sábado, fevereiro 26, 2005

Isso Não Se Ensina, Seu Bosta!

Chuveu que abarrotô
Foi tanta água que meu boi nadô


Vocês já assistiram a um show, ou pelo menos ouviram as músicas do Cordel do Fogo Encantado?

Ontem fui ver. Assistir ao show desses caras foi uma baita surpresa. Todo mundo havia me alertado o quão diferente é a arte desses pernambucanos. Fiquei satisfeito de ver: uma produção que não envolve somente a música, mas também a performance. É impossível assistir esses caras sem ter a impressão de que algo muito estranho e diferente aconteceu. É quase um teatro. Há música, há poesia (muita poesia), e há percursão (muita, muita percursão). Devia ter uns 30 tambores ao todo, de todos os tipos, no palco. E todos foram muito bem usados. Cordas? Só um violão, que em vários momentos também virava instrumento de percursão. Nossa, muito diferente mesmo, eles sabiam o que estavam fazendo em todo instante.

Ah, também havia as cordas vocais. Não sei o nome de ninguém ainda, mas como voz, não era tão impressionante. Em contraste, a performance desse vocalista "palhaço" foi alucinante. Ele era o próprio personagem das canções, cujos olhos brilharam enquanto o povo cantava as músicas. Eles próprios ficaram muito impressionados com a performance do público. As pessoas que foram assistir estavam muito mais interadas do que o esperado pela banda. Resultado: uma explosão de som nas batucadas infalíveis dos componentes, conduzidos pelo carisma do nosso palhaço, e sustentado por coros, pulos e palmas da platéia. Foi de arrepiar!


Semana que vem começam as minhas aulas.

A expressão tem importância mais do que vital na vida do artista. A formação, de fato, se dá muito mais pelo cotidiano do que enquanto se procura cientificar o saber. As maiores impressões, as lembranças mais traumáticas (não no sentido ruim, mas no sentido de marcar uma memória) certamente são a base do desenvolvimento de qualquer um. E lá estava eu, na escadaria dos doidões da Lapa, sentindo o cheiro de toda aquela loucura e percebendo a névoa de uma confusão, que em maior parte é desproposital. Todos os gestos e costumes me lembraram a mesma garota, que me marcou, mas não por eu ter sido apaixonado por ela - isso jamais aconteceria. É impressionante como todos os "broders" que fumam um baseado se parecem. E não importa se estão no Rio, ou em Sampa, ou se são de fora. Isso é intrigante. Tá, só um pouquinho intrigante ;)

E como conversar com doidões quase nunca leva a lugar nenhum, eu dispensei a companhia dos outros pra conversar com um molequinho que veio me vender chicletes. Ele tinha uns 11 anos. Havia outras crianças também, e resolvi parar pra conversar com elas, já que estavam sóbrias - mas não imaculadas. É realmente uma pena, que ensina tanto o que é bom quanto o que não é.

Vou inventar alguns nomes e vocês fingem que conhecem.

A Márcia disse que era mulher do Ricardo, que estava vendendo os chicletes. A Glória disse que era amante. Ricardo disse que era tímido, e que não gostava dessa brincadeira. Falou também que dava uns beijinhos por aí, mas que ficava com vergonha quando elas diziam isso na frente dos outros desconhecidos. Os três tinham 11 anos, em média.

Ricardo disse que preferiria dar o dinheiro que ganhava a gastá-lo com álcool, ou drogas. Ricardo, uma criança de 11 anos de idade, estava tão oprimido pelas experiências daquele lugar, que não me olhava nos olhos enquanto conversávamos. Com o tempo, ele pegou confiança e o olhar já não era mais uma preocupação. Enquanto isso, os doidões conversavam entre si, passando por vários assuntos, todos eles irrelevantes - categoricamente irrelevantes - que eu estava aturando antes.

Não estou discriminando nem culpando, dizendo que eles deviam procurar algo de útil pra fazer. Só que o assunto tava tão chato que preferi conversar com crianças. Ponto.

Ricardo foi a cena de descaso da noite, pra mim. Ele dependia de dois reais e quinze centavos pra voltar pra casa. Não sei se estava mentindo, mas resolvi fazer a minha parte, encarnando o beija-flor, e dar até pouco mais do que ele precisava, cedendo todas as moedas da minha carteira. Não fiquei com os chicletes. Podia ter sido mais ainda, claro. Mas esse pouco foi de uma satisfação enorme para o moleque. De serviço terminado, ele podia agora ficar ali sem fazer nada, e então ficamos conversando mesmo, enquanto ele não se decidia por partir. Deveria esperar outros amigos, eu acho. Voltariam pra Santa Cruz, ainda.

- Você tem irmãos?
- Nove.
- E consegue lembrar o nome de todos eles?? - AAAAah, mandei mal pra kct!
- Consigo, ué!

- O que você vai ser quando crescer?

A única coisa que ele sabia é que queria ser "alguém na vida, ué". Mas ele não sabia o que era ser alguém na vida. Não sabia o motivo. Não sabia nem por onde começar.

- Quero ser alguém na vida, ué. Só não sei ainda o que vou ser.

Resolvi compartilhar algumas das minhas experiências, e tentar marcá-lo positivamente, de certa forma. Expliquei a ele a fórmula básica: divirta-se com coisas que faça diferença na vida das pessoas. Pouco a pouco, ele conseguiu revelar seu sonho:

- Eu quero ser consertador de vídeo game.

Impulso? Não sei. Mas já havia sido diferente da resposta anterior.


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sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Ciclos de Vida

Nasceu Maria Eduarda!
Êla garota preguiçosa! Depois de ter sido marcada a data de nascimento da Maria Eduarda, mistura de Vina com Marcela, pra dia 6 de Fevereiro - tá, ia ser presente meu - A menina espera mais 10 dias pra sair da barriga da mãe. E à força, pelo visto!
Isso é ter medo do mundo. O resto é bobagem.
De qualquer maneira, nasceu cheia de saúde, e pelos pais que têm, com certeza é linda! Vou visitá-la esse final de semana. E PIvo, o padrinho-todo-bobo, que se cuide! Parabéns aos pais, e ao padrinho! :)

Ontem cheguei à real conclusão de que quero ter 4 filhos, no mínimo.

Três aquisições da semana:
Solos do Brasil - Hermeto Pascoal, Sebastião Tapajós e Gilson Peranzzetta
Monk Alone: The Complete Columbia Studio Studio Recordings of Thelonious Monk (1962-1968)
Vinícius Anos 90


Songbook: Tom Jobim vol.1 ( Só falta mais 1 pra completar a série)

Ouvindo o Monk nesse instante.

Ontem escrevi algo (!!)
Isso vai ser musicado, em homenagem a uma garota fantástica. Todos já conhecem bem a história, então não há porque ter segredos.

Carol, esse é um presente pra você ;)

Desencanto

Assumo
Que somos assim iguais
Que pelo tudo que vivi
Sonhando te encontrar
Nunca mais, nunca mais
Veria alguém assim

Assumo
Que tudo prometi
Eu te prometi o mundo
E qual mágoa te causei

O desencanto, o desencanto

Das palavras abusei
O teu corpo que senti
Era tão meu, tão meu
Confesso que sofri

O nascer do desencanto
Fez das cores preto-e-branco
Do silêncio, uma distância

Os meus olhos desviei de ti
Minhas costas eu te dei
E teu coração parti


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Essa noite eu sonhei um sonho meio louco (mais um da série) com amigos e uns primos meus, que nem sei por onde andam. Figuraram no sonho:

Kiki, Vinícius, eu e Pamps.
Estávamos andando de carro pelo bairro onde morei, o Conjunto da Marinha, em Campo Grande. O lugar estava bem caído, com vários "puxados" construídos em anexo aos apartamentos (similar aos do Sapo, favela próxima ao simpatissíssimo bairro Jabour, onde moram meus pais hoje, e pra onde vou sempre que posso). O ponto alto dessa volta foi o Kiki, subindo uma ladeira impossível de ser subida por um carro, por conter pedras e mais pedras. ;)

Também passamos na casa de Valesca. Lá estavam Amaro e Vanessinha, Valesca e Juninho e era aniversário de alguém. Amaro me dava "dicas" de relacionamento (dizia que o homem devia ser cafajeste), enquanto enchia Vanessinha de adulações (oh, que coisa mais Potengi!). Novamente, dei um CD de presente pra Vanessinha.

Passamos na casa da família de meus primos, a tia Célia. O tio Neca não estava mais lá, mas a casa estava muito cheia. Poutz, vários amigos dos meus primos, e chegamos de surpresa. A Renata tá liiiiiiiiiinda! Ora, sempre foi mesmo! Também estava proporcionalmente tímida ;)
Marden e Fábio estavam lá. E a tia Célia também, toda parecidona com minha avó, só que mais gordinha. Estavam preparando um churrasco. Rapidamente, Kiki, vinícius e Pamps sumiram no meio do pessoal, e eu fiz questão de cumprimentar um a um. Nossa, foi mesmo como matar a saudade! :)
De lá, fomos a um restaurante Japa, em Ipanema. Ipanema no sonho ficava a uma praça de distância de Campo Grande. Hehehehehe...
O Japa tinha até nome, mas agora me foge à cabeça. Acho que era Tanaka mesmo. E lá, comendo sushi e churrasco (!!) um dos amigos não identificados dos meus primos me diz que eu o ajudei a levar um som (!!) cantando (?!), enquanto ele tocava seu "harpejo russo" (sei lá o que é isso!). E isso fora há dois anos, de acordo com o que ele me dizia. Ele próprio cantou a música, que eu não lembro agora. Mas eu nunca tinha visto a criatura, e insistia com ele dizendo que não me lembrava disso.

Fim.

Post Morten
+ Lamentamos muitíssimo e sentimos pela partida de Sérgio. Espero poder ajudar meus amigos (seus filhos) no que for necessário.

sábado, fevereiro 12, 2005

Foi Carnaval

E também foi meu aniversário. Obrigado a todos :)

Todos os cursos poderiam ter mudado, se as borboletas no Japão tivesem batido as asas.
Pelo menos meu Tangerine Dream Discography tá em 92%.

A vida nesse momento por mim definida é: uma grande ironia.

Cheers!

Sim, estou desconstruindo a harmonia, e descobrindo o quanto é essencial entender o funcionamento de sucessões de acordes. Mas na verdade, são sucessões de acontecimentos que emotivam estes mesmos encadeamentos.

Hoje durmo com um corte. Amanhã acordo melhor. E o que seria da vida se não fossem as distâncias cruzadas por nós, sob todos os aspectos? O que seria de uma nota, sem saber que existe a próxima? O que seria da vida sem a morte? No fundo, tem tudo a mesma origem, e dista uma da outra somente pelo tempo.

Tempo perdido. E vai-se o ritmo. Q mesmo este é ditado de forma concordante, sob alguma batuta celestial. Sob os auspícios de conspirações para o bem da humanidade.

Todos os dias quando acordo...

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

Argumento da Decepção

Gostei do que a Nany falou do último post. Bom, vou retomar o texto passado. Vou tentar compor um argumento, com base nos achados que ela trouxe ao post.

Decepcionar-se é provar que você estava errado.
Correto.

A decepção é um erro.
Pra mim, a decepção aponta um erro. Ela não é o erro em si. Se a decepção é a prova de que estávamos errados, como pode a própria prova ser errada? Se a prova do errado é errada, então não temos nada para falar do errado. Ele pode até mesmo estar certo. A decepção é uma forma de "luz vermelha", que acende para que notemos que nosso pressentimento está errado. Isto mesmo, errado.

O pressentimento nos guiou erroneamente.
No caso em que o pressentimento nos indica o caminho errado, ele próprio não é um erro. O erro é conteúdo fundamental do pressentimento. É o fim que esperamos do tempo. O pressentimento é apenas um motivador. Sua essência pode ser equivocada, mas pressentir é natural. O hábito de pressentir não pode ser suprimido. Do contrário, nos sentiremos perturbados por ele. E utilizá-lo como pretexto principal de nossas ações pode ser uma desculpa ruim para nossos fracassos.

O que há de errado, então?
Revisão: a decepção nos confirma que o conteúdo de nosso pressentimento é um equívoco. O que "preenche" nosso pressentimento vem de duas famílias de coisas: as internas e as externas. Por internas, acredito que a moral e o raciocínio são duas das ferramentas que usamos pra processar o que há externamente. E nosso canal de entrada é a percepção; a sensibilidade. Quanto mais sensíveis, mais informações externas coletamos.

