em Dezembro foi de "apenas" 8,3%, a menor desde 2002. Mesmo sendo a menor, ainda é um absurdo.

Vamos a alguns fatos. Existe gente (e põe gente nisso) que procura desesperadamente por pessoas qualificadas para ocuparem vagas com excelentes salários. Empregos de tecnologia, principalmente, no meu caso. As pessoas às vezes dizem: "pô, ae... Fulano ganha 4 mil e Beltrano 10 mil... Os caras são sinistros".

Acontece que nessa área não há competição quando falamos de vagas de emprego. Diariamente eu recebo entre 20 e 30 vagas anunciadas para desenvolvimento de software. Isso porque eu assino um único site, pra ter idéia de como anda o mercado de contratantes. Recebo também várias outras vagas do grupo da faculdade, e freqüentemente meus amigos reclamam que precisam urgentemente de algum programador pra algum projeto que tá saindo do papel. Você acha que eles preenchem todas as vagas? É claro que não! E isso é uma das causas da quantidade de trabalho excessivo nos setores de TI.

Algumas vezes me perguntam se tenho como ajudar um certo fulano a conseguir um emprego. Aí eu peço o currículo da pessoa, e certamente esse cara não é lá muito instruído. O cara que tem qualificação não vai passa sequer 2 semanas sem conseguir marcar uma entrevista. Diria 3 dias, em alguns casos.

Na minha opinião, não devemos dizer que temos "desemprego". Devemos dizer que temos "desempregados". As vagas estão muito bem por aí, com urgência para serem preenchidas. Falta educação, né? E algumas vezes, até um pouco de vontade dos desempregados para se qualificarem também... Porque é mais fácil ir pro bar e beber todas.

Cabe uma máxima
Com tanta gente querendo trabalho,
Por que não empregar alguém,
Ao invés de querer um trabalho você também?


E o principal desespero do jovem desempregado, qual é? Sustentar seu carro com rodinhas de magnésio e som surreal de dez milhões de watts, que só serve pra ele dar uma de DJ de posto de gasolina...

terça-feira, fevereiro 21, 2006

O Sonho Acabou

Quando o sonho acaba
É porque a padaria fechou
Pode chorar, mas saiba
Que se aguardar a próxima manhã na porta
Poderá pegar, na primeira fornada,
Um sonho saindo do forno
Quentinho, e cheio de sabor



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Dãããã...
Eu vi Doom ontem, e não recomendo.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Swásthya!

Shakti

Pra você, que é minha mulher
Eu, seu homem, dedico estes versos
Pra você, que me faz existir mais do que antes
Que me faz existir melhor a cada dia
Que me traz felicidades
Que não me espera, mas tem a mim quando queres

Pra você, dedico-me
A você, que quero toda a vida
Que me faz querer viver pra sempre
A você, mulher que me faz respirar
Que me faz sorrir pra sempre

Faz minha inspiração mais profunda
Traz o prazer até a mais ínfima parte
Do meu corpo, da minha mente e da minha alma

De pensar, me inundo de alegria
De peito aberto, ao seu lado,
Mostro ao mundo o que é ser feliz

Penso que não fui, até aparecer
Porque para ter o direito de existir
Primeiro teria que passar pela maior prova
Que foi te abraçar
E saber que era quem eu procurava

Shakti, se eu não te encontro
Não sei o que seria de minha existência
Nunca passaria da efêmera humanidade
A espírito sublimado



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Praqueles que não tem tido notícias minhas, aí vai:
Estou praticando Swásthya Yôga, e tem sido uma experiência transformadora. Passei por um preparatório físico e cultural durante um mês, e ontem participei da minha primeira aula de verdade. É outra parada, bem diferente do que se vê por aí. Não se trata de um exercício físico, mas de uma verdadeira filosofia de vida, muito impactante.

Qualidade de vida, saúde e, principalmente, minha mente sossegada. :-)

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

A Outra Ela

Ela me caçava
E me encontrava
Em todos os lugares
Onde eu pudesse estar

Me visitou em meu sono
Entrou no meu círculo de amigos
E interferiu na minha vida

Ela me beijava
Mas não havia língua
Pois seu interior era vazio

Apenas uma aparência
Um "parecer"
Prefiro perder a razão
A me deixar
Nos seus braços enlouquecedores

Prefiro não ser mordido
Me resguardar, me defender
Prefiro não mudar de vida
Prefiro meu canto só meu

Prefiro continuar a observar com firmeza
Prefiro continuar buscando
A energia que me fará pulsar
Com fervor, paixão e naturalidade



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segunda-feira, fevereiro 06, 2006

24 Anos Completos

Hoje é meu aniversáriooooooooooow!

Sem mais, né?? Acho que tá bom! :-)
A quem interessar, será comemorado na pizzaria Piola, em Ipanema, a partir das 20:30. Fica na Rua Paul Redfern, 40. Pertinho do Lord Jim, na altura do Jardim de Alá.

Espero que todos possam ir ;D

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Fotos Janeiro 2006

Várias novas fotos no meu Flickr.

Cheers!

terça-feira, janeiro 24, 2006

Poema Incompleto

A vanguardista arte que resiste
No coração daqueles que seguram o mundo
Os faz chorar ao pensar que o amor

O mundo é etéreo como o vapor
Da expiração, inspiração, suspira
E a vida é fumaça que se vai
Na cachaça

Mas talvez pra estes ainda haja,
Ao lado de alguém, é melhor que corram

Porque a cada último suspiro, se vai um conservador
A cada luz, em um novo sopro, os olhos,
Que vêem o mundo instável mergulhado na rede,
Aprendem e crescem

As pessoas, cada vez mais feridas
Caem na folia
Iludidas, fendidas, suadas, fedidas, imundas

Beijam todos aqueles que detestam
E tornam-se como eles
Dançando todo o inferno que repudiam

Tento esquecer que o humano excrementa
E o que é o excremento
Senão um monte de energia não aproveitada?
(Irrenovada, jogada, deixada, mal tratada)

Tenho pesar ao pensar,
Falar, comer, andar, calar,
Que os pobres podem ser o excremento social
Como tanto se costuma dizer

Temos mais excremento do que cidadãos
E afinal, é ou não é por falta de vontade?