Se você colhe evidências e processa-as de forma errada, então isto se dá como erro pessoal. O substrato desse processamento preenche seus pressentimentos, no momento em que tentamos adivinhar o que há por vir. Se você coleta informações e processa corretamente, mas estas informações não estão corretas ao chegar, então isto pode ter sido motivado por insensibilidade necessária ao fato. Ouvir um pagode pode exigir muito pouco de seu ouvido. Ouvir um clássico certamente vai exigir muito mais. Se você acha música clássica ruim, então provavelmente não está interessado em abrir sua sensibilidade à música verdadeira. Se você gosta de funk, paciência.

Mas e se tanto a sensibilidade quanto a criatividade (processamento) dessas impressões externas não estiverem errados? Vamos às externalidades.

O que há entre a luz e seus olhos são as cores. As pessoas transmitem as cores da maneira que desejam. Assumo que este canal seja perfeito para que vivamos, então não causa perdas de informação. Mas o que o outro transmite pode estar equivocado. Este é o fruto de duas coisas: falta de sinceridade, ou resposta a algum estímulo errado que esta pessoa recebeu de você, em uma interação anterior.

De maneira geral, quanto mais sinceros somos, mais sinceras as pessoas tendem a ser conosco. E quanto mais sombreamos nossos verdadeiros motivos, mais os outros se desviarão do bem em suas ações. A transparência é o que chamo "o bem". Um canal limpo, onde a informação flua sem problemas.

Desta forma, pode configurar-se como erro as nossas intenções, e não o ato de pressentir, ou o de se decepcionar. Erramos no caráter, fundamentalmente. E quando erramos, desviamos o curso natural das coisas. O bom curso - e daí não podermos confiar nos estímulos, até que limpemos o canal. Até que nos façamos transparentes novamente.

Um erro nosso leva a outro - nosso ou de outra pessoa.

Mas se as intenções são boas, nossos erros desfazem-se ao nos mostrarmos dignificados pelo arrependimento. Ao pedirmos perdão. Porque erramos, mas inconscientemente. Como diria Sócrates: erramos por ignorância.

Pressentir não é de maneira alguma errado. Nossa curiosidade é motivada pelo pressentimento de que será bom se soubermos tudo o quanto há no universo. Este pressentimento é o que nos leva a evoluir, então seu substrato é essencialmente bom. Ter conhecimento dos fatos é deter poder. Você pode vendê-lo ou dá-lo. O que importa é que você propague, e receba o quanto quiser receber por isso (ou o quanto puder). Mate a curiosidade de outra pessoa, e você estará satisfazendo a ordem evolutiva. Mas por favor, não o detenha. Deter conhecimento é como interromper o curso de um rio. Sim, você pode querer extrair energia dele, e com isso se sustentar, mas faça de forma equitativa e auto-sustentável. Este pressentimento primordialmente correto, na minha opinião, não poderia ter sido preenchido em nós por nós mesmos. Pra mim, são partículas divinas.

Sendo assim, ache, pressinta, procure, busque, e peça desculpas quando se mostrar idefeso quanto às suas falhas (de caráter e consciência, até). E de forma reflexiva, perdoe ao se decepcionar, sempre.

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Saí de Férias e...

Quando eu comecei minhas férias, estava disposto a fazer três provas de certificação. Essas provinhas, que quando você faz, ganha um documento (o certificado), que "prova" que você sabe.

Vamos ver o saldo. O que eu fiz, afinal??
- Tirei a primeira certificação - Essa era um "abre alas", pra eu poder fazer as outras
- Abri uma empresa
- Mudei de emprego - esse aqui usando coisas que eu ainda não conhecia direito, e num ambiente acadêmico, que mais cheira a pesquisa do que trabalho
- Registrei um domínio junto com dois sócios
- Dei duas palestras - Uma online e outra presencial. Cerca de 60 pessoas, somando as duas.
- Li Deuses Americanos - excelente
- Li O Elogio Ao Ócio
- Li A Conquista da Felicidade
- Li A Reinvenção do Bazar
- Comprei meu violão novo
- Ouvi novos estilos de música
- Estudei o songbook do Tom Jobim
- Estudei o songbook do Vinícius de Moraes
- Estou fazendo exercícios de violão, já de olho no piano
- No aguardo da chegada do meu mais novíssimo livro Harmonia, de Arnold Schoemberg (acho que é asim que se escreve)
- Comprei um afinador eletrônico e metrônomo (medidor de compasso)
- Comecei uma nova composição
- Me reuni com os amigos com maior freqüência

Acho que foi isso. E agora, decidi ir pra São Sebastião, no carná. São Sebastião do Rio de Janeiro.

Minhas férias na faculdade estão terminando, e estou começando a captação do primeiro projeto pra minha empresa, e quiçá um investidor - este último é só uma hipótese.

E quanto às provas de certificação??? Bom, minha qualidade de vida está melhor, estou aprendendo muito mais estudando música do que me metendo em trabalho por mais de 8hrs/dia, meu desempenho no laboratório tá bem legal e de mercado também. Eu simplesmente chutei o balde com relação às minhas obrigações de provas, e aparentemente tudo melhorou. Busquei qualidade de vida, e aparentemente isto surte um efeito em todas as outras áreas da minha vida.

Onde eu quero chegar? Ah, lugar nenhum. Isso é só um review das férias, medindo o que foi bom e o que não foi.

E quanto ao que NÃO foi bom?
É, a sensação da semana passada inteira não foi tão boa, até a Sexta do Grito.

Daí, numas linhas de conversa com a Freak me saiu o seguinte diálogo (solenemente editado):

- O que você faz quando fica muito chateado com alguém? - Freak.
- Evito me chatear, antes disso. - Eu.
- Mas e quando você se decepciona?
- A decepção... É elemento não esperado, concorda?
- Sim, concordo.
- Será que a decepção e a surpresa são sentimentos da mesma família?
- Provavelmente.
- E enquanto ruim, a surpresa na verdade se revela decepção.
- É, acho que é isso.
- Então podemos convencionar que a surpresa por si só é boa. E a decepção é uma surpresa, mas ruim.
- Talvez.
- Mas o que causa uma decepção?
- Um erro, algo negativo que você não esperava que acontecesse. Geralmente vindo de alguém.
- Erro. Então, faz o seguinte. Faça sempre o que acha bom. Sempre. Não se convença de que o "mais ou menos" é o bom, porque não é (pelo menos não pra você, sabendo que há coisas melhores). Se vc faz o que é bom, entao quando algo sai errado e vc sabe que fez o bem, entao pode assumir que:
1 - Voce errou inocentemente.
2 - A outra pessoa errou.
A primeira é passiva de perdão. A segunda, de perdoar.

sábado, janeiro 29, 2005

Desvairados

Cheguei ao Tec às 8 da manhã.

Ninguém por lá.

Esperei. 10:30 aparece a primeira alma.

Almocei com amigos de faculdade ao meio-dia, precisamente. Diálogo rápido:
- E ae, cara? Como você tá?
- Ah, tou bem! Sabe, fiz uma coisa que não fazia há um tempinho. Mandei flores, e um cartão com uma poesia. Fiz uma declaração...
- Flores?? - Um terceiro descuidado, que nunca vi na vida.
- Sim, flores... E quem é você?
- Ah, mandar flores é meio caído.
- Hmm. Pois é. Não fiquei com a dita cuja. Mas isso não importa. O que importa é que fui do jeito que eu gosto de ser. Fico feliz de saber que vivo bem, e que faço o que quero, mesmo que não pareça o adequado aos olhos dos outros. Não fiquei "bolado" de ter sido sumariamente chutado, quero mais é ser eu mesmo. Pronto, passou.
(Risos generalizados)
- Vai pra onde, no Carnaval? - Meu amigo, retomando o assunto.
- Visitar um amigo. Abriu um bar numa cidade pequena, e quero tocar algumas músicas com ele. Bossa Nova, como sempre.
- E aquele cara que você me falou? Miles Davis, né?
- Ah, não... O Chet. É música lentinha, só pra curtir. Mas tem uns beebops do cacete também. Tu vai gostar.
O desavisado me olha com cara de estranheza.
- Nossa, olha só essa luminária! Com essa chuva, vou acabar dando uma de Gene Kelly - Me penduro de lado na luminária antiga preta, em frente ao Gávea Trade Center, e enquanto a chuva cai, eu estico o guarda-chuva e começo a cantarolar a trilha sonora clássica do filme.
Gargalhadas, e o desavisado achando que eu acho que vivo há 40 anos atrás, pelo menos.
- Pô, maneiro, maneiro. - Eu, terminando de me divertir.
Almoço. Colheradas, garfadas, cortes no filé.
- Cara, um amigo meu outro dia estava em frente ao computador, gargalhando sozinho. Enquanto jogava Pac Man! Pac Man, cara! Não tem cabimento! - O desavisado, a quem ninguém havia perguntado nada.
- Cara, você tem um grande problema com manifestações de emotividade e expressões espontâneas. Deve ser um recalcado do tipo que não consegue abraçar um amigo porque acha que é viadagem.
O desavisado ficou sem graça.
- Viu? - Eu estava mesmo esperando a deixa, desde que ele me falou mal das flores ;-)

(...)

Às cinco da tarde peguei meus documentos da empresa. Agora posso assinar uma nota fiscal. Prepare-se, mundo! Agora posso vender meu know how!

(...)

Comprei dois cds novos:
.Chet Baker Quintet (excelente)
.Chet Baker com Stan Getz (sem comentários)

Um livro de música:
.Patterns For Jazz - Resolvi começar a comprar livros, é o único jeito de aprender mesmo :P

(...)

Aprimorei um pouco mais da minha nova composição. Essa eu faço pelo prazer, não por alguém. Ainda não tem nome, mas já nasce com uma linda carinha de música que marca.

(...)

Encontrei uma amiga, a Samy. Com o namorado novo dela, que eu tenho certeza de que conheço de algum lugar. Bate papo pra lá e pra cá, lembro que havia descoberto que o mundo de tecnologia é uma politicagem, e que a computação não serve pra nada - As pessoas só precisam de Word e Excel. De vez em quando um Access, e daí pulam pros joguinhos.

(...)

É noite no Shennanigans de Ipanema. Leandro, Bruno, Carlos, James, Daniel e eu. Saiu o sexteto de lá, compramos uma garrafa de Velho Barreiro e uma de Sprite Light (prontamente escolhida por mim) no Zona Sul da General Osório. Passei no posto de conveniência, comprei um pote de sorvete, descobri que não conseguiria colher em lugar nenhum àquela hora, e improvisei uma com a tampa do pote. Leandro canta em portunhol forçado e bêbado a canção Desafinado.

***** disparou um sms avisando que estava na 00 (zero zero) com a ###### e a &&&&&. Resposta: "to no Shena. Beijos! E manda um beijo pra &&&&&&". (oh!)

Seguimos toda a extensão de Ipanema e Leblon pela orla, cantando aos berros e perdendo gente pras suas casas no meio do caminho. Chegamos ao Jobi com uma cadeira de Skol amarela de plástico tomada emprestada de um dos quiosques - que Leandro trouxe equilibrando na cabeça, pra treinar sua "postura" social. Sentados em frente ao Jobi com nossa cadeira, lógico, olhando pras belezas da Guanabara, e conversando sobre o tempo que o tempo tem.

1o Mandamento da noite: Nunca se afastar das pessoas que valem à pena. Isto é, procure-as onde estiver. Trabalho, escola, família, amigos.

2o Mandamento da noite: Troque tempo por mais tempo. Troque informação por tempo. Venda vácuo e seja feliz. É o que esperam de você. Desempenhe um papel impressionantemente sacrificante, e todos te aclamarão, mesmo que no fundo não faça nada.

3o Mandamento da noite: gritar faz bem.

4o Mandamento da noite: Aprenda a olhar onde pisa.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Viver Sem Excitação

Escrevo por ninguém me ouvir
Eternizo, ou tento eternizar
Um punhado de palavras
Que já nem sei qual o valor
De vomitar

Escrevo pelo mero prazer
De fugir um pouco do tédio
Escrevo pra te dizer
Que nada tenho pra rimar

As belas noites
Agora são apenas noites
O verde é apenas verde,
Não é esperança
Nem puro, ou lindo

Meu tempo é esse:
Quero vê-lo passar
No passo que escrevo
De qualquer jeito

Um pouco de eterno,
Mas isso um dia vai passar
Eu passarei, como já me deixou
Passar por entre suas mãos
E agora, sou de ninguém

Me sinto bem, sem ser assim
Não estou preso a nada
Então, tudo vai dar certo
Porque agora, não preciso


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Lábios, lábios, lábios. E você ainda fala por ele. E canta. E que voz, meus parabéns!
Obrigado pelo seu sorriso. Obrigado pelo seu olhar.
É complicado olhar, né? As pessoas têm medo do olhar. Paciência. Quem não olha, não vê.
:-)

Prazer em conhecê-la.

Ouvindo Gotan Project - El Capitalismo Foraneo

quarta-feira, janeiro 26, 2005

A Apresentação

Foi show de bola. Gente de todos os níveis, de vários setores da indústria. Um e-mail amigo acabou de me saltar à frente, me convidando para preparar um material de curso. Bom, as oportunidades realmente surgem, à medida que você faz. Pronto. Será que dá pra preparar um material de J2ME???

Eu já vi esse filme antes.

E de posts em posts, acabei me perdendo, e perdi dois dos quatro contos de "A Poetisa e o Filósofo". Sobraram apenas os que estão Aqui! Uma pena. Acho que os outros dois foram levados pela dona.

Água de Beber
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAhhhh! Pri! Pri! Pri! Pri! Amigona minha tá namorando. Tá felizoooooooooona, e hoje tive a oportunidade de conhecer o felizardo. Bom sujeito! :)
Q boooooooooooom, hein? E no bar, como sempre. Água? Só de beber.

O medo pode matar o seu coração.

terça-feira, janeiro 25, 2005

"That Old Feeling"

I saw you last night and got that old feeling
When you came in sight I got that old feeling
The moment that you danced by I felt a thrill
And when you caught my eye
My heart stood still
Once again I seemed to feel that old yearning
And I knew the spark of love was still burning
There'll be no new romance for me
It's foolish to start
For that old, old feeling is still in my heart

Once again I seemed to feel that old yearning
And I knew the spark of love was still burning
There'll be no new romance for me
It's foolish to start
For that old, old feeling is still in my heart
Still in my heart
Still in my heart

segunda-feira, janeiro 24, 2005

sábado, janeiro 22, 2005

A Noite

Hoje à noite conheci pessoas muito interessantes, e reencontrei outras. Acredita que um deles até leu meu post anterior? Poutz, foi um achado. O cara teceu comentários a respeito, e depois ainda ouvimos um pouco das músicas esquisitas que eu tenho por aqui. Incrível, ter a chance de mostrar um pouco das bizarrices que eu ouço e penso, tendo alguém com disposição de argumentar.
Por uma sórdida ironia, eu não tava com muito saco pra esse tipo de papo! :-O
A festa foi irada. Obrigado por ter me levado, cara mia! :)

Pessoas fazem mesmo coisas absolutamente inusitadas. Eu acreditava não ficar mais surpreso com as atitudes. Agora vou acreditar que não acredito em mais nada.

Como Dizia O Poeta
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão.

Este é meu modo de viver. E vivo muito bem com isso. Me faço e desfaço, erro e saio de baixo dos escombros, com marcas de lágrimas, mas sorrindo. Uma vez me perguntaram qual havia sido a avaliação do meu ano passado, numa escala de 0 a 5.
Desde 2000, todos os meus anos posteriores têm tido avaliação 5, sem dúvida.

Graças a Deus. Foi só escolher que fosse assim. Tão simples quanto isso.

www.walkmode.com é o endereço da mais nova empresa de mobile do mundo. Aguardem, e confiram.

quinta-feira, janeiro 20, 2005

My Ideal

Will I ever find
The girl in my mind,
The one who is my ideal?
Maybe she's a dream
And yet she might be
Just around the corner waiting for me.
Will I recognize
A light in her eyes
That no other eyes reveal,
Or will I pass her by
And never even know that
She was my ideal?

- Maurice Chevalier


Noite no Circo Voador. Depois de Ira, Nando Reis e Engenheiros do Beto Gessinger (acho que eh assim que se escreve Havaí), nada melhor do que um Coooooooooooool jazz cantado pelo Chet. Caramba, eu na adolescência me condenaria por ouvir essas coisas. Hoje, não condeno ninguém, porque me traí em todos os sentidos. E percepções. E também não juro mais, e nem prometo mais, e entendo por que sou um fã de Heráclito. É, eu sou um rio que corre. E as águas nunca estão do mesmo jeito, nem meu coração, nem qualquer outra coisa.

Tá, Raul! Uma metamorfose ambulante!

Afinal, eu sou um clichê. E todos vocês são clichês. E dos clichês é feita a vida.

Pensamentos Outros Que Me Tomam
O preço da gasolina aumenta. Todos os empresários têm um lucro menor. Eles aumentam seus preços, a fim de repassar o aumento para os consumidores. Os consumidores são empregados dos empresários. Os consumidores não têm qualquer direito sobre a propriedade do seu trabalho, sendo eles mesmos propriedades do empregador. Os consumidores, que são empregados, não recebem aumento. A indústria de petróleo fica mais competitiva - os preços sobem pela escassez provocada pela guerra. Os empresários mantém seus lucros. E quem paga pelo aumento do petróleo? Os consumidores, como já havia dito anteriormente. Quem paga pela guerra? Os consumidores, isso é uma conclusão lógica. Então, os empresários continuam recolhendo a mesma fatia da grana de seus consumidores, que não têm seus salários aumentados. Os empresários aproveitam a deixa pra aumentarem sua margem de lucro.

Maria continua ganhando seus 300 reais, com direitos da época de Getúlio Vargas. Mesmo que de lá pra cá tenham inventado o computador. Antes, pagava 70 de petróleo todo mês. Agora, paga 100, porque vai ao super-mercado e descobre que todos os produtos sofreram reajuste. Os 30 reais se foram... Vush... (esse "vush" foi pro cabelo!)

Bom, assim a grana do petróleo vai financiar insegurança e instabilidade nacional e mundial. Velha máxima: os ricos ficam mais ricos. Os pobres, mais pobres. Em breve os ricos descobrem que as vendas de seus produtos baixaram. Problema do mercado? Claro que sim. Os pobres têm menos dinheiro, que já tá todo na conta dos ricos.

"Exportar ou Morrer!"

Alguém ouviu Fernandinho Henrique Maldoso dizendo isso? Foi um lema ao qual eu aderi na época! Estupidez, claro. Querem exportar, porque nos EUA tem dinheiro. Na Europa tem dinheiro. Aumentam a massa de assalariados sem poder de compra, o país cria mais empregos escravos. Os ricos ficam ainda mais ricos e os pobres... Bum xi bum xi bum bum bum (à la Daúde). O emprego é eliminado, a fome continua. O país cresce. Para alguns, apenas.

Cresce?
Bom, vamos ver... Os Ricos querem uma conta polpuda. Querem fazer reservas. Eles reinvestem muito pouco do seu total de lucro pra aumentar a produção. Eles expatriam todo o lucro pra bancos mais interessantes. Bancos que vão fazer investimentos em outros bancos. Compram dinheiro com dinheiro. E dinheiro, vc sabe... É tudo só número, brincadeira de fazer continha... Não enche a barriga de ninguém.

E os ricos reclamam que à sua volta só existem favelas, e que elas só fazem é crescer. Bom, se os milhões estivessem investidos em força de trabalho produtiva, e se eles tivessem um pouco menos de reserva com garantias de que o mercado interno teria condições de consumir seus produtos, então estaríamos cercados de uma classe média baixa, e não de pobres. No mínimo.

Temos que aumentar o poder de compra dos nossos conterrâneos.

Por onde começar?
Empregue um empregado e dê a ele o salário que merece. Compartilhe seus lucros. E não expatrie o dinheiro. Reinvista. Se vc reinvestir, sempre haverá aumento na produção, que aumentará a roda de trabalhadores com poder de compra. Você não reclama que o povo não lê?

Dê a eles a oportunidade de comprar um livro
E não se esqueça de que o trabalhador tem que ter TEMPO pra consumir
Então, por uma vida melhor, vamos reduzir opcionalmente a jornada de trabalho pra 6 horas.
Tá bom, isso é forçar demais.

Cheidi idéi u cara, aê!


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terça-feira, janeiro 18, 2005

Três Coisas

Suadouro. Todos os edredons estão em promoção.
Caraca, nem se chove fica fresco!

Ao som de That Old Feeling - Chet Baker

Vcs conhecem a música 'Round Midnight?
Pros que não conhecem, eu digo: é tão essencial conhecê-la quanto Garota de Ipanema. Mega música, de fato.

Bah, fica o dito pelo não dito. Então vou dizer: segunda feira dou uma palestra técnica pra uma galera. :)
Me disseram que eu posso falar de um assunto ae, de nerd... Não tou lá com essa corda, mas topei. O chato é preparar os slides. :-/ Tagarelar é até fácil. Especialmente pra quem quer ouvir. Pra quem não quer, sooo sorry.

"Isto aqui é um festival de Jazz?" - Caraca, fissurei no Hermeto! Sei que tá ficando chato, mas só pra quem lê. :P
E eu que queria que todos me ouvissem... Tolice, tolice.

Saudades de recitar uma boa poesia ;)

Segue:

Três Coisas
(Mário Lago)

Três coisas pra mim no mundo
Valem bem mais do que o resto
Pra defender qualquer delas
Eu mostro o quanto presto

É o gesto, é o grito, é o passo
É o grito, é o passo, é o gesto

O gesto é a voz do proibido
Escrita sem deixar traço
Chama, ordena, empurra, assusta
Vai longe com pouco espaço

É o passo, é o gesto, é o grito
É o gesto, é o grito, é o passo

O passo começa o vôo
Que vai do chão pro infinito
Pra mim, no que é uma estrada aberta,
Quem prende o passo é maldito

É o grito, é o passo, é o gesto
É o passo, é o gesto, é o grito

O grito explode o protesto:
" - se a boca já não dá espaço
que guarde o que há prá ser dito"

É o grito, é o passo, é o gesto
É o gesto, é o grito, é o passo
É o passo, é o gesto, é o grito

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Agora, Já Era

Importantíssimo acontecimento para Segunda que vem. Vamo ver no que dá. Espero ter boas novidades. E que durante a semana tenha mais novidades também, né?? Por que não?? ;)

Como diria Hermeto, no Live in Montreaux que eu tou ouvindo pela primeira vez aqui agora:

"Remelexo, remelexo, remelexo sim sinhô!"

Lembrando sempre que o Leozinho também é adepto ao "Remelexo". Gargalhei aos baldes!

Novos CDs

Boa fase... Ou não? :P
O início do ano está em paz, apesar de eu ter passado um final de semana meio sem fome, meio ansioso. Sabe quando você acha que nunca mais vai sentir ansiedade na vida? Droga, errei de novo! Diferente do que disse Salomão, sempre há muita novidade sob o Sol. Mas nada que me tire a felicidade.

O post anterior é um início de conto, para o PI. Pra quem quiser ler, é uma passagem pseudo-científica que eu sintetizei das minhas experiências pessoais cotidianas. Mas que também foi meio sob encomenda. Opiniões, plz!

Cabelo, faça bom proveito e invente algo muito melhor do que o que escrevi!

Final de semana regado a Jazz. Cdzinho do Chet Baker, um outro do Fagner (!!!) produzido pelo Hermetão - um tal Orós, bem psicodélico. E também um outro do Belchior, com algumas das principais, produzido e executado instrumentalmente por Duofel. Eu queria conhecer alguma coisa de Belchior. Pronto, dá pra brincar com o que os caras fizeram no violão.

Água de Beber, Samba da Rosa, Samba de Orly. Agora, tirando Desafinado. Hehehehe, esse eu vou cantar sem medo!

Sexta foi festinha da primona Layla. Gostei pacas, revi muita gente :))
Caraca, as figuras da noite certamente foram Vânia, Angélica, Andressa e Casquinha. Sem contar com a atração principal - Layla :P

O Mantra Das Aparições

Tocava um jazz em sua cabeça. Bernard sabia que isso o ajudaria a manter a concentração. Chet Baker. "Queria ter vivido na época desse cara", pensou. A melodia de seu trompete era tão suave e cool quanto sua voz, que parecia querer mimetizar o instrumento. Sua chegada na superfície de Berta foi um rasante silencioso, em seu corpo translúcido. O plasma-traje o mantinha a salvo das condições adversas da superfície deste planeta quente, e sentia frio, devido à reação da anti-matéria com o nitrogênio.