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domingo, janeiro 08, 2006

Que Seja Infinito Enquanto Dure

Não é que hoje não haja amor eterno. É que ele nunca houve.

O jeito de amar está intimamente ligado ao meio de produção. Amar é em parte uma conveniência que acompanha a economia na nossa sociedade, assim como todas as formas de relacionamento entre pessoas.

Quantos "melhores amigos" você já teve nos vários ambientes onde viveu?

"Amor eterno" foi algo que as gerações passadas nos ensinaram, e que definitivamente funcionava pra época. Afinal, falar em eternidade é fácil pra quem vive estavelmente durante 60 anos, morre, e depois não diz pra ninguém se continua casado lá do outro lado. É bem tranqüilo pra gente perceber "eternidade" quando o casamento começou em algum ponto da vida dos nossos avós e existiu até suas mortes. É, é bem fácil confundir 40 anos de relacionamento com eternidade. E se eles se divorciassem 1 ano antes de morrerem? Vai dizer que o casamento não deu certo? Ou que não houve amor de verdade?

Por que as pessoas choraram tanto quando Elvis morreu, razoavelmente jovem? Ou Charlie Parker? Ou John Lennon? Ou John Kennedy? Naquela época, era esperado que se fizesse algo grandioso durante 30 anos ou mais. Havia uma sensação enorme da perda de tudo o que essa pessoa poderia ter feito. Amor é sempre algo muito grandioso que é relativamente fácil de ser vivido por qualquer um. É o sonho de "mudar o mundo" mais fácil de se realizar, com certeza. Retificando: "mais fácil" não, "menos difícil".

Hoje, algo grandioso deve ser feito em 1 ou 2 anos.

Quantos novos famosos ganham as telas todos os dias?

E por que o amor continua tendo que ser até a morte?

De maneira similar, um amor grandioso pode ser vivido em pouco tempo. Se temos tantas incertezas todos os dias, temos que arrumar um jeito de amar direito. Somos muito passivos com relação ao amor, e acho que essa não é a postura correta. É como uma gripe: você é alvo dela. Bom, se você se desproteger, vai estar muito mais suscetível à doença. Pensa só: você pode estar um pouco mais aberto ao amor, e deixá-lo acontecer. Não é garantido, mas aumenta suas chances. Com tão pouco tempo pra aproveitar, por que outorgar a uma única pessoa em sua vida inteira o direito de ser seu amor? E se essa pessoa te trai? E se ela se vai? E se ela morre? E se ela não te aceita? Como é que você fica? Não estou dizendo que você "escolhe o amor". Mas que você pode esquecer algum que não tá mais na área... Ah, com certeza sim!

Pra mim, é burrice atribuir um título para todo o sempre a uma única pessoa que é decadente como tudo mais nesse mundo.

O jeito de amar é sempre diferente, dependendo do casal. É como misturar diferentes tipos de leite com diferentes tipos de café, colocando açúcar a gosto e bebendo na temperatura que mais agrada. Sim, você também tem o seu tipo preferido de café, e eu não te culpo por isso. Mas dizer que 1 em 3 bilhões de tipos de café é com certeza o que mais te agrada? Será que dá pra comparar cada sabor com todos os outros? Alguns tipos de bebidas são inesquecíveis, e te proporcionam um prazer completamente diferente do outro. Igualzinho ao amor: podemos ter diferentes amores de verdade ao longo de nossas vidas. Cada um com sua marquinha especial, que é única.

Você pode até pensar que sou promíscuo. Mas ninguém pode dizer de mim que me embriago com vários "amores". Isso seria um vício muito feio; certamente uma subversão do significado disso tudo que estou dizendo, e estaria promovendo a banalização do termo. Promiscuidade é algo que tá por aí: todo mundo beija 30 bocas em qualquer micareta. É óbvio, não é disso que estou falando. Falo de ter aquele abraço onde você parece estar flutuando. Daquele carinho que parece conhecer cada detalhe do que você prefere. Acha mesmo que apenas uma pessoa no mundo te proporcionaria isso? Leva tempo, mas você encontraria seu amor em qualquer parte do mundo.

A não-eternidade do amor pode não ser a "verdade verdadeira", sabe? Pode apenas ser uma resposta que inventei pra me satisfazer. Mas pra mim, funciona. Bom... Na verdade, funciona mais ou menos.

Como todo mundo tem sua dose de hipocrisia, eu também acredito que um dia vá aparecer 'aquele' amor, e que dure mais de trinta anos. Ou seja: eternamente. Mas não digo que um amor que durou pouco tempo não tenha sido amor verdadeiro. Nem insisto em forçar a barra, dizendo que um amor que foi verdadeiro ainda o é, sabendo que pensar nele só me faz mal, e achar que esse mal é temporário. O desencanto pode fazer tudo vir abaixo, mas em algum momento da minha vida, foi o sentimento mais puro que tive. Não nego, e não pestanejo em dizer: foi amor de verdade.

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sexta-feira, janeiro 06, 2006

Cadê Meu Coração?

Se ocê pergunt'onde tá meu coração,
Eu vou lhe responder, sinhora:
Tá por aí, avoaaaando...

Ora de óis aberto,
Ora de zói fechado, sonhando.
Ora águia, ora coruja
Or'urubu, agourando

Ora de presa, feito rato no mato
Que as cobra cega vê pelo chêro
Ora de peixe no mar dos tubarão
Com toda palpitação, sangrando tanto
Que se parece chorá!

Mas agora, nada, só anoitando
Pra aninhá na cama, de sono
Coração caduco, mei'doido

Ora paixão, ora prazê
Ora, e o amor,
Daqueles que é pra sempre,
Como se lhe é de direito,
Ele tá procurando.