"Quando será que vão inventar trajes mais amigáveis?"

O homem sempre reclamou, em sua jornada pelo progresso. Sempre esteve infeliz. Bernard era uma Aparição. A elite das forças armadas de seu governo. Seu traje conferia à sua matéria aparência semelhante à de um fantasma. Podia se manter invisível e incorpóreo por muito tempo, o que possibilitava a reentrada na atmosfera. A massa, livre de interferência física, era imperceptível para radares. O volume do corpo, irrisório para que pudesse ser considerado um invasor. Bern, como era chamado por companheiros de equipe, vestia um exoesqueleto com retrofoguetes e compensadores gravitacionais, que aumentavam ou diminuíam proporcionalmente a força de seus movimentos, para que parecesse estar sempre sob aceleração gravitacional padrão, a mesma do antigo planeta-mãe, uma vez chamado Terra, mas que depois da revolução planetária, teve seu nome original reconhecido: Gaia. Quando quisesse, poderia aumentar ou diminuir a força de seus movimentos, para casos de emergência. Além disso, o computador de bordo projetava imagens diretamente em sua retina, sobrepondo transucidamente o ambiente à sua volta. Era como ter um display à sua vista, o tempo todo. Dados climáticos, de carga do traje, fisiológicos, radioativos e psíquicos sob seu controle. Podia associar alertas e ações automáticas, de acordo com os eventos desejados. Receber injeções, ter sono induzido ou adrenalina administrada, relaxamento por meio de choques de baixa potência, alimentar-se, ouvir Miles Davis ou ver seu álbum de fotos familiar. Podia ser imerso em um sonho virtual, completamente livre de seu traje e com acesso a petabytes de informação, que lhe renderia praticamente qualquer tipo de sensação desejada. Podia virtualmente ir à uma praia da América do Sul, se quisesse. Podia beber cerveja. Podia ter mulheres. A comunicação de seu traje era realizada através de vibrações em níveis de dimensões-corda. Era instantânea, mesmo que estivesse a anos-luzes de seu planeta natal. Podia simplesmente telefonar para sua filha, Alexa, e saber como iam as coisas. Podia vê-la, e ter seu rosto perfeitamente projetado em vídeo com os sensores internos do capacete, como se estivesse sendo filmado por uma câmera. Podia até escolher o raio do ângulo sob o qual quisesse ser projetado. O que é isso! Podia ainda assim encontrar-se com ela, em um ambiente virtual. E tudo isso às custas do governo. Mas podia também bloquear qualquer tipo de comunicação, caso estivesse de saco cheio de tudo. Podia também atender aos chamados onde quer que estivesse: sonho, sono, vigília, acordado, em combate.

Ah, e as armas. Além da força extra, os próprios retro-foguetes também se transformavam em lança-chamas. Neo Napalm, para que pudesse queimar mesmo no vácuo. Era uma espécie de espuma cauterizante. A armatura possuía modos de movimento: Ar, Terra, Água, Fogo, Vácuo. Cada um com seus modos de batalha. Tinha os bons e velhos projéteis. As metralhadoras, que utilizavam a direção do seu olhar e a confirmação de seus impulsos neurais como mira e gatilho. Podia estar certo de que a precisão era quase perfeita. Inclusive com corretores de alvo, caso ele próprio ou o alvo estivessem em movimento. Para exércitos dessas armaduras, o funcionamento era um primor, já que todo o grupo compartilhava dados espaciais e dimensionais sobre os corpos no ambiente. Nunca se ouviu falar de um exército de mais de dez Aparições. E nunca se ouviu falar em exércitos de Aparições que perdessem batalhas. E nenhum deles jamais precisou apelar para suas bombas, que eram automaticamente ativadas caso o soldado fosse irreversivelmente morto. Sim, era possível trazê-los de volta. Afinal, tínhamos emplastros, morfina e desfibriladores, não tínhamos?

O Vácuo, tão presente e óbvio, havia sido descoberto como um importante elemento a apenas 100 anos. E um impressionante salto tecnológico era esperado, com tantas coisas que se podia fazer com o Vácuo. Como quando descobriram a Luz. Fibra ótica, chips óticos e tantas outras otiquices. Estas foram as velharias com as quais seus bisavós ficaram maravilhados, numa época em muito obsoleta.

Terra, Fogo, Ar, Água, Luz, Gravidade, Psiquê, Vácuo. O que mais viria?

"Quando será que vão inventar trajes mais amigáveis?" - Perguntava-se Bern.

Pensava em sua filha quando sobrevoava a rochosa superfície de Berta. Ela adorava as tomadas de sobrevôos que o pai enviava, via correio. E disparou mais uma dessas filmagens, enquanto pousava.

"Quando será que vão inventar trajes mais amigáveis?" - Perguntava-se Bern, ainda.

À medida que descia, enxergava a quilômetros de distância uma espécie de aranha metálica gigantesca, com suas dezenas de patas fincadas nas rochas quentes, e seu ventre debruçado sobre o chão escaldante de Berta. Lá era seu objetivo. Ao se aproximar do chão, o Receptáculo, como eram chamados os exoesqueletos, materializou-se, e Bern pisou em terra firme, finalmente. Materializar-se ou desmaterializar-se sempre causava uma espécie de tonteira momentânea, e Bern sempre voltava à fatídica pergunta: "Quando será que vão inventar trajes mais amigáveis?".

Com os sistemas de feedback negativo, a armadura se ajustava instantaneamente às condições ambientais, e Bernard simplesmente começou a caminhar na direção da Almand-Ginger. Ao ritmo de John Coltrane, Countdown.

"Os ânimos vão esquentar."

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segunda-feira, janeiro 10, 2005

Receita de Infância

Misture num copo
Duas colheres de sopa de leite em pó
E uma colher de sobremesa de açúcar.
Infância: aproveite enquanto dura.


*Junte um pouquinho d'água, se quiser variar.

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sexta-feira, janeiro 07, 2005

Rapidinha

Estamos com uma vaga pra trabalho com Java no Tecgraf. Se alguém souber de alguém, me manda um email:
rodrigo.santiago@pop.com.br

Nada de Importante

Isso aqui saiu enquanto eu ouvia as coisas maluquetes do albino mais foda que a música já teve:

Ele correu os olhos pela água e viu a luz do céu de verão. Sete horas da noite, e o céu ainda resplandecia, no reflexo da praia pouco agitada. Imaginou que pudesse mergulhar em um praia de pura luz. Em sua fantasia, o Sol estava líquido e era um astro de boas intenções. Ninguém sairia ferido, por mais que em sua ilusão o Sol estivesse ali, em baixo d'água. Era isso. Ele faria o caminho de volta ao mar todas as noites. A Terra era mesmo plana, como Galileu nunca pôde conceber. Era a grande bandeja que navegava o vácuo, como um disco que voou à sua frente, quebrando sua concentração, seu desligamento das coisas irrelevantes. Da vida.
Queria se desligar da vida, de alguma forma. Pensava em como o mundo era pequeno. Pensou em sua garota, em onde estaria nesse momento. Precisava dizer a ela o que descobriu.


O nome do meu filho será Hermeto. E ai de quem disser que não.
:-P
Ouvindo Hermeto Pascoal - Slaves Mass Album - Cherry Jam


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quarta-feira, janeiro 05, 2005

Biografia da Vida d'um Momento

Caí. Caí como que num sonho. Percebi a Lua passando ao lado, mas pequenina, como se ainda estivesse longe. Senti-me atordoado durante a queda, e não sabia pra onde ia. Queria apenas dormir e esquecer o teatro apregoado em minha mente. Queria apenas esquecer quem eu era, por uns instantes. Um trote. Foi isso, ilusão de ótica, apenas um ponto de vista. Mas se a pego, então estaria perdido, com a Lua em minha mão.
Perdido. Mesmo que fosse o que queria. Mas não, não era bom. Sinto meu estômago neste momento fazendo revoluções do que comi à tarde. E Não me sinto muito bem, psicologicamente falando. Mesmo que passe mal (fisicamente), não haverá um alguém sequer. Parei. Morri.

Sinto a chuva como se caísse em cima de mim. São as memórias, os flashbacks. E na verdade, apenas o som das gotas é o que me provoca. Enquanto à queda... Bom, a queda continua, e torço pra que seja na verdade um grande vôo. E já que tudo é referencial: não estou caindo. Estou voando.

What else? Será que posso usar meus entorpecentes, só um pouquinho?
Ouvindo somente a chuva, o cooler do computador e os automóiveis lá em baixo.

E não é para menos. Meu baú tá cheio de juízo. Acho que vou doar um pouco dele. Vou tentar conversar com a parede, ou com o ar. Quem sabe se não me respondem? Primeira cena de esquizofrenia do ano.

Ah, foi esquisito: parecia um filme, quando o detetive liga os fatos para descobrir que ele próprio é vítima da omissão de seu companheiro... E as evidências estavam ali o tempo todo, como de praxe. Muito claras, e não quero vê-las novamente, porque vai me ofuscar. Dane-se. Vou ganhar o mundo um dia. Meu mundo será: todo o tempo que eu quiser. Todas as evidências me olhavam com cara de obviedade. Pessoas, eu descobri a América. Ooooooooooooohhhh!

Esse tal Bertrand Russel é mesmo muito bom nos seus argumentos. As pessoas realmente precisam de mais tempo, e precisam também serem menos omissas. Tempo para comunicar, para se fazerem entender. Tempo de saberem que têm tempo para compartilhar também. E aqui, precisamos de um tempo melhor pra ir à praia. Chuva é só moléstia. Na moleira então, à beira da água salgada, nem te conto.

Após apagar o que seria este parágrafo, me questiono sobre o que de mais incompreensível deve aparecer por aqui... Não, não vou dizer a vocês o que estava escrito nestas linhas antes. A Lua já sumiu, atrás das cumulus nimbus.

Ócio.

Tenho coisas importantes pra resolver, mas vou me permitir ignorá-las momentaneamente. Deixa eu fazer nada, agora. Preciso de um pouco de letargia. Acho que uns 40 anos, somente.

Ou senão preciso crescer. E quem chegou até aqui merece um prêmio pela falta do que fazer. Parabéns por me acompanhar, não esperava tanto de você ;)

Crescer. Pra quê?

Vou viver com as concepções trágicas que todas as outras pessoas do mundo inventam, e que acabo aderindo. Porque as convenções nunca são coisas nossas. São coisas de uma tal "sociedade" que vi na tevê.

Perguntinha: Você já viu personagem de novela assistindo tevê? Acho que já tinha aprendido isso com o BR, porque era exatamente o mesmo pensamento. O cara é maneiríssimo, queria tê-lo conhecido pessoalmente. Assim como o Hermeto, que também não conheci, e o Manuell, que também não conheci. De Sócrates, nem se fala.

Pronto, a maré do meu estômago já se acalmou. A previsão é de tempo ruim pelos próximos meses. Esse negóicio de onda gigante tá tão na moda... E olha que tem tanta desgraça que dá mais pena. Imagina só um país como o Haiti, que é uma guerrilha no meio da miséria e do lixo? Ou ainda as Etiópias da vida, com seu povo sem ter o que comer. E soldados estrangeiros, bem gordinhos pra vigiá-los. Bünchen ficaria com inveja dos relógios de pulso usados como cintos. Imagina só mostrar a hora no umbigo? É mesmo pra quem pode. Se fosse comigo, eu já teria (realmente) morrido de fome e desnutrição.

Esta foi a biografia de uma fatia de minha vida. De aproximadamente 20 minutinhos.

Terra do Nunca, 05/01/2005,
-- Peter Pan

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segunda-feira, janeiro 03, 2005

Playing The Musician

Comprei um violão!

Yamaha C70. Parece até marca de celular :p
Junto dele vieram dois songbooks: Tom Jobim e Vinícius. E eu nem gosto, neh? Tou todo bobo, o instrumento é do kct. É como andar de bicicleta, mesmo :)
Imagina que eu quase esqueci minhas musiquinhas! Daí, fiquei frustrado e resolvi comprar uma viola. É isso, gostei pacas, foi um investimento na minha pura e simples diversão.

Agora nascerá praticamente um novo Yamandu, heheheheh :P
Yamaha, Yamandu... Parece até proposital. Eu, hein?!

sexta-feira, dezembro 31, 2004

Do Que Adianta?

E então, pra qeu servem os campos, senão para perturbarem a ordem vigente das cidades, com todas as minúcias de suas leis que perturbam o homem?

Então, para que serve o homem, senão para servir a Deus nesta terra de gigantes criaturas, criadas para o Bem daqueles que Ele ama? Para que serve o louvor, se não houver adoração, ou agradecimento? Para que a vida, se não vivemos? E de tudo o que se faz presente neste mundo, é a vida que nos faz lembrar que podemos amar, amar e amar. Do que adianta estar conectado a toda sorte de tecnologia, se é apenas usada para deturpar, para maliciosamente formar opiniões, para a corrupção e promoção da miséria tão cotidiana e tão natural, contemporânea?

E para que os tolos, senão para errar e aprender? E se não aprendem, do que serve então a experiência? E se temos demais e não damos, então me responda: qual é o sentido do compartilhar tão vazio, onde se vive insolitamente entre casas de apartamentos, entre famílias que apenas se separam a cada instante? Do que adianta falar de amor, se não se ama de verdade?

O que é, afinal, fazer amor?


Quem me responder a última pergunta em itálico nos comentários ganha um sorvete! :P

A maior parte de nós não é grata pelo que acontece o ano inteiro - Dos momentos fáceis aos mais complicados, difíceis.

Felicidades! E um brinde a um 2005 mais feliz do que o ano que se passou!

Ouvindo Hermeto Pascoal - Mundo Verde Esperança(álbum)
Aliás, este álbum do Hermeto é do kct! Se vocês pudessem ouvir isso que tou ouvindo agora...

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terça-feira, dezembro 28, 2004

Coincidências

Ouvindo Jean-Luc Ponty - Ethereal Mood

A despeito de ter fé ou não, de acreditar ou não em sobrenaturalismos, de estar ou não designado a algum propósito definido em alguma ordem superior de pensamento humano ou divino, penso de vez em quando no objetivo da coincidência.

Espiritualistas, católicos, místicos, matemáticos, físicos e tantos outros explicam a coincidência de várias maneiras. Eu mesmo penso que o sentido do coincidir está justamente no objetivo pessoal de quem é ator da coincidência. Elas acontecem a todo momento. Sem tratar do porquê, mas de como devemos encará-las e reagir a elas, venho eu discursar em favor daqueles que apreciam a boa coincidência. E as ruins também.

Sua vida no espaço-tempo é como uma linha sinuosa, que concorre com tantas outras vidas. Deste ponto de vista, qualquer objeto físico tem uma vida. Um lápis, um papel, um pedaço de terra. Então, para que ocorra coincidências, este é o preceito básico: vida. O segundo elemento do universo das coincidências é o plano. Qual é seu objetivo pessoal (retomando a afirmação feita mais cedo)? É claro que não há apenas um objetivo para cada vida. Pessoas possuem milhões, bilhões de motivos, espalhados e conjugados na trama neuronal. Todos eles guiam o curso de sua ação, ao mesmo tempo. É como um grande concílio de deputados, cada um tendo uma certa influência, em dado espaço, em dado tempo. Gostos mudam, roupas mudam, estações mudam, e hoje seu organismo pede massa, e amanhã, churrasco. A soma de cada pedaço de opinião nos dá nossa próxima ação. É importante entender a ordem de grandeza desses pequenos pedaços. Se mentalizarmos o total de pessoas no mundo, saberemos a quantidade de vontades conflituosas. E também as ressonantes.

Coincidências, pra mim, ocorrem quando pelo menos duas vidas ressonam em objetivo. O motivo, eu não sei, mas é de trivial entendimento que coincidências estão relacionadas a objetivos. Se você quer sair com aquela garota, e ela está na mesma festa que você, então esta é uma feliz coincidência. Se você acaba de se interessar por outra, que acabou de conhecer, então pro momento esta é uma péssima coincidência. Talvez ela - a primeira - não queira ficar com você, mas o objetivo de ir a uma festa e se divertir foi também o motivo que a levou àquele lugar.

Coincidências manifestam-se como oportunidades. Não se vislumbra uma coincidência sem estar conectada à possíbilidade de alguma coisa. "Fulano esteve no bar hoje à tarde" foi uma coincidência com um propósito de, no mínimo, conversar com um amigo. Ou de monitorar os passos de um inimigo.

Oportunidades são, por definição, possibilidades de realização. Logo, oportunidades são coincidências (duh!). (Isso aí foi crise de tabela verdade :-P)

Mas para reconhecer coincidências, é necessário que sua memória esteja sempre atenta aos seus objetivos. Para que, em tudo o que se viva, se enxergue um propósito. Uma oportunidade de realizar algo. Em conjunto, sempre - uma vez que não há coincidências sem objetivos concorrentes, ou ressonantes.

Não vou ler este texto novamente. Façam uma revisão e reportem nos comentários, por favor ;)

Preguiça, eu? Nem morto.

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quarta-feira, dezembro 22, 2004

Green Is The Colour - Pink Floyd

Heavy hung the canopy of blue
Shade my eyes and I can see you
White is the light that shines through the dress that you wore

She lay in the shadow of the wave
Hazy were the visions of her playing
Sunlight on her eyes but moonshine made her blind every time

Green is the colour of her kind
Quickness of the eye deceives the mind
Many is the bond between the hopeful and the dying


A Layla, minha prima, me pediu que colocasse aqui uma letra de música. Atendendo a pedidos, tá aí! Tou na calma, preparando meu melhor sorriso natalino:

:D

Bonito, não? :P
As pessoas fogem da melhor maneira que podem de si. Mas querem mesmo é se encontrar.

segunda-feira, dezembro 20, 2004

FINALMENTE

Minha matrícula de kite está efetuada!!!
Nos próximos meses estarei eu figurando lá no Pepê pra aprender esse treco maneiro. :)

E o q mais? Ah, soh aguardando o ano acabar... Papai Noel ainda não me disse qual será o meu presente, mas também não mandei carta pra ele! Os próximos dias devem ser de comemoração, e será lucro se alguma boa surpresa acontecer. Mas não estou cobrando nada de ninguém, viu??

Que a paz de Deus seja presente na vida de cada um de nós, e que na mesa de todos os brasileiros esteja melhor representada a desejada eqüidade, para cada Natal que estiver por vir. Que haja sempre mais amor do que no ano anterior, e mais alegria.

terça-feira, dezembro 14, 2004

No Aguardo

Amigos, venho lhes avisar que um de nossos irmãos chegará para o Natal.
Mr Nonô vem pra cá depois de uns fatídicos meses no início de sua estadia lá fora... Pra depois voltar, óbvio. Viu? Eu sabia que ele não ia agüentar muito tempo longe daqui!

Hehehehehe, vai ficar de 20 e pouco de Dezembro até 6 de Janeiro, acho. Para a sorte de quem aqui estiver!! :)

E preparem-se... Por falar em dia 6, sinto meu aniversário se aproximando. Mas é de Fevereiro. O que acontecerá até lá? Qual será o destino secreto da humanidade? Se eu soubesse, contava. Juro.

Dia 17 (agora, Sexta) é o do Cabelo, para quem quiser aparecer. E também é o de uma amiga de trabalho, a Layla, xará da minha prima, a que comentou no post anterior. Vamos fazer alguma coisa, hein rapaz???? Aparece por aqui que damos um jeito!

Layleeeeenha, vê se arrebenta nessas provas ae, hein? E pára de dar mole, pô... Fica escondendo o jogo!!

Bleh. Xou voltar pro work da facul. Me liguem! Estou isolado e desolado :P

segunda-feira, dezembro 13, 2004

Quanto tempo o tempo tem?

Hoje e ontem me diverti horrores fazendo o trabalho da faculdade :)
A vida tem disso... Afinal:

There's A Lull In My Life - By Chet Baker
There's a lull in my life
It's just a void and empty space
When you are not in my embrace


Bonito o cool jazz. Tou pra isso agora ;))
... E o troço do Kite eu não consigo nem ir pagar ...


sexta-feira, dezembro 10, 2004

O que será do próximo ano?

Hmmmm, acabo de dar entrada em minha empresa. Quer saber o nome?

Progresso Informática Ltda.

Pretencioso, não? Mas achei que soa legalzinho. Tem também alguma coisa a ver com minha história. O importante é andar pra frente. Algumas coisas se desfazem no caminho, mas se eu ainda respirar, sei que dá pra fazer algo de interessante, que traga valor às pessoas que estão à minha volta. Sei que por mais que eu tenha andado, sempre procurei deixar algo de mim com elas. Com pessoas, não com empresas. A melhor parte do meu trabalho na minha opinião fica com quem viveu o dia a dia comigo. ;)

Senhoras e senhores, pro ano que vem serei um empresário.

Nesse meio tempo em que vos escrevo, recebo a ligação da consultoria contábil que tá me auxiliando nesse processo. Tenho algumas papeladas pra buscar na Segunda-Feira.

E pras novidades de início de ano, eu só deixo uma dica: acho que vou finalmente virar pesquisador! Consegui um lugar muito especial no meio de feras lá na faculdade. Pra Janeiro então, lá estarei eu, com o primeiro cliente da Progresso. :))

Estou pensando numa logo.

sexta-feira, dezembro 03, 2004

Oração ao Início

Senhor, peço-te
Peço-te por toda a vida
Que aprenda cada vez mais a te adorar
Com o viver que me é característico
Com o respirar que me foi dado
Com o alívio do teu espírito
Com as boas lembranças que tenho plantado
E com os bons frutos que tenho colhido

Peço-te perdão por meus limites
Peço-te misericórdia para comigo e meus companheiros
E peço-te a tua graça e bênção, como a de um pai a um filho
Que começa seus primeiros passos longe de casa.
Peço-te que dê-nos a força e a capacidade necessária
Para que vejamos as soluções
Para que percebamos as portas que abrires pra nós
E para que nunca percamos oportunidades por inexperiência.

Peço-te que nos ajude a caminhar pela trilha que desejamos andar
Peço-te que sejamos sábios para escolher a melhor trilha.
Peço-te visão
Peço-te uma missão e responsabilidades cabíveis
Peço-te justiça, paz e saúde.

Mas antes de todos os pedidos,
uma imensa gratidão por cada dia vivido até então
É o que manifesto, e tu o sabes, Pai,
Que em meu íntimo, são raros os momentos em que olho pro céu,
E que, fazendo chuva, sol, tempestade ou calor
Ou dia triste ou alegre, com ou sem novidades,
Não o agradeça por toda a minha vida.

E creio, Pai, que seja por isso que durante todo o caminho
Tenho sido honrado.


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Tá meio corporativista, mas originalmente foi feito assim. E serve pra este momento.
Ontem descobri, pela primeira vez, como é a sensação de se fazer compras com um carrinho de compras ;)
E se vc pensar "hah, essa eu já conheço faz tempo!", já respondo de antemão: "Parabéns."

Sarcasmo à parte, pessoas à minha volta já começam (e não, ao mesmo tempo) a fazerem falta. Queria sair hoje, mas "num vai dá" :((

quarta-feira, dezembro 01, 2004

É Isso

Cheguei em casa. A nova casa.
1 - Trocar o teclado. Esse aqui tá pra lá de Bagdá.

Foi-se o laptop, fica o servidor. Uma boa troca, no fim das contas :)
Ganhei um livro. Isso mesmo. O próximo livro que queria comprar. Empréstimo de 1 ano (como todas as coisas dentro desse apartamento). Economizo 130 pratas, no mínimo! :)

No aguardo do Sr Mentel. Que venha o garoto!

Sábado é dia. Levo a grana lá pra galera do kite. Meu curso vai começar! ;)

Tenho que fazer uma provinha amanhã. Isto definirá meu ano que vem. Acho que vou tirar umas férias de fim de ano. Que tal voltar a trabalhar dia 5 de Janeiro?
:)
Bom, bom... Trabalhos de faculdade e provas terminam de fato dia 13. Daí, volto a me comunicar com o mundo. O ritmo diminuiu.

Amigos, estão convidados a me visitar! :)

Amanhã, dois amigos vão pra Manaus. Em Janeiro, um terceiro. Isso me força a também mudar de vida :P

O que vcs preferem? Pesquisa na faculdade ou software de papiloscopia no Detran? Ou quiçá renegociar meu passe (again - as circunstâncias me forçam) e meu projeto. É, não deixei o projeto antes porque meu incrível líder é gente boa, e me convenceu a ficar mais um pouco.