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quinta-feira, dezembro 29, 2005

Vamos Deixar a Saudade Apertar

Aqueles dias já se foram
Mas 'inda tenho teu gosto na boca
As tardes de abraços
O vento no rosto
Sorrisos gostosos
A mão no pescoço
O cheiro
Que lembro ao passar por aí
Encontrando alguém que me lembra de ti
Fazendo da vida um retrato passado
No estanque das brigas
As mágoas passadas
Mas te desejo
Como sempre foi, aqui dentro do peito

Deixa a saudade apertar
Porque na superfície o mar é bravio
Mas lá no fundo as águas são calmas
Vamos deixar o tempo passar
Pra que te encontre mais tarde
E quando apertar a saudade
Não vai haver bobagem pra nos separar

Deixa a saudade apertar
Que lá na frente o sorriso virá
E no telefone a tua voz, chamando meu nome, dirá:

Venha cá, meu amor
Porque não suporto mais o calor
Do desejo de mim por você
Venha já que meu corpo é só pressa
Venha logo que a angústia não espera
Que meu suor quer lavar tuas mãos
Que hoje eu quero ser tudo
Ser teto, ser chão
Hoje eu quero acabar com a minha tristeza
Essa dor só tu podes curar

Vamos deixar a saudade apertar



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sexta-feira, dezembro 23, 2005

Planos e Revisões

Parabéns, mãe! (hoje é aniversário dela)

Ahan... Começando...
No início desse ano eu decidi voltar a estudar música, dessa vez muito seriamente. Queria até o final do ano ter o meu home studio completo, pra produzir algumas canções e me divertir um pouco. Esse foi o objetivo principal de 2006. Ao final do ano, aí vai o setup que montei:

- Aproximadamente 20 livros sobre música, entre songbooks, história e teoria musical
- Contrabaixo Fender Jazz Bass 73 Japonês
- Amplificador Hartke 140W para Contrabaixo
- Pandeiro Contemporânea de couro Série Ouro
- Bongô duplo Bauer
- Violão Yamaha C70
- Teclado Midi PCR M80 Edirol
- Placa de som MAudio Audiophile Firewire
- Caixas digitais monitoras de studio Roland DM-20
- Fone digital AKG K240S

Na prática, eu ainda não sei mexer muito bem no teclado nem na placa de som. Mas as férias estão aí pra isso. O programa escolhido foi o Cubase, com o qual já tenho um contato - tímido ainda, mas tenho.

Meu set de músicas por enquanto incluem apenas violão e contrabaixo. Têm aproximadamente 15 clássicos da música brasileira, entre Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Chico Buarque. Escutei muita música eletrônica - fusion, acid jazz, chillout, lounge... Tudo pra tentar entender como o computador se encaixa no som.

Fora isso, também queria melhorar minha qualidade de vida. Com a oportunidade de trabalhar num dos laboratórios da minha faculdade, tive a chance de estar em um projeto comercial com um ambiente de produção semi-acadêmico. Temos tempo para desenvolver software de qualidade e estudar novas tecnologias. Até agora, foi 1 ano trabalhando em uma área totalmente nova pra mim, como consultor.

Em Dezembro, me mudei pra Gávea. Morando em uma república novamente eu não preciso cuidar dos pormenores de um apartamento, e ainda há mais gente por lá. Estarei aqui 24hrs por dia, o que otimiza totalmente meu tempo. Uma bicicleta foi tudo o que precisei pra cuidar do meu tempo e do meu corpo. E por falar em corpo, entrei em um grupo de Capoeira, onde posso exercitar meu senso de ritmo, condicionar minha voz, ter contato com diversas pessoas e cuidar muito mais da minha forma. Em 2006, quero ficar "saradããão" e fazer muitas cambalhotas!

Abri minha própria empresa no início do ano. Isto significa que eu posso contratar pessoas e criar empreendimentos na área de Informática. Desenvolvi algumas idéias e projetos que serão implantados em 2006. Apresentei alguns dos trabalhos em eventos da faculdade. Encontrei alguns possíveis parceiros, e até firmei três sociedades promissoras para o próximo ano. A primeira começa de fato em Janeiro.

O coração, no entanto, tirou um tempo pra descansar, depois de algumas tempestades no ano anterior. Agora, eu tou pronto pra outra. ;D

No ano passado eu fui recusado para uma bolsa de intercâmbio na Espanha, por ter um currículo pouco acadêmico e mais mercadológico. Quando soube, eu disse que o plano B (ficar no Brasil) teria que ser melhor do que o plano A. Não tenho dúvidas de que isso aconteceu realmente. Por ironia do destino, estou com uma proposta de emprego mais do que certa pra trabalhar na Espanha. Mas dessa vez, isso vai ter que esperar. Tenho mais ou menos até Março ou Abril pra decidir. Se 2006 começar bem com meus planos atuais, será perfeito, e irei pra Espanha só pra passear. Do contrário, eu vou ter que fazer meu 2006 lá na Europa mesmo.

A propósito, 2006 é o ano da minha formatura! Aleluia!

Concluo que seja bem possível planejar e executar. As coisas não andam muito bem nos trilhos, mas se você tiver rédeas firmes, vai conseguir chegar em momentos áureos. Tem gente que se orgulha de dizer que as coisas estão difíceis, e que vai vencendo as dificuldades como pode. Mas eu sou um sem-vergonha mesmo: minha vida tá muito boa, e daqui eu só quero que melhore. Se puder continuar, beleza. Do contrário, vamos ter que executar o plano B, não é?? rs...

Graças a Deus, e boas festas a todos!

terça-feira, dezembro 20, 2005

2006, Ano do Risco

Em 2006, vocês talvez ouçam falar de algumas coisas como Sportmetrics, Teiaviva, Podoclínica ou outras mais confidenciais...

É começar, é começar...

terça-feira, dezembro 13, 2005

Seguros

Você paga seguros? O que acha que acontece quando todos pagam seguros? Os riscos ocorreriam mais ou menos?

Não seria prudente para um corrupto que, se fosse dono de uma seguradora, conseguisse que os riscos acontecessem com freqüência razoável, para que sua empresa conseguisse mais clientes?

Por exemplo: seria conveniente que quadrilhas de roubos de carros estivessem associadas com seguradoras de automóveis? Será que isso já não acontece?

O seguro de um carro, anualmente, nas melhores condições, é de 1/3 do valor do automóvel. Em um ano, para um número de, digamos, 100 clientes, suponhamos que haja o roubo de 10 automóveis. 30 clientes pagam os 10 carros roubados, os outros 70 dão lucro bruto. Seria possível até pagar para uma quadrilha roubar carros que não fossem de sua seguradora, para conseguir peças sobressalentes, e para garantir que mais pessoas contratassem seguros.

É claro que os resultados financeiros são, na verdade, muito melhores do que estes. Great business!