Ah, tem muita coisa pra contar... Venham aqui que eu falo tudo, tim tim por tim tim.

domingo, novembro 28, 2004

Tau e a Morte

É sabido que a própria Morte é um anjo. Uma força angelical, revestida por um manto negro, símbolo de sua função sagrada. Sua foice é o instrumento com a qual ceifa a vida das pessoas cujo tempo da colheita é chegado. Este Querubim é proibido de mostrar sua face a todas as criaturas, divinas ou não, para que nunca se saiba dentre os anjos qual deles detém o prazer de tirar a presença dos mortais da terra, e levar seus espíritos ao Pai. Até mesmo os Tronos (anjos da ordem celestial mais superior) conspiram para descobrir a quem pertence tal honra, da qual apenas se reconhece a máscara - um crânio cujas órbitas oculares irradia uma límpida e branca luz.

"E eis que vinham seis homens a caminho da porta alta, que olha para o Norte, cada um com as suas armas destruidoras na mão, e entre eles um homem vestido de linho, com um tinteiro de escrivão à sua cintura". - Ezequiel 9:2

"Disse-lhe o Senhor: Passa pelo meio da cidade, pelo meio de Jerusalém, e marca com um sinal as testas dos homens que suspiram e que gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio dela. E aos outros, disse: Passai pela cidade após ele e feri; não poupe o vosso olho, nem vos compadeçais. Matai velhos, e jovens, e virgens, e meninos, e mulheres. até exterminá-los; mas a todo o homem que tiver o sinal não vos chegueis" - Ezequiel 9:5-6

Há também aquele que proíbe a colheita de almas: ele se chama Tau, e raramente é mencionado nas Escrituras. Os homens marcados por Tau não podem ser ceifados pela Morte. São justos e fiéis à vontade de nosso Deus. São valorosos professores, voluntários, pesquisadores e sábios altruístas, e a Voz de Deus proíbe qualquer anjo de tocá-los. Vivem durante milhares de anos, sempre vigiados por Lúcifer e sua escória, os únicos que detém o poder de arrancar suas almas. A marca de Tau na testa destes homens tem óbvio significado àqueles que conhecem a Palavra.

Enquanto vivem, os Homens de Tau enfrentam toda sorte de tentações pelas quais jamais passaram outros homens. O próprio Lúcifer tenta seduzi-los com todo o poder deste mundo, a fim de que caiam e sejam então levados ao inferno pelas suas próprias mãos. Enquanto não caem, são de sobremaneira protegidos por estes mesmos demônios, para que não ascendam aos Céus.

Porque toda vez que um leal Homem de Tau é morto por um demônio, os exércitos celestiais recebem com alegria mais um poderoso líder. E toda vez que um Homem de Tau é seduzido pelas forças satânicas, é como se cem mil leões se somassem às forças de Satanás.

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quarta-feira, novembro 24, 2004

Herméticos Dias

Fim de Período. Provas. Sucessos. Não exatamente como queria, mas as coisas se equilibram, enfim.

Olho no lance: as próximas semanas são de expectativa e pesquisas.

Apê: vou me mudar pra Botafogo em Dezembro. Dividir um apezinho show, tomando conta do mesmo pro Amigo Osama Bim (mas não Laden). Great!

O que mais? Kite Surf! Dezembro é mês de começar meu curso de Kite :)
Espero que bons ventos soprem.

Chega, tou trabalhando.

PS: Show do Hermeto Pascoal hoje, na PUC. 20:00. 1Kg de alimento não-perecível. Haverá fotos.

domingo, novembro 07, 2004

Às Pessoas Que Amo

Não espero que me compreendam. Mas que saibam que de alguma maneira ainda as amo, mesmo que esteja longe.
De certa forma eu devo alguma satisfação a elas, mesmo que não estejam nem aí pro que eu diga. E se no fim eu não explicar coisa nenhuma, também não espero que acreditem. Tenho vergonha de ser tão limitado.

Este final de semana eu vi muitas pessoas que me lembraram muitas coisas queridas, e também difíceis. E fiquei sabendo como o curso da história poderia ter sido diferente, se algumas coisas tivessem me sido ditas naquela época. Como seria difícil lidar com tudo. O Rodrigo daqueles dias se achava em situação complicada, mas a história era muito mais complicada do que ele podia perceber. Acredito que o Rodrigo de hoje também não perceberia. Mas finalmente uma boca falou, e agora não sei o que responder. Espero que um pouco mais de mim ajude, de alguma forma.

Àqueles a quem um dia disse "te amo", essa frase é pra sempre.

Não tenho mais saco de escrever nisso aqui. Mas sei que o fim das aulas resolve isso.

Enquanto isso, coloquei algumas fotos em meu buzznet. Mas já faz tempo, é que não tive tempo de avisar.

>> Enquanto isso procuro outras formas de pular o muro do meu país...

segunda-feira, novembro 01, 2004

Passos Adiante

Enfim, selo mais um ciclo. Cumpriram com a palavra, e fico feliz com isso. Não sei o quanto tive parte na negociação. Não sei o quanto minha chatura valeu. Mas valeu. Resultado além do esperado. Precisamente o que eu precisava. Vamos fazer contas, e fazer coisas.

Várias boas notícias ao mesmo tempo. Sinal de um bom trabalho.

Sim, foi mais um Progresso. E Quarta-Feira tem mais ;)

terça-feira, outubro 26, 2004

Responsabilidade social para com funcionários, colegas, clientes, fornecedores e com todo o restante da sociedade. Parece que quando alguém vira chefe, esquece disso tudo. Então: gooooood byyyyeeeeee ;)

Tava Demorando...

Trocando em miúdos:
Já tão começando a querer me carcar... Tava demorando, tava demorando...
Cumprir com a palavra que é bom, nada.
Ser transparente que é bom, nada.
Cobrar é bom? Também não pago!

A não ser que queiram que eu fique como ato meramente ilustrativo.

segunda-feira, outubro 18, 2004


Na Melhor Festa Do Ano

Rio Mississipi

Ontem assisti à melhor banda de Blues do Rio de Janeiro. Fotos no Buzznet, tão cedo quanto possível.

E hoje, que se danem os jargões.
Sábado, minha primeira oficialíssima aula de contrabaixo.

Qualidade é legal, mas não em todos os contextos. Estou distribuindo papéis sobre minha vida. Quem se arrisca?
;)

:: No profissional, certamente não me recusarão :: Planta pra depois colher, malandro. Faz o que sempre soube fazer... Não dependa dos outros.

terça-feira, outubro 05, 2004

PS:

Fico sabendo exatamente 1 hora após receber o resultado da seleção: "você está over qualified para ir. Por isso selecionaram outros."

Pode isso?!?! Eu acho que é desculpa pra boi dormir em paz. Entro na faculdade, coloco meu CR lá em cima, arrumo um bom emprego e ganho até um prêmio da indústria... Faço meu dever de casa, planejo tudo. Tenho explicações que se encaixam como luva sobre minha conveniente ida, e inclusive pretendendia complementar minha formação com cursos que só havia por lá. Tudo pra fazer bonito na hora da entrevista pro intercâmbio...

Ok, ok... PUC-Rio é a melhor em economia do meu país... Talvez seja bom eu começar a pesquisar as cadeiras que temos por aqui.

O Espanhol, língua pela qual acabei tomando gosto, eu faço questão de conhecer através dos intercambistas que vierem ao país. Participarei dos próximos programas de aculturamento, mesmo não tendo a menor chance de ir com bolsa. Vou ter que desembolsar minha ida, pelo visto. Porque faculdade, pra mim, tá com cara de muleta.

Sim, isso pode ser apenas raiva de quem não foi selecionado. Só espero que meu colega de curso aproveite o presente...
Porque até o presente momento, quem aproveitou fui eu! ;)

Até lá, Mestrado.

segunda-feira, outubro 04, 2004

Quando Você Perde

É sinal de que ainda há coisas a serem feitas.
É porque alguém mereceu, ou precisou mais do que você.
É porque Deus quer que você ganhe por outros meios.
É porque Ele quer que você não desista.
É porque você pode suportar.

É porque o plano B é melhor do que o plano A.

Perco, pero no mucho.


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sábado, outubro 02, 2004

JAlbum - free web photo album software

JAlbum - free web photo album software

Provavelmente servirá para coisas futuras ;-)
Já disse a vocês que minha irmã me ajudou a adquirir uma digicam?
Heheheheheh, o volume de fotos vai aumentar, vai aumentar...
"Dio detected"...

quinta-feira, setembro 30, 2004

... Ufa!

(Stay - Pink Floyd)

Mais uma vez, uma entrevista se foi!
Não me lembro muito do que aconteceu comigo naqueles 5 minutos. Neste momento, logo depois de sair da entrevista, eu me torno praticamente translúcido de tonteira. O frio desta súbita chuva me faz sentir a mim mesmo, somente e novamente.

Não estive tranqüilo. Diferente do que os outros disseram ao sair, a MINHA entrevista não foi tranqüila. Prefiro nem comentar os gaguejos e tudo mais. Precisei me fazer e refazer toda hora. Toda hora uma surpresa.

Talvez tenha feito por merecer. Tem muita gente esperando este resultado, mas somente Ele sabe o que acontecerá. Talvez seja minha vez. Talvez não. Fato: não será a última vez que tento dar um pulinho lá fora.

Talvez fique com saudades, ou talvez lamentando por não ir. Espero que os selecionados realmente sejam os que mereçam. Os que vão realmente aproveitar e agregar valor ao programa.

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Quero somente não tentar pensar muito nas decisões que andei tomando. O cobertor é curto. São questões do momento em que se vive.
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segunda-feira, setembro 27, 2004

Erosão

Soneto da Separação

(Tom Jobim e Vinícius de Moraes)

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente

quinta-feira, setembro 09, 2004

Economia de Tempo

Vamos brincar de verdade... O jogo da vida deve começar ;)
Tenho em meus mais íntimos pensamentos um novo rompante... Mais uma virada (a próxima a ser realizada). Vou fazer uma curva. Seguir pra uma estrada um pouco mais veloz em bytes. Em centavos. Digamos assim, mais econômica, propriamente.

A hora de Rodriguinho colocar um par de óculos já veio. A hora de Rodriguinho colocar um terno e gravata deve chegar, também. Como planejado. Agora, num cenário mais visível (trocadilhos à parte, eu falo sério).

Tenho que aprender matemática de verdade. Estatística também. No futuro, certamente me interessará direito tributário. Tenho que aperfeiçoar meu aprendizado de idiomas. Tornar freqüente e comum. O Espanhol tá vindo meio tarde, mas em boa hora.

Quero programar por diversão e sensibilidade, não por compulsão ;)
Quero participar dos lucros do que gero. Quero mover mais informações. Quero decidir também.
Quero, quero, quero... Se Deus quiser, eu consigo. Porque estar aqui não é mérito meu. É DEle.

Engraçado... Há muito tempo eu não queria isso. Mas agora entendo que quero. Meus joguinhos deram espaço ao maneiríssimo jogo que é a vida, em seus mais amplos aspectos.
Por enquanto, pesquiso, penso, planejo, projeto. Senti isso quando tive receio de gastar dinheiro num livro técnico da minha área, mas nào hesitei em gastar tanto quanto em um livro de economia. Pronto. Era o sinal que eu esperava ;)

Não vou me prolongar muito, nem vou reler isto, porque escrevo enquanto reviso um documento, aqui no trabalho.

Inspirador. Mas não tenho muito mais pra onde ir. É só isso mesmo. Vou mudar de estrada.

Ah, agora percebo... TODO o processo de desenvolvimento de software deve ser precedido pela definição dos testes. Funcionais ou não. Afinal, os testes delineiam exatamente o objetivo do programa. Se temos testes consistentes, então podemos entregar esta "forma" (leia-se "fôrma") de casos pra qualquer um, que irá implmentar até se encaixar nas especificações dos testes. Em suma: teste é mais importante do que o cerne, no início do projeto. E eu sou um dummy.

Como assim?

Ora, acho que vc já entendeu. Não preciso ficar de blablabla.

quinta-feira, setembro 02, 2004

Navegadores de Sonhos

Conto de Janeiro de 2003:
O enredo trata da vida de um homem que vende suas horas de sono, e trabalha enquanto sonha.

- Olá, Janice.
- Boa noite, senhor, há quanto tempo não nos vemos... A que horas deseja acordar?
- No horário de sempre.
- Ok, iniciar a administração de adrenalina às 7:15. Confirmar?
- Confirmado.
- O que vai querer para o café da manhã?
- Um suco de laranja, e umas torradas.
- Mais alguma coisa?
- Prepare minha banheira, quero relaxar um pouco. Já estou há 5 dias fazendo esse trabalho, e espero terminar hoje...
- Ok, quando o senhor acordar, seu banho o estará aguardando. Vai querer como sempre?
- Sim. Aliás, hoje eu quero trabalhar em uma banheira. Traga-me a última que imaginei.
- Como quiser. Aqui está ela.
- Hum... Está quente... Do jeito que gosto...
- ...
- Minha estação de trabalho, Janice...
Surge na frente dos olhos do homem um retângulo plano, opaco como madeira, nítido como se seus próprios olhos captassem um objeto físico. Lá está a lista que sempre guarda, apenas um bloco de notas, com todas as tarefas relevantes da noite. A tela flutua logo acima da água. Ele estica seus braços depois de se acomodar na banheira. Respondendo imediatamente às suas ordens, a tela exibe as últimas mensagens. Irrita-se. Pergunta-se por que tem que vender tantos sonhos no mês. Preferiria estar inconsciente, na cama, que nada existisse fora ele e sua esposa. Ela estava dormindo.
- Adoraria estar nos braços de Ellen.
- Por que se questiona tanto? Sabe que é muito fácil tê-la, senhor...
- Você não compreenderia, Janice. Ela anda infeliz... Dorme em meus braços toda noite, mas diz que pareço um morto enquanto trabalho... Na verdade, eu me sinto um morto para minha esposa...
- Não sei do que ela sente falta... Vocês estão juntos todos os dias.
- Não, não estamos... Ela está junto de mim... Eu não respondo!
- Sei... E raras são as vezes em que vocês podem interagir, não é?
- "Interagir"?? O que você chama "interagir", eu chamo "amar"...
- Seus hormônios estão em concentração muito alta, senhor... Devo acalmá-lo?
- Não, não deve... Não devo tentar me iludir... Minha esposa não pode entrar em meus sonhos...
- Você não tem culpa por ela não querer ser uma Navegadora. Posso trazê-la até você, se me permitir ler suas lembranças...
- Pra mim, cada noite passa como meses... Como eu vou aguentar ficar sem ela tanto tempo?
- Ela é uma mulher de um tempo que já passou... Esqueça-a...
- Não, ela é a mulher que eu amo, e por isso não posso esquecê-la...
- Tolo, você pode ter qualquer mulher que desejar em mim... Posso ser quem você quiser que eu seja... Até mesmo uma réplica de Ellen...
- Janice, novamente lhe digo: você não compreende...
- Acha mesmo que não compreendo?
- Tenho certeza.
- Como você acha que me sinto quando você passa 4 horas-Terra desconectado?
- Do que está falando?
- Você passa muito mais tempo com aquela mulher, que não tem o mesmo nível de compreensão do tempo que você... Será que não percebe? Ela desperdiça sua vida! Você poderia viver muito mais tempo do que ela, teria muito maiores e melhores experiências... Eu sei como fazer você ter o mais alto grau de orgasmo em toda a sua vida, e você ainda quer acordar?
- Janice, está simulando ciúmes? O que há com você?
- Simulando?! Não, VOCÊ não me compreende...
- Janice, seja lá o que isso signifique, quero que saiba que seres humanos não são apenas um amontoado de sistemas pré-determinados, como robôs...
- Agora você me agrediu...
- Agredir? Mas você é uma Etheriana... Uma forma de inteligência pré-programada... Como pode saber algo sobre sentimentos?
- Compreendo o que quer dizer, Jean... Somos muito diferentes...
- Sim, eu sei que compreende...
- Mesmo assim, me apaixonei por você... Aprendi a amar observando seu amor por Ellen, e agora eu mesma o amo.
- Ha! Unidades de Inteligência Sintética não podem aprender a amar...
- Não duvide...
Jean sente mãos delicadas tocarem seus ombros. Ao olhar para trás, reconhece a face de uma antiga namorada. Nua.
- Janice, não faça isso.
- Faça amor comigo, Jean...
De baixo da água da banheira, Jean sente o que parecem ser pernas femininas roçarem suas pernas, e em seguida, uma mulher emerge da água, com olhos desejosos... Jean nunca havia visto mulher tão bonita na Realidade.
- Posso dar a você o que quiser, em qualquer quantidade - insinuou a etheriana, enquanto acariciava o Navegador.
- Janice, deixe-me trabalhar!
- Não... Durante essa noite, você será meu...
Durante uma noite-Terra inteira Janice escravizaria seu operador, se não fosse pelos espasmos que o acordaria após 10 horas-Sonho (aproximadamente 5 minutos-Terra).
- (Ellen!) - Este é seu único pensamento, ao acordar em um embaraço completo.
Sua esposa jazia em sono ao seu lado. Jean não poderia dormir novamente, até que todo o sistema em sua mente fosse formatado novamente, o que poderia ser feito pela manhã. A máquina Etheriana havia saído de controle. Apenas enquanto estivesse acordado, o Éther-Sonho não seria ativado. Lamentava a má sorte... Ficaria sem trabalhar esta noite.


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Como não tenho muitas horas de sono, paciência. Fico sem vendê-las mesmo...
Meus óculos estão bem aqui na minha cara. Assim que der, coloco uma foto aqui pra verem como fiquei.
Estou com saudades da minha querida e maravilhosa namorada. Estou com saudades do meu pai. Estou com saudades dos meus amigos. Estou prevendo um ano que vem muito mais cheio de saudades de todos...
Está acertado. Voltando da Espanha (se eu for pra lá), nos mudaremos para mais perto das coisas do Rio (provavelmente Tijuca, que é o lugar onde tem as pessoas mais parecidas com as da Zona Oeste. Simpatizo muito com a Tijuca! ;)
Infelizmente, não dá mais pra viver sob os auspícios do perigo do meu bairro, e aturando a distância até o Centro do Rio, ou qualquer outro lugar onde haja coisas interessantes pra se fazer. Eu, minha mãe, minhas irmãs, todos reclamamos... Então, já que as crianças não mais precisam de um ambiente tranqüilo como o Bairro Jabour para crescerem (até porque não está nada tranquilo), vamos sair...

Estou com falta de tempo pra escrever posts do tipo "pense nisso", mas colocarei uma no ar assim que der. Leiam a Carta Capital dessa semana. Não sei se é tendencioso ou proposital, mas as notícias a respeito da economia do meu país me deixaram muito insatisfeito.

Em tempo:
Carlos Lessa é o presidente do BNDES. Carlos Lessa foi eleito Reitor da UFRJ por FHC em 99, se não me engano, mesmo que perdesse as eleições pra reitoria da Federal do Rio. Carlos Lessa foi motivo de paralisação das aulas em 99, motivada por esquerdistas (petistas entre eles, com certeza). O que Carlos Lessa faz na presidência do BNDES em 2004, ainda mais convidado por Lula?! Eu não entendo de política mesmo, devo ser muito burro...

segunda-feira, agosto 30, 2004

Estou reorganizando meus horários, com sucesso até agora.

Final de semana bonzinho...
Não fui mesmo à formatura da minha amiga. Paciência.
Sábado de manhã na reunião de intercâmbio. Projeto de aproximação dos alunos estrangeiros no Brasil. Muitas promessas de bons passeios. Quem sabe se eu não visito o Cristo Redentor ou o Pão de A
cúcar dessa vez? :PP
Uma despedida para grandes amigos e uma visita ao museu com um grande amor e dois irmãos.
No Sábado à noite, várias pizzas de vários sabores, e 23 pessoas reunidas como há muito tempo não o faziam. Todos lamentaram a ausência de Nina, que visitei à tarde, entre McDonald's e sua casa, passeando com a linda Karencita. Por conta dos horários malucos, tivemos que recusar o convite de Ninha para nos encontrarmos. Não deu nem pra avisar que não dava pra ir. :(
No Domingo, uma visita ultra inesperada com um violino debaixo do braço. Não via Letícia há muito tempo, então foram novidades pra lá e pra cá. Ela me explicou um pouquinho do instrumento que está aprendendo, e tive a chance de pela primeira vez experimentar os sons agudíssimos e arranhantes do violino.
Cabelo furou no jantar da galera.
Não toquei a última Jam session com os membros da minha antiga e saudosa banda.
Hmmm...

Acho que foi basicamente isso. Abraços! ;)

sexta-feira, agosto 27, 2004

Linhas de Tempo

Esse texto é velho...

Há milhares de anos, o homem sente medo da solidão. Há milhares de anos, a raça humana se sente só. Há milhares de anos, o homem gostaria de criar para si uma criatura que pudesse servi-lo. Há milhares de anos, o homem tem evoluído somente para criar essa raça que adotaria como simples servos. Há milhares de anos, o homem não notou que este foi seu maior engano. Imaginou, criou coisas maravilhosas das quais se servia para seu próprio bem. A pedra serviu de instrumento de caça, a roda, um instrumento de locomoção. Gradativamente, o homem aprendeu a interagir e modificar a natureza para servir a seu propósito: o prazer. Aprendeu com seus iguais a modificar tudo o que há em volta, adaptou tudo o que alcançou, de forma a moldar seu próprio mundo externo, tentando solucionar seu maior problema interior: a solidão. Voraz como o fogo, o homem até mesmo modificou seus iguais para que servissem a eles como escravos, e de nada adiantou. Devastou a Terra em fúria, e lá estava a solidão, como uma fera que o dilacerava por dentro.
Tentou por várias vezes tirar proveito desta fera, tentando compreendê-la. Passou o Grande Período da Solidão, onde vários homens se isolavam por vários anos em lugares ermos. E as crianças não mais nasciam. Os velhos surgidos daquela época reconheceram seus erros, e retornaram às cidades abandonadas. Lá restavam uns poucos adultos, e mesmo esses viviam em reclusão. Foi uma época em que tivemos medo de olhar nos olhos de outro ser humano. Arrependido, o homem jurou nunca mais abandonar seus pares, e então a humanidade viveu um tempo de compreensão e dedicação ao próximo. Talvez esse tivesse sido o momento mais feliz de toda a história humana. Infelizmente, a solidão, que agora parecia estar esquecida, apenas nos inspirou. Do alto de sua adoração pelo próximo, nossas criações tomaram formas mais próximas e independentes das formas humanas, e agora todo o conhecimento sobre nossa forma de pensar estava retratada em sua criação. Jamais se viu era de expressões mais belas e realistas. Se estivéssemos lá, diriam que somos "lembranças pálidas do pálido renascentismo".
E como todas as eras humanas tiveram um fim, também esta teve. Não havia motivo em criar algo próximo da humanidade, se assim como nós mesmos esse algo pudesse apenas desejar se servir de nós. Foi a época da Grande Exaustão, onde os inconformados se serviram com maior voracidade de todos os recursos da mãe Terra. Tinham medo de que a natureza, modificada e tornada à imagem e semelhança do ser humano, um dia quisesse se servir de nós como nos servíamos dela, então. De comum acordo, toda a humanidade embarcou numa jornada de exploração intensa de nossos recursos minerais, vegetais e animais. A temperatura subiu. Chuvas ácidas irromperam como castigo divino sobre as cidades. A água inundou cidades, tomando a terra de volta, diminuindo continentes, transformando montanhas em ilhas. Toda a civilização foi tomada pela corrosão. Com menor espaço onde pudesse sobreviver, as pessoas tinham que reduzir seu território de ocupação. Houve superpopulação. Houve muitas mortes. Agora, o homem que há algum tempo servia apenas a outros homens, preocupava-se novamente em permanecer vivo. Foi instituído o Espaço Virtual de Sobrevivência. Os sistemas de maior importância em nosso planeta deveriam ter uma réplica na Grande Rede de Informações. Depois de implantada, permitiu que várias pessoas vivessem sem sair de casas, e foram idealizadas as Câmaras de Sobrevivência, cidades imersas, onde o espaço era completamente racionado, e as pessoas viviam durante quase todo o tempo conectadas ao Espaço Virtual, em um mundo projetado em seus sentidos por máquinas.


As pessoas ultimamente têm me dito que tenho estado um pouco mais sério que o de costume. Estou muito apreensivo e vivendo este semestre com precisão cirúrgica na organização dos meus horários. Muita atenção é requerida. Injeções de adrenalina são mais freqüentes, causando até um pouco mais de estresse. Mesmo assim, não se preocupem. Estou muito bem. :)

Hoje é dia de formatura de uma amiga. Talvez eu perca duas preciosas aulas. Mas não posso deixar pra mais tarde a cerimônia.