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Teiaviva

Durante minha apresentação, suas palavras foram:
"Nossa, ele fala tão bem sobre seu projeto... Parece que sai mesmo de dentro dele!"

Pois é. Saiu mesmo. Resta as pessoas captarem a idéia. Gostaria que um dia isso transformasse o mundo. Mas por enquanto é só pretensão.

O poder da computação é formidável. Mas as pessoas ainda não se ligaram em como pode ser formidável de verdade. Não se trata de fazer o Windows, ou o Linux. Trata-se de fazer o que as pessoas precisam para melhorar suas vidas de forma realmente significativa. Trata-se de criar algo que faça todos dizerem: "como eu vivi sem isso até hoje?".

Computação para o bem.

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Um Bom Bocado

Senhoras e senhores, com vocês:
The Anonimous Blogger.

Leiam, e deleitem-se.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Acontecimentos

Há as coisas que queremos que aconteçam,
Há aquelas que, se acontecerem, legal
Há aquelas que você nem quer, mas acabam acontecendo
E umas outras que infelizmente acontecem

Então, diga: qual dos acontecimentos
Lhe foram acometidos ultimamente?
E com que freqüência as surpresas lhe ocorrem?

sexta-feira, novembro 25, 2005

O Problema da Soma Zero

A gente tem o costume de achar que, no mundo, se um ganha, tem outro perdendo. Então, pra alguém ganhar muito dinheiro, outra pessoa tem que perder muito dinheiro. Ou, várias outras perdem dinheiro. Menos, mas perdem.

Então, leia este artigo. Achei interessante. Ele justifica um pensamento que tenho tido esses dias. Acho que o mundo vai entrar numa maré de produtividade muito grande, mas isso é assunto pra depois.

Ontem de manhã aconteceu uma historinha que ilustra um pouco esse artigo:

Fui a duas lojas de artigos esportivos, no shopping. Queria comprar uma calça de taktel para começar minhas aulas de capoeira - agora vocês entenderam porque choveu ontém, não é?? Pois bem. Nas duas lojinhas, que não deviam medir mais do que trinta metros quadrados, fui recebido com a frase "senhor, temos apenas esta calça da Adidas, que custa R$130,00". Experimentei exatamente a mesma calça nas duas lojas, com o mesmo preço abusivo. Cento e trinta Reais! Que isso?! Taktel de ouro?! Ainda saí com a certeza de que a Adidas não se preocupa comigo, já que as calças não serviram. Dane-se, não ia gastar essa grana mesmo, nem que na calça viesse escrito "Rodrigo, o gostosão".

Sabe pra onde fui depois? Pra Leader! Me senti num palácio! Todas aquelas roupas, e um monte de beldades andando pra lá e pra cá (mulheres de meia idade acompanhadas de seus filhos, diga-se de passagem). Lá, atrás de um painel cheio de carrinhos Hot Wheels, havia uma seção de roupas esportivas, escondida. Saí de lá com todo o kit "saradão de academia": duas calças de taktel e três blusas dry fit, tudo por felizes R$88,00! Eu praticamente refiz meu guarda-roupa por muito menos! Não sei mais onde guardar tanta roupa pra capoeira!

Uma calça como a da Adidas deve mesmo custar cento e trinta, né? Afinal, tem que justificar as campanhas milionárias de marketing. E pra cortar custos, barateia-se a fabricação das peças, que acabam virando produtos de péssima qualidade.

O consumidor inteligente acaba indo pra uma loja "povão" e compra quantas peças quiser, de excelente qualidade. Essas roupas da Leader têm a habilidade de não te deixar gastar mais do que cem Reais, não importa quantas peças você compre.

Se eu fosse a Adidas, forneceria as mesmas calças pra Leader também. Baixava o preço das peças e mudava a cor, só pra disfarçar... Não sei não, mas tenho a impressão de que ganhariam mais, hein?

Tou pensando até agora: será que a calça custava cento e trinta por causa do zíper na bainha? Aquele zíper de tornozelo era muito útil mesmo...

segunda-feira, novembro 21, 2005

Desperdício e Saturação

Às onze e meia da manhã de Segunda Feira, eu podia ver de onde estava, em um ponto de ônibus, o total de 30 táxis contados, na esquina da Praia de Botafogo com a Rua São Clemente. Estavam lá, na minha frente, lotando a rua, todos ao mesmo tempo, com o trânsito engarrafado - de táxis.

Preciso dizer que a maioria deles estava vazia??

Fácil entender porque as pessoas dizem "os dias estão difíceis": todo mundo quer fazer a mesma coisa, sempre.

segunda-feira, novembro 14, 2005

Sugestão de Leitura - Erradicando a Pobreza

Só uma sugestão de leitura para os interessados: Riqueza na Base da Pirâmide, de C.K. Prahalad. O livro explora o assunto através de estudos de caso, citando empresas do mundo inteiro, como a Cemex e as Casas Bahia.

Erradicando a pobreza com o lucro. Isso é capitalismo humano. Pra quem acha que é exploração das camadas mais baixas, faça o favor de ler o livro.

Quando entro no metrô Segunda de manhã e percebo que estou indo na direção contrária à da massa de gente, tenho a sensação de estar imerso em um mar de oportunidades ignoradas pela maioria.


sexta-feira, novembro 11, 2005

Micareta

As pessoas, cada vez mais feridas
Caem na folia
Beijam todos aqueles que detestam
E tornam-se um deles
Dançando todo o inferno que repudiam


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quinta-feira, novembro 10, 2005

Pena




Não sou muito mais bruto do que costumava ser
Só não perco mais meu tempo com afetos desentendidos
Mas se me abrir a janela, vou ofuscar meus olhos
Vendo aquela antiga luz entrar

Procuro entender tudo diferente dos outros
Tudo pra me ajustar, feito um esquizofrênico
Vejo a realidade que me sara da maneira que me convém

Não me diga que estou errado
Porque há muitas outras coisas boas
Que advém deste meu novo modo
Apenas perceba que não há outra maneira
Pois a praxis me tornou esta nova pessoa que conhece

O mundo vai se dar, girar e girar, e eu sempre serei puxado
Para dentro deste ralo
Somente por isso, preciso nadar.


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Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro)

Meu coração
Não sei porque
Bate feliz, quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo
Mas mesmo assim, foges de mim

Ah! Se tu soubesses
Como sou tão carinhoso
E muito e muito que te quero
E como é sincero o meu amor
Eu sei que tu não fugirias mais de mim

Vem, vem, vem, vem
Vem sentir o calor
Dos lábios meus
À procura dos teus
Vem matar esta paixão
Que me devora o coração
E só assim então
Serei feliz, bem feliz


Dessa eu gosto ;)

quarta-feira, outubro 26, 2005

Fala do Futuro (Poesia Argumentativa)

O futuro da propriedade é o aluguel.
Só haverá dois papéis: o dos locatários e o dos administradores.

Ser chamado "dono" talvez se torne até ofensa.
Quando os capitalistas se tocarem, ficarão perplexos ao pensar que o significado estava lá o tempo todo: "Ativo".

O futuro do governo é a transparência.
O dia em que houver gente com peito pra colocar um mural pro mundo ver as contas de seus líderes, essa pessoa verá seu país crescer despido.
Será tão vergonhoso lembrar da corrupção de hoje como nos é vergonhoso lembrar que sarna já foi mal comum entre os nobres de outrora.

O futuro da compra é a gratuidade.
Os custos estão cada vez mais baixos, e a produtividade, cada vez mais alta.
A concorrência, cada vez maior.
Isso é trabalho redundante.
Trabalho redundante em excesso é ineficiência.
Por isso, perdas.
Por isso, desempregos.
Por isso, recessão.
Se você acha que isso contradiz a primeira estrofe, é porque provavelmente partiu do bom e velho princípio: "Dinheiro".

O futuro da família são pais descasados, dividindo um teto e criando filhos como amigos, recebendo a visita de seus namorados.

O futuro do amor é a extinção do egoísmo.
Tanto daquele advindo do medo de se dar, quanto daquele advindo da vontade de se ter.

O futuro da desconfiança é a libertação.
Não é natural andar por aí achando que os outros não prestam, quando só você não percebe:

Quem não presta está no espelho.

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sábado, outubro 22, 2005

Com Mil Perdões Ao Termo, Mas...

Foda-se o seu conto de fadas.

-- Só assim mesmo pra tratar alguns assuntos.

quinta-feira, outubro 20, 2005

Domingo Tem Referendo

Sobre o Referendo, quero comentar isso:
1 - Estou surpreso de terem perguntado pro Brasil inteiro. Pra outras coisas muito mais importantes o Governo nem dá notícia...
2 - Voto "não", simplesmente porque é a idiotice máxima me dizerem que isso resolve parte substancial da violência no país. É, jogo lenha na fogueira mesmo.
3 - Se ganhar o "não", mais pessoas vão querer saber como fazem pra ter uma arma. Seria melhor nem ter perguntado. Bom, live and let die.
4 - Dane-se a mídia com sua mania de mostrar os últimos casos de civis armados. Por que não mostra os últimos casos de solidariedade? Talvez as pessoas se motivem a praticá-la também.

Quero saber três coisas sobre isso:
1 - Quem é que ganha se o "sim" ganhar? E quanto ganha?
2 - Quem é que ganha se o "não" ganhar? E quanto ganha?
3 - Que dois grupos são esses, que conseguem combater um ao outro a ponto de levantar um país de 160 milhões de habitantes pra votar sobre o livre comércio de armas?

Quem responder certo ganha uma bala!

Sinto cheiro de corrupção no ar...

sexta-feira, outubro 14, 2005

Temas

Se você não tem um tema, pode esquecer o resto.

sexta-feira, outubro 07, 2005

Frases Inúteis

Frases sem muito sentido:
Se tem uma idéia para mudar o mundo, não a realize em segundo plano
O dinheiro sempre sai do bolso de quem paga a conta...
Dos pais são seus filhos.

sábado, outubro 01, 2005

Lar

Naquele lugar
Que resolvi chamar
Realidade

Somos felizes juntos
E posso abraçá-la
Sentindo-nos
Como se fôssemos um

Não há nada de mais
Além de alegria
E encanto

Naquele lugar
Que resolvi chamar
Felicidade

Há tanto sorrir e tanto
Que O realizei um dia

Naquele lugar
Que resolvi chamar
Verdade

É onde resolvi te amar
Nesse lugar, onde estou
Sempre que fecho os olhos
E te confundo
Eu não sei se você é sonho

Os verídicos fatos
Deste sonho que vivo
Não é metade do bem
Daquilo que vivemos por lá

Naquele lugar
Pra onde resolvi lhe chamar
Você veio, e assim aqui ficou

Daquele lugar
Que resolvi chamar
Meus bracos

Você não quis sair
Se negou a dizer adeus

Daquele lugar
Que resolvi chamar
Nosso Lar

Você partilha o mesmo mundo
Você me olha com os olhos de sempre
Você me vê em meus olhos
Você talvez até se veja nos meus olhos
Onde eu sempre vejo você

Se haverá vida
Depois deste sonho ruim
Quero ir pra lá, onde é céu pra mim,
Onde fizemos a escolha certa,
E, mesmo que me esqueçam por aqui,
Perdurar

Naquele lugar
Que resolvi dedicar
A você

Eu te amo


Lirismo pouco isso que trato por amor.
E agora, cadê você que não está aqui comigo?

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quarta-feira, setembro 28, 2005

Olhos Vêem

Olhos podem somente ver
O que somente olhos podem ver

A boca por impulso fala
Mas somente quem no momento certo cala
Contribui com a afável convivencia

Você e eu,
Provando o estreito laço da união
Assim, diferentes, tornamo-nos imprevisiveis
Dizendo coisas obvias às vezes

Me entrego, e quero continuar
Como preciso do ócio
Porque o ócio me precisa
Como preciso do amor
Porque o amor me precisa
Como preciso do mundo
Porque o cotidiano me precisa
Como preciso cortar a rotina:
Porque tudo isto me precisa

Como me falta o chão
Como me falta o zelo
Zelo que fala ao mundo
Para que não seja esquecido
Os olhos não vêem isto

Não vemos a intenção dos atos
Mas pressentimos pela intuição ignorada
Que algo pode não estar certo

Estamos surdos
para o que dizemos a nós mesmos
Deixando que a obsolescência nos imprima
Um mesmo quadro
Para todas as estampas do contínuo tempo



Hoje é Quarta-Feira, e minha bateria já está acabando...