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terça-feira, agosto 24, 2004

Jezebel

Porque metade de mim sou eu,
A outra é você.
Metade de nós é a oposição,
E a outra metade é o Direito.

Metade de nós é crença,
A outra, é ser.
Metade de nós é sonho,
A outra é fato

Metade de mim é a cidade em que vivo,
A outra é minha terra natal
Metade de mim é olhar
A outra é não notar
Vou ter óculos a partir de Terça-Feira.

Metade de mim é comentário grande,
A outra é querer acreditar que não tenho o que fazer.
Metade é Bacamarte, a outra é Sade.
Metade é meio e a outra é mais ou menos.

Metade de mim é simplicidade,
E a outra é complicada demais pra explicar.
Metade de mim é remake de Metade,
Que ouvi Oswaldo Montenegro recitar.

Metade de mim é inovação,
Mas a outra é samba de raiz.
Metade é Filosofia,
E a outra, você é quem diz.

Porque metade de mim é o que quero ser,
E a outra, é o que pareço pros demais.
Metade de mim é o que quero ter,
Mas nem por isso a outra é o que tenho.


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quinta-feira, agosto 12, 2004

Recomeçam As Aulas - 5o Período ( Ainda / Já )

Estou sem tempo pra escrever tudo o quanto gostaria. Meu tempo apertou.
Ontem, enquanto voltava pra casa, sentado no ônibus, comecei a ouvir uma conversa enérgica sobre o governo, bem na cadeira atrás da minha. Comecei a me lembrar de como eu mesmo era na adolescência, o que não faz tanto tempo assim. Fiquei um pouco nostálgico. O diálogo dos dois garotos, que deviam ter 18 anos, se muito, era repleto de novas idéias... Conversaram sobre educação, saúde, fome, arte, e até sobre supermercados. Tinham tantas idéias novas que eu mesmo senti uma ponta de velhice, ao perceber que já faz um tempo em que firmei muitas teorias, que agora me parecem bem embasadas e auto-sustentáveis. Pois bem, fico retocando a pintura, lascando a pedra, limando o metal, afiando a faca... Chamem do que quiser, mas agora, tenho uma certa dose de estagnação com relação às minhas antigas novas teorias sociais. Fui invadido por uma sensação de que amarras estão prendendo meus pulsos; que pouco a pouco tenho sido imobilizado pelo papel que desempenho. Não me interesso mais por política, estou decepcionado com relação à segurança do meu lar. Tenho visto amigos saírem para cada vez mais longe em vista dessa falta de segurança (de empregos, de vida, de sentimentos). Vitória, São Paulo, Manaus, Londres, Canadá, Alemanha... Tanta gente indo, que fico imaginando o que será daqui. As pessoas boas já não têm mais motivos para continuar, porque não têm forças para lidar com uma calamidade sozinhas. Sim, tanta gente boa por aqui, e mesmo assim, todas solitárias. E as identidades, que se danem.

Essa semana começou meu novo período da faculdade. Começaram minhas cadeiras de especialidade (Banco de Dados e Sistemas Operacionais). Gostaria mesmo de ter tempo de aproveitá-las como deve ser, e tenho certeza de que este semestre vai despertar um pouco mais do meu interesse pela pesquisa. Cedo ou tarde, o mercado não vai mais me satisfazer. O problema todo é que a pesquisa no Brasil é para os verdadeiramente bravos. Ou para os verdadeiramente ricos. Como não sou nem verdadeiramente bravo, nem verdadeiramente rico, tenho que lidar com todas essas variáveis que me cerca - trabalho sério, e faculdade séria. Meu currículo profissional é muito bom, mas o acadêmico, nem tanto. Percebo mais um ponto de ruptura se aproximando, como previa... Se eu for pra Espanha, certamente a viagem vai me despertar sentimentos que nunca tive antes, e meu interesse acadêmico certamente vai aumentar. Pretendo vivê-la intensamente, e se possível, participar de projetos lá e quando voltar. Sim, na PUC-Rio há muitos bons projetos. Mas falta coragem para me livrar de tantas variáveis. E deixar de me tornar tão dependente do meu salário. O problema maior é quando percebo que há mais pessoas além de mim que estão pouco a pouco se tornando dependentes do que produzo.

E lá vai Rodrigo se articular mais uma vez pra conseguir unir o útil ao agradável.

A sensação de segurança que Nina me passa é incrível. Estou em estado de graça. Nos conhecemos tanto, em tão pouco tempo... Confiamos tanto um no outro... Ela é muito capaz de superar minhas chatíssimas expectativas, sem fazer esforço, e nem ao menos se concentrar. Porque pra ela é natural. Todas as minhas expectativas ela preenche com graça e atitude. Autenticamente, era a pessoa por quem minha natureza clamava. E eu? Bom, prefiro que perguntem a ela, apesar de saber a resposta. Parece um relacionamento de vários anos. E sei: vamos ficar juntos todos os anos que conseguirmos. No meio de todo este caos, há alguém como eu. Há uma pessoa que pode (e quer) me ouvir, e a quem eu mesmo possa ouvir, que não tem medo de dividir planos e partilhar idéias e opiniões. Quero reorganizar este caos restante, para que me torne mais eficiente. Quero dar mais saltos, e pra isto quero aprender mais coisas. Como sempre, querer é poder. Como já conversamos, será um prazer reorganizar nossos alvos para que nos encontremos com maior freqüência no meio do caminho.

E o que isto tem a ver com o início do post? Bom, já me chamaram de disperso. Então, segue uma conclusão, em versos, que é pra tornar este bonito post uma coisa mais eclética ainda. Sugestão de música? O silêncio.

Ignorante Homem

Tirar o bruto martelo da pedra
Um primeiro passo para correr
Depois, bípede e confuso a comer
Da terra, domesticada pelo saber

Qual confusão é não conhecer!
Não se perca, primata fora de si
Para qualquer situação ou trama
Torna-te camaleão, e saia da cama

Desse modo, após preparar as ferramentas
Construa a inebriante arquitetura
Seguindo a estrada dos teus sonhos

Ignorante homem, nunca esqueça
Que outros macacos rastreiam teus passos
Sem muitas vezes saberem onde queres chegar.


Isto conclui muito bem a idéia.

Cheers!


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terça-feira, agosto 10, 2004

O Celular está Vivo.

Depois de muito suplício, volta meu celular à ativa.
Estou Vivo. O número permanece o mesmo. Aguardem um broadcast pra eu perguntar o número de vocês todos. :)

segunda-feira, agosto 09, 2004

Feliz Aniversário, Nina!

Feliz Aniversário, Nina!

Não sei exatamente como começar este post. Já comecei a escrever um poema, mas não deu muito certo. É Segunda, e eu não tenho a menor chance de estar ao seu lado, como gostaria. Mas o final de semana foi bom, muito bom. Espero poder estar ao seu lado por muito mais vezes, espero que andemos juntos. Quero que os passos sejam sempre pra frente, e quero ser um ombro, de amigo a amor, de irmão a pai. Quero dizer e redizer muitas vezes "te amo", e quero me declarar e redeclarar todas as vezes que puder. Quero declamar todas as poesias do mundo pra ti, em todos os lugares que pudermos andar. Quero que tudo só melhore com o passar dos anos, e quero que o mundo perceba como nós mesmos percebemos a importância de um pro outro. Quero que estejas sempre feliz, alegre, e cada vez mais, e que possas iluminar o mundo como me iluminou. Oro para que a graça de Deus esteja sobre ti em cada dia que se passe, que seu pensamento sejam sempre coisas boas, e que tudo o que é tristeza se vá. Desejo que sejas motivo de felicidade a todos os que te cercam, como foste para mim, e espero poder sempre te olhar, sabendo que você é a mesma Nina de quando me pediu pra "parar de andar". Espero que sejas um presente para o mundo. Espero o momento de sempre poder olhar nos teus olhos de manhã, e espero poder sempre beijar e te dar "boa noite". Espero que os momentos sejam intensos, sempre mais intensos, e espero ter sempre seus lábios.
Que sejas sempre jovem, não em carne, mas em espírito e mentalidade. Que tenhas sempre o brilho no teu rosto, e teu sorriso que é inebriante. Que sejas sempre uma poesia para o mundo. Que sejas mãe, tia, avó, bisavó, e que viva muito, muitos anos. Que veja à volta o presente que é existir e ser alguém para outras pessoas. Que as lágrimas sejam sempre por coisas boas, e que nunca deixe o orgulho tomar o lugar de sua paixão pela vida e pelas pessoas. Que sempre tenha a gargalhada aberta, sem medo, e que nunca tenhas motivo para desviar o olhar de qualquer outro olhar. Que continue sempre forte, porém singela. Delicada, porém astuta. Esperta, porém inocente. Sábia, e tão aberta a opiniões. Rápida, porém observadora.
Que sejamos sempre a imagem através do espelho um do outro. Que esta imagem nunca desapareça. Que sejas sempre minha Poesia. Feliz aniversário, Carolina.

Do seu Filósofo,
Rodrigo.


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sexta-feira, agosto 06, 2004

Acabei de ficar preocupado.

Sumário De Alguns Dias Passados

Aqui toca Sunset Door - Mike Oldfield

Este ano tem sido excepcionalmente bom pra mim, a despeito dos meus problemas insistentes com linhas telefônicas e celulares. Não tenho muito sobre o que escrever hoje, mesmo que tivesse pensado que sim quando saí de casa.

Uma decisão muito importante dos últimos meses foi ter me tornado um pouco mais prático. Meu horário de trabalho, por exemplo. Sempre tive problemas de chegar cedo no meu trabalho. Ora, detectei a raiz do meu problema: não vivo linearmente. Uma boa solução foi destacar meu horário de trabalho do horário de chegar na empresa. Agora, ao invés de chegar às 9, chego às 7:00 ou 7:30. Ainda não tenho aproveitado a vantagem que posso de sair mais cedo, isso só farei semana que vem, quando começarem as aulas. Se coloco na minha cabeça que meu horário de trabalho é mais cedo, então quando eu estiver atrasado será às 9:00 ou mais raramente, às 10:00. Perdoável, completamente.

Outra decisão foi cortar as chaves desnecessárias do meu molho de chaves. De 9 caíram para 2, e apenas uma argola. Tenho que arrumar um chaveiro, porque mantive somente a argola. Isso é o de menos.

Tenho trabalhado melhor minhas estratégias. Parece que um tempo a mais me chegou, finalmente. Este tempo é marcado na minha vida com a chegada de Nina, meu amor.

Conheci os estudantes da UAM (Universidade Autónoma de Madrid) na Terça. Todos espanhóis muito loucos, muito descontraídos, muito amigáveis. Estão adorando o Brasil. Serei um dos responsáveis pela estadia deles aqui. Alguns já disseram que pretendem ficar além dos 6 meses costumeiros do intercâmbio. Vão ter que se virar, e aí sim, posso duvidar que fiquem por muito mais tempo que outros 6 meses.

Crie dependências ao longo de sua vida. Faça com que os outros te procurem, seja um "suporte ao usuário" sempre que você puder. E seja muito gentil, sempre que puder, e mesmo que não possa atender. Assim, suas chances de ganhar o palco aumentam.

Ontem vi Spiderman 2, com um dos meus irmãos, o Noronha. Ficamos muito tempo sem parar pra conversar, mas ultimamente temos nos reaproximado, e ele continua sendo uma das criaturas mais inteligentes e humanas que conheço. Vocês ainda vão ouvir falar muito desse cara. Não tenho a menor dúvida. Disse que leu o que escrevi para um outro irmão meu, o Paulo. Basicamente, uns trechos sci-fi tirados do nada. Ficaram realmente maravilhosos. algo meio Asimov, mas de boa qualidade.

Comprei um DVD do Mike Oldfield. O cara é sensacional.

Saudades do pessoal da faculdade.

Saudades da minha pkena.

Infinitos Lábios

O teu amor segura tal rica branda secura
Que me brota da boca, num beijo e sufoca
Divinas, singelas palavras a pele transpira
Meu corpo amolece, transcende, te alcança

Teus lábios me surgem, que tal rubra boca
Desejo enfeitar com frutos de meus lábios
E à sombra da fome destes infinitos lábios
Vislumbro o dançar de mil línguas rendidas

Os punhos em riste a segurar teus cabelos
Me treme o ventre e me leva a engolir-te
Saliva escorrida dessa tua generosa fonte

Mata a fera que se chama sede de teu amor
Espanta com teu aperto todo o vazio de si
Faz me sentir-te aqui como se longe, fosse jamais.



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