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domingo, setembro 25, 2005

Nokia Trends

São 6 da manhã. Acabo de chegar do Nokia Trends, e o evento foi um barato. Cansado, tranco a porta, chego ao meu computador, me conecto à Internet. Ele devia estar 24 horas online, mas algo acontece no meu Sistema Operacional - a conexão cai depois de algum tempo. Chega desse assunto, só quero escrever um pouco. Ligo o Winamp: Chet Baker, My Ideal. Melancolicamente, inicio uma redação sobre esse momento. Faz tempo que não deixo isso aqui com cara de diário. Ouço a música suave, e depois de todas aquelas batidas eletrônicas, era realmente o que eu precisava. Uma vassoura nos pratos de ataque, um contrabaixo acústico, um vocal sussurrado e, é claro, um trompete. Conheci umas pessoas legais ontem, e encontrei com dois amigos meus já de longa data. Dancei a noite toda, mas fiz a besteira de não ter almoçado, nem jantado. Dá pra imaginar a fome que tou sentindo...

Antes de ir à festa, fui à casa de um outro amigo, que casou há pouco tempo. Reuniãozinha regada a War, Procurando Nemo e O Último Samurai. Havia também os que jogavam poker, com apostas simbólicas de no máximo, 1 Real. Como não sou chegado ao carteado - e a partida de War viria depois - resolvi assistir a um pedaço do filme.

Essa noite não teve moral alguma. Ainda não tirei uma lição de nada que vivi nela. Mas estive com pessoas muito queridas, daquelas que só eventos como festas podem reunir. Passando por Deep In a Dream of You, entre outras músicas do Chet, lembro que não levava nada pra ler durante as viagens de ônibus de um lugar ao outro. Mania pra ocupar o tempo, mas penso ser uma boa mania. Como estava sem mochila, tive que dormir durante as viagens (justamente porque fiquei sem ter o que ler).

Variei de ambiente familiar a um ambiente NADA familiar. É realmente um choque de climas. Essa crônica não teve motivo algum, era só pra escrever um pouco. 6:27 da manhã, e acabo de reparar na camisa que vesti:

"Eu não ando só, só ando em boa companhia." - Vinícius de Moraes, no poema Para Viver Um Grande Amor.

E lembro de outra frase, que já coloquei por aqui:

"Tudo isso não adianta nada
Se nessa selva escura e desvairada
Não se souber achar a grande amada
Para viver um grande amor."

E antes que alguém pergunte novamente: não, eu não estou apaixonado.

quinta-feira, setembro 22, 2005

Ela Passou

Era tão linda, mas tão linda,
Que eu levei um susto
No sentido mais divino possível.

Certamente, também no mais efêmero.



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domingo, setembro 18, 2005

Mercados BOP

Sabe o que são mercados BOP?
Significa Bottom-Of-the-Piramid. Ou seja, os mercados vigentes nas comunidades pobres. Você não sabia que isso tinha uma terminologia no mundo dos negócios? Eu também não.

Pois então. Leiam abaixo:
Crescimento da receita. Crescer é um desafio importante para qualquer empresa. Hoje, porém, é especialmente vital para as muito grandes, cujos mercados atuais em muitos casos parecem próximos da saturação. Daí mercados BOP (Bottom Of the Piramid) representarem tamanha oportunidade para multinacionais: são, basicamente, novas fontes de crescimento. E uma vez que o desenvolvimento econômico nesses mercados está nos estágios iniciais, o crescimento ali pode ser extremamente exagerado.

Este artigo é considerado um clássico. Foi publicado na Harvard Business Review originalmente em 2002, e republicado em Agosto, numa edição especial sobre Responsabilidade Social.

Também pode ser baixado este artigo correlato , no site do Programa de Desenvolvimento para as Nações Unidas.

65% das pessoas do globo fazem parte do BOP, vivendo com menos de 2000 dólares anuais. Como seria se essas pessoas pudessem comprar mais?

Já havia falado sobre isso antes, mas não sob essa terminologia. Não tenho a autoridade de economistas de formação, tampouco da voz de organizações tão relevantes. É bacana descobrir que não sou o único com essa idéia maluca...

Isso tudo soa poético demais pra você?

segunda-feira, setembro 12, 2005

Estatísticas

Sabe aqueles carros que vemos por aí com a porta mal fechada?
Você já viu alguma dessas portas abrirem?

O que deve causar mais acidentes: as portas que se abrem de vez ou as pessoas que se distraem ao tentar avisar sobre o perigo de estas portas abrirem?

quinta-feira, setembro 08, 2005

Sem Vida

As pessoas não acreditam, e por isso não dá certo
Há muita resistência, e por isso não dá certo
A maior barreira é a descrença
Seja insistente, e o mundo vai embarcar na mesma loucura

Pessoas que não aprendem a andar
Pássaros que não aprendem a voar
Peixes que não aprendem a nadar
Plantas que não sabem respirar

Amantes que não amam
Lutadores que não lutam
Reis que não reinam
Servos que não prestam

Os rebanhos de gente são atores sem papéis
Autores sem histórias
Jogados no fundo do cenário, imaginação engavetada
Produzem e elegem eles mesmos seus heróis
Ejetados da consciência coletiva
Erupcionados na acne da adolescência e rebeldia

Seguir causas sem questionar
Praticar sem entender
Lembrar e não saber por quê
Sua biografia: milhões de páginas em branco

Disso é feito o mundo:
Alguns pastores de gente nos dizem o que fazer
Com sua memória milenar e restrita
Por isso amamos
Por isso lutamos
Por isso reinamos sob a insistência dos líderes
E a persistência dos que gritam incessantemente

Condicionar, lobotomizar, censurar
Livre, o pensamento aproveita e foge das cabeças do povo
Povo, um monstro esfomeado, guloso e ganancioso,
Com milhares de olhos e a metade disso em bocas esganadas
E se não fosse ordenhável, minerável, aproveitável,
Seria perfeitamente exterminável.

Ninguém sabe o porquê
Ninguém busca o porquê
Todos roem seus ossos contentes e rangem seus dentes
E enquanto não terminam, sabe-se
Não haverá o que pensar

O anterior passou, não existe mais
O próximo, quem sabe o que será?
Eu ou você, o próximo a partir
Não nos preocupamos
Nem com a nossa imortalidade
Tampouco com a mortalidade e a mortandade
De quem vive conosco


Enquanto multidões morrem no atacado,
Veja como o mundo é inseguro:
Lutamos todos os dias pra viver
Ataques naturais, gerra, fome, frio, radicalismo
Fundamentalismo e preconceito

Alguns sobrevivem no varejo
De nota em nota, contando o pouco que há pra compartilhar
Cantando o mesmo que há pra cantar
Sem hinos, sem bandeiras, sem governo, sem voto, sem próprio,

Sem vida.

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domingo, setembro 04, 2005

sábado, agosto 27, 2005

Os Sonhos da Estrada

Estive pensando esses dias, e concluí com Turbo: Carpe-Diem é muito mais do que parece.

"Aproveite o dia." Na maior parte das vezes, é confundido no seu extremo com ter uma vida desregrada e sem vistas para o futuro.

Eu caminho todos os dias da sala de aula até o laboratório, às 9 da manhã. Chego muito cedo à faculdade, e por isso não como nada em casa. Preciso sair às 6:30, no máximo, para chegar no horário certo. Sempre gostei do campus da minha faculdade, e é uma pena como o aproveito tão pouco. Uma das minhas vontades secretas (agora nem tanto) é poder passar o dia inteiro passeando no meio daquele verde todo, muito lindo e muito bem cuidado. Bem, eu chego à PUC e vou direto pra para a classe. E ao sair, tenho um roteiro bem definido: passo no Gourmet, um restaurante do campus, e como alguma coisa, antes de ir para o trabalho.

Uma frase, "aproveite o caminho", começou a me assombrar, à medida que eu passava por ali com uma pressa ilógica. Comia rapidinho, abaixava minha cabeça e corria pro laboratório. Com toda aquela beleza passando na minha frente todas as manhãs, acabei sendo vencido. Hoje, todos os dias, ao ir para o lab, eu vou calmamente até o Gourmet, por caminhos diferentes, observando todo o verde. "Aproveite o caminho". Ao pedir minha típica vitamina de banana com aveia, aguardo do lado de fora, sentado na calçada da nova capela, tomando Sol e admirando as árvores. Em dias de céu muito azul, se você olhar pra cima em frente ao restaurante, verá um incrível contraste das copas das árvores com o céu. Parece um lago com raízes mergulhadas.

Aliás, tem algumas fotos boas tiradas no campus:
Céu Amplo
Morros
Moldura Para o Céu
Folhas Brancas
Bambus Vistos de Baixo
Flor
Ente
Nature Is Great
Bernard, Ana e Leonardo

Depois de comer nas mesas da varanda, saio tranqüilo e ando até o laboratório enquanto aprecio os jardins. Aproveito o caminho, como disse a frase na minha cabeça.

Agora, generalizando... Lembra daquele ditado: "às vezes, escalar é melhor do que ter chegado ao topo"? Temos sonhos, não temos? Eu, pelo menos, tinha o costume de tentar viver o futuro no presente. É a tal preocupação. Isso não acontece comigo há algum tempo. Continuo com meus vários planos, e realizo uma parte deles quando dá. Aí, reparei: todos os passos dados são cenários. Cenários desejáveis por uma pessoa. Todos eles são, portanto, um sonho realizado em si mesmo. Então, ao invés de aproveitar um só (no final), por que não aproveitar os sonhos que você colhe enquanto caminha?

Ouça Águas de Março, e imagina só quanta coisa a gente perde por andar pra frente sem usar o "Carpe Diem" como deveria ser. É isso.

sexta-feira, agosto 26, 2005

Onde Chegamos

I've come to the end of the line
there's too many men,
despair in their faces.

Each one of us hoping to find
a life, a home, a dream
a place to be.

End Of The Line - Camel


Frase ouvida ontem: "É impossível tomar um chope sem vir alguém te pedir uma esmola".

... O tal capitalismo é curioso mesmo. E mesmo quem não pede esmola sofre do que a letra fala.

quinta-feira, agosto 25, 2005

Um Quê de Felicidade

Passou e me arrebatou
Pelos ares do campo
Pela leve chuva da relva
Pelos cachos dourados de seus cabelos

Brilhava de leve a fada
Que me carregou
Brilhava o sorriso da paixão
E por um momento fui feliz

A pele mais suave
O rosto mais lindo
Havia em seu nome
O apelo da mais pura inocência

Havia tudo aquilo
Um momento perfeito
Onde não havia carros
Onde não havia asfalto

Apenas um leve diálogo
Um sorriso, um obrigado,
Um até logo,
E um breve sentimento desvelado

Debussiniando o amor
Foi como ouvir seu lento piano com os olhos
Em um minuto que durará toda a eternidade.



Deixando fluir um pouco da minha veia idealista e platônica, sob doses controladas e prescrição homeopática. Escrevi sob influência de um breve momento, onde a chuva mais chata não podia ter caído melhor. Um bom momento e uma boa impressão merecem uma cristalização dessas, não acham?

:-)

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segunda-feira, agosto 22, 2005

WorldChanging: Another World Is Here: Ribbons, Sheets and the Nanofuture

WorldChanging: Another World Is Here: Ribbons, Sheets and the Nanofuture

Fantástico! A Nanotecnologia é definitivamente o próximo passo :-)

Gostaram do novo visual? Ainda tem uns probleminhas que a maioria nem vai notar, mas tem... E será ajustado!

quinta-feira, agosto 18, 2005

Podia Ter Sido Eu

Kitesurfando...

Youtube. Novo serviço de vídeo da mesma galera que criou o Flickr. Animal!

Não contei que eu fiz uma aula inteira no Sábado, né? Daqui a pouco tou indo pra água! ;D

Grandes Poderes Trazem Grandes Responsabilidades

Começou a Mostra PUC. Um evento que reúne várias empresas no campo da universidade, a fim de recolher currículos para vagas de estágio e trainee. Para quem ainda não começou no mercado, é uma ótima. Também há palestras e shows ao longo do evento.

E por falar em palestras, resolvi assistir a uma ontem, sobre liderança. Não me interessava o blábláblá sobre liderança, mas interessava muito saber mais sobre a empresa palestrante, uma das grandes no mercado de Capitais. O diretor operacional era a cara mostrada (acho que é o tal CEO que todo mundo fala).

O que aprendi de bom? Vamos às partes mais importantes.

O cara começou com uma lição sobre um jovem trainee de 21 anos que derrubou um gigante conquistando U$ 10 milhões para a empresa em menos de 1 ano, e que não se contentou com seu prêmio de apenas U$ 25 mil (apenas??) frente ao seu sucesso. A base do argumento do fatídico CEO era:

As pessoas são arrogantes e imediatistas. Deve-se construir uma carreira de longo prazo, sem cobrar uma confiança incabível. Deve-se pavimentar a estrada de sua vida.

Ok. Tomei nota, já que ele chegou lá, e eu não.

O primeiro furo foi logo aos 5 minutos:
600 milhões de pessoas conectadas à Internet. O mundo está online!

Mentira. Se ele soubesse um pouquinho mais de geografia e um pouquinho menos de sensasionalismo e retórica, pensaria que só a China tem quase o dobro de habitantes. Ele considera esse número um grande mercado. Eu digo: é pouco. Convivo com 6,5 bilhões de habitantes no mundo (thanks to Google) e ele me dizendo uma frase dessas. Palhaço.

Qual é a do capitalista? Tá a fim de conseguir mais gente pra quem possa vender? Ora, ora... Não há mais mercados consumidores a serem conquistados. A próxima onda do capitalismo é o desenvolvimento dos mercados emergentes. Desse ponto de vista, é de suma importância que se veja os outros bilhões de pessoas no mundo sem acesso a Internet. Milhões de pessoas que não têm nem o que comer, mas que se pudessem comprar seria uma baita força consumidora.

Onde estão os capitalistas que pensam? Vamos criar mercados, e não depredá-los, nem mesmo desprezar os mercados potenciais. Essa história se parece muito com a do desmatamento. O desenvolvimento sustentável passa por manter a qualidade de vida das pessoas ao redor do mundo. O que faz a economia local não é o dinheiro, mas sim a transação. O importante não é a reserva, mas o ato da compra. O interessante é que todas as pessoas possam comprar. Se todas as pessoas do mundo, do nada, passassem a poder consumir, acredito que entraríamos em um ciclo enorme de escassez. Se essas pessoas pudessem ser educadas a fim de aprenderem um ofício, elas próprias seriam consumidoras e produtoras. Novos mercados, mais desenvolvimento, melhor qualidade. Isso só pode ser desenvolvido aos poucos.

Coisas culturais da sociedade dominadora... "Ah, mas ele é do mercado de capitais, não está interessado no desenvolvimento de novos mercados". Pois se não está, deveria! Quer especular? Bota mais meio milhão de pessoas jogando na bolsa. Quero ver se o preço das ações não sobe. Escassez é escassez, não importa onde.

Mas o que interessa aos capitalistas malvadões é mesmo que as outras pessoas não tenham propriedades. Quem tem dinheiro não quer que o colega o tenha, porque será muito melhor se este tiver de obedecê-lo. Curioso isso, mas acho que faz sentido. Mandar faz bem pra alguns. E eles se privam de muitas coisas boas que a igualdade traz. Ser igual, por exemplo, afasta o medo da perda, o ciúme e a vaidade. E não tira minha individualidade.

600 milhões de pessoas conectadas à Internet. O mundo está online!
Ponto negativo pra frase do CEO de araque. Pra quem ainda não sabe matemática, vou reformular a frase:
600 milhões de pessoas conectadas à Internet. Menos de um décimo do mundo está online!
Espalhem essa boa nova! Ainda tem muita gente pra quem podemos vender computadores! A maioria tem só que conseguir juntar uma graninha.

Será que os EUA não têm vergonha dessa estatística? Cadê a marra de nação poderosa que traz benefícios à humanidade? Como diria D2 (que não aprecio tanto, confesso): Essa marra que tu tem, qual é?

Continuando, ele tenta ocupar os 10 últimos minutos da palestra dizendo que é fã de homem aranha. Engraçadinho, coloca as fotos lá e todo mundo... Todo mundo não, só quem estava no auditório. Umas 60 pessoas... Ah, você entendeu: todo mundo ri. MAAAS há uma lição a ser dita na história da picada radioativa.

Ele começa. Conta cada detalhe da história inicial de Peter Parker no primeiro filme do Homem Aranha que saiu nos cinemas. Alguns flashes:

Garoto franzino, que é picado por uma aranha radioativa e de repente ganha um poder nunca antes possuído por alguém (...) Inventa uma fantasia, vai a um ringue, se prende no teto de cabeça pra baixo - em sua nova perspectiva de mundo - e derruba lá o gigantão com a maior facilidade. (...) Na hora de pegar o prêmio, chega no escritório do capitalista malvado e recebe uma quantia mínima. O homem lá ri dele e o manda embora com aquele trocado (...) De dentro do elevador, ele vê o assaltante do homem saindo do escritório com todo o dinheiro arrecadado. Ele era o homem aranha, e podia pegar o bandido, que passou na frente dele. Mas se negou a fazê-lo. Mais tarde, o assaltante mata o seu tio, e vem a grande lição: grandes poderes trazem grandes responsabilidades (...) Ele não ganhou o suficiente pelo que fez, mas não deveria ter retribuído na mesma moeda."

Fiquei me perguntando... Será que o Homem-Aranha era um jovem trainee de 21 anos que derrubou um gigante de U$10 milhões no Banco Pactual e recebeu só U$25 mil de bônus?
Que papelão. O cara começa a palestra com uma historinha e um argumento pomposo, e termina desmentindo-a. Como a vida é figurativa, não é mesmo? Não enxergamos evidências embaixo do nosso próprio nariz.

No Pactual, esse CEO era o capitalista. Na história do Homem-Aranha, ele torce pro herói.

Ou ele realmente concorda com o Peter Parker - e no fundo deu razão ao trainee que queria um bônus maior -, ou simplesmente torce pelo herói por uma mera convenção social, de que os heróis devem ser acreditados. Eu não ficaria feliz em ser liderado por alguém assim. A palestra foi um fracasso, do início ao fim.